CONGREGAÇÃO PARA O CLERO
DIRETÓRIO GERAL
PARA A CATEQUESE
DOCUMENTOS DO MAGISTÉRIO
AA:
Conc. Ecum. Vaticano II, Decreto sobre o apostolado dos leigos, Apostolicam
Actuositatem (18 de novembro de 1965)
AG:
Conc. Ecum. Vaticano II, Decreto sobre a atividade missionária da Igreja Ad
Gentes (7 de dezembro de 1965)
CA:
João Paulo II, Carta encíclica Centesimus Annus (1° de maio de 1991):
AAS 83 (1991), pp. 793-867
CD:
Conc. Ecum. Vaticano II, Decreto sobre o ofício pastoral dos Bispos na Igreja Christus
Dominus (28 de outubro de 1965)
CaIC: Catecismo
da Igreja Católica (11 de outubro de 1992)
CCL: Corpus
Christianorum, Series Latina (Turnholti 1953 ss.)
CIC: Codex
Iuris Canonici (25 de janeiro de 1983)
ChL:
João Paulo II, Exortação apostólica pós-sinodal Christifideles Laici (30
de dezembro de 1988): AAS 81 (1989), pp. 393-521
COINCAT:
Conselho Internacional para a Catequese, Orientações A catequese dos adultos
na comunidade cristã, Libreria Editrice Vaticana 1990
CSEL: Corpus
Scriptorum Ecclesiasticorum Latinorum (Wn 1866 ss.)
CT:
João Paulo II, Exortação apostólica Catechesi Tradendae (16 de outubro
de 1979): AAS 71 (1979), pp. 1277-1340.
DCG
(1971): Sagrada Congregação para o Clero, Directorium Catechisticum Generale Ad
normam decreti (11 de abril de 1971): AAS 64 (1972), pp. 97-176
DH:
Conc. Ecum. Vaticano II, Declaração sobre a liberdade religiosa Dignitatis
Humanae (7 de dezembro de 1965)
DM:
João Paulo II, Carta encíclica Dives in Misericordia (30 de novembro de
1980): AAS 72 (1980), pp. 1177-1232
DS: H.
Denzinger - A. Schönmetzer, Enchiridion Symbolorum, Definitionum et
Declarationum de Rebus Fidei et Morum, Editio XXXV emendata, Romae 1973
DV:
Conc. Ecum. Vaticano II, Constituição dogmática sobre a revelação divina Dei
Verbum (18 de novembro de 1965)
EA: João
Paulo II, Exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia in Africa (14 de
setembro de 1995): AAS 88 (1996) pp. 5-82
EN:
Paulo VI, Exortação apostólica Evangelii Nuntiandi (8 de dezembro de
1975): AAS 58 (1976), pp. 5-76
EV:
João Paulo II, Carta encíclica Evangelium Vitae (25 de março de 1995):
AAS 87 (1995), pp. 401-522
FC:
João Paulo II, Exortação apostólica pós-sinodal Familiaris Consortio
(22 de novembro de 1981): AAS 73 (1981), pp. 81-191
FD:
João Paulo II, Constituição apostólica Fidei Depositum (11 de outubro
de 1992): AAS 86 (1994), pp. 113-118
GCM:
Congregação para a Evangelização dos Povos, Guia para os catequistas.
Documento de orientação em vista da vocação, da formação e da promoção dos
catequistas nos territórios de missão que dependem da Congregação para a
Evangelização dos povos (3 de dezembro de 1993), Cidade do Vaticano 1993
GE:
Conc. Ecum. Vaticano II, Declaração sobre a educação Gravissimum Educationis
(28 de outubro de 1965)
GS:
Conc. Ecum. Vaticano II, Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo
contemporâneo Gaudium et Spes (7 de dezembro de 1965)
LC:
Congregação para a Doutrina da fé, Instrução Libertatis Conscientia (22
de março de 1986): AAS 79 (1987), pp. 554-599
LE:
João Paulo II, Carta encíclica Laborem Exercens (14 de setembro de 1981):
AAS 73 (1981), pp. 577-647
LG:
Conc. Ecum. Vaticano II Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium
(21 de novembro de 1964)
MM:
João XXIII, Carta encíclica Mater et Magistra (15 de maio de 1961): AAS
53 (1961), pp. 401-464
MPD:
Sínodo dos Bispos, Mensagem ao Povo de Deus Cum iam ad exitum sobre a
catequese no nosso tempo (28 de outubro de 1977), Typis Polyglottis Vaticanis
1977
NA:
Conc. Ecum. Vaticano II, Decreto sobre as relações da Igreja com as Religiões
não cristãs Nostra Aetate (28 de outubro de 1965)
PB:
João Paulo II, Constituição apostólica Pastor Bonus (28 de junho de
1988): AAS 80 (1988), pp. 841-930
PG: Patrologiae
Cursus completus, Series Graeca, ed. Jacques P. Migne, Parisiis 1857 ss.
PL: Patrologiae
Cursus completus, Series Latina, ed. Jacques P. Migne, Parisiis 1844 ss.
PO:
Conc. Ecum. Vaticano II, Decreto sobre o ministério e a vida dos presbíteros Presbyterorum
Ordinis (7 de dezembro de 1965)
PP:
Paulo VI, Carta encíclica Populorum Progressio (26 de março de 1967):
AAS 59 (1967), pp. 257-299
RH:
João Paulo II, Carta encíclica Redemptor Hominis (4 de março de 1979):
AAS 71 (1979), pp. 257-324
OICA: Ordo
Initiationis Christianae Adultorum, Editio Typica, Typis Polyglottis
Vaticanis 1972
RM:
João Paulo II, Carta encíclica Redemptoris Missio (7 de dezembro de
1990): AAS 83 (1991), pp. 249-340
SC:
Conc. Ecum. Vaticano II, Constituição sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum
Concilium (4 de dezembro de 1963)
SINODO
1985: Sínodo dos Bispos (reunião extraordinária de 1985), Relatório final Ecclesia
sub verbo Dei mysteria Christi celebrans pro salute mundi (7 de dezembro de
1985), Cidade do Vaticano 1985
SCh: Sources
Chrétiennes, Collection, Paris 1946 ss.
SRS:
João Paulo II, Exortação apostólicaSollicitudo Rei Socialis (30 de
dezembro de 1987): AAS 80 (1988), pp. 513-586
TMA:
João Paulo II, Exortação apostólica Tertio Millennio Adveniente (10 de
novembro de 1994): AAS 87 (1995), pp. 5-41
UR:
Conc. Ecum. Vaticano II, Decreto sobre o Ecumenismo Unitatis Redintegratio
(21 de novembro de 1964)
UUS:
João Paulo II, Carta encíclica Ut Unum Sint (25 de maio de 1995): AAS 87
(1995), pp. 921-982
VS:
João Paulo II, Carta encíclica Veritatis Splendor (6 de agosto de 1993):
AAS 85 (1993), pp. 1133-1228
PREFÁCIO
1. O
Concílio Vaticano II prescreveu a redação de um « Diretório para a instrução
catequética do povo ».(1) Em obediência a este mandato conciliar, a Congregação
para o Clero valeu-se de uma especial Comissão de especialistas e consultou as
Conferências Episcopais do mundo, as quais enviaram numerosas sugestões e
observações em propósito. O texto preparado foi revisto por uma Comissão
teológica ad hoc e pela Congregação para a Doutrina da Fé. No dia 18 de
março de 1971 foi definitivamente aprovado por Paulo VI e promulgado no dia 11
de abril do mesmo ano, com o título Diretório Catequético Geral.
2. Os
trinta anos transcorridos da conclusão do Concílio Vaticano II aos umbrais do
terceiro milênio, constituem, sem dúvida, um tempo extremamente rico de
orientações e promoções da catequese. Foi um tempo que, de qualquer modo,
repropôs a vitalidade evangelizadora da primeira comunidade eclesial e que
relançou oportunamente o ensinamento dos Padres e favoreceu a redescoberta do
antigo catecumenato. Desde 1971, o Diretório Catequético Geral tem orientado as
Igrejas particulares no longo caminho de renovação da catequese, propondo-se
como válido ponto de referência tanto no que diz respeito aos conteúdos, quanto
no que concerne à pedagogia e aos métodos a serem empregados.
O
itinerário percorrido pela catequese neste período foi caracterizado, em todas
as partes, por uma generosa dedicação de muitas pessoas, por iniciativas
admiráveis e por frutos muito positivos para a educação e o amadurecimento na
fé, de crianças, jovens e adultos. Todavia, não faltaram, contemporaneamente,
crises, insuficiências doutrinais e experiências que empobreceram a qualidade
da catequese, devidas, em grande parte, à evolução do contexto cultural mundial
e a questões eclesiais de matriz não catequética.
3. O
Magistério da Igreja não deixou jamais, nestes anos, de exercitar a sua
solicitude pastoral em favor da catequese. Numerosos Bispos e Conferências dos
Bispos, em todos os continentes, deram um notável impulso à ação catequética
também através da publicação de válidos Catecismos e orientações pastorais,
promovendo a formação de peritos e favorecendo a pesquisa catequética. Estes
esforços foram fecundos e repercutiram favoravelmente na praxe catequética das
Igrejas particulares. Uma particular riqueza para a renovação catequética é constituída
pelo Ritual para a Iniciação Cristã dos Adultos, promulgado no dia 6 de
janeiro de 1972, pela Congregação para o Culto Divino.
É
indispensável recordar, de modo especial, o ministério de Paulo VI, o Pontífice
que guiou a Igreja durante o primeiro período do pós-Concílio. A seu respeito,
João Paulo II disse: « Com os seus gestos, com a sua pregação e com a sua
interpretação autorizada do Concílio Vaticano II — que ele considerava como o
grande catecismo dos tempos modernos — e ainda com toda a sua vida, o meu
venerando Predecessor Paulo VI serviu a catequese da Igreja de modo
particularmente exemplar ».(2)
4. Uma
decisiva pedra miliária para a catequese foi a reflexão iniciada por ocasião da
Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos sobre a evangelização do mundo
contemporâneo, que se celebrou em outubro de 1974. As proposições de tal
encontro foram apresentadas ao Papa Paulo VI, o qual promulgou a Exortação
Apostólica pós-sinodal Evangelii Nuntiandi, de 8 de Dezembro de 1975.
Este documento apresenta — entre outras coisas — um princípio de particular
relevo: a catequese como ação evangelizadora no âmbito da grande missão da
Igreja. A atividade catequética, de agora em diante, deverá ser considerada
como permanentemente partícipe das urgências e das ânsias próprias do mandato
missionário para o nosso tempo.
Também
a última Assembléia Sinodal convocada por Paulo VI, em outubro de 1977,
escolheu a catequese como tema de análise e de reflexão episcopal. Este Sínodo
viu « na renovação catequética um dom precioso do Espírito Santo à Igreja nos
dias de hoje ».(3)
5.
João Paulo II assumiu esta herança em 1978 e formulou as suas primeiras
orientações na Exortação Apostólica Catechesi Tradendae, datada de 16 de
outubro de 1979. Tal Exortação forma uma unidade totalmente coerente com a
Exortação Evangelii Nuntiandi e repõe plenamente a catequese no quadro
da evangelização.
Durante
todo o seu pontificado, João Paulo II ofereceu um magistério constante de
altíssimo valor catequético. Entre os discursos, as cartas e os ensinamentos
escritos, emergem as doze Encíclicas: da Redemptor Hominis à Ut Unum Sint.
Estas Encíclicas constituem, por si mesmas, um corpo de doutrina sintético e
orgânico, em vista da realização da renovação da vida eclesial, postulada pelo
Concílio Vaticano II. Quanto ao valor catequético destes Documentos do
magistério de João Paulo II, distinguem-se: a Redemptor Hominis (4 de
março de 1979), a Dives in Misericordia (30 de novembro de 1980), a Dominum
et Vivificantem (18 de maio de 1986), e, para a reafirmação da permanente
validez do mandato missionário, a Redemptoris Missio (7 de dezembro de
1990).
6. Por
outro lado, as Assembléias Gerais, ordinárias e extraordinárias, do Sínodo dos
Bispos, tiveram uma particular incidência no campo eclesial da catequese. Por
sua particular importância, devem ser destacadas as Assembléias Sinodais de
1980 e 1987, relativas respectivamente à missão da família e à vocação dos
leigos batizados. Os trabalhos sinodais foram seguidos das correspondentes
Exortações Apostólicas de João Paulo II, Familiaris Consortio (22 de
novembro de 1981) e Christifideles Laici (30 de dezembro de 1988). O
próprio Sínodo Extraordinário dos Bispos, de 1985, influiu também, de maneira
decisiva, sobre o presente e sobre o futuro da catequese do nosso tempo.
Naquela ocasião, foi feito um balanço dos 20 anos de aplicação do Concílio
Vaticano II e os Padres sinodais propuseram ao Santo Padre a elaboração de um
Catecismo universal para a Igreja Católica. A proposta da Assembléia sinodal
extraordinária de 1985 foi acolhida favoravelmente e assumida por João Paulo
II. Terminado o paciente e complexo processo de sua elaboração, o Catecismo
da Igreja Católica foi entregue aos Bispos e às Igrejas particulares
mediante a Constituição Apostólica Fidei Depositum, do dia 11 de outubro
de 1992.
7.
Este evento, de tão profundo significado, e o conjunto dos fatos e das
intervenções magisteriais precedentemente indicados, impunham o dever de uma
revisão do Diretório Catequético Geral, com a finalidade de adaptar este
precioso instrumento teológico-pastoral à nova situação e necessidade. Receber
tal herança e organizá-la sinteticamente, em função da atividade catequética,
sempre na perspectiva da atual etapa da vida da Igreja, é um serviço da Sé
Apostólica para todos.
O
trabalho para a nova elaboração do Diretório Geral para a Catequese, promovido
pela Congregação para o Clero, foi realizado por um grupo de Bispos e por
especialistas em teologia e em catequese. Foi, sucessivamente, submetido à
consulta das Conferências dos Bispos e dos principais Institutos ou Centros de
estudos catequéticos, e foi feito respeitando substancialmente a inspiração e
os conteúdos do texto de 1971. Evidentemente, a nova redação do Diretório Geral
para a Catequese teve que balancear duas exigências principais:
– de
um lado, a contextualização da catequese na evangelização, postulada pelas
Exortações Evangelii Nuntiandie Catechesi Tradendae
– por
outro lado, a assunção dos conteúdos da fé propostos pelo Catecismo da
Igreja Católica.
8. O
Diretório Geral para a Catequese, embora conservando a estrutura de fundo do
texto de 1971, articula-se do seguinte modo:
– Uma
Exposição Introdutiva, na qual se oferecem orientações fundamentais para a
interpretação e a compreensão das situações humanas e das situações eclesiais,
a partir da fé e da confiança na força da semente do Evangelho. São breves
diagnósticos em vista da missão.
– A Primeira
Parte (4) é articulada em três capítulos e enraíza de forma mais acentuada
a catequese na Constituição conciliar Dei Verbum, colocando-a no quadro
da evangelização presente em Evangelii Nuntiandi e Catechesi
Tradendae. Propõe, além disso, um esclarecimento da natureza da catequese.
– A Segunda
Parte(5) consta de dois capítulos. No primeiro, sob o título « Normas e
critérios para a apresentação da mensagem evangélica na catequese », com
nova articulação e numa perspectiva enriquecida, reúnem-se, em sua totalidade,
os conteúdos do capítulo correspondente do texto anterior. O segundo capítulo,
completamente novo, serve à apresentação do Catecismo da Igreja Católica como
texto de referência para a transmissão da fé na catequese e para a redação dos
Catecismos locais. O texto oferece também princípios básicos em vista da
elaboração dos Catecismos para as Igrejas particulares e locais.
– A Terceira
Parte(6) mostra-se suficientemente renovada, formulando também as linhas
essenciais de uma pedagogia da fé, inspirada à pedagogia divina; uma questão,
esta, que diz respeito tanto à teologia como às ciências humanas.
– A Quarta
Parte(7) tem por título « Os destinatários da catequese ». Em cinco breves
capítulos, se presta atenção às situações bastante diferentes das pessoas às
quais se dirige a catequese, aos aspectos relativos à situação sócio-religiosa
e, de modo especial, à questão da inculturação.
– A Quinta
Parte(8) coloca como centro de gravitação a Igreja particular, que tem o
dever primordial de promover, programar, supervisionar e coordenar toda a
atividade catequética. Adquire um particular relevo a descrição dos respectivos
papéis dos diversos agentes (que têm o seu ponto de referência sempre no Pastor
da Igreja particular) e das exigências formativas em cada caso.
– A Conclusão,
que exorta a uma intensificação da ação catequética no nosso tempo, coroa a
reflexão e as orientações com um apelo à confiança na ação do Espírito Santo e
na eficácia da palavra de Deus semeada no amor.
9. A
finalidade do presente Diretório é, obviamente, a mesma que norteava o texto de
1971. Propõe-se, efetivamente, fornecer « os princípios teológico-pastorais
fundamentais, inspirados no Concílio Ecumênico Vaticano II e no Magistério da
Igreja, aptos a poder orientar e coordenar a ação pastoral do ministério da
palavra » e, de forma concreta, a catequese.(9) O intuito fundamental era e é o
de oferecer reflexões e princípios, mais do que aplicações imediatas ou
diretrizes práticas. Tal caminho e método é adotado sobretudo pelas seguintes
razões: somente se desde o início se compreendem corretamente a natureza e os
fins da catequese, assim como as verdades e os valores que devem ser
transmitidos, poderão ser evitados defeitos e erros em matéria catequética.(10)
Cabe à
competência específica dos Episcopados a aplicação mais concreta desses
princípios e enunciados, através de orientações e Diretórios nacionais,
regionais ou diocesanos, catecismos e todo outro meio considerado idôneo a
promover eficazmente a catequese.
10. É
evidente que nem todas as partes do Diretório têm a mesma importância. Aquelas
que tratam da revelação divina, da natureza da catequese e dos critérios que
presidem o anúncio cristão, têm valor para todos. As partes, ao invés, que se
referem à presente situação, à metodologia e ao modo de adaptar a catequese às
diferentes situações de idade ou de contexto cultural, devem ser acolhidas mais
como indicações e como orientações fundamentais.(11)
11. Os
destinatários do Diretório são principalmente os Bispos, as Conferências dos
Bispos e, de modo geral, todos aqueles que, sob o mandato ou presidência dos
primeiros, têm responsabilidades no campo catequético. É óbvio que o Diretório
pode ser um válido instrumento para a formação dos candidatos ao sacerdócio,
para a formação permanente dos presbíteros e para a formação dos catequistas.
Uma
finalidade imediata do Diretório é ajudar a redação dos Diretórios Catequéticos
e catecismos. Conforme sugestão recebida de muitos Bispos, incluem-se numerosas
notas e referências que podem ser de grande utilidade para a elaboração dos
mencionados instrumentos.
12.
Uma vez que o Diretório é endereçado às Igrejas particulares, cujas situações e
necessidades pastorais são muito variadas, é evidente que se pôde levar em
consideração unicamente as situações comuns ou intermediárias. Isto acontece,
igualmente, quando se descreve a organização da catequese nos diversos níveis.
Na utilização do Diretório, deve-se ter presente esta observação. Como já se
ressaltava no texto de 1971, o que será insuficiente naquelas regiões onde a
catequese pôde alcançar um alto nível de qualidade e de meios, talvez poderá
parecer excessivo naqueles lugares onde a catequese não pôde ainda experimentar
tal progresso.
13. Ao
publicar este texto, novo testemunho da solicitude da Sé Apostólica para com o
ministério catequético, exprimem-se os votos de que ele seja acolhido,
examinado e estudado com grande atenção, levando em consideração as
necessidades pastorais de cada Igreja particular; e que ele possa também
estimular, para o futuro, estudos e pesquisas mais profundas, que respondam às
necessidades da catequese e às normas e orientações do Magistério da Igreja.
