1 Samuel (BAV) 11

11 1 Naas, o amonita, pôs-se em campanha e combateu contra Jabes, em Galaad. Os habitantes de Jabes disseram-lhe: Façamos aliança, e nós te serviremos.
2
Mas Naas, o amonita, respondeu-lhes: Só farei aliança convosco com a condição de vos furar a todos o olho direito, para impor assim um opróbrio a todo o Israel.
3
Concede-nos sete dias, disseram-lhe os anciãos de Jabes, para que enviemos mensageiros por toda a terra de Israel; se não houver quem nos ajude, entregar-nos-emos a ti.
4
Foram os mensageiros a Gabaa, cidade de Saul, e contaram isso ao povo, e todo o povo pôs-se a chorar em alta voz.
5
Saul voltava então do campo, atrás dos seus bois. Que tem o povo para chorar dessa forma? disse ele. E referiram-lhe as palavras dos habitantes de Jabes.
6
Ouvindo isso, o Espírito do Senhor apoderou-se de Saul, e ele encolerizou-se.
7
Tomando uma junta de bois, fê-la em pedaços e mandou-os por mão de mensageiros por todo o território de Israel, com este aviso: Assim será feito aos bois de todo aquele que se não puser em campanha com Saul e Samuel. O terror do Senhor apoderou-se do povo e este pôs-se em marcha como um só homem.
8
Saul passou-o em revista em Bezec: havia trezentos mil homens de Israel, e trinta mil de Judá.
9
Disseram aos mensageiros que tinham vindo: Dizei aos habitantes, de Jabes, em Galaad, que amanhã, quando o sol estiver na força do seu calor, serão socorridos. Voltando, deram os mensageiros essa notícia aos habitantes de Jabes, que se alegraram.
10
Esses disseram aos amonitas: Amanhã nos renderemos a vós, e fareis de nós o que vos parecer melhor.
11
No dia seguinte, Saul dividiu o povo em três partes; penetraram ao raiar do dia no acampamento inimigo e feriram os amonitas até que chegou o grande calor do dia. Os que escaparam foram dispersos de tal sorte, que não ficaram dois deles juntos.

Confirmação da realeza

12 O povo disse a Samuel: Quem é que disse: Saul não reinará sobre nós? Dai-nos esses homens para que os matemos.
13
Porém, Saul respondeu: Hoje não se matará ninguém, porque é o dia em que o Senhor libertou Israel.
14
Samuel disse ao povo: Vamos a Gálgala, e renovemos ali a realeza.
15
Partiu, pois, todo o povo para Gálgala para ali confirmar Saul, em presença do Senhor, no seu título de rei, e oferecer naquele lugar sacrifícios de ações de graças. E Saul, com todos os israelitas, alegraram-se grandemente.

