
Bento XVI Homilias 13
13
Domingo, 10 de Setembro de 2006
Queridas crianças
da Primeira Comunhão
Estimados pais e educadores!
Queridos irmãos e irmãs!
A leitura que acabámos de ouvir é um trecho do último livro dos escritos neotestamentários, chamado Apocalipse. Ao vidente é concedido olhar para o alto, no céu, e em frente, em direcção ao futuro. Mas, precisamente desse modo ele fala também da terra e do presente, da nossa vida. Com efeito, durante a nossa vida estamos todos a caminho, progredindo rumo ao futuro. E queremos encontrar a estrada certa: descobrir a vida verdadeira, não acabar num beco sem saída ou no deserto. Não queremos dizer no final: tomei a estrada errada, a minha vida faliu, não deu certo. Nós queremos alegrar-nos com a vida; queremos, como disse Jesus certa vez, "ter vida em abundância".
Mas, escutemos agora o vidente do Apocalipse. O que nos disse neste trecho que há pouco nos foi lido? Ele fala de um mundo reconciliado. De um mundo no qual homens "de todas as nações, tribos, povos e línguas" (Ap 7,9) estão reunidos na alegria. Então perguntamo-nos: "Como pode acontecer isto? Qual é a estrada que leva a esta situação?". Bem, a primeira coisa, a mais importante, é: essas pessoas vivem com Deus; Ele "abrigá-los-á na sua tenda" (Ap 7,15), diz a nossa Leitura. E perguntamo-nos ainda: "O que é esta "tenda de Deus"? Onde está? Como podemos chegar até ela?". O vidente refere-se talvez ao primeiro capítulo do Evangelho de João, onde se lê: "E o Verbo fez-se homem e veio habitar connosco" (Jn 1,14). Deus não está longe de nós, num lugar muito distante do universo, onde ninguém pode chegar. Ele armou a sua tenda no meio de nós: em Jesus tornou-se um de nós, com carne e sangue como nós. Esta é a sua tenda. E na Ascensão não foi para um lugar longe de nós. A sua tenda, Ele mesmo com o seu Corpo, permanece entre nós como um de nós. Podemos tratá-lo por Tu e falar com Ele. Ele escuta-nos, e se estivermos atentos, ouvimos também que Ele responde.
Repito: em Jesus é Deus que "acampa" no meio de nós. Mas repito também: Onde é que isto acontece realmente? À pergunta, a nossa Leitura dá duas respostas. Fala dos homens reconciliados que "lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro" (Ap 7,14). Isto parece-nos muito estranho. Constitui uma menção ao Baptismo na linguagem cifrada do vidente. A palavra acerca do "sangue do Cordeiro" refere-se ao amor de Jesus, por Ele conservado até à morte cruenta. Este amor divino, e ao mesmo tempo humano, é a purificação na qual Ele nos imerge no Baptismo a purificação com a qual nos lava, tornando-nos limpos para sermos adequados a Deus, para podermos viver na sua companhia. O acto do Baptismo, contudo, é somente o início. Ao caminhar com Jesus, na fé e na vida com Ele, o seu amor toca-nos profundamente para nos purificar e nos tornar luminosos. Escutámos que no banho do amor as vestes tornaram-se cândidas.
Segundo a ideia do mundo antigo, o branco era a cor da luz. As vestes brancas significam que na fé nos tornamos luz, depomos as trevas, a mentira, a ficção, o mal em geral, tornamo-nos pessoas claras, adequadas a Deus. O hábito baptismal e o da Primeira Comunhão que vestis querem recordar-nos e dizer-nos: mediante a convivência com Jesus e com a comunidade dos crentes, com a Igreja, torna-te tu mesmo uma pessoa luminosa, uma pessoa de verdade e de bondade uma pessoa da qual transparece o esplendor do bem, da bondade do próprio Deus.
O vidente dá-nos a segunda resposta à pergunta "onde encontramos Jesus" novamente na sua linguagem cifrada. Ele diz que o Cordeiro guia a multidão de pessoas de todas as culturas e nações às fontes de água viva. Sem água não existe vida. Sabiam-no bem as pessoas cuja pátria confinava com o deserto. Assim a água nascente tornou-se para eles o símbolo por excelência da vida. O Cordeiro, isto é Jesus, guia os homens às fontes da vida. A Sagrada Escritura, na qual Deus nos fala e nos diz como viver de modo justo, faz parte dessas fontes. Mas algo mais pertence a essas fontes: em verdade, a autêntica fonte é o próprio Jesus, no qual Deus se doa a nós. E faz isto sobretudo na santa Comunhão, na qual podemos, por assim dizer, beber directamente na fonte da vida: Ele vem a nós e une-se a cada um de nós. Podemos constatar isto: mediante a Eucaristia, o Sacramento da Comunhão, forma-se uma comunidade que ultrapassa todos os confins e abraça todas as línguas vemos isso aqui: estão presentes Bispos de todas as línguas e de todas as partes do mundo através da comunhão forma-se a Igreja universal, na qual Deus fala e vive connosco. Deste modo é que devemos receber a santa Comunhão: como encontro com Jesus, com o próprio Deus, que nos guia para as fontes da vida verdadeira.