Que a
Virgem Maria, Estrela da nova evangelização, nos conduza ao conhecimento pleno
de Jesus Cristo, Mestre e Senhor.
«
Quanto ao mais, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor continue o
seu caminho e seja glorificada, como aconteceu entre vós » (2
Ts 3, 1).
Do
Vaticano, 15 de agosto de 1997
Solenidade
da Assunção de Nossa Senhora
Darío Castrillón Hoyos
Arcebispo emérito de Bucaramanga
Pro-Prefeito
Crescenzio Sepe
Arcebispo tit. de Grado
Secretário
EXPOSIÇÃO INTRODUTIVA
O anúncio do Evangelho
no mundo contemporâneo
«
Escutai: Eis que o semeador saiu a semear. E ao semear, uma parte da semente
caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram.
Outra parte caiu no solo pedregoso e, não havendo terra bastante, nasceu logo, porque
não havia terra profunda, mas, ao surgir do sol, queimou-se e, por não ter
raiz, secou.
Outra parte caiu entre os espinhos; os espinhos cresceram e a sufocaram, e não
deu fruto.
Outras caíram em terra boa e produziram fruto, crescendo e se desenvolvendo, e
uma produziu trinta, outra sessenta e outra cem por cento » (Mc 4,3-8).
14.
Esta exposição introdutiva pretende estimular os pastores e os agentes da
catequese a tomarem consciência da necessidade de olhar sempre para o campo
semeado, e a fazê-lo a partir de uma perspectiva de fé e de misericórdia. A
interpretação do mundo contemporâneo, aqui apresentada, tem, obviamente, um
caráter de provisoriedade, próprio da contingência histórica.
« Saiu
o semeador a semear » (Mc 4,3)
15.
Esta parábola é fonte inspiradora para a evangelização. « A semente é a palavra
de Deus » (Lc 8,11). O semeador é Jesus Cristo. Ele anunciou o Evangelho
na Palestina há dois mil anos e enviou os seus discípulos a semeá-lo pelo
mundo. Jesus Cristo hoje, presente na Igreja por meio do Seu Espírito, continua
a divulgar amplamente a palavra do Pai no campo do mundo.
A
qualidade do terreno é sempre muito variada. O Evangelho cai « à beira do
caminho » (Mc 4,4), quando não é realmente escutado; cai « em solo
pedregoso » (Mc 4,5), sem penetrar profundamente na terra; ou « entre os
espinhos » (Mc 4,7), e é imediatamente sufocado no coração dos homens,
distraídos por muitas preocupações. Mas uma parte cai « em terra boa » (Mc
4,8), isto é, em homens e mulheres abertos à relação pessoal com Deus e
solidários com o próximo, e produz frutos abundantes.
Jesus,
na parábola, comunica a boa notícia de que o Reino de Deus chega, não obstante
as dificuldades do terreno, as tensões, os conflitos e os problemas do mundo. A
semente do Evangelho fecunda a história dos homens e preanuncia uma colheita
abundante. Jesus faz também uma advertência: somente no coração bem disposto a
palavra de Deus germina.
Um
olhar ao mundo, a partir da fé
16. A
Igreja continua a semear o Evangelho de Jesus no grande campo de Deus. Os
cristãos, inseridos nos mais variados contextos sociais, olham o mundo com os
mesmos olhos com que Jesus contemplava a sociedade do seu tempo. O discípulo de
Jesus Cristo, de fato, participa, de seu interior, « das alegrias e das
esperanças, das tristezas e das angústias dos homens de hoje »,(12) olha para a
história humana, participa dela, não apenas com a razão, mas também com a fé. À
luz desta, o mundo se mostra ao mesmo tempo « criado e conservado pelo amor do
Criador, reduzido à servidão do pecado, e libertado por Cristo crucificado e
ressuscitado, com a derrota do Maligno... ».(13)
O
cristão sabe que a cada realidade e evento humano subjazem ao mesmo tempo:
– a
ação criadora de Deus, que comunica a cada ser a sua bondade;
– a
força que deriva do pecado, o qual limita e entorpece o homem;
– o
dinamismo que nasce da Páscoa de Cristo, qual germe de renovação que confere ao
crente a esperança de uma « consumação »(14) definitiva.
Um
olhar ao mundo, que prescindisse de um desses três aspectos, não seria
autenticamente cristão. É importante, portanto, que a catequese saiba iniciar
os catecúmenos e os catequizandos a uma « leitura teológica dos problemas
modernos ».(15)
O
campo do mundo
17.
Mãe dos homens, a Igreja, antes de mais nada, vê, com profunda dor, « uma
multidão inumerável de homens e de mu-
lheres,
crianças, adultos e anciãos, isto é, de pessoas humanas concretas e
irrepetíveis, que sofrem sob o peso intolerável da miséria ».(16) Por meio da
catequese, na qual o ensinamento social da Igreja ocupe o seu lugar,(17) ela
deseja suscitar no coração dos cristãos « o empenho pela justiça »(18) e a «
opção ou amor preferencial pelos pobres »,(19) de modo que a sua presença seja
realmente luz que ilumina e sal que transforma.
Os
direitos humanos
18. A
Igreja, ao analisar o campo do mundo, é muito sensível a tudo aquilo que ofende
a dignidade da pessoa humana. Ela sabe que desta dignidade nascem os direitos
humanos,(20) objeto constante da preocupação e do empenho dos cristãos. Por
isso, o seu olhar não abrange somente os indicadores econômicos e sociais,(21)
mas também, sobretudo, os culturais e religiosos. O que ela busca é o progresso
integral das pessoas e dos povos.(22)
A
Igreja percebe, com alegria, que « uma corrente benéfica já se alastra e permeia
todos os povos da terra, tornando-os cada vez mais conscientes da dignidade do
homem ».(23) Esta consciência se exprime na viva preocupação pelo respeito dos
direitos humanos e no mais decidido rechaço de suas violações. O direito à
vida, ao trabalho, à educação, à criação de uma família, à participação na vida
pública e à liberdade religiosa são hoje particularmente reivindicados.
19. Em
numerosos lugares, todavia, e em aparente contradição com a sensibilidade pela
dignidade da pessoa, os direitos humanos são claramente violados.(24) Dessa
maneira, alimentam-se outras formas de pobreza, que não se colocam no plano
material: trata-se de uma pobreza cultural e religiosa, que preocupa igualmente
a
comunidade eclesial. A negação ou a limitação dos direitos humanos, de fato,
empobrece a pessoa e os povos, tanto ou mais do que a privação dos bens
materiais.(25)
A obra
evangelizadora da Igreja, neste vasto campo dos direitos humanos, tem uma
tarefa irrenunciável: promover a descoberta da dignidade inviolável de cada
pessoa humana. « Em certo sentido, é a tarefa central e unificadora do serviço
que a Igreja, e nela os fiéis leigos, são chamados a prestar à família dos
homens ».(26) A catequese deve prepará-los para esta tarefa.
A
cultura e as culturas
20. O
semeador sabe que a semente penetra em terrenos concretos e tem necessidade de
absorver todos os elementos necessários para frutificar.(27) Sabe também que,
às vezes, alguns desses elementos podem prejudicar a germinação e a colheita.
A
Constituição Gaudium et Spes sublinha a grande importância da ciência e
da técnica na gestação e no desenvolvimento da cultura moderna. A mentalidade
científica que delas emana, « modifica profundamente a cultura e os modos de
pensamento », (28) com grandes repercussões humanas e religiosas. A
racionalidade científica e experimental é profundamente enraizada no homem de
hoje.
Todavia,
a consciência de que este tipo de racionalidade não pode explicar todas as
coisas, ganha sempre mais terreno. Os próprios homens da ciência constatam que,
paralelamente ao rigor da experimentação, é necessário outro tipo de saber,
para poder compreender em profundidade o ser humano. A reflexão filosófica
sobre a linguagem mostra, por exemplo, que o pensamento simbólico é uma forma
de acesso ao mistério da pessoa humana, contrariamente inacessível. Torna-se
indispensável assim, uma racionalidade que não cinda o ser humano, que integre
a sua afetividade, que o unifique, dando um sentido mais pleno à sua vida.
21.
Juntamente com esta « forma mais universal de cultura »,(29) hoje se constata
também um desejo crescente de revalorizar as culturas autóctones. A pergunta do
Concílio é viva ainda: « Como se deve favorecer o dinamismo e a expansão duma
nova cultura, sem que pereça a fidelidade viva para com a herança das
tradições? ».(30)
– Em
muitos lugares, se toma viva consciência de que as culturas tradicionais são
agredidas por influências externas dominantes e por imitações alienantes de
formas de vida importadas. Corroem-se assim, gradualmente, a identidade e os
valores próprios dos povos.
–
Constata-se também a enorme influência dos meios de comunicação, os quais,
muitas vezes, em virtude de interesses econômicos ou ideológicos, impõem uma
visão da vida que não respeita a fisionomia cultural dos povos aos quais se
dirigem.
A
evangelização encontra assim, na inculturação, um de seus maiores desafios. A
Igreja, à luz do Evangelho, deve assumir todos os valores positivos da cultura
e das culturas (31) e rejeitar aqueles elementos que impedem as pessoas e os povos
de alcançarem o desenvolvimento de suas autênticas potencialidades.
A
situação religiosa e moral
22.
Entre os elementos que compõem o patrimônio cultural de um povo, o fator
religioso-moral tem, para o semeador, um particular relevo. Na cultura atual existe
uma persistente difusão da indiferença religiosa: « Muitos de nossos
contemporâneos ... não percebem de modo algum esta união íntima e vital com
Deus ou explicitamente a rejeitam ».(32)
O
ateísmo, como negação de Deus, « conta entre os gravíssimos problemas de nosso
tempo ».(33) Ele adota formas diversas, mas aparece hoje especialmente sob a
forma do secularismo, que consiste numa visão autonomista do homem e do mundo «
segundo a qual esse mundo se explicaria por si mesmo, sem ser necessário
recorrer a Deus ».(34) No âmbito especificamente religioso, existem sinais de
um « retorno ao sagrado »,(35) de uma nova sede de realidades transcendentes e
divinas. O mundo atual atesta, de modo mais amplo e vital, « o despertar da
procura religiosa ».(36) Certamente este fenômeno « não deixa de ser ambíguo
».(37) O amplo desenvolvimento das seitas e de novos movimentos religiosos e o
redespertar do « fundamentalismo »(38) são dados que interpelam seriamente a
Igreja e que devem ser atentamente analisados.
23. A
atual situação moral procede de pari passu com a religiosa.
Efetivamente, percebe-se um obscurecimento da verdade ontológica da pessoa
humana. E isto acontece como se a rejeição de Deus quisesse significar a
ruptura interior das aspirações do ser humano.(39) Assiste-se, assim, em muitos
lugares, a um « relativismo ético que tira à convivência civil qualquer ponto
seguro de referência moral ».(40)
A
evangelização encontra no terreno religioso-moral um ambiente de atuação
privilegiado. A missão primordial da Igreja, de fato, é anunciar Deus,
testemunhá-Lo diante do mundo. Trata-se de fazer conhecer as verdadeiras
feições de Deus e o Seu desígnio de amor e de salvação em favor dos homens,
assim como Jesus o revelou.
Para
preparar tais testemunhos, é necessário que a Igreja desenvolva uma catequese
que propicie o encontro com Deus e fortaleça um vínculo permanente de comunhão
com Ele.
A
Igreja no campo do mundo
A fé
dos cristãos
24. Os
discípulos de Jesus estão imersos no mundo como o fermento mas, como em todos
os tempos, não estão imunes de sofrer a influência das situações humanas.
É, por
isso, necessário, interrogar-se sobre a atual situação da fé dos cristãos.
A
renovação catequética, desenvolvida na Igreja durante as últimas décadas, está
dando frutos muito positivos.(41) A catequese das crianças, dos jovens e dos
adultos, nesses anos, deu origem a uma tipologia de cristão verdadeiramente
consciente de sua fé e coerente com esta em sua vida. De fato, favoreceu neles:
– uma
nova experiência vital de Deus, como Pai misericordioso;
– uma
redescoberta mais profunda de Jesus Cristo, não apenas na sua divindade, mas
também na sua verdadeira humanidade;
– o
sentir-se, todos, co-responsáveis pela missão da Igreja no mundo;
– a
tomada de consciência das exigências sociais da fé.
25.
Todavia, diante do atual panorama religioso, os filhos da Igreja devem se
examinar: « em que medida são tocados, também eles, pela atmosfera de
secularismo e de relativismo ético? ».(42)
Uma
primeira categoria configura-se naquela « multidão de homens que receberam o
Batismo, mas vivem fora de toda a vida cristã ».(43) Trata-se, de fato, de uma
multidão de cristãos « não praticantes », (44) ainda que, no fundo do coração
de muitos, o sentimento religioso não tenha desaparecido de todo. Redespertá-los
para a fé é um verdadeiro desafio para a Igreja.
Além
desses, há ainda as « pessoas simples »,(45) que se exprimem, às vezes, com
sentimentos religiosos muito sinceros e com uma « religiosidade popular » (46)
muito enraizada. Possuem uma certa fé, mas « conhecem mal os fundamentos dessa
mesma fé ».(47) Além disso, existem também numerosos cristãos, muito cultos,
mas com uma formação religiosa recebida apenas na infância, e que necessitam
reposicionar e amadurecer a sua fé « sob uma luz diversa ».(48)
26.
Não falta, além disso, um certo número de cristãos batizados que, infelizmente,
escondem a própria identidade cristã, ou por causa de uma errônea forma de
diálogo inter-religioso ou por uma certa reticência em testemunhar a própria fé
em Jesus Cristo na sociedade contemporânea.
Estas
situações da fé dos cristãos reclamam do semeador, com urgência, o
desenvolvimento de uma nova evangelização,(49) sobretudo naquelas
Igrejas de antiga tradição cristã, onde o secularismo penetrou mais. Nesta nova
situação necessitada de evangelização, o anúncio missionário e a catequese,
sobretudo aos jovens e aos adultos, constituem uma clara prioridade.
A vida
interna da comunidade eclesial
27. É
importante considerar também a própria vida da comunidade eclesial, a sua íntima
qualidade.
Uma
primeira consideração é descobrir como, na Igreja, tenha sido acolhido e tenha
dado frutos o Concílio Vaticano II. Os grandes documentos conciliares não
permaneceram letra morta: constatam-se os seus efeitos. As quatro constituições
— Sacrosanctum Concilium, Lumen Gentium, Dei Verbum e Gaudium et Spes
— fecundaram a Igreja. De fato:
– A
vida litúrgica é compreendida mais profundamente como fonte e vértice da vida
eclesial;
– O
povo de Deus adquiriu uma consciência mais viva do « sacerdócio comum », (50)
radicado no Batismo. Ao mesmo tempo, redescobre sempre mais a vocação universal
à santidade e um sentido mais profundo do serviço à caridade.
– A
comunidade eclesial adquiriu um sentido mais vivo da Palavra de Deus. A Sagrada
Escritura, por exemplo, é lida, saboreada e meditada de modo mais intenso.
– A
missão da Igreja no mundo é sentida de maneira nova. Com base numa renovação
interior, o Concílio abriu os católicos à exigência de uma evangelização ligada
necessariamente com a promoção humana, à necessidade do diálogo com o mundo,
com as diversas culturas e religiões e à urgente busca da união entre os
cristãos.
28.
Mas em meio a esta fecundidade, devem-se reconhecer também os « defeitos e
dificuldades no acolhimento do Concílio ».(51) Malgrado uma doutrina
eclesiológica tão ampla e profunda, enfraqueceu-se o sentido da pertença
eclesial; constata-se freqüentemente uma « desafeição para com a Igreja »; (52)
ela é contemplada, muitas vezes, de modo unilateral, como mera instituição,
despojada do seu mistério.
Em
algumas ocasiões, foram tomadas posições parciais e opostas na interpretação e
na aplicação da renovação solicitada à Igreja pelo Concílio Vaticano II. Tais
ideologias e comportamentos conduziram a fragmentações e a prejudicar o testemunho
de comunhão, indispensável para a evangelização.
A ação
evangelizadora da Igreja, e nesta a catequese, deve buscar mais decididamente
uma sólida coesão eclesial. Para isso, é urgente promover e aprofundar uma
autêntica eclesiologia de comunhão, (53) para gerar nos cristãos, uma profunda
espiritualidade eclesial.
Situação
da catequese: a sua vitalidade e os seus problemas
29.
Muitos são os aspectos positivos da catequese nestes últimos anos, que mostram
a sua vitalidade. Entre outros, devem ser destacados:
– O
grande número de sacerdotes, religiosos e leigos que se consagram à catequese
com grande entusiasmo e perseverança. É uma das ações eclesiais mais
relevantes.
– Deve
ser sublinhado também o caráter missionário da atual catequese e a sua
propensão em assegurar a adesão à fé, dos catecúmenos e dos catequizandos, num
mundo no qual o sentido religioso se obscura. Nesta dinâmica, tem-se uma clara
consciência de que a catequese deve adquirir o estilo de formação integral e
não reduzir-se a simples ensinamento: deverá esforçar-se, de fato, para
suscitar uma verdadeira conversão. (54)
– Em
sintonia com tudo o que já foi dito, assume extraordinária importância o
incremento que vai adquirindo a catequese dos adultos (55) no projeto de
catequese de muitas Igrejas particulares. Esta opção aparece como prioritária
nos planos pastorais de muitas dioceses. Também em alguns movimentos e grupos
eclesiais ela ocupa um lugar central.
–
Favorecido, sem dúvida, pelas recentes orientações do Magistério, o pensamento
catequético ganhou, nos nossos dias, uma maior densidade e profundidade. Neste
sentido, muitas Igrejas locais já dispõem de idôneas e oportunas orientações
pastorais.
30.
Todavia, é necessário examinar, com particular atenção, alguns problemas,
buscando encontrar uma solução para os mesmos:
– O
primeiro diz respeito ao próprio conceito de catequese como escola da fé, como
aprendizado e tirocínio de toda a vida cristã, que ainda não penetrou
plenamente na consciência dos catequistas.
– No
que concerne à orientação de fundo, o conceito de « Revelação » impregna
ordinariamente a atividade catequética; todavia, o conceito conciliar de «
Tradição » tem uma menor influência como elemento realmente inspirador. De
fato, em muitas catequeses, a referência à Sagrada Escritura é quase que
exclusiva, sem que a reflexão e a vida bimilenar da Igreja (56) acompanhem tal
referência, de modo suficiente. A natureza eclesial da catequese se mostra,
neste caso, menos clara. A inter-relação entre Sagrada Escritura, Tradição e
Magistério, « cada qual segundo seu próprio modo »,(57) ainda não fecunda
harmoniosamente a transmissão catequética da fé.
– No
que diz respeito à finalidade da catequese, que visa promover a comunhão com
Jesus Cristo, é necessária uma apresentação mais equilibrada de toda a verdade
do mistério de Cristo. Às vezes, se insiste somente na sua humanidade, sem
fazer explícita referência à sua divindade; em outras ocasiões, menos
freqüentes nos nossos dias, a sua divindade é tão acentuada, que não se percebe
mais a realidade do mistério da Encarnação do Verbo. (58)
– Em
relação ao conteúdo da catequese, subsistem vários problemas. Há algumas
lacunas doutrinais no que concerne à verdade sobre Deus e sobre o homem, sobre
o pecado e a graça e sobre os Novíssimos. Há a necessidade de uma formação
moral mais sólida; constata-se uma apresentação inadequada da história da
Igreja e um escassa importância dada à sua Doutrina Social. Em algumas regiões,
proliferam catecismos e textos de iniciativa particular, com tendências seletivas
e acentuações tão diferentes, que prejudicam a necessária convergência na
unidade da fé.(59)
– « A
catequese é intrinsecamente ligada com toda a ação litúrgica e sacramental
».(60) Muitas vezes, porém, a praxe catequética apresenta uma ligação fraca e fragmentária
com a liturgia: atenção limitada aos sinais e ritos litúrgicos, pouca
valorização das fontes litúrgicas, percursos catequéticos que pouco ou nada têm
a ver com o ano litúrgico, presença marginal de celebrações nos itinerários da
catequese.