Abdicação de Samuel

12 1 Samuel disse a todo Israel: Obedeci à vossa voz em tudo o que me pedistes, e estabeleci um rei sobre vós.
2
Agora tendes o rei que vos governará doravante. Quanto a mim, estou velho e encanecido, e meus filhos estão no meio de vós. Estive à vossa frente desde a minha juventude até este dia.
3
Agora, aqui me tendes! Dai testemunho de mim em presença do Senhor e do seu ungido: tomei o boi ou o jumento de alguém? Oprimi ou prejudiquei alguém? Recebi presentes de alguém para fechar os olhos ao seu proceder? Restituirei.
4
Responderam-lhe: Tu não nos prejudicaste, nem nos oprimiste, nem recebeste coisa alguma da mão de ninguém.
5
Samuel replicou: O Senhor é testemunha contra vós, e também o seu ungido, de que vós não encontrastes coisa alguma nas minhas mãos. Sim, eles são testemunhas, responderam eles.
6
Samuel disse ao povo: É, pois, testemunha o Senhor que estabeleceu Moisés e Aarão, e tirou os vossos pais do Egito.
7
Agora, apresentai-vos. Vou pleitear convosco diante do Senhor a respeito de todos os benefícios que ele vos concedeu a vós e a vossos pais.
8
Depois que Jacó entrou no Egito, vossos pais invocaram o Senhor, e o Senhor enviou Moisés e Aarão para os tirar do Egito e colocá-los neste lugar.
9
Mas esqueceram-se do Senhor, seu Deus, e ele os entregou nas mãos de Sísara, general do exército de Hazor, nas mãos dos filisteus e na mão do rei de Moab, os quais combateram contra eles.
10
Depois clamaram ao Senhor, dizendo: Pecamos, porque abandonamos o Senhor para servir aos Baal e às Astarot: agora livrai-nos das mãos de nossos inimigos, e nós vos serviremos.
11
O Senhor enviou Jerobaal, Badã, Jefté e Samuel, para salvar-vos das mãos dos inimigos que vos cercavam, a fim de habitantes em segurança nas vossas casas.
12
Mas quando vistes Naas, rei dos amonitas, marchar contra vós, dissestes-me: Não! Um rei nos governará!, quando o Senhor, nosso Deus, era o vosso rei.
13
Eis, pois, o rei que escolhestes e pedistes. O Senhor estabeleceu-o sobre vós.
14
Esteja em vós o temor ao Senhor, para o servirdes, e obedecerdes à sua voz e não vos rebelardes contra as suas vontades! Que vós sejais, vós e o vosso rei, dóceis ao Senhor, vosso Deus.
15
Mas se não ouvirdes a sua voz, e vos revoltardes contra as suas ordens, a mão do Senhor pesará sobre vós como pesou sobre vossos pais.
16
Agora, ficai ainda um pouco aqui para assistirdes ao prodígio que o Senhor vai realizar aos vossos olhos.
17
Não é porventura agora a sega do trigo? Vou invocar o Senhor e ele fará trovejar e chover. Compreendereis então que fizestes mal aos seus olhos pedindo um rei.
18
Samuel pôs-se em oração e o Senhor mandou no mesmo instante trovões e chuva; todo o povo temeu grandemente ao Senhor e a Samuel.
19
E disseram todos a Samuel: Roga pelos teus servos ao Senhor, teu Deus, para que não morramos, porque a todos nossos pecados ajuntamos o mal de pedirmos um rei.
20
Não temais, respondeu Samuel. O mal está feito; agora não vos desvieis do Senhor e servi-o de todo o vosso coração.
21
Não vos afasteis dele para seguintes coisas vãs, que não salvam nem livram, porque são vãs.
22
O Senhor, por causa do seu grande nome, não abandonará o seu povo, porque foi do seu agrado fazer de vós uma nação.
23
Longe de mim também esse pecado contra o Senhor de cessar de orar por vós! Eu vos mostrarei o caminho bom e reto.
24
Temei, pois, ao Senhor e servi-o em verdade e de todo o vosso coração, considerando as maravilhas que ele fez por vós.
25
Se, porém, fizerdes o mal, perecereis vós e o vosso rei.

Primeiro pecado de Saul

13 1 Saul tinha... anos quando se tornou rei. Ele reinou... dois anos sobre Israel.
2
Saul escolheu para si três mil israelitas: dois mil para ficar com ele em Macmas e no monte Betel, e mil com Jônatas em Gabaa de Benjamim. Quanto ao resto do povo, mandou que fosse cada um para a sua tenda.
3
Jônatas destruiu a guarnição dos filisteus de Guibea. E souberam-no os filisteus. Saul mandou por toda a terra tocar a trombeta, dizendo: Saibam-no os hebreus.
4
Todo o Israel ouviu esta notícia: Saul bateu a guarnição dos filisteus, e Israel atraiu sobre si o ódio deles. O povo foi convocado diante de Saul em Gálgala.
5
Juntaram-se os filisteus para combater contra Israel, com três mil carros, seis mil cavaleiros e uma multidão tão numerosa como a areia na praia do mar. Partiram e acamparam em Macmas, ao oriente de Bet-Aven.
6
Os israelitas, vendo o aperto em que se achavam, porque estavam cercados de perto, ocultaram-se nas cavernas, nos matos, nos rochedos, nos fortins e nas cisternas.
7
Vários deles atravessaram o Jordão e foram para a terra de Gad e de Galaad. Saul, entretanto, estava ainda em Gálgala, com todo o seu povo, que tremia de medo.
8
Esperou sete dias, prazo fixado por Samuel, mas este não chegava, e o povo começou a afastar-se.
9
Então Saul disse: Trazei-me o holocausto e os sacrifícios pacíficos. E ofereceu o holocausto.
10
Apenas acabava de o oferecer, chegou Samuel, e Saul saiu-lhe ao encontro para o saudar.
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Que fizeste?, disse Samuel. Vendo que o povo se dispersava e que tu não chegavas no tempo fixado, e que os filisteus se tinham juntado em Macmas,
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pensei comigo: Agora eles vão cair sobre mim em Gálgala, sem que eu tenha aplacado o Senhor. Por isso ofereci eu mesmo o holocausto.
13
Samuel replicou-lhe: Procedeste insensatamente, não observando o mandamento que te deu o Senhor, teu Deus, que estava pronto a confirmar para sempre o teu trono sobre Israel.
14
Agora o teu reino não subsistirá. O Senhor escolheu para si um homem segundo o seu coração e o fará chefe de seu povo, porque não observaste as suas ordens.
15
E Samuel partiu, subindo de Gálgala a Gabaa de Benjamim. Quanto a Saul, passando em revista o povo que estava com ele, achou que havia cerca de seiscentos homens.
16
Saul, Jônatas, seu filho, e o povo que tinha ficado com eles, postaram-se em Gabaa de Benjamim, enquanto os filisteus acampavam em Macmas.
17
Três destacamentos saíram do acampamento dos filisteus com o intuito de saquear: um tomou o caminho de Efra, para a terra de Saul;
18
o outro avançou pelo caminho de Bet-Horon; e o terceiro foi pelo caminho da fronteira que domina o vale de Seboim, do lado do deserto.
19
Ora, não se encontrava um ferreiro em toda a terra de Israel, porque os filisteus diziam: Não deixemos que os hebreus fabriquem espadas ou lanças.
20
E por isso todos os israelitas tinham que descer aos filisteus para afiar cada um a sua relha, o enxadão, o machado ou a foice,
21
quando o fio das relhas, dos enxadões, dos forcados ou das cunhas se embotava, e para aguçar os aguilhões.
22
E chegando o dia do combate, não se encontrou nem espada, nem lança nas mãos do povo que acompanhava Saul e Jônatas. Somente Saul e seu filho Jônatas estavam munidos dessas armas.
23
Um grupo de filisteus tinha-se postado no desfiladeiro de Macmas.