Queridos pais! Gostaria de vos convidar vivamente a ajudar as vossas crianças a crer, convidar-vos a acompanhá-las no seu caminho rumo à Primeira Comunhão, um caminho que continua também depois, a acompanhá-las no seu caminho rumo a Jesus e com Jesus. Peço-vos, acompanhai as vossas crianças à igreja para participar na Celebração eucarística de domingo!
Vereis que isto não é tempo perdido; ao contrário, é o que mantém a família verdadeiramente unida, dando-lhe o seu centro. O domingo torna-se mais bonito, toda a semana torna-se mais bonita, se juntos participais na Liturgia dominical. E, por favor, rezai juntos também em casa: à mesa e antes de dormir. A oração leva-nos não somente para Deus, mas também uns em direcção aos outros. É uma força de paz e de alegria. A vida em família torna-se mais cordial e adquire um alívio mais amplo se Deus estiver presente, e experimenta-se esta sua proximidade na oração.
Queridos professores de religião e caros educadores! Peço-vos de coração para manter presente na escola a busca de Deus, daquele Deus que em Jesus Cristo se tornou visível para nós. Sei que no nosso mundo pluralista é difícil iniciar na escola o discurso sobre a fé. Mas não é de facto suficiente que as crianças e os jovens adquiram na escola somente alguns conhecimentos e algumas habilidades técnicas, e não os critérios que dão uma orientação e um sentido aos conhecimentos e às habilidades. Estimulai os alunos a fazer perguntas não somente sobre isto ou aquilo o que também é positivo mas a perguntar sobretudo acerca do "de onde" e do "para onde" da nossa vida.
Ajudai-os a perceber que todas as respostas que não chegam até Deus são demasiado curtas.
Queridos Pastores de almas e todos vós que desempenhais actividades de ajuda na paróquia! A vós peço para fazer todo o possível a fim de tornar a paróquia uma pátria interior para as pessoas uma grande família, na qual experimentamos ao mesmo tempo a família ainda maior da Igreja universal, aprendendo mediante a liturgia, a catequese e todas as manifestações da vida paroquial a caminhar juntos na estrada da vida verdadeira.
Os três lugares da formação família, escola e paróquia caminham juntos e ajudam-nos a encontrar a estrada rumo às fontes da vida e, queridas crianças, queridos pais e queridos educadores, todos nós desejamos verdadeiramente "a vida em abundância". Amém.
14
Segunda-feira, 11 de Setembro de 2006
Caros irmãos no ministério episcopal
e sacerdotal
Amados irmãos e irmãs
Na primeira leitura, no salmo responsorial e no trecho evangélico deste dia encontramos três vezes, de modo sempre diferente, Maria, a Mãe do Senhor, como pessoa que reza. No Livro dos Actos encontramo-la no meio da comunidade dos Apóstolos que se reúnem no Cenáculo e invocam o Senhor que subiu ao Pai, a fim de que cumpra a sua promessa: "Dentro de pouco tempo, vós sereis baptizados no Espírito Santo" (Ac 1,5). Maria guia a Igreja nascente na oração; é praticamente a Igreja orante em pessoa. E assim juntamente com a grande comunidade dos santos e como seu centro, encontra-se também hoje diante de Deus e intercede por nós, pedindo ao seu Filho que envie novamente o seu Espírito à Igreja e ao mundo, e que renove a face da terra.
Nós respondemos a esta leitura, cantando juntamente com Maria o grande louvor entoado por Ela, quando Isabel a chamou bem-aventurada em virtude da sua fé. Trata-se de uma prece de acção de graças, de alegria em Deus, de bênção pelas suas grandes obras. O teor deste canto sobressai imediatamente nas primeiras palavras: "A minha alma glorifica isto é, engrandece o Senhor". Engrandecer Deus significa dar-lhe espaço no mundo, na própria vida, deixá-lo entrar no nosso tempo e no nosso agir: esta é a essência mais profunda da verdadeira oração. Onde Deus é engrandecido, o homem não é diminuído: ali também o homem é engrandecido e o mundo luminoso.
Enfim, neste trecho evangélico Maria dirige ao seu Filho um pedido em favor dos amigos que se encontram em dificuldade. À primeira vista, isto pode parecer um diálogo totalmente humano entre a Mãe e o Filho e, efectivamente, é um diálogo repleto de profunda humanidade. Todavia, Maria dirige-se a Jesus não simplesmente como a um homem, contando com a sua fantasia e a sua disponibilidade em socorrer. Ela confia uma necessidade humana ao seu poder a um poder que vai para além da habilidade e da capacidade humanas. E assim, no diálogo com Jesus, vemo-la realmente como Mãe que suplica, que intercede. Vale a pena mergulhar um pouco mais profundamente na escuta deste trecho evangélico: para compreender melhor Jesus e Maria, mas precisamente para aprender também de Maria a rezar da maneira justa. Maria não dirige um verdadeiro pedido a Jesus, mas diz-lhe somente: "Não têm vinho" (Jn 2,3).