– No
que concerne à pedagogia, após uma excessiva acentuação do valor do método e
das técnicas, por parte de alguns, ainda não se presta a devida atenção às
exigências e à originalidade da pedagogia própria da fé.(61) Cai-se facilmente
no dualismo « conteúdo-método », com reducionismos num sentido ou no outro. No
que diz respeito à dimensão pedagógica, não se exercitou sempre o necessário
discernimento teológico.
– No
que concerne à diferença das culturas em relação ao serviço da fé, constitui um
problema saber transmitir o Evangelho no limite do horizonte cultural dos povos
aos quais se dirige, de modo que ele possa ser apreendido realmente como uma
grande notícia para a vida das pessoas e da sociedade. (62)
– A
formação para o apostolado e para a missão é uma das tarefas principais da
catequese. No entanto, enquanto na atividade catequética cresce uma nova
sensibilidade em formar os fiéis leigos para o testemunho cristão, para o
diálogo inter-religioso e para o compromisso secular, a educação para a
dimensão missionária ad gentes mostra-se ainda fraca e inadequada. Com
freqüência, a catequese ordinária reserva às missões uma atenção marginal e não
constante.
A semeadura do Evangelho
31. Depois de ter analisado o terreno, o
semeador envia os seus operários para anunciar o Evangelho por todo o mundo,
comunicando-lhes a força do seu Espírito. Ao mesmo tempo, mostra-lhes como ler
os sinais dos tempos e lhes pede uma preparação muito acurada para realizar a
semeadura.
Como ler os sinais dos tempos
32. A voz do Espírito que Jesus, por
parte do Pai, enviou a Seus discípulos ressoa também nos acontecimentos da
história. (63) Por trás dos dados mutáveis da situação atual e nas profundas
motivações dos desafios que se apresentam à evangelização, é necessário
descobrir « os sinais da presença e do desígnio de Deus ». (64) Trata-se de uma
análise que se deve fazer à luz da fé, com uma atitude de compaixão. Valendo-se
das ciências humanas, (65) sempre necessárias, a Igreja busca descobrir o
sentido da situação atual, no âmbito da história da salvação. Os seus juízos
sobre a realidade são sempre diagnósticos para a missão.
Alguns desafios para a catequese
33. Para poder exprimir a sua vitalidade
e a sua eficácia, a catequese, hoje, deveria assumir os seguintes desafios e
orientações:
– antes de tudo, ela deve se apresentar
como um válido serviço à evangelização da Igreja, com uma acentuada
característica missionária;
– ela deve se dirigir aos seus
destinatários privilegiados, como foram e continuam a ser as crianças, os
adolescentes, os jovens e os adultos a partir, sobretudo, dos primeiros;
– seguindo o exemplo da catequese
patrística, ela deve plasmar a personalidade daquele que crê e, portanto, deve
ser uma verdadeira e própria escola de pedagogia cristã;
– deve anunciar os mistérios essenciais
do cristianismo, promovendo a experiência trinitária da vida em Cristo como
centro da vida de fé;
– deve considerar como tarefa prioritária
a preparação e a formação de catequistas de fé profunda.
I PARTE
A
CATEQUESE NA MISSÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA
A catequese na missão evangelizadora da Igreja
« Ide por todo o mundo, proclamai o
Evangelho a toda criatura » (Mc 16,15)
« Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as
em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo
quanto vos ordenei » (Mt 28,19-20).
« Recebereis uma força, a do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis
minhas testemunhas... até os confins da terra » (At 1,8).
O mandato missionário de Jesus
34. Jesus, após a sua ressurreição,
enviou por parte do Pai o Espírito Santo para que realizasse, a partir de
dentro, a obra da salvação e estimulasse os discípulos a continuarem a sua
própria missão no mundo inteiro, como ele mesmo fora enviado pelo Pai. Ele foi
o primeiro e o maior evangelizador. Anunciou o Reino de Deus,(66) como nova e
definitiva intervenção divina na história e definiu este anúncio como « o
Evangelho », ou seja, a boa nova. A este dedicou toda a sua existência
terrena: deu a conhecer a alegria de pertencer ao Reino,(67) as suas exigências
e a sua magna carta,(68) os mistérios que encerra,(69) a vida fraterna daqueles
que nele entram,(70) e a sua plenitude futura.(71)
Significado e finalidade desta parte
35. Esta primeira parte pretende definir
o caráter próprio da catequese.
O primeiro capítulo, relativo à estrutura
teológica, recorda brevemente o conceito de Revelação exposto no Documento
conciliar Dei Verbum. Ele determina, de maneira específica, o modo de
conceber o ministério da Palavra. Os conceitos palavra de Deus, Evangelho,
Reino de Deus e Tradição, presentes nessa Constituição dogmática, fundam o
significado de catequese. Junto a esses, é referencial obrigatório para a
catequese o conceito de evangelização. A sua dinâmica e os seus
elementos são expostos com uma precisão nova e profunda, na Exortação
Apostólica Evangelii Nuntiandi.
O segundo capítulo situa a catequese no
quadro da evangelização e a coloca em relação com as demais formas de
ministério da palavra de Deus. Graças a essa relação, descobre-se mais
facilmente o caráter próprio da catequese.
O terceiro capítulo analisa mais
diretamente a catequese enquanto tal: a sua natureza eclesial, a sua finalidade
vinculativa de comunhão com Jesus Cristo, os seus deveres, e a inspiração
catecumenal que a anima.
A concepção que se tem da catequese
condiciona profundamente a seleção e a organização dos seus conteúdos (cognitivos,
experienciais e comportamentais), precisa os seus destinatários e define a
pedagogia que se exige para alcançar os seus objetivos.
O termo catequese sofreu uma evolução
semântica durante os vinte séculos de história da Igreja. Neste Diretório, o
conceito de catequese inspira-se nos Documentos do Magistério Pontifício
pósconciliar e, sobretudo, na Evangelii Nuntiandi, na Catechesi Tradendae
e na Redemptoris Missio.
I
CAPÍTULO
A Revelação e a sua transmissão mediante a evangelização
« Bendito seja o Deus e Pai de nosso
Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda a sorte de bênçãos espirituais,
nos céus, em Cristo. (...) dando-nos a conhecer o mistério da sua vontade,
conforme decisão prévia que lhe aprouve tomar para levar o tempo à sua
plenitude: a de em Cristo encabeçar todas as coisas... » (Ef 1,3-10).
A Revelação do desígnio providencial de
Deus
36. « Deus, que cria e conserva todas as
coisas por meio do Verbo, oferece aos homens, na criação, um perene testemunho
de si mesmo ». (72) O homem, que por sua natureza e vocação é « capaz de Deus
», quando ouve a mensagem das criaturas, pode atingir a certeza da existência
de Deus como causa e fim de tudo e que Ele pode se revelar ao homem.
A constituição Dei Verbum do
Concílio Vaticano II descreveu a Revelação como o ato mediante o qual Deus se
manifesta pessoalmente aos homens. Deus se mostra, de fato, como Aquele que
quer comunicar a Si mesmo, tornando a pessoa humana partícipe de sua natureza
divina. (73) Dessa maneira, Ele realiza o seu desígnio de amor.
« Aprouve a Deus, em sua bondade e
sabedoria, revelar-Se a Si mesmo e tornar conhecido o mistério de Sua vontade,
pelo qual os homens... têm acesso ao Pai e se tornam participantes da natureza
divina ». (74)
37. Este desígnio providencial (75) do
Pai, revelado plenamente em Jesus Cristo, realiza-se com a força do Espírito
Santo.
Ele comporta:
– a revelação de Deus, da sua « verdade
íntima »,(76) do seu « segredo », (77) da verdadeira vocação e dignidade do
homem; (78)
– a oferta da salvação a todos os homens,
como dom da graça e da misericórdia de Deus, (79) que implica a libertação do
mal, do pecado e da morte; (80)
– o definitivo chamado para reunir na
família de Deus todos os filhos dispersos, realizando assim a união fraterna
entre os homens. (81)
A Revelação: fatos e palavras
38. Deus, na sua imensidão, para se
revelar à pessoa humana, utiliza uma pedagogia: (82) serve-se de eventos e de
palavras humanas para comunicar o seu desígnio; e o faz progressivamente e por
etapas, (83) para se aproximar melhor dos homens. Deus, de fato, age de maneira
tal, que os homens cheguem ao conhecimento do seu plano salvífico através dos
eventos da história da salvação e mediante as palavras divinamente inspiradas
que os acompanham e os explicam.
« Este plano da Revelação se concretiza
através de acontecimentos e palavras intimamente conexos entre si, de forma que
– as obras realizadas por Deus na
história da salvação manifestam e corroboram os ensinamentos e as realidades
significadas pelas palavras,
– enquanto as palavras, por sua
vez, proclamam as obras e elucidam o mistério nelas contido ».(84)
39. Também a evangelização, que transmite
ao mundo a Revelação, realiza-se com obras e palavras. Ela é, ao mesmo tempo,
testemunho e anúncio, palavra e sacramento, ensinamento e empenho.
A catequese, por sua vez, transmite os
fatos e as palavras da Revelação: deve proclamá-los e narrá-los e, ao mesmo
tempo, explicar os profundos mistérios que estes encerram. Além disso, sendo a
Revelação fonte de luz para a pessoa humana, a catequese não apenas recorda as
maravilhas de Deus operadas no passado mas, à luz da mesma Revelação,
interpreta os sinais dos tempos e a vida presente dos homens e das mulheres,
uma vez que, neles, realiza-se o desígnio de Deus para a salvação do mundo.
(85)
Jesus Cristo, mediador e plenitude da
Revelação
40. Deus revelou-se progressivamente aos
homens, por meio dos profetas e dos eventos salvíficos, até à plenitude da
Revelação com o envio de seu próprio Filho: (86)
« Jesus Cristo, pela plena presença e
manifestação de Si mesmo, por palavras e obras, sinais e milagres, e
especialmente por sua morte e gloriosa ressurreição dentre os mortos, enviado
finalmente o Espírito de verdade, aperfeiçoa e completa a Revelação ».(87)
Jesus Cristo não é somente o maior dos
profetas, mas é o Filho eterno de Deus, feito homem. Ele é, portanto, o evento
último para o qual convergem todos os eventos da história da salvação.(88) Ele
é, de fato, « a Palavra única, perfeita e insuperável do Pai ». (89)
41. O ministério da Palavra deve
ressaltar esta admirável característica, própria da economia da Revelação: o
Filho de Deus entra na história dos homens, assume a vida e a morte humanas e
realiza a nova e definitiva aliança entre Deus e os homens. É dever próprio da
catequese mostrar quem é Jesus Cristo: a sua vida e o seu mistério, e
apresentar a fé cristã como seqüela da sua pessoa.(90) Por isso, deve basear-se
constantemente nos Evangelhos, os quais « são o coração de todas as Escrituras,
uma vez que constituem o principal testemunho sobre a vida e a doutrina do
Verbo encarnado, nosso Salvador.(91)
O fato que Jesus Cristo seja a plenitude
da Revelação é o fundamento do « cristocentrismo » (92) da catequese: o
mistério de Cristo, na mensagem revelada, não é um elemento a mais, junto aos
demais, mas sim o centro a partir do qual todos os demais elementos se
hierarquizam e se iluminam.
A transmissão da Revelação por meio da
Igreja, obra do Espírito Santo
42. A revelação de Deus, culminada em
Jesus Cristo, é destinada a toda a humanidade: « Deus quer que todos os homens
se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade » (1 Tm 2,4). Em virtude
dessa vontade salvífica universal, Deus dispôs que a Revelação se transmitisse
a todos os povos e a todas as gerações e permanecesse íntegra. (93)
43. Para cumprir este desígnio divino,
Jesus Cristo instituiu a Igreja com fundamento nos apóstolos e, mandando sobre
eles o Espírito Santo, por parte do Pai, enviou-os a pregar o Evangelho em todo
o mundo. Os apóstolos, com palavras, obras e por escrito, executaram fielmente
tal mandato.(94)
Esta Tradição apostólica perpetua-se na
Igreja e por meio da Igreja. E esta, no seu todo, pastores e fiéis, vigia por
sua conservação e transmissão. O Evangelho, de fato, conserva-se íntegro e vivo
na Igreja: os discípulos de Jesus o contemplam e o meditam incessantemente,
vivem-no na existência cotidiana e o anunciam na missão. O Espírito Santo
fecunda constantemente a Igreja enquanto ela vive o Evangelho; faz com que ela
cresça continuamente na compreensão do mesmo, e a impulsiona e sustenta na
tarefa de anunciá-lo em todos os recantos do mundo.(95)
44. A conservação íntegra da Revelação,
palavra de Deus contida na Tradição e na Escritura, assim como a sua contínua
transmissão, são garantidas na sua autenticidade. O Magistério da Igreja,
sustentado pelo Espírito Santo e dotado do « carisma da verdade », exercita a
função de « interpretar autenticamente a Palavra de Deus ».(96)
45. A Igreja, « sacramento universal de
salvação »,(97) movida pelo Espírito Santo, transmite a Revelação por meio da
evangelização: anuncia a boa nova do desígnio salvífico do Pai e, nos
sacramentos, comunica os dons divinos.
A Deus, que se revela, é devida a
obediência da fé, pela qual o homem adere livremente ao « Evangelho da graça de
Deus » (At 20,24), com pleno assentimento do intelecto e da vontade.
Guiado pela fé, dom do Espírito, o homem chega à contemplar e a saborear o Deus
do amor, que em Cristo revelou as riquezas da sua glória.(98)
A evangelização(99)
46. A Igreja « existe para evangelizar »,
(100) isto é, para « levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em
qualquer meio e latitude, e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro
e tornar nova a própria humanidade ». (101)
O mandato missionário de Jesus comporta
vários aspectos intimamente conexos entre si: « proclamai » (Mc 16,15),
« fazei discípulos e ensinai », (102) « sereis minhas testemunhas », (103) «
batizai », (104) « fazei isto em minha memória » (Lc 22,19), « amai-vos
uns aos outros » (Jo 15,12). Anúncio, testemunho, ensinamento,
sacramentos, amor ao próximo, fazer discípulos: todos estes aspectos são via e
meios para a transmissão do único Evangelho, e constituem os elementos da
evangelização.
Alguns deles se revestem de uma
importância tão grande que, às vezes, se tende a identificá-los com a ação
evangelizadora. Todavia, « nenhuma definição parcial e fragmentária, porém,
chegará a dar razão da realidade rica, complexa e dinâmica que é a
evangelização ». (105) Corre-se o risco de empobrecê-la e até mesmo de
mutilá-la. Ao contrário, ela deve desenvolver a « sua totalidade » (106) e
incorporar as suas intrínsecas bipolaridades: testemunho e anúncio, (107)
palavra e sacramento, (108) mudança interior e transformação social. (109) Os
agentes da evangelização devem saber agir com uma « visão global » (110) da
mesma e identificá-la com o conjunto da missão da Igreja. (111)
O processo da evangelização
47. A Igreja, embora contendo em si,
permanentemente, a plenitude dos meios da salvação, opera sempre de modo
gradual. (112) O decreto conciliar Ad Gentes esclareceu bem a dinâmica
do processo evangelizador: testemunho cristão, diálogo e presença da caridade (11-12),
anúncio do Evangelho e chamado à conversão (13), catecumenato e iniciação
cristã (14), formação da comunidade cristã por meio dos sacramentos e dos
ministérios (15-18). (113) Este é o dinamismo da implantação e da edificação da
Igreja.
48. De acordo com isso, é necessário
conceber a evangelização como o processo através do qual a Igreja, movida pelo
Espírito, anuncia e difunde o Evangelho em todo o mundo. Ela:
– impulsionada pela caridade,
impregna e transforma toda a ordem temporal, assumindo e renovando as culturas;
(114)
– dá testemunho, (115) entre os
povos, do novo modo de ser e de viver que caracteriza os cristãos;
– proclama explicitamente o Evangelho,
mediante o « primeiro anúncio », (116) chamando à conversão; (117)
– inicia na fé e na vida cristã, mediante
a «catequese » (118) e os « sacramentos de iniciação », (119)
aqueles que se convertem a Jesus Cristo, ou aqueles que retomam o caminho de
sua seqüela, incorporando os primeiros na comunidade cristã e a ela
reconduzindo os demais; (120)
– alimenta constantemente o dom da comunhão
(121) nos fiéis, mediante a educação permanente da fé (homilia, outras formas
do ministério da Palavra), os sacramentos e o exercício da caridade;
– suscita continuamente a missão,
(122) enviando todos os discípulos de Cristo a anunciarem o Evangelho, com
palavras e obras, em todo o mundo.
49. O processo evangelizador, (123)
conseqüentemente, é estruturado em etapas ou « momentos essenciais »: (124) a
ação missionária para os não crentes e para aqueles que vivem na indiferença
religiosa; a ação catequética e de iniciação para aqueles que optam pelo
Evangelho e para aqueles que necessitam completar ou reestruturar a sua
iniciação; e a ação pastoral para os fiéis cristãos já maduros, no seio da
comunidade cristã. (125) Esses momentos, no entanto, não são etapas concluídas:
reiteram-se, se necessário, uma vez que darão o alimento evangélico mais
adequado ao crescimento espiritual de cada pessoa ou da própria comunidade.
O ministério da Palavra de Deus na
evangelização
50. O ministério da Palavra (126) é
elemento fundamental da evangelização. A presença cristã, em meio aos
diferentes grupos humanos, e o testemunho de vida precisam ser esclarecidos e
justificados pelo anúncio explícito de Jesus Cristo, o Senhor. « Não há verdadeira
evangelização se o nome, o ensinamento, a vida e as promessas, o Reino, o
mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem proclamados ». (127)
Mesmo aqueles que já são discípulos de Cristo têm necessidade de ser
alimentados constantemente com a palavra de Deus, para crescerem na sua vida
cristã. (128)
O ministério da Palavra, no interior da
evangelização, transmite a Revelação por meio da Igreja, valendo-se das «
palavras » humanas. Estas, porém, são sempre em referência às « obras »: àquelas
que Deus realizou e continua a realizar, especialmente nos sacramentos; ao
testemunho de vida dos cristãos; à ação transformadora que estes, unidos a
tantos homens de boa vontade, realizam no mundo. Esta palavra humana da Igreja
é o meio de que o Espírito Santo se serve, para continuar o diálogo com a
humanidade. Ele é, de fato, o principal agente do ministério da Palavra, aquele
por meio do qual « a viva voz do Evangelho ressoa na Igreja, e por meio desta,
no mundo ». (129)
O ministério da Palavra exercita-se « de
muitas formas ». (130) A Igreja, desde a época apostólica, (131) no seu desejo
de oferecer a palavra de Deus da maneira mais apropriada, tem realizado este
ministério através das mais variadas formas. (132) Todas elas servem para
veicular aquelas funções basilares que o ministério da Palavra é chamado a
desempenhar.
Funções e formas do ministério da Palavra
51. As principais funções do ministério
da Palavra são as seguintes:
– Convocação e chamado à fé
É a função que mais imediatamente se
deduz do mandato missionário de Jesus. Realiza-se mediante o « primeiro anúncio
», dirigido aos não crentes: aqueles que fizeram uma opção de nãocrença, os
batizados que vivem às margens da vida cristã, os praticantes de outras
religiões... (133) O despertar religioso das crianças, nas famílias cristãs, é
também uma forma eminente desta função.