Coragem de Jônatas

14 1 Um dia, Jônatas, filho de Saul, disse ao seu escudeiro: Vem, passemos até ao acampamento dos filisteus que está do outro lado. Mas nada disse ao seu pai.
2
Saul estava acampado na extremidade de Gabaa, debaixo da romãzeira de Magron, com uma tropa de seiscentos homens aproximadamente.
3
Aquias, filho de Aquitob, irmão de lcabod, filho de Finéias, filho de Heli, o sacerdote do Senhor em Silo, levava o efod. O povo ignorava a saída de Jônatas.
4
Ora, no desfiladeiro que Jônatas tentava atravessar para atingir a guarnição dos filisteus, havia rochedos altos, em forma de dentes, de um e outro lado, um dos quais se chamava Boses e o outro Sene.
5
Um desses se elevava ao norte, defronte de Macmas, e o outro ao sul, do lado de Gabaa.
6
Disse, pois, Jônatas ao seu escudeiro: Vem, ataquemos a guarnição desses incircuncisos; talvez o Senhor combaterá por nós. Nada impede que ele dê a vitória a poucos tão bem como a muitos.
7
Seu escudeiro respondeu-lhe: Faze como te aprouver; vai aonde quiseres, que eu te seguirei aonde deliberares.
8
Pois bem, replicou Jônatas; marchemos contra esses homens e mostremos-nos a eles.
9
Se nos disserem: Esperai até que vamos ter convosco, ficaremos em nosso posto, e não subiremos a eles.
10
Se, porém, nos disserem: Subi a nós - iremos, porque o Senhor no-los terá entregue nas mãos. Isso nos servirá de sinal.
11
Então, mostraram-se ambos à guarnição dos filisteus. Estes disseram: Eis os hebreus que saem das cavernas onde se tinham escondido.
12
E os homens da guarda gritaram a Jônatas e ao escudeiro: Subi a nós; queremos dizer-vos uma coisa. Jônatas disse ao escudeiro: Segue-me, porque o Senhor os entregou nas mãos de Israel.
13
Subiu, pois, Jônatas, trepando com as mãos e com os pés, seguido do escudeiro. Os filisteus caíram diante de Jônatas, e o seu escudeiro matava-os atrás dele.
14
Esse foi o primeiro massacre que fizeram Jônatas e o seu escudeiro, metade de uma jeira de terra.
15
Espalhou-se o terror no acampamento dos filisteus, assim como na região e entre todo o povo. A guarnição e os saqueadores ficaram tomados de espanto, e a terra ficou em pânico: pois aquilo era como um terror de Deus.
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As sentinelas de Saul que estavam em Gabaa de Benjamim, viram a multidão de fugitivos que se dispersava por todos os lados.
17
Saul disse ao povo: Fazei uma chamada e vede quem saiu dentre nós. Fez-se a chamada e verificou-se a falta de Jônatas e de seu escudeiro.
18
Saul disse a Aquias: Faze aproximar a arca de Deus. (Porque a arca de Deus se encontrava naquele dia com os israelitas.)
19
Enquanto Saul falava ao sacerdote, o tumulto no acampamento dos filisteus crescia cada vez mais. Saul disse ao sacerdote: Retira a tua mão.
20
O rei e todo o povo que estavam com ele foram até o lugar do combate: os filisteus, numa extrema confusão, voltavam a espada uns contra os outros.
21
Os hebreus que tinham estado desde há muito tempo com os filisteus, e que os tinham seguido ao acampamento, voltaram e puseram-se do lado dos israelitas que estavam com Saul e Jônatas.
22
Igualmente todos os israelitas que se tinham escondido no monte de Efraim, sabendo que os filisteus tinham fugido, saíram a persegui-los para os ferir.
23
Naquele dia, o Senhor deu a vitória a Israel. O combate prosseguiu até além de Bet-Aven.