Na Terra Santa, as bodas festejavam-se durante uma semana inteira; nelas participava todo o povoado, e portanto consumiam-se grandes quantidades de vinho. Agora os esposos encontram-se em dificuldade, e Maria simplesmente refere tal facto a Jesus. Não lhe pede algo específico, e ainda menos que Jesus exerça o seu poder, realize um milagre, produza vinho. Simplesmente confia a situação a Jesus, deixando-lhe a decisão sobre como agir. Assim, nas palavras simples da Mãe de Jesus identificamos dois elementos: por um lado, a sua solicitude carinhosa pelos homens, a atenção materna com que sente a dificuldade do próximo; vemos a sua bondade cordial e a sua disponibilidade a ajudar. Esta é a Mãe, à qual as pessoas há gerações se põem em peregrinação aqui em Altötting.
Confiamos-lhes as nossas preocupações, as necessidades e as situações de dificuldade. É aqui na Sagrada Escritura que vemos pela primeira vez a bondade da Mãe pronta a ajudar, em quem temos confiança. Mas a este primeiro aspecto, muito conhecido por todos, une-se mais um que facilmente nos passa despercebido: Maria remete tudo ao juízo do Senhor. Em Nazaré, entregou a sua vontade, infundindo-a na vontade de Deus: "Eis a serva do Senhor, faça-me em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38). Esta é a sua atitude fundamental permanente. É assim que Ela nos ensina a rezar: não desejar afirmar diante de Deus a nossa vontade e os nossos desejos, por mais importantes que sejam, por mais razoáveis que nos possam parecer, mas levá-los até à sua presença e deixar que Ele decida o que tenciona fazer. De Maria aprendemos a bondade pronta a ajudar, mas também a humildade e a generosidade de aceitar a vontade de Deus, dando-lhe confiança na convicção de que a sua resposta, qualquer que ela venha a ser, será o nosso, o meu verdadeiro bem.
Penso que podemos compreender muito bem a atitude e as palavras de Maria; contudo, temos ainda maior dificuldade de entender a resposta de Jesus. Já o apelativo não nos agrada: "Mulher". Por que motivo Ele não diz: mãe? Na realidade, este título exprime a posição de Maria na história da salvação. Ele remete ao futuro, à hora da crucifixão, em que Jesus lhe dirá: "Mulher, eis o teu filho filho, eis a tua mãe!" (cf. Jo Jn 19,26-27). Por conseguinte, indica antecipadamente a hora em que Ele fará da mulher, sua mãe, a mãe de todos os seus discípulos. Por outro lado, este título evoca a narração da criação de Eva: no meio da criação com todas as suas riquezas, Adão sente-se sozinho como ser humano. Então é criada Eva, em quem ele encontra a companheira que esperava e a quem chama com o título de "mulher". Assim, no Evangelho de João, Maria representa a nova e definitiva mulher, a companheira do Redentor, a nossa Mãe: aparentemente pouco afectuoso, este apelativo expressa ao contrário a grandeza da sua missão perene.
Mas agrada-nos ainda menos aquilo que em seguida, em Caná, Jesus diz a Maria: "Mulher, que tem isso a ver contigo e comigo? Ainda não chegou a minha hora" (Jn 2,4). Gostaríamos de objectar: tens muito a ver com Ela! Foi Ela quem te deu a carne, o sangue o teu corpo. E não apenas o teu corpo: com o "sim", que brotou das profundidades do seu coração, carregou-te no seu seio e, com amor materno, introduziu-te na vida e ambientou-te no seio da comunidade do povo de Israel. Mas se falamos assim com Jesus, já estamos no bom caminho para compreender a sua resposta. Pois tudo isto deve evocar na nossa memória o facto de que por ocasião da Encarnação de Jesus existem dois diálogos que caminham juntos e se fundamentam um ao outro, tornando-se um só. Em primeiro lugar, há o diálogo que Maria mantém com o Arcanjo Gabriel, no qual Ela diz: "Faça-me em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38).
Mas existe um texto paralelo a este, um diálogo por assim dizer no interior de Deus, do qual nos faz menção a Carta aos Hebreus, quando diz que as palavras tiradas do Salmo 40 se tornaram como que um diálogo entre Pai e Filho um diálogo em que tem início a Encarnação. O Filho eterno diz ao Pai: "Tu não quiseste sacrifício nem oferenda, mas preparaste-me um corpo... Eis que venho... para fazer, ó Deus, a tua vontade" (He 10,5-7 cf. Sl Ps 40,6-8). O "sim" do Filho: "Venho para fazer a tua vontade", e o "sim" de Maria: "Faça-me em mim segundo a tua palavra" este dúplice "sim" torna-se um único "sim", e deste modo o Verbo torna-se carne em Maria.