– A iniciação
Aqueles que, movidos pela graça, decidem
seguir Jesus, são « introduzidos na vida religiosa, litúrgica e caritativa do
Povo de Deus ». (134) A Igreja realiza esta função, fundamentalmente por meio
da catequese, em estreita relação com os sacramentos da iniciação, tanto se
estes devem ser ainda recebidos quanto se já o foram. Formas importantes são: a
catequese dos adultos não batizados, no catecumenato; a catequese dos adultos
batizados que desejam retornar à fé, ou daqueles que têm necessidade de
completar a sua iniciação; a catequese das crianças e dos mais jovens, que por
si só, já tem um caráter de iniciação. Também a educação cristã familiar e o
ensino escolar da religião exercem uma função de iniciação.
– A educação permanente à fé
Em diversas regiões, ela é chamada também
de « catequese permanente ». (135)
Dirige-se aos cristãos iniciados nos
elementos de base, que têm necessidade de alimentar e amadurecer constantemente
a sua fé, durante toda a vida. É uma função que se realiza através de formas
muito variadas: « sistemáticas e ocasionais, individuais e comunitárias,
organizadas e espontâneas, etc. ». (136)
– A função litúrgica
O ministério da Palavra compreende também
uma função litúrgica, uma vez que, quando ele se realiza no âmbito de uma ação
sacra, é parte integrante da mesma. (137) Ele se exprime de maneira eminente
através da homilia. Outras formas são as intervenções e as exortações durante
as celebrações da palavra. É preciso também fazer referência à preparação
imediata aos diversos sacramentos, às celebrações sacramentais e, sobretudo, à
participação dos fiéis na Eucaristia, como forma fundamental da educação da fé.
– A função teológica
Ela busca desenvolver a compreensão da
fé, colocando-se na dinâmica da « fides quaerens intellectum », ou seja, da fé
que procura entender. (138) A teologia, para cumprir esta função, precisa
confrontar-se ou dialogar com as formas filosóficas do pensamento, com os humanismos
que conotam a cultura e com as ciências do homem. Articula-se em formas que
promovem « a abordagem sistemática e a pesquisa científica das verdades da fé
». (139)
52. São formas importantes do ministério
da Palavra: o primeiro anúncio ou pregação missionária, a catequese pré e
pós-batismal, a forma litúrgica e a forma teológica. Acontece, com freqüência,
que tais formas, por circunstâncias pastorais, devam assumir mais de uma
função. A catequese, por exemplo, junto à sua função de iniciação, deve
exercitar, freqüentemente, tarefas missionárias. A própria homilia, de acordo
com as circunstâncias, será conveniente que assuma as funções de convocação e
de iniciação orgânica.
A conversão e a fé
53. Ao anunciar ao mundo a Boa Nova da
Revelação, a evangelização convida homens e mulheres à conversão e à fé. 140 O
chamado de Jesus, « arrependei-vos e crede no Evangelho » (Mc 1,15),
continua a ressoar hoje, mediante a evangelização da Igreja. A fé cristã é,
antes de mais nada, conversão a Jesus Cristo, (141) adesão plena e sincera à
sua pessoa, e decisão de caminhar na sua seqüela. (142) A fé é um encontro
pessoal com Jesus Cristo, é tornar-se seu discípulo. Isso exige o empenho
permanente de pensar como Ele, de julgar como Ele e de viver como Ele viveu. (143)
Assim, o crente se une à comunidade dos discípulos e assume, como sua, a fé da
Igreja. (144)
54. Este « sim » a Jesus Cristo,
plenitude da Revelação do Pai, encerra em si uma dupla dimensão: o confiante
abandono em Deus e a amorosa adesão a tudo aquilo que Ele nos revelou. Isto é
possível somente mediante a ação do Espírito Santo: (145)
« Com a fé, o homem livremente se entrega
todo a Deus, prestando ao Deus revelador, um obséquio pleno do intelecto e da
vontade, e dando voluntário assentimento à revelação feita por Ele ». (146)
« Crer, portanto, tem uma dupla
referência: à pessoa e à verdade; à verdade por confiança na pessoa que a
atesta ». (147)
55. A fé comporta uma transformação de
vida, uma « metanóia », (148) ou seja, uma profunda transformação da mente e do
coração; faz com que o crente viva aquela « nova maneira de ser, de viver, de
estar junto com os outros que o Evangelho inaugura ». (149) Esta transformação
de vida manifesta-se em todos os níveis da existência do cristão: na sua vida
interior de adoração e de acolhimento da vontade divina; na sua participação
ativa na missão da Igreja; na sua vida matrimonial e familiar; no exercício da
vida profissional; no cumprimento das atividades econômicas e sociais.
A fé e a conversão brotam do « coração
», isto é, do mais profundo da pessoa humana, envolvendo-a inteira.
Encontrando Jesus e aderindo a Ele, o ser humano vê realizadas as suas mais
profundas aspirações; encontra tudo aquilo que sempre buscou e o encontra
abundantemente. (150) A fé responde àquela « ânsia », (151) freqüentemente
inconsciente e sempre limitada, de conhecer a verdade sobre Deus, sobre o
próprio homem e sobre o destino que o espera. É como uma água pura (152) que
reaviva o caminho do homem, peregrino em busca de seu lar.
A fé é um dom de Deus. Pode nascer do
íntimo do coração humano somente como fruto da « graça prévia e adjuvante »
(153) e como resposta, completamente livre, à moção do Espírito Santo, que move
o coração e o dirige a Deus, dando-lhe « suavidade no consentir e crer na
verdade ». (154)
A Virgem Maria viveu, no modo mais
perfeito, estas dimensões da fé. A Igreja venera n'Ela, « a mais pura
realização da fé ». (155)
O processo da conversão permanente
56. A fé é um dom destinado a crescer no
coração dos crentes. (156) A adesão a Jesus Cristo, de fato, inicia um processo
de conversão permanente, que dura toda a vida. (157) Quem acede à fé é como uma
criança recém-nascida (158) que, pouco a pouco, crescerá e se converterá num
ser adulto que tende ao « estado de homem feito », (159) à maturidade da
plenitude em Cristo.
No processo de fé e de conversão podem-se
revelar, do ponto de vista teológico, diversos momentos importantes:
a) O interesse pelo Evangelho. O primeiro momento é aquele em que, no
coração do não crente, do indiferente ou do praticante de outra religião,
nasce, como conseqüência do primeiro anúncio, um interesse pelo Evangelho, sem
ser ainda uma decisão firme. Aquele primeiro movimento do espírito humano para
a fé, que já é fruto da graça, recebe diversos nomes: « propensão à fé », (160)
« preparação evangélica », (161) inclinação a crer, « procura religiosa ».
(162) A Igreja denomina « simpatizantes » (163) aqueles que mostram essa
inquietação.
b) A conversão. Este primeiro interesse pelo Evangelho
necessita de um tempo de busca (164) para poder-se transformar em uma opção
sólida. A decisão para a fé deve ser avaliada e amadurecida. Tal busca, movida
pelo Espírito Santo e pelo anúncio do kerigma, prepara a conversão que
será — certamente — « inicial », (165) mas que já traz consigo a adesão a Jesus
Cristo e a vontade de caminhar na sua seqüela. Esta « opção fundamental » funda
toda a vida cristã do discípulo do Senhor. (166)
c) A profissão de fé. O abandonar-se a Jesus Cristo gera nos
crentes o desejo de conhecê-Lo mais profundamente e de identificar-se com Ele.
A catequese os inicia no conhecimento da fé e no aprendizado da vida cristã,
favorecendo um caminho espiritual que provoca uma « progressiva transformação
de mentalidade e costumes », (167) feita de renúncias e de lutas, mas também de
alegrias que Deus concede sem medida. O discípulo de Jesus Cristo torna-se,
então, idôneo a fazer uma viva, explícita e operante profissão de fé. (168)
d) O caminho rumo à perfeição. Esta maturidade de base, da qual nasce
a profissão de fé, não é o ponto final no processo permanente de conversão. A
profissão de fé batismal coloca-se como fundamento de um edifício espiritual
destinado a crescer. O batizado, impulsionado sempre pelo Espírito Santo,
alimentado pelos sacramentos, pela oração e pelo exercício da caridade, e
ajudado pelas múltiplas formas de educação permanente da fé, procura tornar seu
o desejo de Cristo: « Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito ».
(169) É o chamado à plenitude que se dirige a cada batizado.
57. O ministério da Palavra está a
serviço deste processo de conversão plena. O primeiro anúncio tem a
característica de chamar à fé; a catequese, a de dar um fundamento à conversão
e uma estrutura de base à vida cristã; e a educação permanente à fé, na qual se
distingue a homilia, a de ser o nutrimento constante do qual cada organismo
adulto necessita para viver. (170)
Diversas situações sócio-religiosas
diante da evangelização
58. A evangelização do mundo tem diante
de si um panorama religioso muito diversificado e mutável, no qual se podem
distinguir fundamentalmente « três situações » (171) que requerem respostas
adequadas e diferenciadas.
a) A situação daqueles « povos, grupos humanos, contextos
socioculturais onde Cristo e o seu Evangelho não são conhecidos, onde faltam
comunidades cristãs suficientemente amadurecidas para poderem encarnar a fé no
próprio ambiente e anunciá-la a outros grupos ». (172) Esta situação postula a
« missão ad gentes » (173) com uma ação evangelizadora centrada,
preferivelmente, nos jovens e adultos. A sua peculiaridade consiste no fato de
que se dirige aos não cristãos, convidando-os à conversão. A catequese, nesta
situação, desenvolve-se ordinariamente no interior do Catecumenato batismal.
b) Existem, além disso, situações nas quais, num determinado
contexto sociocultural, estão presentes, de maneira muito significativa, «
comunidades cristãs que possuem sólidas e adequadas estruturas eclesiais, são
fermento de fé e de vida, irradiando o testemunho do Evangelho no seu ambiente,
e sentindo o compromisso da missão universal ». (174) Estas comunidades
necessitam de uma intensa « ação pastoral da Igreja », visto que são
constituídas por pessoas e famílias com um profundo senso cristão. Em tal
contexto, é necessário que a catequese às crianças, adolescentes e jovens
desenvolva verdadeiros processos de iniciação cristã bem articulados, que lhes
permitam aceder à idade adulta com uma fé madura que, de evangelizados, os
transforme em evangelizadores. Mesmo nessas situações, os adultos são
destinatários de modalidades diversas de formação cristã.
c) Em muitos países de tradição cristã e, às vezes, também
nas Igrejas mais jovens, existe uma « situação intermédia », (175) onde «
grupos inteiros de batizados perderam o sentido vivo da fé, não se reconhecendo
já como membros da Igreja e conduzindo uma vida distante de Cristo e do Seu
Evangelho ». (176) Esta situação requer uma « nova evangelização ». A
sua peculiaridade consiste no fato de que a ação missionária se dirige aos
batizados de todas as idades, que vivem num contexto religioso de referências
cristãs, percebidos apenas exteriormente. Nesta situação, o primeiro anúncio e
uma catequese de base constituem a opção prioritária.
Mútua conexão entre as ações
evangelizadoras correspondentes a estas situações
59. Estas situações sócio-religiosas são,
obviamente, diferentes e não é justo equipará-las. Tal diversidade, que sempre
existiu na missão da Igreja, adquire hoje, neste mundo em constante
transformação, uma novidade. De fato, com freqüência, diversas situações
convivem num mesmo território. Em muitas cidades grandes, por exemplo,
coexistem simultaneamente a situação que postula uma « missão ad gentes »
e outra que requer uma « nova evangelização ». Junto a estas, estão
dinamicamente presentes comunidades cristãs missionárias, alimentadas por uma
adequada « ação pastoral ». Hoje ocorre freqüentemente que, no território de
uma Igreja particular, seja preciso enfrentar o conjunto dessas situações. « Os
confins entre o cuidado pastoral dos fiéis, a nova evangelização e a atividade
missionária específica não são facilmente identificáveis, e não se deve pensar
em criar entre esses âmbitos barreiras ou compartimentos estanques ». (177) De
fato, « cada uma influi sobre a outra, estimula e a ajuda ». (178)
Por isso, em vista do mútuo
enriquecimento das ações evangelizadoras que convivem juntas, convém levar em
consideração que:
– A missão ad gentes, qualquer que
seja a área ou âmbito em que se realiza, é a responsabilidade missionária mais
específica que Jesus confiou à Sua Igreja e, portanto, é o modelo exemplar do
conjunto da ação missionária da Igreja. A « nova evangelização » não pode
suplantar ou substituir a « missão ad gentes », que continua a ser a
atividade missionária específica e a tarefa primária. (179)
– « O modelo de toda catequese é o
Catecumenato batismal , que é formação específica, mediante a qual o adulto
convertido à fé é levado à confissão da fé batismal, durante a vigília pascal
». (180) Esta formação catecumenal deve inspirar as outras formas de catequese,
nos seus objetivos e no seu dinamismo.
– « A catequese dos adultos, uma vez que
é dirigida a pessoas capazes de uma adesão e de um empenho realmente
responsáveis, deve ser considerada como a principal forma de catequese, para qual
todas as demais, não por isso menos necessárias, estão orientadas ». (181) Isso
implica que a catequese das demais idades deve tê-la como ponto de referência e
deve articular-se com ela, num projeto catequético de pastoral diocesana, que
seja coerente.
Desse modo, a catequese, situada no
âmbito da missão evangelizadora da Igreja como « momento » essencial da mesma,
recebe da evangelização, um dinamismo missionário que a fecunda interiormente e
a configura na sua identidade. O ministério da catequese mostra-se, assim, como
um serviço eclesial fundamental na realização do mandato missionário de Jesus.
II
CAPÍTULO
A catequese no processo da evangelização
« O que nós ouvimos e conhecemos, o que
nos contaram nossos pais, não o esconderemos a seus filhos; nós o contaremos
à geração seguinte os louvores de Iahweh e seu poder, e as maravilhas que
realizou » (Sl 78,34).
« Apolo tinha sido instruído no caminho do Senhor e, no fervor do
espírito, falava e ensinava com exatidão o que se refere a Jesus » (At 18,25).
60. Neste capítulo, mostra-se a relação
da catequese com os demais elementos da evangelização, da qual ela é parte
integrante.
Neste sentido, descreve-se, em primeiro
lugar, a relação da catequese com o primeiro anúncio, que se realiza na
missão. Mostra-se depois a íntima conexão entre a catequese e os sacramentos
da iniciação cristã. Explica-se, a seguir, o papel fundamental da catequese
na vida ordinária da Igreja no seu papel de educar permanentemente à fé.
Uma consideração especial é reservada à
relação que existe entre a catequese e o ensino escolar da Religião, uma
vez que ambas as ações são profundamente interligadas e, juntamente com a
educação familiar cristã, mostram ser basilares para a formação da infância e
da juventude.
Primeiro anúncio e catequese
61. O primeiro anúncio se dirige
aos não crentes e àqueles que, de fato, vivem na indiferença religiosa. Ele tem
a função de anunciar o Evangelho e de chamar à conversão. A catequese, «
distinta do primeiro anúncio do Evangelho » (182) promove e faz amadurecer esta
conversão inicial, educando à fé o convertido e incorporando-o na comunidade
cristã. A relação entre estas duas formas do ministério da Palavra é, portanto,
uma relação de distinção na complementariedade.
O primeiro anúncio, que cada cristão é
chamado a realizar, participa do « ide » (183) que Jesus propôs a seus
discípulos: implica, portanto, o sair, o apressar-se, o propor. A catequese, ao
invés, parte da condição que o próprio Jesus indicou, « aquele que crer »,
(184) aquele que se converter, aquele que se decidir. As duas ações são
essenciais e se atraem mutuamente: ir e acolher, anunciar e educar, chamar e
incorporar.
62. Na prática pastoral, todavia, as
fronteiras entre as duas ações não são facilmente delimitáveis. Freqüentemente,
as pessoas que acedem à catequese, necessitam, de fato, de uma verdadeira
conversão. Por isso, a Igreja deseja que, ordinariamente, uma primeira etapa do
processo catequético seja dedicada a assegurar a conversão. (185) Na « missão ad
gentes », esta tarefa se realiza no « pré-catecumenato ». (186) Na
situação requerida pela « nova evangelização » esta tarefa se realiza por meio
da « catequese kerigmática », que alguns chamam de « pré-catequese », (187)
porque, inspirada no pré-catecumenato, é uma proposta da Boa Nova em ordem a
uma sólida opção de fé. Somente a partir da conversão, isto é, apostando na
atitude interior « daquele que crer », a catequese propriamente dita poderá
desenvolver a sua tarefa específica de educação da fé. (188)
O fato de que a catequese, num primeiro
momento, assuma estas tarefas missionárias, não dispensa a Igreja particular de
promover uma intervenção institucionalizada de primeiro anúncio, como atuação
mais direta do mandato missionário de Jesus. A renovação catequética deve
basear-se nesta evangelização missionária prévia.
A Catequese a serviço da iniciação cristã
A catequese, « momento » essencial do
processo de evangelização
63. A Exortação apostólica Catechesi
Tradendae, colocando a catequese no âmbito da missão da Igreja, recorda que
a evangelização é uma realidade rica, complexa e dinâmica, que compreende «
momentos » essenciais e diferentes entre si. E acrescenta: « A catequese é...
um desses momentos — e quanto ele há-de ser tido em conta! — de todo o processo
da evangelização ». (189) Isto significa que há ações que « preparam » (190) a
catequese, e ações que « derivam » (191) da catequese.
O « momento » da catequese é aquele que
corresponde ao período em que se estrutura a conversão a Jesus Cristo,
oferecendo as bases para aquela primeira adesão. Os convertidos, mediante « um
ensinamento e um aprendizado devidamente prolongado no decorrer de toda a vida
cristã », (192) são iniciados no mistério da salvação e num estilo de vida
evangélico. Trata-se, de fato, de « iniciá-los na plenitude da vida cristã ».
(193)
64. Ao realizar, de diferentes formas,
esta função de iniciação do ministério da Palavra, a catequese lança os
fundamentos do edifício da fé. (194) Outras funções deste ministério
construirão depois os diferentes andares desse mesmo edifício.
A catequese de iniciação é, assim, o elo
necessário entre a ação missionária, que chama à fé, e a ação pastoral, que
alimenta continuamente a comunidade cristã. Não é, portanto, uma ação
facultativa, mas sim uma ação basilar e fundamental para a construção, tanto da
personalidade do discípulo, quanto da comunidade. Sem ela, a ação missionária
não teria continuidade e seria estéril. Sem ela, a ação pastoral não teria
raízes e seria superficial e confusa: qualquer tempestade faria desmoronar todo
o edifício. (195)
Na verdade, « o crescimento interior da
Igreja, a sua correspondência aos desígnios de Deus, dependem essencialmente da
catequese ». (196) Neste sentido, a catequese deve ser considerada como momento
prioritário na evangelização.
A catequese a serviço da iniciação cristã
65. A fé, mediante a qual o homem
responde ao anúncio do Evangelho, exige o Batismo. A íntima relação entre as
duas realidades tem sua raiz na vontade do próprio Cristo, que ordenou aos seus
apóstolos que fizessem discípulos em todas as nações e os batizassem. « A
missão de batizar, portanto, a missão sacramental, está implícita na missão de
evangelizar ». (197)
Aqueles que se converteram a Jesus Cristo
e foram educados à fé por meio da catequese, ao receberem os sacramentos da
iniciação cristã, o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia, são « libertados do
poder das trevas; mortos com Cristo, con-sepultados e coressuscitados com Ele,
recebem o Espírito da adoção de filhos e com todo o Povo de Deus celebram o
memorial da morte e da ressurreição do Senhor ». (198)
66. A catequese é, assim, elemento
fundamental da iniciação cristã e é estreitamente ligada com os sacramentos de
iniciação, de modo particular com o Batismo, « sacramento da fé ». (199) O elo
que une a catequese com o Batismo é a profissão de fé que é, ao mesmo tempo, o
elemento interior a este sacramento e a meta da catequese. A finalidade da ação
catequética consiste precisamente nisso: em favorecer uma viva, explícita e
operosa profissão de fé. (200) A Igreja, para alcançar esta finalidade,
transmite aos catecúmenos e aos catequizandos, a viva experiência que ela tem
do Evangelho, e a sua fé, a fim de que estes a façam própria, ao professá-la.