Ordem imprudente de Saul

24 Os israelitas estavam extenuados naquele dia, porque Saul conjurara o povo, dizendo: Maldito seja o homem que tomar alimento antes do anoitecer, antes que eu me tenha vingado de meus inimigos. Por isso ninguém tinha comido.
25
Todos tinham entrado numa floresta, onde havia mel na superfície do solo.
26
o povo entrou, pois, na floresta e viu o mel que corria, mas ninguém levou a mão à boca, por respeito ao juramento.
27
Mas Jônatas, ignorando o juramento que o seu pai obrigara o povo a fazer, estendeu a ponta da vara que tinha na mão, mergulhou-a num favo de mel e o levou à boca. Então seus olhos (fatigados) brilharam.
28
Um homem do grupo disse-lhe: Teu pai fez jurar o povo, dizendo: Maldito o homem que hoje tomar alimento. E o povo estava esgotado.
29
Jônatas disse: Meu pai fez mal à terra. Vede como se me iluminaram os olhos, porque comi um pouco de mel.
30
Ah! se o povo tivesse hoje comido da presa tomada ao inimigo, não teria sido muito maior a derrota dos filisteus?
31
Eles bateram, naquele dia, os filisteus desde Macmas até Ajalon.
32
O povo, esgotado de fadiga, lançou-se sobre a presa e tomou as ovelhas, os bois e os bezerros, que degolou sobre a terra, comendo a carne juntamente com o sangue.
33
Eis que o povo está pecando contra o Senhor, vieram dizer a Saul, comendo carne com sangue. Isso é uma impiedade, exclamou o rei; revolvei-me já para aqui uma grande pedra.
34
Ide por todo o povo, ajuntou, e dizei-lhes que cada um me traga as suas ovelhas e os seus bois, para que sejam degolados aqui. Comê-los-eis então, sem pecar contra o Senhor, comendo carne com sangue. Cada um deles levou naquela noite o gado que tinha em mãos e o degolou ali.
35
Saul edificou um altar ao Senhor. Este foi o primeiro altar que ele levantou.
36
Depois Saul disse: Desçamos durante a noite contra os filisteus e despojemo-los até os primeiros albores do dia e não deixemos vivo um só homem deles. O povo disse: Faze tudo o que melhor te parecer. Então o sacerdote disse: Aproximemo-nos aqui de Deus.
37
Saul consultou a Deus: Perseguirei os filisteus? Entregá-los-eis nas mãos de Israel? Mas Deus não lhe respondeu dessa vez.
38
Saul disse: Fazei vir aqui todos os chefes do povo; investigar e dizei-me qual é o pecado que hoje se cometeu.
39
Pela vida do Senhor, libertador de Israel! Mesmo que fosse o meu filho Jônatas, ele morrerá! Mas ninguém na multidão lhe respondeu.
40
Ponde-vos de um lado, disse ele a todo o Israel; eu e meu filho Jônatas estaremos do outro. A multidão respondeu-lhe: Faze o que te parecer melhor.
41
Saul disse ao Senhor: Deus de Israel, dai-nos a conhecer a verdade! Jônatas e Saul foram designados pela sorte, e o povo ficou livre.
42
Então Saul disse: Lançai a sorte entre mim e Jônatas, meu filho. E caiu a sorte em Jônatas.
43
Confessa-me o que fizeste, disse Saul ao seu filho. Jônatas contou-lhe: Provei um pouco de mel com a ponta da vara que eu. tinha na mão. Eis que vou morrer!
44
Saul disse: Trate-me Deus com todo o rigor, se não morreres, Jônatas!
45
Mas o povo interveio: Como haveria de perecer Jônatas, ele que deu essa vitória tão grande a Israel? Isso não pode ser! Viva Deus! Nem um só cabelo de sua cabeça cairá por terra, porque foi por Deus que ele operou hoje dessa forma. Assim o povo salvou Jônatas, e ele não morreu.
46
Saul voltou e não perseguiu os filisteus, que foram para as suas terras.