Neste dúplice "sim", a obediência do Filho faz-se corpo; mediante o seu "sim", Maria dá-lhe um corpo. "Mulher, que tem isso a ver contigo e comigo?". Aquilo que mais profundamente têm a ver um com o outro é este dúplice "sim", em cuja coincidência teve lugar a Encarnação. É este ponto da sua profundíssima unidade que o Senhor tem em vista com a sua resposta. É precisamente para ali que remete a sua Mãe. É ali, neste "sim" conjunto à vontade do Pai, que se encontra a solução. Também nós devemos aprender sempre de novo a caminhar rumo rumo a este ponto; é ali que sobressai a resposta às nossas interrogações.
A partir dali, compreendemos agora também a segunda frase da resposta de Jesus: "Ainda não chegou a minha hora". Jesus jamais age exclusivamente sozinho; nunca para agradar os outros. Ele age sempre a partir do Pai, e é precisamente isto que O une a Maria, porque foi ali, nesta unidade de vontade com o Pai, que Ela quis inserir também o seu pedido. Por isso, depois da resposta de Jesus, que parece rejeitar o pedido, surpreendentemente e com simplicidade Ela pode dizer aos servos: "Fazei tudo o que Ele vos disser" (Jn 2,5). Jesus não realiza um prodígio, não brinca com o seu poder numa situação que, em última análise, é totalmente particular. Não, Ele realiza um sinal, mediante o qual anuncia a sua hora, a hora das bodas, a hora da união entre Deus e o homem.
Ele não "produz" simplesmente vinho, mas transforma as bodas humanas numa imagem das núpcias divinas, para as quais o Pai convida através do Filho e nas quais Ele confere a plenitude do bem, representada pela abundância do vinho. As bodas tornam-se imagem daquele momento, em que Jesus leva o seu amor até ao extremo, deixa que o seu corpo seja dilacerado e assim se entrega a Si mesmo a nós para sempre, tornando-se um só connosco união entre Deus e o homem. A hora da Cruz, a hora da qual brota o Sacramento, em que Ele se entrega realmente a nós em carne e sangue, deposita o seu Corpo nas nossas mãos e no nosso coração: esta é a hora das núpcias.
Assim, também a necessidade do momento é resolvida de modo verdadeiramente divino, e o pedido inicial é ultrapassado amplamente. A hora de Jesus ainda não chegou, mas no sinal da transformação da água em vinho, no sinal do dom festivo, Ele antecipa a sua hora já no momento presente.
A sua "hora" é a Cruz; a sua hora definitiva será o seu retorno no final dos tempos. Ele antecipa de forma incessante esta hora definitiva, também precisamente na Eucaristia, onde se manifesta sempre já neste momento. E sempre de novo, fá-lo por intercessão da sua Mãe, por intercessão da Igreja, que O invoca nas preces eucarísticas: "Vem, Senhor Jesus!". No Cânone, a Igreja implora sempre de novo esta antecipação da "hora", pedindo que ela chegue já agora e que se entregue a nós. Assim desejamos deixar-nos orientar por Maria, pela Mãe das Graças de Altötting, pela Mãe de todos os fiéis, rumo àquela "hora" de Jesus.
Peçamos-lhe o dom de O reconhecer e compreender cada vez mais. E não permitamos que o nosso receber seja reduzido unicamente ao momento da Comunhão. Ele permanece presente na Hóstia santa e espera-nos continuamente. A adoração do Senhor na Eucaristia encontrou em Altötting, na antiga sala do tesouro, um novo lugar. Maria e Jesus caminham juntos. Através dela queremos permanecer em diálogo com o Senhor, aprendendo deste modo a recebê-lo melhor.
Santa Mãe de Deus, rogai por nós, como em Caná rogastes pelos esposos! Guiai-nos sempre de novo rumo a Jesus.
Amém!
15
Altötting, 11 de Setembro de 2006
Estimados amigos
Neste lugar de graça, Altötting, reunimo-nos seminaristas a caminho do sacerdócio, presbíteros, religiosas, religiosos e membros da Pontifícia Obra para as Vocações de Especial Consagração na Basílica de Santa Ana, diante do Santuário da sua Filha, a Mãe do Senhor. Estamos aqui congregados para nos interrogarmos sobre a nossa vocação ao serviço de Jesus Cristo e para compreender esta nossa vocação sob os olhos de Santa Ana, em cuja casa amadureceu a maior vocação da história da salvação. Maria recebeu a sua vocação dos lábios do Anjo.