Por isso, « a catequese autêntica é sempre iniciação ordenada e sistemática à
revelação que Deus fez de Si mesmo ao homem, em Jesus Cristo; revelação esta
conservada na memória
profunda da Igreja e nas Sagradas
Escrituras, e constantemente comunicada, por uma « traditio » (tradição) viva e
ativa, de uma geração para a outra ». (201)
Características fundamentais da catequese
de iniciação
67. O fato de ser « momento essencial »
do processo evangelizador, a serviço da iniciação cristã, confere à catequese
algumas características. (202) Ela é:
– uma formação orgânica e sistemática da
fé. O Sínodo de 1977 sublinhou a necessidade de uma catequese « orgânica e bem
ordenada », (203) uma vez que o aprofundamento vital e orgânico do mistério de
Cristo é aquilo que principalmente distingue a catequese de todas as demais
formas de apresentação da Palavra de Deus.
– Esta formação orgânica é mais do que um
ensino: é um aprendizado de toda a vida cristã, « uma iniciação cristã integral
», (204) que favorece uma autêntica seqüela de Cristo, centrada na Sua Pessoa.
Trata-se, de fato, de educar ao conhecimento e à vida de fé, de tal maneira que
o homem no seu todo, nas suas experiências mais profundas, se sinta fecundado
pela Palavra de Deus. Ajudar-se-á, assim, o discípulo de Cristo, a transformar
o homem velho, a assumir os seus compromissos batismais e a professar a fé a
partir do « coração ». (205)
– É uma formação de base, essencial,
(206) centrada naquilo que constitui o núcleo da experiência cristã, nas
certezas mais fundamentais da fé e nos mais basilares valores evangélicos. A
catequese lança os fundamentos do edifício espiritual do cristão, alimenta as
raízes da sua vida de fé, habilitando-o a receber o sucessivo alimento sólido,
na vida ordinária da comunidade cristã.
68. Em síntese: a catequese de iniciação,
sendo orgânica e sistemática, não se reduz ao meramente circunstancial ou
ocasional; (207) sendo formação para a vida cristã, supera — incluindo-o — o
mero ensino; (208) e sendo essencial, visa àquilo que é « comum » para o
cristão, sem entrar em questões disputadas, nem transformar-se em pesquisa
teológica. Enfim, sendo iniciação, incorpora na comunidade que vive, celebra e
testemunha a fé. Realiza, portanto, ao mesmo tempo, tarefas de iniciação, de
educação e de instrução. (209) Esta riqueza, inerente ao Catecumenato dos
adultos não batizados, deve inspirar as demais formas de catequese.
A Catequese a serviço da educação
permanente da fé
A educação permanente da fé na comunidade
cristã
69. A educação permanente à fé segue a
educação de base e a supõe. Ambas atualizam duas funções do ministério da
Palavra, distintas e complementares, a serviço do processo permanente de
conversão.
A catequese de iniciação lança as bases
da vida cristã naqueles que seguem Jesus. O processo permanente de conversão
vai além daquilo que fornece a catequese de base. Para favorecer tal processo,
é necessária uma comunidade cristã que acolha os iniciados para sustentá-los e
formá-los na fé. « A catequese corre o risco de se tornar estéril se uma
comunidade de fé e de vida cristã não acolher o catecúmeno num certo estágio da
sua catequização ». (210) O acompanhamento que a comunidade exercita em favor
do iniciado, transforma-se em plena integração do mesmo na comunidade.
70. Na comunidade cristã, os discípulos
de Jesus Cristo se alimentam em uma dúplice mesa: « da Palavra de Deus e do
Corpo de Cristo ». (211) O Evangelho e a Eucaristia são alimento constante na
peregrinação rumo à casa do Pai. A ação do Espírito Santo faz com que o dom da
« comunhão » e o empenho da « missão » sejam aprofundados e vividos de maneira
sempre mais intensa.
A educação permanente da fé se dirige não
apenas a cada cristão, para acompanhá-lo no seu caminho rumo à santidade, mas
também à comunidade cristã enquanto tal, para que amadureça tanto na sua vida
interior de amor a Deus e aos irmãos, quanto na sua abertura ao mundo como
comunidade missionária. O desejo e a oração de Jesus ao Pai são um incessante
apelo: « a fim de que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti,
que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste ». (212)
Aproximar-se, pouco a pouco, desse ideal, exige, na comunidade, uma grande
fidelidade à ação do Espírito Santo, um constante alimentar-se do Corpo e
Sangue do Senhor e uma permanente educação na fé, na escuta da Palavra.
Nesta mesa da Palavra de Deus, a homilia
ocupa um lugar privilegiado, uma vez que « retoma o itinerário de fé proposto
pela catequese e o leva ao seu complemento natural; ao mesmo tempo, ela
impulsiona os discípulos do Senhor a retomarem cada dia o seu itinerário espiritual,
na verdade, na adoração e na ação de graças ». (213)
Múltiplas formas de catequese permanente
71. Para a educação permanente à fé, o
ministério da Palavra conta com muitas formas de catequese. Entre estas, podem
ser evidenciadas as seguintes:
– O estudo e o aprofundamento da Sagrada
Escritura, lida não somente na Igreja, mas com a Igreja e a sua fé sempre viva.
Isto ajuda a descobrir a verdade divina, de modo a suscitar uma resposta de fé.
A chamada « lectio divina » é forma eminente deste vital estudo das Escrituras.
(214)
– A leitura cristã dos eventos, que é
requerida pela vocação missionária da comunidade cristã. A este respeito, o
estudo da doutrina social da Igreja é indispensável, visto que « sua finalidade
principal é interpretar estas realidades (as complexas realidades da existência
do homem, na sociedade e no contexto internacional), examinando a sua
conformidade ou desconformidade com as linhas do ensinamento do Evangelho ».
(215)
– A catequese litúrgica, que prepara aos
sacramentos e favorece uma compreensão e uma experiência mais profunda da
liturgia. Ela explica o conteúdo das orações, o sentido dos gestos e dos
sinais, educa à participação ativa, à contemplação e ao silêncio. Deve ser
considerada como « uma eminente forma de catequese ». (216)
– A catequese ocasional, que em
determinadas circunstâncias da vida pessoal, familiar, social e eclesial, busca
ajudar a interpretar e viver tais circunstâncias, a partir da perspectiva da
fé. (217)
– As iniciativas de formação espiritual,
que fortalecem as convicções, abrem a novas perspectivas e fazem perseverar na
oração e no compromisso da seqüela de Cristo.
O aprofundamento sistemático da mensagem
cristã, por meio de um ensino teológico que eduque verdadeiramente à fé, faça
crescer na compreensão da mesma e torne o cristão capaz de dar razões da sua
esperança, no mundo atual. (218) Num certo sentido, é apropriado denominar tal
ensino como « catequese de aperfeiçoamento ».
72. É de fundamental importância que a
catequese de iniciação para adultos, batizados ou não, a catequese de iniciação
para crianças e jovens e a catequese permanente sejam bem conexas no projeto
catequético da comunidade cristã, a fim de que a Igreja particular cresça
harmoniosamente e a sua atividade evangelizadora nasça de fontes autênticas. «
É importante também que a catequese das crianças e dos jovens, a catequese
permanente e a catequese dos adultos não sejam domínios estanques e sem
comunicação... é necessário favorecer a sua perfeita complementaridade ». (219)
Catequese e ensino escolar da Religião
O caráter próprio do ensino escolar da
Religião
73. Uma consideração especial merece — no
âmbito do ministério da Palavra — o caráter próprio do ensino religioso na
escola e a sua relação com a catequese das crianças e dos jovens.
A relação entre o ensino religioso na
escola e a catequese é uma relação de distinção e de complementaridade: « Há um
nexo indivisível e, ao mesmo tempo, uma clara distinção entre o ensino da
religião e a catequese ». (220)
O que confere ao ensino religioso escolar
a sua peculiar característica, é o fato de ser chamado a penetrar no âmbito da
cultura e de relacionar-se com outras formas do saber. Como forma original do
ministério da Palavra, de fato, o ensino religioso escolar torna presente o
Evangelho no processo pessoal de assimilação, sistemática e crítica, da
cultura. (221)
No universo cultural, que é interiorizado
pelos alunos e que é definido pelas formas de saber e pelos valores oferecidos
pelas demais disciplinas escolares, o ensino religioso escolar deposita o
fermento dinâmico do Evangelho e busca « abranger realmente os outros elementos
do saber e da educação, para que o Evangelho impregne a mentalidade dos alunos
no ambiente da sua formação e para que a harmonização da sua cultura se faça à
luz da fé ». (222)
É necessário, portanto, que o ensino
religioso escolar se mostre como uma disciplina escolar, com a mesma exigência
de sistema e rigor que requerem as demais disciplinas. Deve apresentar a
mensagem e o evento cristão com a mesma seriedade e profundidade com a qual as
demais disciplinas apresentam seus ensinamentos. Junto a estas, todavia, o
ensino religioso escolar não se situa como algo acessório, mas sim no âmbito de
um necessário diálogo interdisciplinar. Este diálogo deve ser instituído, antes
de mais nada, naquele nível no qual cada disciplina plasma a personalidade do
aluno. Assim, a apresentação da mensagem cristã incidirá na maneira com que se
concebe a origem do mundo e o sentido da história, o fundamento dos valores
éticos, a função da religião na cultura, o destino do homem, a relação com a
natureza. O ensino religioso escolar, mediante este diálogo interdisciplinar,
funda, potencia, desenvolve e completa a ação educadora da escola. (223)
O contexto escolar e os destinatários do
ensino escolar da Religião
74. O ensino escolar da Religião
desenvolve-se em contextos escolares diversos, o que faz com que este, embora
mantendo o seu caráter próprio, adquira acentuações diversas. Estas dependem
das condições legais e de organização, da concepção didática, dos pressupostos
pessoais dos professores e dos alunos e da relação do ensino religioso escolar
com a catequese familiar e paroquial.
Não é possível reduzir à uma única forma
todos os modelos de ensinamento religioso escolar, desenvolvidas historicamente
em seguida a Acordos com os Estados e às deliberações de cada Conferência dos
Bispos. Todavia, é necessário esforçar-se para que, segundo os relativos
pressupostos, o ensino religioso escolar responda às suas finalidades e
características peculiares. (224)
Os alunos « têm o direito de aprender, de
modo verdadeiro e com certeza, a religião à qual pertencem. Não pode ser
desatendido este seu direito a conhecer mais profundamente a pessoa de Cristo e
a totalidade do anúncio salvífico que Ele trouxe. O caráter confessional do
ensino religioso escolar, realizado pela Igreja segundo modos e formas
estabelecidas em cada País, é, portanto, uma garantia indispensável, oferecida
às famílias e aos alunos que escolhem tal ensino ». (225)
Para a escola católica, o ensino
religioso escolar, assim qualificado e completado com outras formas do
ministério da Palavra (catequese, celebrações litúrgicas, etc.), é parte
indispensável da sua tarefa pedagógica e fundamento da sua existência. (226)
O ensino religioso escolar, no contexto
da escola pública e no da não confessional, lá onde as autoridades civis ou
outras circunstâncias impõem um ensino religioso comum aos católicos e
nãocatólicos, (227) terá uma característica mais ecumênica e de conhecimento
inter-religioso comum.
Em outras ocasiões, o ensinamento
religioso escolar poderá ter um caráter mais cultural, orientado para o
conhecimento das religiões, apresentando, com o necessário realce, a religião
católica. (228) Também neste caso, sobretudo se administrado por um professor
sinceramente respeitoso, o ensino religioso escolar mantém uma dimensão de
verdadeira « preparação evangélica ».
75. A situação de vida e de fé dos alunos
que freqüentam o ensino religioso escolar é caracterizada por uma constante e
notável transformação. O ensino religioso escolar deve levar em conta este
dado, para poder atingir as próprias finalidades.
O ensino religioso escolar ajuda os
alunos que têm fé a compreender melhor a mensagem cristã, em relação com os
grandes problemas existenciais comuns às religiões e característicos de todo
ser humano, com as visões da vida mais presentes na cultura, e com os
principais problemas morais nos quais, hoje, a humanidade se encontra
envolvida.
Os alunos, ao invés, que se encontram em
uma situação de busca ou diante de dúvidas religiosas, poderão descobrir no
ensino religioso escolar o que é, exatamente, a fé em Jesus Cristo, quais são
as respostas que a Igreja oferece aos seus interrogativos, dando-lhes a
oportunidade de perscrutar melhor a própria decisão.
Finalmente, quando os alunos não têm fé,
o ensino religioso escolar assume as características de um anúncio missionário
do Evangelho, em vista de uma decisão de fé, que a catequese, por sua parte, em
um contexto comunitário, poderá em seguida fazer crescer e amadurecer.
A educação cristã familiar: catequese e
ensino religioso escolar a serviço da educação na fé
76. A educação cristã na família, a
catequese e o ensino da religião na escola, cada qual segundo as próprias
características peculiares, são intimamente correlacionados com o serviço da
educação cristã das crianças, adolescentes e jovens. Na prática, porém, é
preciso levar em consideração diferentes variáveis que geralmente se
apresentam, com o intuito de agir com realismo e prudência pastoral, na
aplicação das orientações gerais.
Portanto, cabe a cada diocese ou região
pastoral distinguir as diversas circunstâncias que intervêm, tanto no que
concerne à existência ou não da iniciação cristã no âmbito das famílias, para
os próprios filhos, quanto no que diz respeito às incumbências formativas que,
na tradição ou situação locais, exercitam as paróquias, as escolas, etc...
E, conseqüentemente, a Igreja particular
e a Conferência dos Bispos estabelecerão as orientações próprias para os
diversos âmbitos, estimulando atividades que são distintas e complementares.
III
CAPÍTULO
Natureza, finalidade e tarefas da catequese
« Para a glória de Deus, o Pai, toda
língua confesse: Jesus Cristo é o Senhor » (Fl 2,11).
77. Depois de ter delineado o lugar da catequese
no âmbito da missão evangelizadora da Igreja, as suas relações com os vários
elementos da evangelização e com as outras formas do ministério da Palavra,
neste capítulo se pretende refletir de modo específico sobre:
– a natureza eclesial da catequese, ou
seja, o sujeito agente da catequese, a Igreja animada pelo Espírito;
– a finalidade que ela busca
fundamentalmente, ao catequizar;
– as tarefas com as quais realiza esta
finalidade, e que constituem os seus objetivos mais imediatos;
– as fases internas do processo
catequético e a inspiração catecumenal que o anima.
Além disso, neste capítulo,
aprofundar-se-á mais o caráter próprio da catequese, já descrito no capítulo
precedente, onde foram especificadas as relações que ela estabelece com as
demais ações eclesiais.
A catequese: ação de natureza eclesial
78. A catequese é um ato essencialmente
eclesial. (229) O verdadeiro sujeito da catequese é a Igreja que, continuadora
da missão de Jesus Mestre, e animada pelo Espírito, foi enviada para ser mestra
da fé. Portanto, a Igreja, imitando a Mãe do Senhor, conserva fielmente o
Evangelho no seu coração, (230) anuncia-o, celebra-o, vive-o e o transmite na
catequese, a todos aqueles que decidiram seguir Jesus Cristo.
Esta transmissão do Evangelho é um ato
vivo de tradição eclesial: (231)
– A Igreja, de fato, transmite a fé que
ela mesma vive: a sua compreensão do mistério de Deus e do seu desígnio
salvífico; a sua visão da altíssima vocação do homem; o estilo de vida
evangélico que comunica a alegria do Reino; a esperança que a invade; o amor
que sente pelos homens.
– A Igreja transmite a fé de modo ativo,
semeia-a nos corações dos catecúmenos e catequizandos, para fecundar as suas
experiências mais profundas. (232) A profissão de fé recebida da Igreja (traditio),
germinando e crescendo durante o processo catequético, é restituída (redditio),
enriquecida com os valores das diferentes culturas. (233) O catecumenato se
transforma, assim, num centro fundamental de incremento da catolicidade, e
fermento de renovação eclesial.
79. A Igreja, ao transmitir a fé e a vida
nova — através da iniciação cristã — age como mãe dos homens, que gera filhos
concebidos por obra do Espírito Santo e nascidos de Deus. (234) Precisamente, «
por ser nossa mãe, a Igreja é também a educadora da nossa fé »; (235) é mãe e
mestra ao mesmo tempo. Através da catequese, alimenta os seus filhos com a sua
própria fé e os incorpora, como membros, na família eclesial. Como boa mãe,
oferece-lhes o Evangelho em toda a sua autenticidade e pureza, o qual, ao mesmo
tempo, lhes é dado como alimento adaptado, culturalmente enriquecido e como
resposta às aspirações mais profundas do coração humano.
Finalidade da catequese: a comunhão com
Jesus Cristo
80. « A finalidade definitiva da
catequese é a de fazer com que alguém se ponha, não apenas em contato, mas em
comunhão, em intimidade com Jesus Cristo ». (236)
Toda a ação evangelizadora tem o objetivo
de favorecer a comunhão com Jesus Cristo. A partir da conversão « inicial »
(237) de uma pessoa ao Senhor, suscitada pelo Espírito Santo, mediante o
primeiro anúncio, a catequese se propõe dar um fundamento e fazer amadurecer
esta primeira adesão. Trata-se, então, de ajudar aquele que acaba de ser
converter a « ...melhor conhecer o mesmo Jesus Cristo ao qual se entregou:
conhecer o seu « mistério », o Reino de Deus que Ele anunciou, as exigências e
as promessas contidas na Sua mensagem evangélica e os caminhos que Ele traçou
para todos aqueles que O querem seguir ». (238) O Batismo, sacramento mediante
o qual « configuramo-nos com Cristo », (239) sustenta, com a sua graça, esta
obra da catequese.
81. A comunhão com Jesus Cristo, por sua
própria dinâmica, impulsiona o discípulo a se unir com tudo aquilo com que o
próprio Jesus Cristo sentiu-se profundamente unido: com Deus, seu Pai, que o
enviara ao mundo, e com o Espírito Santo, que lhe dava impulso para a missão;
com a Igreja, seu corpo, pela qual se doou, e com os homens, seus irmãos, cuja
sorte quis compartilhar.
A finalidade da catequese se exprime na
profissão de fé no único Deus: Pai, Filho e Espírito Santo
82. A catequese é aquela forma particular
do ministério da Palavra, que faz amadurecer a conversão inicial, até fazer
dela uma viva, explícita e operativa confissão de fé: « A catequese tem a sua
origem na confissão de fé e leva à confissão de fé ». (240)
A profissão de fé, intrínseca ao Batismo,
(241) é eminentemente trinitária. A Igreja batiza « em nome do Pai, do Filho e
do Espírito Santo » (Mt 28,19), (242) Deus uno e trino, ao qual o
cristão confia a sua vida. A catequese de iniciação prepara — antes ou após o
recebimento do Batismo — para este decisivo empenho. A catequese permanente
ajudará a amadurecer continuamente esta profissão de fé, a proclamá-la na
Eucaristia e a renovar os compromissos que ela implica. É importante que a
catequese saiba unir bem a confissão de fé cristológica, « Jesus é o Senhor
», com a confissão trinitária, « Creio no Pai, no Filho e no Espírito
Santo », uma vez que são tão somente duas modalidades para se exprimir a
mesma fé cristã. Aquele que, pelo primeiro anúncio, se converte a Jesus Cristo
e O reconhece como Senhor, inicia um processo, ajudado pela catequese, que
desemboca necessariamente na confissão explícita da Trindade.
Com a confissão de fé no único Deus, o
cristão renuncia a servir qualquer absoluto humano: poder, prazer, raça,
antepassados, Estado, dinheiro..., (243) libertando-se de qualquer ídolo que o
escravize. É a proclamação da sua vontade de servir a Deus e aos homens, sem
nenhum laço. Proclamando a fé na Trindade, comunhão de pessoas, o discípulo de
Jesus Cristo manifesta contemporaneamente que o amor a Deus e ao próximo é o
princípio que informa o seu ser e o seu agir.