Resumo do reinado

47 Saul, depois de ter tomado posse do reino de Israel, combateu contra todos os inimigos da vizinhança: Moab, os amonitas, Edom, os reis de Soba, os filisteus; para onde quer que se voltava, ele vencia.
48
Portou-se valorosamente, feriu Amalec e livrou Israel das mãos dos que o devastavam.
49
Os filhos de Saul foram Jônatas, Jessui e Melquisua; a primogênita de suas duas filhas chamava-se Merob, a mais nova Micol.
50
Sua mulher chamava-se Aquinoã, filha de Aquimaas. O general de seu exército era Abner, filho de Ner, tio de Saul.
51
Cís, pai de Saul, e Ner, pai de Abner, eram filhos de Abiel.
52
Durante todo o tempo da vida de Saul a guerra foi encarniçada contra os filisteus. O rei, logo que descobria um homem forte e valente, tomava-o a seu serviço.

Novo pecado de Saul

15 1 Samuel disse a Saul: O Senhor enviou-me para que te consagrasse rei de seu povo de Israel. Ouve agora o que diz o Senhor.
2
Assim fala o Senhor dos exércitos: Vou pedir contas a Amalec do que ele fez a Israel, opondo-se-lhe no caminho, quando saiu do Egito.
3
Vai, pois, fere Amalec e vota ao interdito tudo o que lhe pertence, sem nada poupar: matarás homens e mulheres, crianças e meninos de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos.
4
Saul comunicou isso ao povo e fez o seu recenseamento em Telaim: havia duzentos mil homens de Israel e dez mil de Judá.
5
Saul avançou até a cidade de Amalec e pôs-se de emboscada no vale.
6
Disse aos cineus: Retirai-vos, separai-vos dos amalecitas, não suceda que eu vos envolva com eles (no massacre), porque tratastes bem os israelitas quando saíram do Egito. E os cineus separaram-se dos amalecitas.
7
Saul bateu os amalecitas desde Hévila até Sur, que está ao oriente do Egito.
8
Tomou vivo Agag, rei de Amalec, e votou todo o povo ao interdito, passando-o ao fio da espada.
9
Mas Saul e seus homens pouparam a Agag assim como o melhor do rebanho miúdo e do grande, os animais cevados e os cordeiros, e tudo o que havia de melhor; não quiseram votá-los ao interdito. Só exterminaram o que era ordinário e sem valor.
10
O Senhor disse a Samuel:
11
Arrependo-me de ter feito rei a Saul; ele se desviou de mim e não executou as minhas ordens. Samuel irritou-se com isso, e clamou ao Senhor durante toda a noite.
12
Na manhã seguinte, indo ao encontro de Saul, alguém veio dizer-lhe: Saul chegou ao Carmelo e erigiu ali uma estela, retomando em seguida o seu caminho para Gálgala.
13
Samuel foi ter com ele; Saul disse-lhe: Deus te abençoe! Cumpri, a ordem do Senhor.
14
Samuel disse-lhe: Mas que balidos de ovelhas são esses que ressoam aos meus ouvidos, e esses mugidos de gado que ouço?
15
É a presa tomada aos amalecitas, respondeu Saul. O povo poupou o melhor das ovelhas e dos bois para os sacrificar ao Senhor, teu Deus; o resto, votamo-lo ao interdito.


16 Samuel disse-lhe: Basta! vou cientificar-te do que o Senhor me disse esta noite. Fala, disse Saul.
17
E Samuel: Por pequeno que foste aos teus próprios olhos, acaso não te tornaste o chefe das tribos de Israel, e não te consagrou o Senhor, rei de Israel?
18
O Senhor te havia dado uma ordem, e te havia dito que votasses ao interdito esses pecadores, os amalecitas, combatendo-os até o completo extermínio.
19
Por que não ouviste a sua voz? Por que te lançaste sobre os despojos fazendo o mal aos olhos do Senhor.?
20
Mas eu obedeci à voz do Senhor, replicou Saul; fui pelo caminho que ele me traçou, trouxe Agag, rei de Amalec, e votei ao interdito os amalecitas.
21
O povo somente tomou dos despojos algumas ovelhas e bois, à guisa de primícias do interdito, para os sacrificar ao Senhor, teu Deus, em Gálgala.
22
Samuel replicou-lhe: Acaso o Senhor se compraz tanto nos holocaustos e sacrifícios como na obediência à sua voz? A obediência é melhor que o sacrifício e a submissão vale mais que a gordura dos carneiros.
23
A rebelião é tão culpável quanto a superstição; a desobediência é como o pecado de idolatria. Pois que rejeitaste a palavra do Senhor, também ele te rejeita e te despoja da realeza!