No nosso quarto, o Anjo não entra de modo visível, mas para cada um de nós o Senhor tem um seu plano; Ele chama cada um pelo nome. Por conseguinte, a nossa tarefa consiste em tornarmo-nos pessoas em escuta, capazes de ouvir a sua chamada, corajosas e fiéis, para O seguir e no final para sermos servos fiéis, que agiram correctamente com o dom que lhes foi confiado.
Sabemos que o Senhor procura trabalhadores para a sua messe. Foi Ele mesmo que o disse: "A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor para que envie trabalhadores para a sua messe!" (Mt 9, 37s.). Foi por isso que nos reunimos aqui: para apresentar este pedido ao Senhor da messe. Sim, a messe de Deus é grande e espera trabalhadores: no chamado Terceiro Mundo na América Latina, na África, na Ásia as pessoas esperam arautos que anunciem o Evangelho da paz, a mensagem do Deus que se fez Homem.
Mas também no chamado Ocidente, aqui na Alemanha, bem como na vastidão da Rússia é verdade que a messe poderia ser grande. Porém, faltam homens que estejam dispostos a tornar-se operários na messe de Deus. Acontece hoje, como outrora, quando o Senhor foi tomado pela compaixão diante das multidões que lhe pareciam como ovelhas sem pastor pessoas que provavelmente sabiam muitas coisas, mas não eram capazes de ver como orientar bem a sua vida. Senhor, olhai a tribulação desta nossa hora, que tem necessidade de mensageiros do Evangelho, de testemunhas para Vós, de pessoas que indiquem o caminho rumo à "vida em abundância"! Vede o mundo e também agora deixai-vos tomar pela compaixão! Olhai o mundo e enviai trabalhadores!
Com este pedido nós batemos à porta de Deus; mas é também com este mesmo pedido que o Senhor bate ao nosso próprio coração. Senhor, Vós quereis-me? Isto não seria porventura demasiado grande para mim? Não sou talvez demasiado pequeno para isto? "Não temas", disse o Anjo a Maria.
"Nada temas, porque Eu... te chamei pelo teu nome", diz-nos Ele mediante o profeta Isaías (Is 43,1) a cada um de nós.
Onde vamos, quando dizemos "sim" à chamada do Senhor? A descrição mais concisa da missão sacerdotal que é válida analogamente também para as religiosas e os religiosos é-nos oferecida pelo Evangelista Marcos que, na narração da escolha dos Doze, afirma: "Estabeleceu Doze para estarem com Ele e para os enviar..." (Mc 3,14). Permanecer com Ele e, como enviados, colocar-se a caminho rumo às pessoas estas duas coisas são paralelas e, ao mesmo tempo, constituem a essência da vocação espiritual do sacerdócio. Permanecer com Ele e ser enviados duas coisas inseparáveis entre si. Somente quem permanece "com Ele" aprende a conhecê-lo e pode anunciá-lo autenticamente.
Quem está com Ele não conserva para si mesmo aquilo que encontrou, mas deve transmiti-lo. Acontece como com André, que ao seu irmão Simão disse: "Encontrámos o Messias!" (Jn 1,41). "E levou-o até Jesus", acrescenta o Evangelista (Jn 1,42). Numa das suas homilias, o Papa Gregório Magno disse uma vez que os anjos de Deus, a qualquer distância que cheguem com as suas missões, caminham sempre em Deus. Estão sempre com Ele. E falando dos anjos, São Gregório pensou também nos bispos e nos sacerdotes: aonde quer que vão, deveriam "estar com Ele" sempre. A prática afirma: onde os sacerdotes, em virtude das grandes tarefas, permitem que o acto de estar com o Senhor se reduza cada vez mais, perdendo ali enfim, apesar da sua actividade talvez heróica, a força interior que os sustém. Aquilo que fazem torna-se um activismo vazio.
Estar com Ele como é que isto se pode realizar? Bem, a coisa primordial e mais importante para o sacerdote é a Missa quotidiana, celebrada sempre com profunda participação interior. Se a celebramos verdadeiramente como pessoas orantes, se unimos a nossa palavra e o agir à palavra que nos precede e ao rito da celebração eucarística, se na comunhão nos deixamos realmente abraçar por Ele e se O acolhemos então, estamos com Ele.
Um modo fundamental de estar com Ele é a Liturgia das Horas: nela oramos como homens necessitados do diálogo com Deus, contudo envolvendo também quantos não têm tempo nem possibilidade de tal oração. A fim de que a nossa Celebração eucarística e a Liturgia das Horas permaneçam repletas de significado, devemos dedicar-nos sempre de novo à leitura espiritual da Sagrada Escritura; não somente decifrar e explicar as palavras do passado, mas procurar também a palavra que o Senhor actualmente me dirige, o Senhor que hoje me interpela por meio desta palavra. Somente assim seremos capazes de anunciar a Palavra sagrada aos homens deste nosso tempo, como Palavra presente e viva de Deus.