83. A confissão de fé é completa somente
se é em referência à Igreja. Cada batizado proclama individualmente o Credo,
uma vez que não há ação mais pessoal do que esta. Mas o recita na Igreja e
através dela, já que o faz como seu membro. O « creio » e o « cremos » se
implicam mutuamente. (244) Ao fundir a sua confissão com a confissão da Igreja,
o cristão é incorporado à sua missão: ser « sacramento de salvação » para a
vida do mundo. Quem proclama a profissão de fé, assume compromissos que, não
poucas vezes, atrairão a perseguição. Na história cristã, os mártires são os
anunciadores e as testemunhas por excelência. (245)
As tarefas da catequese realizam a sua
finalidade
84. A finalidade da catequese realiza-se
através de diversas tarefas, mutuamente relacionadas. (246) Para realizá-las, a
catequese se inspirará certamente no modo mediante o qual Jesus formava os Seus
discípulos: fazia-os conhecer as diversas dimensões do Reino de Deus (« a
vós é dado compreender os mistérios do Reino dos céus », Mt 13,11),
(247) ensinava-os a rezar (« Quando orardes, dizei: Pai... », Lc 11,2),
(248) inculcava-lhes atitudes evangélicas (« ...aprendei de mim, porque sou
manso e humilde de coração », Mt 11,29) e os iniciava na missão («
...e os enviou dois a dois... », Lc 10,1). (249)
As tarefas da catequese correspondem à
educação das diversas dimensões da fé, uma vez que a catequese é uma formação
cristã integral, « aberta a todas as outras componentes da vida cristã ». (250)
Em virtude da sua própria dinâmica interna, a fé exige ser conhecida,
celebrada, vivida e traduzida em oração. A catequese deve cultivar cada uma dessas
dimensões. A fé, porém, se vive na comunidade cristã e se anuncia na missão: é
uma fé compartilhada e anunciada. Também estas dimensões devem ser favorecidas
pela catequese.
O Concílio Vaticano II assim se expressou
sobre essas tarefas: « A formação catequética, que ilumina e fortifica a fé,
nutre a vida segundo o espírito de Cristo, leva a uma participação consciente e
ativa no mistério litúrgico e desperta para a atividade apostólica ». (251)
As tarefas fundamentais da catequese:
ajudar a conhecer, celebrar, viver e contemplar o mistério de Cristo
85. As tarefas fundamentais da catequese
são:
– Favorecer o conhecimento da fé
Aquele que encontrou Cristo deseja
conhecê-Lo o mais possível, assim como deseja conhecer o desígnio do Pai, que
Ele revelou. O conhecimento da fé (fides quae) é exigência da adesão à
fé (fides qua). (252) Já na ordem humana, o amor por uma pessoa leva a
desejar conhecê-la sempre mais. A catequese deve levar, portanto, a «
compreender progressivamente toda a verdade do projeto divino », (253)
introduzindo os discípulos de Jesus Cristo no conhecimento da Tradição e da
Escritura, a qual é a « eminente ciência de Jesus Cristo » (Fil 3,8).
(254)
O aprofundamento no conhecimento da fé
ilumina cristãmente a existência humana, alimenta a vida de fé e habilita
também a prestar razão dela no mundo. A entrega do símbolo, compêndio da
Escritura e da fé da Igreja, exprime a realização desta tarefa.
– A educação litúrgica
De fato, « Cristo está sempre presente em
Sua Igreja, sobretudo nas ações litúrgicas ». (255) A comunhão com Jesus Cristo
leva a celebrar a sua presença salvífica nos sacramentos e, particularmente, na
Eucaristia. A Igreja deseja ardentemente que todos os fiéis cristãos sejam
levados àquela participação plena, consciente e ativa, que exigem a própria
natureza da Liturgia e a dignidade do seu sacerdócio batismal. (256) Por isso,
a catequese, além de favorecer o conhecimento do significado da liturgia e dos
sacramentos, deve educar os discípulos de Jesus Cristo « à oração, à gratidão,
à penitência, à solicitação confiante, ao sentido comunitário, à linguagem
simbólica... », (257) uma vez que tudo isso é necessário, a fim de que exista
uma verdadeira vida litúrgica.
– A formação moral
A conversão a Jesus Cristo implica o
caminhar na sua seqüela. A catequese deve, portanto, transmitir aos discípulos
as atitudes próprias do Mestre. Eles empreendem assim, um caminho de
transformação interior, no qual, participando do mistério pascal do Senhor, «
passam do velho para o novo homem aperfeiçoado em Cristo ». (258) O Sermão da
Montanha, no qual Jesus retoma o decálogo e o imprime com o espírito das
bem-aventuranças, (259) é uma referência indispensável na formação moral, hoje
tão necessária. A evangelização, « que comporta também o anúncio e a proposta
moral », (260) difunde toda a sua força interpeladora quando, juntamente com a
palavra anunciada, sabe oferecer também a palavra vivida. Este testemunho
moral, para o qual a catequese prepara, deve saber mostrar as conseqüências
sociais das exigências evangélicas. (261)
– Ensinar a rezar
A comunhão com Jesus Cristo conduz os
discípulos a assumirem a atitude orante e contemplativa que adotou o Mestre.
Aprender a rezar com Jesus é rezar com os mesmos sentimentos com os quais Ele
se dirigia ao Pai: a adoração, o louvor, o agradecimento, a confiança filial, a
súplica e a contemplação da sua glória. Estes sentimentos se refletem no Pai
Nosso, a oração que Jesus ensinou aos discípulos e que é modelo de toda
oração cristã. A «entrega do Pai Nosso », (262) resumo de todo o
Evangelho, (263) é, portanto, verdadeira expressão da realização desta tarefa.
Quando a catequese é permeada por um clima de oração, o aprendizado de toda a
vida cristã alcança a sua profundidade. Este clima se faz particularmente
necessário quando o catecúmeno e os catequizandos encontram-se diante dos
aspectos mais exigentes do Evangelho e se sentem fracos, ou quando descobrem,
admirados, a ação de Deus na sua vida.
Outras tarefas fundamentais da catequese:
iniciação e educação à vida comunitária e à missão
86. A catequese torna o cristão idôneo a
viver em comunidade e a participar ativamente da vida e da missão da Igreja. O
Concílio Vaticano II aponta a necessidade, para os pastores, de « desenvolver
devidamente o espírito de comunidade » (264) e para os catecúmenos, de «
aprender a cooperar ativamente na evangelização e na edificação da Igreja ».
(265)
– A educação para a vida comunitária
a) A vida cristã em comunidade não se improvisa e é preciso
educar para ela, com cuidado. Para esta aprendizagem, o ensinamento de Jesus
sobre a vida comunitária, narrado pelo Evangelho de Mateus, requer algumas
atitudes que a catequese deverá inculcar: o espírito de simplicidade e de
humildade (« se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças...
», Mt 18,3); a solicitude pelos pequeninos (« Caso alguém escandalize
um desses pequeninos que crêem em mim... », Mt 18,6); a atenção
especial para com aqueles que se afastaram (« vai à procura da ovelha
extraviada... », Mt 18,12); a correção fraterna (« ... vai
corrigi-lo a sós », Mt 18,12); a oração em comum (« se dois de
vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que queiram pedir... »,
Mt 18,19); o perdão mútuo (« até setenta e sete vezes... », Mt
18,22). O amor fraterno unifica todas estas atitudes: « Amai-vos uns aos
outros como eu vos amei » (Jo 13,34).
b) Ao educar para este sentido comunitário, a catequese dará
uma especial atenção à dimensão ecumênica, e encorajará atitudes fraternas para
com os membros de outras Igrejas cristãs e comunidades eclesiais. Por isso, a
catequese, ao procurar atingir esta meta, exporá com clareza toda a doutrina da
Igreja Católica, evitando expressões que possam induzir ao erro. Favorecerá,
além disso, « um bom conhecimento das outras confissões », (266) com as quais
existem bens comuns, tais como: « a Palavra escrita de Deus, a vida da graça, a
fé, a esperança, a caridade e outros dons interiores do Espírito Santo ». (267)
A catequese terá uma dimensão ecumênica, na medida em que saberá suscitar e
alimentar « um verdadeiro desejo de unidade », (268) feito não em vista de um
fácil irenismo, mas em vista da unidade perfeita, quando o Senhor assim o
desejar e através das vias que Ele escolher.
– A iniciação à missão
a) A catequese é igualmente aberta ao dinamismo missionário.
(269) Ela se esforça por habilitar os discípulos de Jesus a se fazerem
presentes, como cristãos, na sociedade e na vida profissional, cultural e
social. Prepara-os também a prestarem a sua cooperação nos diferentes serviços
eclesiais, segundo a vocação de cada um. Este empenho evangelizador origina-se,
para os fiéis leigos, dos sacramentos da iniciação cristã e do caráter secular
de sua vocação. (270) É também importante usar todos os meios disponíveis para
suscitar vocações sacerdotais e de particular consagração a Deus, nas diversas
formas de vida religiosa e apostólica e para acender no coração de cada um a
vocação especial missionária.
As atitudes evangélicas que Jesus sugeriu
aos seus discípulos, quando os iniciou na missão, são aquelas que a catequese
deve alimentar: ir em busca da ovelha perdida; anunciar e curar ao mesmo tempo;
apresentar-se pobres, sem posses nem mochila; saber assumir a rejeição e a
perseguição; pôr a própria confiança no Pai e no amparo do Espírito Santo; não
esperar outra recompensa senão a alegria de trabalhar pelo Reino. (271)
b) Ao educar para este sentido missionário, a catequese
formará ao diálogo inter-religioso, que pode tornar os fiéis idôneos a uma
comunicação fecunda com os homens e mulheres de outras religiões. (272) A
catequese mostrará que os laços entre a Igreja e as outras religiões não
cristãs são, em primeiro lugar, aqueles da origem comum e do fim comum do
gênero humano, assim como também aqueles das múltiplas « sementes da Palavra »,
que Deus depôs naquelas religiões. A catequese ajudará também a saber conciliar
e, ao mesmo tempo, a saber distinguir o « anúncio de Cristo » do « diálogo
inter-religioso ». Estes dois elementos, embora conservem a sua íntima relação,
não devem ser confundidos nem considerados equivalentes. (273) Com efeito,« o
diálogo não dispensa da evangelização ». (274)
Algumas considerações sobre o conjunto
destas tarefas
87. As tarefas da catequese constituem,
conseqüentemente, um rico e variado conjunto de aspectos. Sobre este conjunto,
é oportuno tecer algumas considerações:
– Todas as tarefas são necessárias. Assim
como para a vitalidade de um organismo humano, é necessário que funcionem todos
os seus órgãos, também para o amadurecimento da vida cristã, é preciso que
sejam cultivadas todas as suas dimensões: o conhecimento da fé, a vida
litúrgica, a formação moral, a oração, a pertença comunitária, o espírito
missionário. Se a catequese transcurar uma dessas dimensões, a fé cristã não
alcançará todo o seu desenvolvimento.
– Cada tarefa, à sua maneira, realiza a
finalidade da catequese. A formação moral, por exemplo, é essencialmente
cristológica e trinitária, plena de senso eclesial e aberta à dimensão social.
O mesmo acontece com a educação litúrgica, essencialmente religiosa e eclesial,
mas também muito exigente no seu empenho evangelizador em favor do mundo.
– As tarefas se implicam mutuamente e se
desenvolvem conjuntamente. Cada grande tema catequético, por exemplo, a
catequese sobre Deus Pai, tem uma dimensão cognoscitiva e implicações morais;
interioriza-se na oração e se assume no testemunho. Uma tarefa chama outra: o
conhecimento da fé torna idôneos à missão; a vida sacramental dá força para a
transformação moral.
– Para realizar as suas tarefas, a
catequese se vale de dois grandes meios: a transmissão da mensagem evangélica e
a experiência da vida cristã. (275) A educação litúrgica, por exemplo,
necessita explicar o que é a liturgia cristã e o que são os sacramentos; porém
deve também fazer experimentar os diversos tipos de celebração, fazer descobrir
e amar os símbolos, o sentido dos gestos corporais, etc... A formação moral não
apenas transmite o conteúdo da moral cristã, mas cultiva também, ativamente, as
atitudes evangélicas e os valores cristãos.
– As diferentes dimensões da fé são
objeto de educação, tanto no seu aspecto de « dom » quanto no seu aspecto de «
compromisso ». O conhecimento da fé, a vida litúrgica e a seqüela de Cristo
são, cada uma, um dom do Espírito, que se recebe na oração e, ao mesmo tempo,
um compromisso de estudo, espiritual, moral e testemunhal. Ambos os aspectos
devem ser cultivados. (276)
– Cada dimensão da fé, assim como a fé no
seu conjunto, deve enraizar-se na experiência humana, sem permanecer na pessoa
como algo de postiço ou de isolado. O conhecimento da fé é significativo,
ilumina toda a existência e dialoga com a cultura; na liturgia, toda a vida
pessoal é uma oferta espiritual; a moral evangélica assume e eleva os valores
humanos; a oração é aberta a todos os problemas pessoais e sociais. (277)
Como indicava o Diretório de 1971, « é
muito importante que a catequese conserve esta riqueza de diversidade de
aspectos, de forma que nenhum aspecto seja isolado, em detrimento dos demais ».
O catecumenato batismal: estrutura e
fases
88. A fé, impulsionada pela graça divina
e cultivada pela ação da Igreja, experimenta um processo de amadurecimento. A
catequese, a serviço desse crescimento, é uma ação gradual. Uma oportuna
catequese é disposta por graus. (278)
No catecumenato batismal, a formação se desenvolve
em quatro etapas:
– o pré-catecumenato, (279)
caracterizado pelo fato que nele se realiza a primeira evangelização, em vista
da conversão, e se explicita o « kerigma » do primeiro anúncio;
– o catecumenato (280)
propriamente dito, destinado à catequese integral e em cujo início tem lugar a
« entrega dos Evangelhos »; (281)
– o tempo da purificação e iluminação,
(282) que fornece uma preparação mais intensa aos sacramentos da iniciação, e
no qual tem lugar a « entrega do Símbolo » (283) e a « entrega da Oração do
Senhor »; (284)
– o tempo da mistagogia, (285)
caracterizado pela experiência dos sacramentos e pelo ingresso na comunidade.
89. Estas etapas da grande tradição
catecumenal, repletas de sabedoria, inspiram as fases da catequese. (286) Na época
dos Padres da Igreja, de fato, a formação propriamente catecumenal se realizava
mediante a catequese bíblica, centrada na narração de História da
salvação; a preparação imediata ao Batismo, por meio da catequese doutrinal,
que explicava o Símbolo e o Pai Nosso, recém entregues, com suas implicações
morais; e a etapa que sucedia os sacramentos de iniciação, mediante a catequese
mistagógica, que ajudava a interiorizar tais sacramentos e a incorporar-se
na comunidade. Esta concepção patrística continua a ser uma fonte de luz para o
Catecumenato atual e para a própria catequese de iniciação.
Esta, uma vez que é acompanhamento do
processo de conversão, é essencialmente gradual; e uma vez que está a serviço
daquele que decidiu seguir Cristo, é eminentemente cristocêntrica.
O Catecumenato batismal, inspirador da
catequese na Igreja
90. Dado que a missão ad gentes é
o paradigma de toda a missão evangelizadora da Igreja, o Catecumenato batismal,
que lhe é inerente, é o modelo inspirador da sua ação catequizadora. (287) Por
isso, é oportuno sublinhar os elementos do Catecumenato que devem inspirar a
catequese atual e o significado metodológico dos mesmos. É preciso, todavia,
colocar a premissa que entre os catequizandos e os catecúmenos, (288) e entre
catequese pós-batismal e catequese pré-batismal, que lhes é
respectivamente administrada, existe uma diferença fundamental. Ela provém dos
sacramentos de iniciação recebido pelos primeiros, os quais « já foram
introduzidos na Igreja e já foram feitos filhos de Deus por meio do Batismo.
Portanto, o fundamento da sua conversão é o Batismo já recebido, cuja força
devem desenvolver ». (289)
91. Diante desta substancial diferença,
consideram-se a seguir alguns elementos do Catecumenato batismal, que devem ser
fonte de inspiração para a catequese pós-batismal:
– O Catecumenato batismal recorda
constantemente a toda a Igreja, a importância fundamental da função da
iniciação, com os basilares fatores que a constituem: a catequese e os
sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia. A pastoral de iniciação
cristã é vital para toda Igreja particular.
– O Catecumenato batismal é
responsabilidade de toda a comunidade cristã. De fato, « tal iniciação
cristã não deve ser apenas obra dos catequistas e dos sacerdotes, mas de toda a
comunidade de fiéis, e sobretudo dos padrinhos ». (290) A instituição
catecumenal incrementa assim, na Igreja, a consciência da maternidade
espiritual que ela exerce em toda forma de educação na fé. (291)
– O Catecumenato batismal é todo
impregnado pelo mistério da Páscoa de Cristo. Por isso, « toda iniciação
deve relevar claramente o seu caráter pascal ». (292) A Vigília pascal, centro
da liturgia cristã, e a sua espiritualidade batismal, são inspiração para toda
a catequese.
– O Catecumenato batismal é também, lugar
privilegiado de inculturação. Seguindo o exemplo da Encarnação do Filho
de Deus, feito homem num momento histórico concreto, a Igreja acolhe os
catecúmenos integralmente, com os seus vínculos culturais. Toda a ação
catequizadora participa desta função de incorporar na catolicidade da Igreja,
as autênticas « sementes da Palavra » disseminadas nos indivíduos e nos povos.
(293)
– Finalmente, a concepção do Catecumenato
batismal, como processo formativo e verdadeira escola de fé,
oferece à catequese pós-batismal uma dinâmica e algumas notas qualificativas: a
intensidade e a integridade da formação; o seu caráter gradual, com etapas
definidas; a sua vinculação com ritos, símbolos e sinais, especialmente
bíblicos e litúrgicos; a sua constante referência à comunidade cristã...
A catequese pós-batismal, sem dever
reproduzir mimeticamente a configuração do Catecumenato batismal, e
reconhecendo aos catequizandos a sua realidade de batizados, deverá inspirar-se
nesta « escola preparatória à vida cristã », (294) deixando-se fecundar pelos
seus principais elementos caracterizadores.
II PARTE
A
MENSAGEM EVANGÉLICA
A mensagem evangélica
« Ora, a vida eterna é esta: que eles te
conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo »
(Jo 17,3).
« Veio Jesus para a Galiléia, proclamando o Evangelho de Deus: "Cumpriu-se
o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no
Evangelho" » (Mc 1,14-15).
« Lembro-vos, irmãos, o evangelho que vos anunciei... Transmiti-vos, em
primeiro lugar, aquilo que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados,
segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as
Escrituras » (1 Cor 15,1-4).
Significado e finalidade desta parte
92. A fé cristã, mediante a qual uma
pessoa pronuncia o seu « sim » a Jesus Cristo, pode ser considerada sob um
dúplice aspecto:
– como adesão a Deus que se revela, dada
sob a influência da graça. Neste caso, a fé consiste em confiar na palavra de
Deus e em abandonar-se a esta (fides qua);
– como conteúdo da Revelação e da
mensagem evangélica. A fé, neste sentido, exprime-se no empenho em conhecer
sempre melhor o sentido profundo daquela Palavra (fides quae).
Estes dois aspectos não podem, por sua
própria natureza, ser separados. O amadurecimento e o crescimento da fé exigem
o
seu orgânico e coerente desenvolvimento.
Todavia, por razões de ordem metodológica, os dois aspectos podem ser
considerados separadamente. (295)
93. Nesta segunda parte, abordar-se-á o
conteúdo da mensagem evangélica (fides quae).