24 Saul disse: Pequei! Transgredi a ordem do Senhor e as tuas instruções, pois tive medo do povo e ouvi a sua voz.
25
Agora, peço-te, perdoa o meu pecado, e volta comigo para que eu adore o Senhor.
26
Não voltarei contigo!, exclamou Samuel. Rejeitaste a palavra do Senhor, por isso o Senhor te rejeita, e não quer mais que sejas rei de Israel.
27
Samuel voltou-se e ia-se retirando, mas Saul agarrou-o pela ponta do manto, o qual se rasgou.
28
Samuel disse-lhe: Assim o Senhor arranca hoje de ti a realeza sobre Israel, a fim de dá-la a outro melhor do que tu.
29
Aquele que é a verdade de Israel não mente, nem se arrepende, pois não é um homem para se arrepender.
30
Saul respondeu: Pequei, mas rogo-te que (continues) a honrar-me na presença. dos anciãos de meu povo e diante de Israel. Volta comigo, para eu adorar o Senhor, teu Deus!
31
Samuel voltou, pois, com o rei, e este adorou o Senhor.
32
Samuel disse: Trazei-me Agag, rei de Amalec. Aproximou-se Agag, cheio de alegria, dizendo: Certamente passou a amargura da morte!
33
Tua espada, disse-lhe Samuel, privou as mulheres de seus filhos; agora, é tua mãe que será uma mulher sem filho. E Samuel fê-lo em pedaços diante do Senhor, em Gálgala.
34
Depois disso Samuel retirou-se para Ramá, e Saul voltou para a sua casa em Gabaa de Saul.
35
O profeta não tornou mais a ver Saul até o dia de sua morte.
36
Samuel afligia-se por causa de Saul, por se ter o Senhor arrependido de tê-lo feito rei de Israel.

Unção de Davi

16 1 O Senhor disse-lhe: Até quando chorarás tu Saul, tendo-o eu rejeitado da realeza de Israel? Enche o teu corno de óleo. Vai; envio-te a Isaí de Belém, porque escolhi um rei entre os seus filhos.


2 Samuel respondeu: Como hei de ir? Se Saul souber, matar-me-á. O Senhor disse: Levarás contigo uma novilha e dirás que vais oferecer um sacrifício ao Senhor.
3
Convidarás Isaí ao sacrifício, e eu te mostrarei o que deverás fazer. Ungirás para mim aquele que eu mandar.
4
Fez Samuel como o Senhor queria. Ao chegar a Belém, os anciãos da cidade vieram-lhe ao encontro, inquietos: É de paz a tua vinda?, perguntaram-lhe.
5
Sim, disse ele; venho oferecer um sacrifício ao Senhor; purificai-vos para a cerimônia. Ele mesmo purificou Isaí e seus filhos e os convidou ao sacrifício.


6 Logo que entraram, Samuel viu Eliab e pensou consigo: Certamente é esse o ungido do Senhor.
7
Mas o Senhor disse-lhe: Não te deixes impressionar pelo seu belo aspecto, nem pela sua alta estatura, porque eu o rejeitei. O que o homem vê não é o que importa: o homem vê a face, mas o Senhor olha o coração.


8 Isaí chamou Abinadab e fê-lo passar diante de Samuel. Não é tampouco este, pensou Samuel, que o Senhor escolheu.
9
Isaí fez passar Sama. Não é ainda este que escolheu o Senhor, pensou Samuel.


10 Isaí mandou vir assim os seus sete filhos diante do profeta, que lhe disse: O Senhor não escolheu nenhum deles.
11
E ajuntou: Estão aqui todos os teus filhos? Resta ainda o mais novo, confessou Isaí, que está .pastoreando as ovelhas. Samuel ordenou a Isaí: Manda buscá-lo, pois não nos poremos à mesa antes que ele esteja aqui.
12
E Isaí mandou buscá-lo. Ele era louro, de belos olhos e mui formosa aparência. O Senhor disse: Vamos, unge-o: é ele.
13
Samuel tomou o corno de óleo e ungiu-o no meio dos seus irmãos. E, a partir daquele momento, o Espírito do Senhor apoderou-se de Davi. Samuel, porém, retomou o caminho de Ramá.

Davi em presença do rei

14 O Espírito do Senhor retirou-se de Saul, e um espírito mau veio sobre ele, enviado pelo Senhor.
15
Os homens de Saul disseram-lhe: Eis que um mau espírito de Deus veio sobre ti.
16
Que nosso senhor ordene, e teus servos aqui presentes procurarão um homem que saiba tocar harpa e, quando o mau espírito de Deus estiver sobre ti, ele tocará o instrumento para acalmar-te.
17
Está bem, respondeu Saul, procurai-me um bom músico e trazei-mo.
18
Um dos servos declarou: Conheço um filho de Isaí de Belém que sabe tocar muito bem: é valente e forte, fala bem, tem um belo rosto, e o Senhor está com ele.
19
Saul mandou mensageiros a Isaí, para dizer-lhe: Manda-me o teu filho Davi, o pastor.
20
Isaí tomou um jumento carregado com pão, um odre de vinho e um cabrito, e mandou esses presentes a Saul, por seu filho.
21
Davi chegou à casa do rei e apresentou-se a ele. Saul afeiçoou-se a Davi e o fez seu escudeiro.
22
Mandou então dizer a Isaí: Peço-te que deixes Davi a meu serviço, porque ele me é simpático.
23
E sempre que o espírito mau de Deus acometia o rei, Davi tomava a harpa e tocava. Saul acalmava-se, sentia-se aliviado e o espírito mau o deixava.