Uma maneira essencial de permanecer com o Senhor é a Adoração eucarística. Graças ao Bispo D. Schraml, Altötting obteve uma nova "sala do tesouro". Lá onde outrora eram conservados os tesouros do passado, objectos preciosos da história e da piedade, hoje encontra-se o lugar para o verdadeiro tesouro da Igreja: a presença permanente do Senhor no Sacramento. Numa das suas parábolas, o Senhor narra-nos acerca do tesouro escondido no campo. Quem o encontrou, assim nos diz, vende todos os seus bens para poder comprar o campo, uma vez que o tesouro escondido ultrapassa todos os outros valores. O tesouro escondido, o bem que está acima de todos os demais bens, é o Reino de Deus é o próprio Jesus, o Reino em pessoa. Ele, o verdadeiro tesouro, está presente na santa Hóstia para O podermos receber sempre. Somente na adoração desta sua presença aprendemos a recebê-lo de maneira justa aprendemos a comungar, aprendemos a celebração da Eucaristia a partir de dentro.
Gostaria de recordar neste contexto uma bonita citação de Edith Stein, a Santa co-Padroeira da Europa, que escreve numa das suas cartas: "O Senhor está presente no tabernáculo com divindade e humanidade. Ele está ali, não para si mesmo, mas para nós: porque a sua alegria consiste em estar com os homens. E porque sabe que nós, como somos, temos necessidade da sua proximidade pessoal. A consequência, para quantos pensam e sentem normalmente, é sentir-se atraídos e de parar ali de vez em quando, na medida em que lhes for possível" (Gesammelte Werke VII, 136 f). Gostamos de estar com o Senhor! Ali podemos falar de tudo com Ele.
Podemos apresentar-lhe as nossas interrogações, as nossas preocupações e as nossas angústias. As nossas alegrias. A nossa gratidão, as nossas decepções, as nossas súplicas e as nossas esperanças. Ali podemos também repetir-lhe sempre de novo: "Senhor, enviai trabalhadores para a vossa messe! Ajudai-me a ser um bom trabalhador da vossa messe!".
Aqui, nesta Basílica, dirigimos o nosso pensamento a Maria, que levou a sua vida totalmente no "estar com Jesus" e que, por isso, estava e ainda hoje está totalmente à disposição dos homens: as pequenas tábuas votivas demonstram-no de modo concreto. E pensemos na sua santa mãe Ana, e com ela na importância das mães e dos pais, das avós e dos avôs; pensemos na importância da família como ambiente de vida e de oração, onde se aprende a rezar e onde podem amadurecer as vocações.
Aqui em Altötting pensamos, naturalmente, de modo particular no bom frei Konrad. Ele renunciou a uma grande herança, porque queria seguir Jesus Cristo sem reservas e permanecer totalmente com Ele. Como o Senhor propõe na parábola, ele escolheu para si realmente o último lugar, o lugar do humilde frade porteiro. Na sua portaria, realizou precisamente aquilo que São Marcos nos diz dos Apóstolos: o "estar com Ele" e o "ser enviado" para os homens. Da sua cela podia contemplar sempre o tabernáculo, "estar com Ele" sempre.
Deste olhar, ele aprendeu a bondade inesgotável com que tratava as pessoas, que batiam quase ininterruptamente à sua porta por vezes até com maldade, para o provocar, e às vezes com impaciência e confusão. Mediante a sua bondade e a sua humanidade ele transmitiu-lhes, sem muitas palavras, uma mensagem que valia mais do que simples palavras. Roguemos ao santo frei Konrad, para que nos ajude a conservar o olhar fixo no Senhor e que deste modo ele nos ajude a levar o amor de Deus aos homens. Amém!
16
Regensburg, 12 de Setembro de 2006
Amados irmãos
no ministério episcopal e sacerdotal!
Queridos irmãos e irmãs!
"Quem acredita nunca está sozinho". Permiti que retome mais uma vez o lema destes dias e que expresse a minha alegria porque aqui podemos vê-lo concretizado: a fé reúne-nos e proporciona-nos uma festa. Dá-nos a alegria em Deus, a alegria pela criação e pelo estar juntos. Sei que anteriormente esta festa exigiu muita fadiga e muito trabalho. Através das notícias dos jornais pude aperceber-me do número de pessoas que empenharam o seu tempo e as suas forças para preparar esta esplanada de maneira tão digna; graças a elas encontra-se aqui na colina a Cruz como sinal de Deus pela paz no mundo; as estradas de acesso e de partida estão livres; a segurança e a ordem estão garantidas; foram preparados alojamentos, etc. Não podia imaginar e agora só o sei em resumo quanto trabalho até aos mínimos pormenores era necessário para que pudéssemos estar aqui todos juntos deste modo. Por tudo isto só posso dizer um simples "muito obrigado!".