– No primeiro capítulo, serão indicadas
as normas e os critérios que a catequese deve seguir para fundar, formular e
expor os seus conteúdos. Toda forma de ministério da Palavra, de fato, ordena e
apresenta a mensagem evangélica segundo o seu caráter próprio.
– No segundo capítulo, tratar-se-á do
conteúdo da fé, assim como se encontra exposto no Catecismo da Igreja Católica,
que é texto de referência doutrinal para a catequese. São apresentadas, por
isso, algumas indicações que poderão ajudar a assimilar e a interiorizar o
Catecismo, assim como a situá-lo no âmbito da ação catequizadora da Igreja.
Além disso, são oferecidos alguns critérios, para que, em referência ao
Catecismo da Igreja Católica, sejam elaborados, nas Igrejas particulares,
Catecismos locais que, conservando a unidade da fé, levem na devida
consideração, as diferentes situações e culturas.
I
CAPÍTULO
Normas e critérios para a apresentação da mensagem evangélica na
catequese
« Ouve, ó Israel: Iahweh nosso Deus é o
único Deus. Portanto, amarás a Iahweh teu Deus com todo o teu coração, com toda
a tua alma e com toda a tua força. Que estas palavras que hoje te ordeno
estejam em teu coração! Tu as inculcarás aos teus filhos, e delas falarás
sentado em tua casa e andando em teu caminho, deitado e de pé. Tu as atarás
também à tua mão como um sinal, e serão como um frontal entre os teus olhos; tu
as escreverás nos umbrais da tua casa, e nas tuas portas » (Dt 6,4-9).
« E o Verbo se fez carne e habitou entre nós » (Jo 1,14).
A Palavra de Deus, fonte da catequese
94. A fonte na qual a catequese haure a
sua mensagem é a Palavra de Deus:
« A catequese há-de haurir sempre o seu
conteúdo na fonte viva da Palavra de Deus, transmitida na Tradição e da
Escritura, porque "a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um
só depósito inviolável da Palavra de Deus, confiada à Igreja" ». (296)
Este « depósito da fé » (297) é como o
tesouro do dono da casa, confiado à Igreja, família de Deus, do qual ela extrai
continuamente coisas novas e coisas antigas. (298) Todos os filhos do Pai,
animados pelo Seu Espírito, nutrem-se deste tesouro da Palavra. Eles sabem que
a Palavra é Jesus Cristo, o Verbo feito homem, e que a Sua voz continua a
ressoar por meio do Espírito Santo, na Igreja e no mundo.
A Palavra de Deus, por admirável «
condescendência » (299) divina nos é dirigida e chega a nós por meio de « obras
e palavras » humanas, « tal como outrora o Verbo do Pai Eterno, havendo
assumido a carne da fraqueza humana, se fez semelhante aos homens ». (300) Sem
deixar de ser Palavra de Deus, exprime-se na palavra humana. Embora próxima,
ela permanece porém velada, em estado « kenótico ». Por isso, a Igreja, guiada
pelo Espírito, precisa interpretá-la continuamente e, enquanto a contempla com
profundo espírito de fé, « piamente ausculta aquela palavra, santamente a
guarda e fielmente a expõe ». (301)
A fonte e « as fontes » da mensagem da
catequese (302)
95. A Palavra de Deus contida na Sagrada
Tradição e na Sagrada Escritura:
– é meditada e compreendida sempre mais
profundamente, por meio do senso de fé de todo o Povo de Deus, sob a orientação
do Magistério, que a ensina com autoridade;
– é celebrada na liturgia onde,
constantemente, é proclamada, ouvida, interiorizada e comentada;
– resplende na vida da Igreja, na sua
história bimilenar, sobretudo no testemunho dos cristãos e particularmente dos
santos;
– é aprofundada na pesquisa teológica,
que ajuda os crentes a progredirem na compreensão vital dos mistérios da fé;
– manifesta-se nos genuínos valores
religiosos e morais que, como sementes da Palavra, estão disseminados na
sociedade humana e nas diversas culturas.
96. Todas estas são as fontes, principais
ou subsidiárias, da catequese, as quais, de modo algum, devem ser entendidas em
sentido unívoco. (303) A Sagrada Escritura « é a Palavra de Deus enquanto é
redigida sob a moção do Espírito Santo »; (304) e a Sagrada Tradição «
transmite integralmente aos sucessores dos Apóstolos, a Palavra de Deus
confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo ». (305) O Magistério tem a tarefa
de « interpretar autenticamente a Palavra de Deus », (306) cumprindo, em nome
de Jesus Cristo, um serviço eclesial fundamental. Tradição, Escritura e
Magistério, intimamente conexos e unidos, são, « cada qual a seu modo », (307)
as fontes essenciais da catequese.
As « fontes » da catequese têm, cada uma,
uma linguagem própria, à qual se dá forma através de uma rica variedade de «
documentos da fé ». A catequese é tradição viva de tais documentos: (308)
perícopes bíblicas, textos litúrgicos, escritos dos Padres da Igreja,
formulações do Magistério, símbolos da fé, testemunhos dos santos e reflexões
teológicas.
A fonte viva da Palavra de Deus e as «
fontes » que dela derivam e nas quais ela se exprime, fornecem à catequese
os critérios para transmitir a sua mensagem a todos aqueles que amadureceram a
decisão de seguir Jesus Cristo.
Os critérios para a apresentação da
mensagem
97. Os critérios para apresentar a
mensagem evangélica na catequese são intimamente correlacionados entre si, uma
vez que brotam de uma única fonte.
– A mensagem centrada na pessoa de Jesus
Cristo (cristocentrismo), por sua dinâmica interna, introduz à dimensão
trinitária da mesma mensagem.
– O anúncio da Boa Nova do Reino de Deus,
centrado no dom da salvação, implica uma mensagem de libertação.
O caráter eclesial da mensagem
remete ao seu caráter histórico, uma vez que a catequese, como o
conjunto da evangelização, realiza-se no « tempo da Igreja ».
– A mensagem evangélica, uma vez que é
Boa Nova destinada a todos os povos, busca a inculturação, a qual poderá
ser atuada em profundidade, somente se a mensagem for apresentada em toda a sua
integridade e pureza.
– A mensagem evangélica é necessariamente
uma mensagem orgânica, com uma própria hierarquia de verdade. É esta
visão harmoniosa do Evangelho que o converte em evento profundamente significativo
para a pessoa humana.
Ainda que estes critérios sejam válidos
para todo o ministério da Palavra, eles serão agora desenvolvidos em relação à
catequese.
O cristocentrismo da mensagem evangélica
98. Jesus Cristo não apenas transmite a
Palavra de Deus: Ele é a Palavra de Deus. Por isso, a catequese, toda
ela,diz respeito a Ele.
Neste sentido, o que caracteriza a
mensagem transmitida pela catequese é, antes de mais nada, o « cristocentrismo
», (309) que deve ser entendido em vários sentidos:
– Ele significa, em primeiro lugar que,
no centro da catequese nós encontramos essencialmente uma Pessoa: é a Pessoa de
Jesus de Nazaré, « Filho único do Pai, cheio de graça e de verdade ». (310) Na
realidade, a tarefa fundamental da catequese é apresentar Cristo: todo o resto,
em referência a Ele. Aquilo que, de forma definitiva, ela favorece, é a seqüela
de Cristo, a comunhão com Ele: todo elemento da mensagem tende a isto.
– O cristocentrismo, em segundo lugar,
significa que Jesus está no « centro da história da salvação », (311)
apresentada pela catequese. Ele, de fato, é o evento último, para o qual
converge toda a história sagrada. Ele, vindo na « plenitude dos tempos » (Gal
4,4), é « a chave, o centro e o fim da história humana ». (312) A mensagem
catequética ajuda o cristão a situar-se na história e a inserir-se ativamente
nesta, mostrando como Cristo é o sentido último desta história.
– O cristocentrismo significa, além
disso, que a mensagem evangélica não provém do homem, mas é Palavra de Deus. A
Igreja e, em seu nome, todo catequista, pode dizer, sem medo de errar: « Minha
doutrina não é minha, mas daquele que me enviou » (Jo 7,16). Por isso,
tudo aquilo que a catequese transmite, são « os ensinamentos de Jesus Cristo, a
Verdade que Ele comunica, ou, mais precisamente, a Verdade que Ele é ». (313) O
cristocentrismo obriga a catequese a transmitir aquilo que Jesus ensina a
propósito de Deus, do homem, da felicidade, da vida mortal, da morte... sem
permitir-se mudar em nada o seu pensamento. (314)
Os Evangelhos, que narram a vida de
Jesus, estão no centro da mensagem catequética. Dotados, eles próprios, de uma
« estrutura catequética », (315) exprimem o ensinamento que se propunha às
primeiras comunidades cristãs e que transmitia a vida de Jesus, a sua mensagem
e as suas ações salvíficas. Na catequese, « os quatro Evangelhos ocupam um
lugar central, já que Cristo Jesus é o centro deles ». (316)
O cristocentrismo trinitário da mensagem
evangélica
99. A Palavra de Deus, encarnada em Jesus
de Nazaré, Filho da Virgem Maria, é a Palavra do Pai, que fala ao mundo por
meio do seu Espírito. Jesus remete constantemente ao Pai, de quem se sabe Filho
Único, e ao Espírito Santo, do qual se sabe Ungido. Ele é o « caminho » que
introduz no mistério íntimo de Deus. (317)
O cristocentrismo da catequese, em
virtude da sua dinâmica interna, conduz à confissão da fé em Deus: Pai, Filho e
Espírito Santo. É um cristocentrismo essencialmente trinitário. Os cristãos, no
Batismo, são configurados a Cristo, « Um da Trindade », (318) e esta
configuração põe os batizados, « filhos no Filho », em comunhão com o Pai e com
o Espírito Santo. Por isso, a sua fé é radicalmente trinitária. « O mistério da
Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã ». (319)
100. O cristocentrismo trinitário da
mensagem evangélica induz a catequese a estar atenta, entre outras coisas, ao
seguintes aspectos:
– A estrutura interna da catequese; toda
modalidade de apresentação será sempre cristocêntrica e trinitária: « Por
Cristo, ao Pai, no Espírito ». (320) Uma catequese que omitisse uma destas
dimensões, ou desconhecesse a orgânica ligação das mesmas, correria o risco de
trair da originalidade da mensagem cristã. (321)
– Seguindo a mesma pedagogia de Jesus, na
sua Revelação do Pai, de Si mesmo como Filho, e do Espírito Santo, a catequese
mostrará a vida íntima de Deus, a partir das obras salvíficas em favor da
humanidade. (322) As obras de Deus revelam quem Ele é em Si mesmo, enquanto o
mistério do seu ser íntimo ilumina a inteligência de todas as suas obras.
Analogicamente, assim sucede nas relações humanas: as pessoas mostram-se
através de suas ações e, quanto mais as conhecemos, tanto mais mais
compreendemos suas ações. (323)
– A apresentação do ser íntimo de Deus
revelado por Jesus, uno na essência e trino nas pessoas, mostrará as
implicações vitais para a vida dos seres humanos. Confessar um único Deus
significa que « o homem não deve submeter a própria liberdade pessoal, de
maneira absoluta, a nenhum poder terreno ». (324) Significa, além disso, que a
humanidade, criada à imagem de um Deus que é « comunhão de pessoas », é chamada
a ser uma sociedade fraterna, composta de filhos de um mesmo Pai, iguais em
dignidade pessoal. (325) As implicações humanas e sociais da concepção cristã
de Deus são imensas. A Igreja, ao professar a fé na Trindade e ao anunciá-la ao
mundo, se autocompreende como « um povo agregado na unidade do Pai, do Filho e
do Espírito Santo ». (326)
Uma mensagem que anuncia a salvação
101. A mensagem de Jesus sobre Deus é uma
boa nova para a humanidade. Jesus, de fato, anunciou o Reino de Deus: (327) uma
nova e definitiva intervenção de Deus, com um poder transformador tão grande e
até mesmo superior àquele que utilizou na criação do mundo. (328) Neste
sentido, « como núcleo e centro da sua Boa Nova, Cristo anuncia a salvação,
esse grande dom de Deus que é não somente libertação de tudo aquilo que oprime
o homem, mas é sobretudo libertação do pecado e do Maligno, na alegria de conhecer
a Deus e de ser por Ele conhecido, de vê-Lo e de se entregar a Ele ». (329)
A catequese transmite esta mensagem do
Reino, central na pregação de Jesus. E ao fazê-lo, a mensagem « será pouco a
pouco aprofundada, desenvolvida nos seus corolários implícitos », (330)
mostrando as grandes repercussões que tem, para as pessoas e para o mundo.
102. Nesta explicitação do kerigma
evangélico de Jesus, a catequese sublinha os seguintes aspectos fundamentais:
– Jesus, com o advento do Reino, anuncia
e revela que Deus não é um ser distante e inacessível, « uma potência anônima e
longínqua », (331) mas sim o Pai, que está presente em meio às suas criaturas,
operando com o seu amor e o seu poder. Este testemunho sobre Deus como Pai,
oferecido de maneira simples e direta, é fundamental na catequese.
– Jesus, ao mesmo tempo, ensina que Deus,
com o seu Reino, oferece o dom da salvação integral, liberta do pecado,
introduz na comunhão com o Pai, concede a filiação divina e promete a vida
eterna, vencendo a morte. (332) Esta salvação integral é, ao mesmo tempo,
imanente e escatológica, já que « tem certamente o seu começo nesta vida, mas
que terá realização completa na eternidade ». (333)
– Jesus, ao anunciar o Reino, anuncia a
justiça de Deus: proclama o juízo divino e a nossa responsabilidade. O anúncio
do juízo de Deus, com o seu poder de formação das consciências, é um conteúdo
central do Evangelho e uma boa nova para o mundo. E o é tanto para aqueles que
sofrem pela falta de justiça, quanto para aqueles que lutam para instaurá-la; o
é, também, para aqueles que não souberam amar nem ser solidários, porque é
possível a penitência e o perdão, já que na cruz de Cristo obtemos a redenção
do pecado. O chamado à conversão e a crer no Evangelho do Reino, que é um reino
de justiça, amor e paz e à luz do qual seremos julgados, é fundamental para a
catequese.
– Jesus declara que o Reino de Deus se
inaugura com Ele, na sua própria pessoa. (334) Revela, de fato, que Ele
próprio, constituído Senhor, assume a realização daquele Reino, até que o
entregue, plenamente consumado, ao Pai, quando virá de novo, na glória. (335) «
O Reino já está presente, em mistério, aqui na terra. Chegando o Senhor, ele se
consumará ». (336)
– Jesus ensina, igualmente, que a
comunidade dos seus discípulos, a sua Igreja, « constitui o germe e o início
deste Reino » (337) e que, como fermento na massa, o que ela deseja é que o
Reino de Deus cresça no mundo, como uma imensa árvore, incorporando todos os
povos e todas as culturas. « A Igreja está, efetiva e concretamente, a serviço
do Reino ». (338)
– Jesus ensina, finalmente, que a
história da humanidade não caminha rumo ao nada, mas sim que, com os seus
aspectos de graça e pecado, é n'Ele assumida por Deus, para ser transformada.
Ela, na sua atual peregrinação rumo à casa do Pai, já oferece uma pregustação
do mundo futuro onde, assumida e purificada, alcançará a sua perfeição. « Por
conseguinte, a evangelização não pode deixar de comportar o anúncio profético
do além, vocação profunda e definitiva do homem, ao mesmo tempo em continuidade
e em descontinuidade com a situação presente ». (339)
Uma mensagem de libertação
103. A Boa Nova do Reino de Deus, que
anuncia a salvação, inclui uma « mensagem de libertação ». (340) Ao anunciar
este Reino, Jesus se dirigia de maneira particularíssima aos pobres: «
Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus! Bem-aventurados
vós que agora tendes fome, porque sereis saciados! Bem-aventurados vós, que
agora chorais, porque haveis de rir! » (Lc 6,20-21). Estas bem-aventuranças
de Jesus, dirigidas àqueles que sofrem, são o anúncio escatológico da salvação
que o Reino traz consigo. Elas registram aquela experiência tão dilacerante, à
qual o Evangelho é tão sensível: a pobreza, a fome e o sofrimento da
humanidade.
A comunidade dos discípulos de Jesus, a
Igreja, compartilha hoje a mesma sensibilidade que teve, então, o seu Mestre.
Com profunda dor, ela volta a sua atenção para aqueles « povos comprometidos,
como bem sabemos, com toda a sua energia no esforço e na luta por superar tudo
aquilo que os condena a ficarem à margem da vida: penúrias, doenças crônicas e
endêmicas, analfabetismo, pauperismo, injustiças nas relações
internacionais,... situações de neocolonialismo econômico e cultural ». (341)
Todas as formas de pobreza « não apenas econômica, mas também cultural e
religiosa » (342) preocupam a Igreja.
Como dimensão importante da sua missão, «
(a Igreja) tem o dever de anunciar a libertação de milhões de seres humanos,
sendo muitos destes seus filhos espirituais; o dever de ajudar uma tal
libertação a nascer, de dar testemunho em favor dela e de envidar esforços para
que ela seja total ». (343)
104. Para preparar os cristãos a esta
tarefa, a catequese estará atenta, entre outras coisas, aos seguintes aspectos:
– Situará a mensagem de libertação na
perspectiva da « finalidade especificamente religiosa da evangelização », (344)
já que esta perderia a sua razão de ser, « se se apartasse do eixo religioso
que a rege: o Reino de Deus, antes de toda e qualquer outra coisa, no seu
sentido plenamente teológico ». (345) Por isso, a mensagem da libertação « não
pode ser limitada à simples e restrita dimensão econômica, política, social e
cultural; mas deve ter em vista o homem todo, incluindo asua abertura para o
absoluto, mesmo o Absoluto de Deus ». (346)
– A catequese, na tarefa da educação
moral, apresentará a moral social cristã como uma exigência da justiça de Deus
e uma conseqüência da « libertação radical realizada por Cristo ». (347) É
esta, com efeito, a Boa Nova que os cristãos professam, com o coração repleto
de esperança: Cristo libertou o mundo e continua a libertá-lo. Aqui é gerada a «
praxis » cristã, que é o cumprimento do grande mandamento do amor.
– Da mesma forma, na tarefa da iniciação
à missão, a catequese suscitará nos catecúmenos e nos catequizandos, a « opção
preferencial pelos pobres » (348) que, « longe de ser um sinal de
particularismo ou de sectarismo, manifesta a universalidade da natureza e da
missão da Igreja. Esta opção não é exclusiva », (349) mas comporta « o empenho
pela justiça, segundo o papel, a vocação e as circunstâncias pessoais ». (350)
A eclesialidade da mensagem evangélica
105. A natureza eclesial da catequese
confere à mensagem evangélica transmitida um intrínseco caráter eclesial. A
catequese tem sua origem na confissão de fé da Igreja e leva à confissão de fé
do catecúmeno e do catequizando. A primeira palavra oficial que a Igreja dirige
ao batizando adulto, depois de ter perguntado o seu nome, é: « O que pedes à
Igreja de Deus? ». « A fé » é a resposta do batizando. (351) O catecúmeno,
de fato, sabe que o Evangelho que ele descobriu e deseja conhecer, é vivo no
coração dos crentes. A catequese não é outra coisa senão o processo de
transmissão do Evangelho, tal como a comunidade cristã recebeu-o, compreende-o,
celebra-o, vive-o e o comunica de diversos modos.
Por isso, quando a catequese transmite o
mistério de Cristo, na sua mensagem ressoa a fé de todo o Povo de Deus, ao
longo do curso da história: a fé dos apóstolos, que a receberam do próprio
Cristo e da ação do Espírito Santo; a fé dos mártires, que a confessaram e a
confessam com seu sangue; a fé dos santos, que a viveram e a vivem em
profundidade; a fé dos Padres e dos Doutores da Igreja, que a ensinaram
luminosamente; a fé dos missionários, que a anunciam continuamente; a fé dos
teólogos, que ajudam a melhor compreendê-la; e enfim, a fé dos pastores, que a
conservam com zelo e amor, e a interpretam com autenticidade. Na verdade, na
catequese está presente a fé de todos aqueles que crêem e se deixam conduzir
pelo Espírito Santo.