Davi e Golias

17 1 Mobilizaram os filisteus as suas tropas para a guerra e concentraram-se em Soco, em Judá. Acamparam entre Soco e Azeca, em Efes-Domim.
2
Saul e os israelitas mobilizaram-se de seu lado e acamparam no vale do Terebinto, pondo-se em linha de combate contra os filisteus.
3
Estes estavam num lado da montanha e Israel na colina defronte; o vale os separava.
4
Saiu do acampamento dos filisteus um campeão chamado Golias, de Get, cujo talhe era de seis côvados e um palmo.
5
Trazia na cabeça um capacete de bronze e no corpo uma couraça de escamas, cujo peso era de cinco mil siclos de bronze.
6
Tinha perneiras de bronze e um dardo de bronze entre os ombros.
7
O cabo de sua lança era como o cilindro de um tear, e sua ponta pesava seiscentos siclos de ferro. Um escudeiro o precedia.
8
Apresentou-se ele diante das tropas israelitas e gritou-lhes: Por que viestes dispostos a uma batalha? Não sou eu filisteu, e vós os escravos de Saul? Escolhei entre vós um homem que desça contra mim.
9
Se ele me vencer, batendo-se comigo, e matar-me, seremos vossos escravos; mas, se eu o vencer e o matar, então sois vós que sereis nossos escravos e nos servireis!
10
E ajuntou: Lanço hoje este desafio ao exército de Israel: dai-me um homem para lutarmos juntos!
11
Saul e todo o Israel ouviram essas palavras do filisteu, e ficaram consternados, cheios de medo.
12
Ora, Davi era um dos oito filhos de um efrateu de Belém de Judá, chamado Isaí, já idoso no tempo de Saul.
13
Seus três filhos mais velhos tinham seguido Saul na guerra. Chamavam-se: o primogênito Eliab, Abinadab o segundo e o terceiro Sama.
14
Davi era o mais novo. Os três mais velhos estavam com Saul,
15
e Davi ora ia ao acampamento de Saul, ora voltava para apascentar o rebanho de seu pai em Belém.
16
O filisteu aproximava-se pela manhã e pela tarde, e isso por quarenta dias seguidos.
17
Um dia, disse Isaí ao seu filho Davi: Toma para teus irmãos um efá de grão torrado e estes dez pães, e apressa-te a levá-los aos teus irmãos no acampamento.
18
Entrega estes dez queijos ao chefe dos mil. Informa-te se teus irmãos vão bem e traze algo de sua parte como prova.
19
Eles estavam com Saul e todos os homens de Israel no vale do Terebinto, em guerra com os filisteus.
20
No dia seguinte pela manhã, Davi, confiando o rebanho a um pastor, tomou sua bagagem e partiu, como lhe ordenara Isaí. Chegou ao acampamento no momento em que saía o exército para a batalha, levantando o grito de guerra.
21
Israel e os filisteus puseram-se em linha de combate, tropa contra tropa.
22
Davi entregou sua carga ao guarda das bagagens e correu às fileiras para informar-se de seus irmãos.
23
Enquanto lhes falava, eis que o campeão filisteu, Golias, de Get, avançou para fora das fileiras do seu exército, proferindo o mesmo desafio (como nos dias precedentes), que Davi escutou.
24
Todo o Israel recuava à vista do homem, tremendo de medo.
25
Vedes, diziam eles, esse homem que avança? Ele vem insultar Israel. Aquele que o matar, o rei o cumulará de favores, dar-lhe-á sua filha e isentará de impostos em Israel a casa de seu pai.
26
Davi perguntou aos que estavam perto dele: Que será feito àquele que ferir esse filisteu e tirar o opróbrio que pesa sobre Israel? E quem é esse filisteu incircunciso para insultar desse modo o exército do Deus vivo?
27
E deram-lhe a mesma resposta: Dar-se-á isto e isto a quem o ferir.
28
Eliab, seu irmão mais velho, ouvindo-o falar assim, encolerizou-se: Por que vieste aqui? Com quem deixaste tuas ovelhas no deserto? Conheço a tua pretensão e a tua má índole; foi para ver a batalha que vieste!
29
Que fiz eu de mal?, respondeu Davi. Nada mais fiz que uma simples pergunta!
30
E afastou-se de seu irmão, indo perguntar a outros, dos quais obteve sempre as mesmas respostas.
31
As palavras de Davi foram ouvidas e comunicadas a Saul, que o mandou vir à sua presença.