O Senhor vos recompense por tudo, e a alegria que agora sentimos graças à vossa preparação, cada um de vós a receba centuplicada. Fiquei comovido quando ouvi dizer que muitas pessoas, sobretudo das escolas profissionais de Weiden e Amberg, assim como empresas e pessoas individualmente, homens e mulheres, colaboraram para embelezar a minha pequena casa e o meu jardim. Um pouco confundido perante tanta bondade, neste caso também só posso dizer um humilde "obrigado!" por um empenho como este. Não fizestes tudo isto só para um homem, para a minha pobre pessoa; fizestes isto na solidariedade da fé, deixando-vos guiar pelo amor ao Senhor e à Igreja. Tudo isto é um sinal de verdadeira humanidade, que nasce do sermos tocados por Jesus Cristo.
Reunimo-nos para uma festa da fé. Contudo agora, surge a pergunta: mas na realidade em que cremos? Que significa crer? Pode existir realmente uma coisa como esta no mundo moderno? Vendo as grandes "Sumas" de teologia redigidas na Idade Média ou pensando na quantidade de livros escritos todos os dias a favor ou contra a fé, somos tentados ao desencorajamento e a pensar que tudo isto é muito complicado. No final, vendo as árvores uma por uma, não se vê mais o bosque. É verdade: a visão da fé inclui céu e terra; o passado, o presente, o futuro, a eternidade e por isso nunca termina. E contudo, no seu núcleo é muito simples. De facto, o Senhor fala acerca disto com o Pai dizendo: "Quiseste revelar estas coisas aos pequeninos aos que são capazes de ver com o coração" (cf. Mt Mt 11,25). A Igreja, por seu lado, oferece-nos uma pequena "Suma", na qual está expresso tudo o que é essencial: é o chamado "Credo dos Apóstolos". Normalmente ele está subdividido em doze artigos segundo o número dos doze Apóstolos e fala de Deus, Criador e Princípio de todas as coisas, de Cristo e da sua obra da salvação, até à ressurreição dos mortos e à vida eterna. Mas na sua concepção básica, o Credo compõe-se só de três partes principais, e segundo a sua história não é mais do que uma amplificação da fórmula baptismal, que o Senhor ressuscitado entregou aos discípulos para todos os tempos quando lhes disse: "Ide, pois, fazei discípulos de todas os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19).
Nesta visão demonstram-se duas coisas: a fé é simples. Cremos em Deus em Deus, princípio e fim da vida humana. Naquele Deus que entra em relação connosco, seres humanos, que é para nós origem e futuro. Assim a fé, contemporaneamente, é sempre também esperança, é a certeza de que nós temos um futuro e não cairemos no vazio. E a fé é amor, porque o amor de Deus nos quer "contagiar". Esta é a primeira coisa: nós simplesmente cremos em Deus, e isto traz consigo também a esperança e o amor.
Como segunda coisa podemos constatar: o Credo não é um conjunto de sentenças, não é uma teoria. Está precisamente ancorado no acontecimento do Baptismo num acontecimento de encontro de Deus com o homem. Deus, no mistério do Baptismo, inclina-se sobre o homem; vem ao nosso encontro e deste modo aproxima-nos entre nós. Porque o Baptismo significa que Jesus Cristo, por assim dizer, nos adopta como seus irmãos e irmãs, acolhendo-nos assim como filhos na família do próprio Deus. Por conseguinte, deste modo faz com que sejamos uma grande família na comunidade universal da Igreja. Sim, quem acredita nunca está sozinho. Deus vem ao nosso encontro. Encaminhemo-nos também nós para Deus e assim iremos uns ao encontro dos outros!
Não deixemos sós, na medida das nossas possibilidades, nenhum dos filhos de Deus!
Nós cremos em Deus. É esta a nossa decisão básica. Apresenta-se de novo a pergunta: Mas é possível ainda hoje? É uma coisa razoável? Desde o iluminismo, pelo menos uma parte da ciência empenha-se com primor a procurar uma explicação do mundo, na qual Deus seja supérfluo. E assim Ele deveria tornar-se inútil também para a nossa vida. Mas todas as vezes que poderia parecer que quase se conseguiu chegar a esta conclusão manifestava-se sempre de novo: as contas não quadram! As contas sobre o homem, sem Deus, não quadram, e as contas sobre o mundo, sobre todo o universo, sem Ele não quadram. No fim de contas, permanece a alternativa: o que existe na origem? A razão criadora, o Espírito Criador que tudo realiza e suscita o desenvolvimento, ou a Irracionalidade que, privada de qualquer razão, estranhamente produz um cosmos ordenado de maneira matemática e também o homem, a sua razão. Mas ela, então, seria apenas um resultado casual da evolução e por conseguinte, no fundo, também uma coisa irracional.