32 Davi disse-lhe: Ninguém desanime por causa desse filisteu! Teu servo irá combatê-lo.
33
Combatê-lo, tu?!, exclamou o rei. Não é possível. Não passas de um menino e ele é um homem de guerra desde a sua mocidade.


34 Davi respondeu a Saul: Quando o teu servo apascentava as ovelhas do seu pai e vinha um leão ou um urso roubar uma ovelha do rebanho,
35
eu o perseguia e o matava, tirando-lhe a ovelha da boca. E se ele se levantava contra mim, agarrava-o pela goela e estrangulava-o.
36
Assim como o teu servo matou o leão e o urso, assim fará ele a esse filisteu incircunciso, que insultou os exércitos do Deus vivo.


37 O Senhor, acrescentou, que me salvou das garras do leão e do urso, salvar-me-á também das mãos desse filisteu. Vai, disse Saul a Davi; e que o Senhor esteja contigo!


38 O rei revestiu Davi com sua armadura, pôs-lhe na cabeça um capacete de bronze e armou-o de uma couraça.
39
Davi cingiu a espada de Saul por cima de sua armadura e tentou andar com aquela equipagem inusitada. Mas disse a Saul: Não posso andar com isso, pois não estou habituado!


40 E, tirando a armadura, tomou seu cajado e escolheu no regato cinco pedras lisas, pondo-as no alforje de pastor que lhe servia de bolsa. Em seguida, com a sua funda na mão, avançou contra o filisteu.
41
De seu lado, o filisteu, precedido de seu escudeiro, aproximou-se de Davi,
42
mediu-o com os olhos, e, vendo que era jovem, louro e de delicado aspecto, desprezou-o.
43
Disse-lhe: Sou eu porventura um cão, para vires a mim com um cajado? E amaldiçoou-o em nome de seus deuses.
44
Vem, continuou ele, e eu darei a tua carne às aves do céu e aos animais da terra!
45
Davi respondeu: Tu vens contra mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do Senhor dos exércitos, do Deus das fileiras de Israel, que tu insultaste.
46
Hoje o Senhor te entregará nas minhas mãos, e eu te matarei, cortar-te-ei a cabeça, e darei os cadáveres do exército dos filisteus às aves do céu e aos animais da terra. Toda a terra saberá que há um Deus em Israel;
47
e toda essa multidão saberá que não é com a espada nem com a lança que o Senhor triunfa, pois a batalha é do Senhor, e ele vos entregou em nossas mãos!
48
Levantou-se o filisteu e marchou contra Davi. Davi também correu para a linha inimiga ao encontro do filisteu.
49
Meteu a mão no alforje, tomou uma pedra e arremessou-a com a funda, ferindo o filisteu na fronte. A pedra penetrou-lhe na fronte, e o gigante caiu com o rosto por terra.
50
Assim venceu Davi o filisteu, ferindo-o de morte com uma funda e uma pedra. E como não tinha espada na mão,
51
correu ao filisteu, subiu-lhe em cima, arrancou-lhe a espada da bainha e acabou de matá-lo, cortando-lhe a cabeça. Vendo morto o seu campeão, os filisteus fugiram.


52 Os homens de Israel e de Judá levantaram-se então, soltando gritos de guerra, e perseguiram os inimigos até a entrada de Get e até as portas de Acaron. Os cadáveres dos filisteus juncavam o caminho desde Saraim até Get e até Acaron.
53
Voltando da perseguição, os israelitas saquearam o acampamento dos inimigos.
54
Davi tomou a cabeça do filisteu e mandou levá-la para Jerusalém. Conservou, porém, em sua própria tenda a armadura de Golias.
55
Quando Saul viu Davi partir ao encontro do filisteu, disse a Abner, seu general: De quem é filho esse jovem, Abner? Por tua vida, ó rei, respondeu Abner, não o sei.
56
Disse-lhe o rei: Informa-te, pois, de quem é filho esse jovem.
57
E quando voltou Davi, depois de ter matado o filisteu, levou-o Abner à presença de Saul, tendo ainda na mão a cabeça de Golias.
58
Saul perguntou-lhe: Quem é o teu pai, ó jovem? Eu sou filho de Isaí de Belém, teu servo, respondeu Davi.

Amizade emtre Davi e Jônatas

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1 Samuel (BAV) 11