Nós cristãos dizemos: "Creio em Deus Pai, Criador do céu e da terra" creio no Espírito Criador. Nós cremos que na origem está o Verbo eterno, a Razão e não a Irracionalidade. Com esta fé não precisamos de nos esconder, não devemos recear que nos encontramos com ela num beco sem saída. Sentimos alegria em poder conhecer Deus! E procuramos demonstrar também aos outros a racionalidade da fé, como exortou explicitamente São Pedro os cristãos do seu tempo e, com eles, também a nós na sua Primeira Carta (cf. 1P 3,15)!
Nós cremos em Deus. Afirmam-no as partes principais do Credo e ressalta isto sobretudo a sua primeira parte. Mas agora segue-se imediatamente a segunda pergunta: em que Deus? Pois bem, cremos precisamente naquele Deus que é o Espírito Criador, Razão criativa, da qual tudo provém e na qual também nós temos a origem. A segunda parte do Credo diz-nos mais. Esta Razão criativa é Bondade. É Amor. Ela tem um rosto. Deus não nos deixa vacilar no vazio. Mostrou-se como homem. Ele é tão grande que pode permitir-se de se fazer pequeníssimo. "Quem me vê, vê o Pai", diz Jesus (Jn 14,9).Deus assumiu um rosto humano. Ama-nos a tal ponto que se deixa pregar na Cruz, para levar os sofrimentos da humanidade até ao coração de Deus. Hoje, que conhecemos as patologias e as doenças mortais da religião e da razão, as destruições da imagem de Deus por causa do ódio e do fanatismo, é importante dizer com clareza em qual Deus nós cremos e professar convictos este rosto humano de Deus. Só isto nos liberta do receio de Deus um sentimento do qual, em definitiva, nasceu o ateísmo moderno. Só este Deus nos salva do medo do mundo e da ansiedade perante o vazio da própria existência. Só olhando para Jesus Cristo, a nossa alegria em Deus alcança a sua plenitude, se torna alegria remida. Durante esta celebração solene da Eucaristia, dirigimos o nosso olhar para o Senhor que aqui, diante de nós, está elevado na cruz e pedimos-lhe a grande alegria que Ele prometeu aos discípulos na hora da sua despedida (cf. Jo Jn 16,24)!
A segunda parte do Credo conclui-se com a perspectiva do Juízo final e a terceira com a da ressurreição dos mortos. Juízo talvez com isto nos seja inculcado de novo o medo? Mas, porventura não desejamos todos que um dia seja feita justiça para todos os condenados injustamente, para quantos sofreram ao longo da vida, e depois de uma vida cheia de sofrimentos foram engolidos pela morte? Não queremos porventura todos que o excesso de injustiça e de sofrimento, que vemos na história, no fim se dissolva; que todos possam tornar-se alegres, que tudo tenha um sentido? Esta afirmação do direito, esta união de tantos fragmentos de história que parecem privados de sentido, de forma que os integram num todo no qual dominem a verdade e o amor: é isto que se compreende com o conceito de Juízo do mundo.
A fé não nos quer fazer medo; mas quer chamar-nos à responsabilidade! Não devemos desperdiçar a nossa vida, nem abusar dela; também não devemos tê-la simplesmente para nós; perante a injustiça não devemos permanecer indiferentes, tornando-nos seus coniventes ou até cúmplices. Devemos compreender a nossa missão na história e procurar corresponder-lhe. Não receio mas responsabilidade responsabilidade e preocupação pela nossa salvação, e pela salvação de todo o mundo são necessárias. Para esta finalidade, cada um deve dar a sua contribuição. Mas, quando responsabilidade e preocupação tendem a tornar-se receio, então recordemo-nos das palavras de São João: "Filhinhos meus, escrevo-vos estas coisas para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos junto do Pai um advogado, Jesus Cristo" (1Jn 2,1). "Mesmo quando o nosso coração nos acuse, pois Deus é maior que o nosso coração e conhece tudo" (1Jn 3,20).
Celebramos hoje a festa do "Nome de Maria". A quem tem este nome a minha mãe e a minha irmã tinham esse nome, como recordou o Bispo desejaria portanto expressar os meus votos mais cordiais pelo seu onomástico. Maria, a Mãe do Senhor, do povo fiel recebeu o título de Advocata: ela é a nossa advogada junto de Deus. Assim a conhecemos desde as núpcias de Caná: como a mulher bondosa, cheia de solicitude materna e de amor, a mulher que sente as necessidades do próximo e, as apresenta ao Senhor. Hoje ouvimos no Evangelho como o Senhor a dá como mãe ao discípulo predilecto e, nele, a todos nós. Em todas as épocas, os cristãos acolheram com gratidão este testamento de Jesus, e junto da Mãe encontraram sempre de novo aquela segurança e esperança confiante, que nos tornam felizes em Deus e alegres pela nossa fé n'Ele. Acolhamos também nós Maria como a estrela da nossa vida, que nos introduz na grande família de Deus! Sim, quem crê nunca está sozinho. Amém!
Bento XVI Homilias 13