106. Esta fé, transmitida pela comunidade
eclesial, é uma só. Ainda que os discípulos de Jesus Cristo formem uma
comunidade espalhada por todo o mundo, e ainda que a catequese transmita a fé
através de linguagens culturais muito diferentes, o Evangelho que se entrega é
um só, a confissão de fé é única e um só é o Batismo: « um só Senhor, uma só
fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos » (Ef 4,5).
A catequese é, portanto, na Igreja, o
serviço que introduz os catecúmenos e os catequizandos na unidade da confissão
de fé. (352) Por sua própria natureza, alimenta o vínculo de unidade, (353)
criando a consciência de pertencer a uma grande comunidade, que nem o espaço
nem o tempo conseguem limitar: « Desde o justo Abel até o último dos eleitos,
até às extremidades da terra, até o fim do mundo ». (354)
O caráter histórico do mistério da
salvação
107. A confissão de fé dos discípulos de
Jesus Cristo nasce de uma Igreja peregrina, enviada em missão. Não é ainda a
proclamação gloriosa do fim do caminho, mas aquela que corresponde ao « tempo
da Igreja ». (355) A « economia da salvação » tem, por isso, um
caráter histórico, uma vez que se realiza no tempo: « ...iniciou no passado,
desenvolveu-se e alcançou o seu ponto mais elevado em Cristo, estende o
seu poder no presente e espera por sua consumação no futuro ». (356)
Por isso, a Igreja, ao transmitir hoje a
mensagem cristã, a partir da viva consciência que tem desta mensagem, « recorda
» constantemente os eventos salvíficos do passado, narrando-os. Interpreta, à
luz dos mesmos, os atuais eventos da história humana, nos quais o Espírito de
Deus renova a face da terra, e permanece numa confiante expectativa da vinda do
Senhor. Na catequese patrística, a narração (narratio) das maravilhas
realizadas por Deus e a espera (expectatio) do retorno de Cristo
acompanhavam sempre a exposição dos mistérios da fé. (357)
108. O caráter histórico da mensagem
cristã obriga a catequese a considerar os seguintes aspectos:
– Apresentar a história da salvação por
meio de uma catequese bíblica que faça conhecer as « obras e as palavras »
com a quais Deus se revelou à humanidade: as grandes etapas do Antigo
Testamento, mediante as quais preparou o caminho do Evangelho; (358) a vida de
Jesus, Filho de Deus, incarnado no seio de Maria, e que, com suas ações e seu
ensinamento, levou a cumprimento a Revelação; (359) e a história da Igreja, a
qual transmite a Revelação. Também esta história, lida a partir da fé, é parte
fundamental do conteúdo da catequese.
– Ao explicar o Símbolo da fé e o
conteúdo da moral cristã, através de uma catequese doutrinal, a mensagem
evangélica deve iluminar o « hoje » da história da salvação. De fato, «
...o ministério da palavra, além de recordar a revelação das admiráveis obras
realizadas por Deus no passado... interpreta também, à luz desta revelação, a
vida humana dos nossos dias, os sinais dos tempos e as realidades deste mundo,
uma vez que é nele que se atua o projeto de Deus para a salvação do homem ».
(360)
– Situar os sacramentos dentro da
história da salvação, por meio de uma catequese mistagógica, a qual: « ...relê
e revive todos estes grandes acontecimentos da história da salvação no "hoje"
da sua liturgia ». (361) A referência ao « hoje » histórico-salvífico é essencial
nesta catequese. Ajuda-se, assim, os catecúmenos e catequizandos, « ...a se
abrirem a esta compreensão "espiritual" da Economia da salvação... ».
(362)
– As « obras e palavras » da Revelação
remetem ao « mistério contido nesta ». (363) A catequese ajudará a
realizar a passagem do sinal para o mistério. Levará a descobrir, por detrás da
humanidade de Jesus, a sua condição de Filho de Deus; por detrás da história da
Igreja, o seu mistério como « sacramento de salvação »; por detrás dos « sinais
dos tempos », as pegadas da presença de Deus e os sinais do Seu plano. A
catequese mostrará, assim, o conhecimento típico da fé, « que é conhecimento
através dos sinais ». (364)
A inculturação da mensagem evangélica (365)
109. A Palavra de Deus se fez homem,
homem concreto, situado no tempo e no espaço, radicado numa cultura
determinada: « Cristo..., por sua encarnação, se ligou às condições sociais e
culturais dos homens com quem conviveu ». (366) Esta é a « inculturação »
original da Palavra de Deus e o modelo de referência para toda a evangelização
da Igreja « chamada a levar a força do Evangelho ao coração da cultura e das
culturas ». (367)
A « inculturação » (368) da fé, pela qual
se assumem, num admirável intercâmbio, « todas as riquezas das nações, herança
de Cristo » (369) é um processo profundo e global e um caminho lento. (370) Não
é uma simples adaptação externa que, para tornar mais atraente a mensagem
cristã, limita-se a cobri-la, de maneira decorativa, com um verniz superficial.
Trata-se, ao contrário, da penetração do
Evangelho nos estratos mais recônditos das pessoas e dos povos, alcançando-os «
...de maneira vital, em profundidade, isto é, até às suas raízes, a cultura e
as culturas do homem » (371)
Neste trabalho de inculturação, todavia,
as comunidades cristãs deverão fazer um discernimento: trata-se, por um lado,
de « assumir» (372) aquelas riquezas culturais que sejam compatíveis com a fé;
mas, por outro lado, trata-se também de ajudar a « purificar » (373) e «
transformar » (374) aqueles critérios, modos de pensar e estilos de vida que
estão em contraste com o Reino de Deus. Este discernimento é baseado em dois
princípios de base: « a compatibilidade com o Evangelho e a comunhão com a
Igreja universal ». (375) Todo o Povo de Deus deve participar deste processo,
que « ...requer gradatividade, para que seja verdadeiramente uma expressão da
experiência cristã da comunidade... (376)
110. Nesta inculturação da fé,
apresentam-se concretamente, para a catequese, diversas tarefas. Entre estas,
devemos ressaltar:
– Considerar a comunidade eclesial como
principal fator de inculturação. Uma expressão e, ao mesmo tempo, um eficaz
instrumento dessa tarefa, é representado pelo catequista que, juntamente com um
profundo senso religioso, deverá possuir uma viva sensibilidade social e ser
bem radicado no seu ambiente cultural. (377)
– Elaborar Catecismos locais, que
respondam às exigências que provêm das diferentes culturas, (378) apresentando
o Evangelho em relação às aspirações, interrogações e problemas que existem
nessas mesmas culturas.
– Realizar uma oportuna inculturação no
Catecumenato e nas instituições catequéticas, incorporando, com discernimento,
a linguagem, os símbolos e os valores da cultura na qual vivem os catecúmenos e
os catequizandos.
– Apresentar a mensagem cristã de modo a
tornar aptos a « dar razão da vossa esperança » (1 Pd 3,15) aqueles que
devem anunciar o Evangelho em meio a culturas freqüentemente pagãs e às vezes
póscristãs. Uma apologética bem feita, que ajude o diálogo fé-cultura, torna-se
hoje imprescindível.
A integridade da mensagem evangélica
111. Na tarefa da inculturação da fé, a
catequese deve transmitir a mensagem evangélica na sua integridade e pureza.
Jesus anuncia o Evangelho integralmente: « ...porque tudo o que ouvi de meu Pai
eu vos dei a conhecer » (Jo 15,15). Esta mesma integridade, Cristo a
exige dos seus discípulos, ao enviá-los em missão: « ...ensinando-as a observar
tudo quanto vos ordenei » (Mt 28,19). Por isso, um critério fundamental
da catequese é o de salvaguardar a integridade da mensagem, evitando
apresentações parciais ou deformadas do mesmo. « Para ser perfeita a oblação da
sua fé, aqueles que se tornam discípulos de Cristo têm o direito de receber a «
palavra da fé » não mutilada, falsificada ou diminuída, mas sim plena e
integral, com todo o seu rigor e com o todo o seu vigor ». (379)
112. Duas dimensões, intimamente unidas,
submetem-se a este critério. Trata-se, de fato, de:
– Apresentar a mensagem evangélica íntegra,
sem deixar passar em silêncio nenhum aspecto fundamental, ou realizar uma
seleção no depósito da fé. (380) A catequese, ao contrário, « deve preocupar-se
com que o tesouro da mensagem cristã seja fielmente anunciado na sua
integridade ». (381) Isto deve cumprir-se, todavia, gradualmente, seguindo o exemplo
da pedagogia divina, mediante a qual Deus se revelou de modo progressivo e
gradual. A integridade deve ser acompanhada pela adaptação.
A catequese, conseqüentemente, parte de
uma simples proposição da estrutura íntegra da mensagem cristã e a expõe de
modo apropriado à capacidade dos destinatários. Sem limitar-se a esta exposição
inicial, a catequese, gradualmente, proporá a mensagem de maneira sempre mais
ampla e explícita, de acordo com as capacidades do catequizando e o caráter
próprio da catequese. (382) Estes dois níveis de exposição íntegra da mensagem
são denominados « integridade intensiva » e « integridade extensiva ».
– Apresentar a mensagem evangélica autêntica,
em toda a sua pureza, sem reduzir as suas exigências por medo de uma rejeição e
sem impor pesados ônus que a mensagem não inclui, pois o jugo de Jesus é suave.
(383)
O critério da autenticidade é intimamente
ligado com o da inculturação, pois esta tem a função de « traduzir » (384) o
essencial da mensagem, numa determinada linguagem cultural. Nesta necessária
tarefa, ocorre sempre uma tensão: « A evangelização perderia algo da sua força
e da sua eficácia, se ela porventura não levasse em consideração o povo
concreto a que ela se dirige... » todavia porém, « ...correria o risco de perder
a sua alma e de se esvaecer, se fosse despojada ou fosse desnaturada quanto ao
seu conteúdo, sob o pretexto de melhor traduzi-la... ». (385)
113. Nesta complexa relação entre a
inculturação e a integridade da mensagem cristã, o critério que se deve seguir
é o da atitude evangélica de « abertura missionária pela salvação integral do
mundo ». 386 Esta deve saber conjugar a aceitação dos valores verdadeiramente
humanos e religiosos, para além de qualquer fechamento imobilista, com o
empenho missionário de anunciar toda a verdade do Evangelho, sem cair em fáceis
acomodações, que levariam a enfraquecer o Evangelho e a secularizar a Igreja. A
autenticidade evangélica exclui ambas as atitudes, que são contrárias ao
verdadeiro significado da missão.
Uma mensagem orgânica e hierarquizada
114. A mensagem que a catequese transmite
possui um « caráter orgânico e hierarquizado », (387) constituindo uma síntese
coerente e vital da fé. Ela se organiza em torno do mistério da Santíssima
Trindade, numa perspectiva cristocêntrica, uma vez que é « a fonte de todos os
outros mistérios da fé; é a luz que os ilumina... ». (388) A partir deste, a
harmonia do conjunto a mensagem requer uma « hierarquia de verdades », (389)
uma vez que é diversa a conexão de cada uma destas, com o fundamento da fé.
Todavia, esta hierarquia « não significa que algumas verdades pertençam à fé
menos do que outras, mas sim que algumas verdades se alicerçam sobre outras que
são mais importantes e por elas são iluminadas ». (390)
115. Todos os aspectos e as dimensões da
mensagem cristã participam desta dimensão orgânica e hierarquizada:
– A história da salvação, narrando as «
maravilhas de Deus » (mirabilia Dei), aquilo que fez, faz e fará por
nós, se organiza em torno de Jesus Cristo, « centro da história da salvação ».
(391) A preparação ao Evangelho, no Antigo Testamento, a plenitude da Revelação
em Jesus Cristo e o tempo da Igreja, estruturam toda a história salvífica, da
qual a criação e a escatologia são o seu princípio e o seu fim.
– O Símbolo apostólico mostra como a
Igreja tenha sempre querido apresentar o mistério cristão numa síntese vital.
Este Símbolo é a síntese e a chave de leitura de toda a Escritura e de toda a
doutrina da Igreja, que se ordena hierarquicamente em torno dele. (392)
– Os sacramentos são, também estes, um
todo orgânico que, como força regeneradora, nascem do mistério pascal de Jesus
Cristo, formando « um organismo no qual cada um especificamente tem o seu lugar
vital ». (393) A Eucaristia ocupa, neste organismo, um posto único, para o qual
os demais sacramentos são ordenados: ela se apresenta como « o sacramento dos
sacramentos ». (394)
– O dúplice mandamento de amor a Deus e
ao próximo é, na mensagem moral, a hierarquia dos valores que o próprio Jesus
estabeleceu: « Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas » (Mt
22,40). O amor a Deus e o amor ao próximo, que resumem o decálogo, se
vividos no espírito das bem-aventuranças evangélicas, constituem a Magna
Carta da vida cristã que Jesus proclamou no Sermão da Montanha. (395)
– O Pai Nosso, resumindo a essência do
Evangelho, sintetiza e hierarquiza as imensas riquezas de oração contidas na
Sagrada Escritura e em toda a vida da Igreja. Esta oração, proposta aos
discípulos pelo próprio Jesus, deixa transparecer a confiança filial e os
desejos mais profundos com os quais uma pessoa pode dirigir-se a Deus. (396)
Uma mensagem significativa para a pessoa
humana
116. A Palavra de Deus, ao fazer-Se
homem, assume a natureza humana no seu todo, exceto o pecado. Deste modo, Jesus
Cristo, que é a «imagem do Deus invisível » (Col 1,15), é também
homem perfeito. É daí que se compreende que « na realidade, o mistério do homem
só se torna claro verdadeiramente, no mistério do Verbo encarnado ». (397)
A catequese, ao apresentar a mensagem
cristã, não apenas mostra quem é Deus e qual é o seu desígnio salvífico mas,
como o próprio Jesus fez, revela também plenamente o homem ao homem, e lhe
descobre a sua altíssima vocação. (398) A Revelação, de fato, « ...não está
isolada da vida, nem justaposta a ela de maneira artificial. Mas diz respeito
ao sentido último da existência, que ela esclarece totalmente, para inspirá-la
e para examiná-la à luz do Evangelho ». (399)
A relação da mensagem cristã com a
experiência humana não é uma simples questão metodológica, mas germina da
própria finalidade da catequese, a qual procura colocar em comunhão a pessoa
humana com Jesus Cristo. Ele, na sua vida terrestre, viveu plenamente a sua
humanidade: « Trabalhou com mãos humanas, pensou com inteligência humana, agiu
com vontade humana, amou com coração humano ». (400) Portanto, « Tudo o que
Cristo viveu foi para que pudéssemos vivê-lo n'Ele e para que Ele o vivesse em
nós ». (401) A catequese trabalha por esta identidade de experiência humana
entre Jesus Mestre e discípulo e ensina a pensar como Ele, agir como Ele, amar
como Ele. (402) Viver a comunhão com Cristo é fazer experiência da vida nova da
graça. (403)
117. Por este motivo, eminentemente
cristológico, a catequese, apresentando a mensagem cristã, « deve, portanto,
trabalhar para tornar os homens atentos às suas mais importantes experiências,
tanto pessoais quanto sociais, e deve também esforçar-se por submeter à luz do
Evangelho, as interrogações que nascem de tais situações, de modo a estimular
nos próprios homens, um justo desejo de transformar a impostação de suas
existências ». (404) Neste sentido:
– Na primeira evangelização, própria do
pré-catecumenato ou da pré-catequese, catequese o anúncio do Evangelho se fará
sempre em íntima conexão com a natureza humana e as suas aspirações, mostrando
como ele satisfaz plenamente o coração humano. (405)
– Na catequese bíblica, se ajudará a
interpretar a vida humana atual, à luz das experiências vividas pelo Povo de
Israel, por Jesus Cristo e pela comunidade eclesial, na qual o Espírito de
Cristo ressuscitado vive e opera continuamente.
– Na explicitação do Símbolo, a catequese
mostrará como os grandes temas da fé (criação, pecado original, Encarnação,
Páscoa, Pentecostes, escatologia...) são sempre fonte de vida e de luz para o
ser humano.
– A catequese moral, ao apresentar no que
consiste a vida digna do Evangelho (406) e ao promover as bem-aventuranças
evangélicas como espírito que permeia o decálogo, radicar-las-á nas virtudes
humanas, presentes no coração do homem. (407)
– Na catequese litúrgica, deverá ser
constante a referência às grandes experiências humanas, representadas pelos
sinais e símbolos da ação litúrgica, a partir da cultura judaica e cristã.
(408)
Princípio metodológico para a
apresentação da mensagem (409)
118. As normas e os critérios
apresentados neste capítulo e « que dizem respeito à apresentação do conteúdo
da catequese, devem estar presentes e ser atuantes nos diversos tipos de
catequese: catequese bíblica e litúrgica, síntese doutrinal, interpretação das
situações concretas da existência humana, etc... ». (410)
Destes critérios e normas, todavia, não
se pode deduzir a ordem que se deve observar na exposição dos conteúdos. De
fato, « é possível que a situação presente da catequese ou razões de método ou
de pedagogia aconselhem o predispor a comunicação das riquezas do conteúdo da
catequese de uma determinada maneira em vez de outra ». (411) Pode-se partir de
Deus para chegar a Cristo e vice-versa; da mesma maneira, pode-se partir do
homem para chegar a Deus, e inversamente. A adoção de uma ordem determinada na
apresentação da mensagem, é condicionada pelas circunstâncias e pela situação
de fé de quem recebe a catequese.
É preciso encontrar o método pedagógico
mais apropriado às circunstâncias que caracterizam a comunidade eclesial ou os
destinatários concretos aos quais se dirige a catequese. Daí a necessidade de
pesquisar cuidadosamente e de encontrar as vias e modos que melhor respondam às
diversas situações.
Cabe aos Bispos, neste campo, oferecer
normas mais precisas e aplicá-las mediante Diretórios Catequéticos, Catecismos
para as diversas idades e condições culturais, e com outros meios considerados
mais oportunos. (412)
II
CAPÍTULO
« Esta é a nossa fé, esta é a fé da igreja »
« Toda Escritura é inspirada por Deus e
útil para instruir, para refutar, para corrigir e para educar na justiça, a fim
de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra » (2 Tm
3,16).
« Portanto, irmãos, ficai firmes; guardai as tradições que vos ensinamos
oralmente ou por escrito » (2 Ts 2,15).
119. Este capítulo reflete acerca do
conteúdo da catequese tal como ele é exposto pela Igreja nas sínteses de fé
que, oficialmente, elabora e propõe nos seus catecismos.
A Igreja sempre se valeu de formulações
da fé que, em forma breve, contêm o essencial daquilo que crê e vive: textos
neotestamentários, símbolos ou profissões, fórmulas litúrgicas, orações
eucarísticas. Mais tarde, considerou-se também conveniente oferecer uma
explicitação mais ampla da fé, na forma de uma síntese orgânica, mediante os
Catecismos que em numerosas Igrejas locais foram elaborados nestes últimos
séculos. Em dois momentos históricos, por ocasião do Concílio de Trento e nos
nossos dias, decidiu-se ser oportuno oferecer uma exposição orgânica da fé,
mediante um Catecismo de caráter universal, como ponto de referência para a
catequese de toda a Igreja. Assim, de fato, quis proceder João Paulo II, com a
promulgação do Catecismo da Igreja Católica, no dia 11 de outubro de
1992.
O presente capítulo procura situar estes
instrumentos oficiais da Igreja, como o são os catecismos, em relação à
atividade ou à prática catequética.
Em primeiro lugar, refletir-se-á sobre o
Catecismo da Igreja Católica, procurando esclarecer o papel que lhe cabe no conjunto
da catequese eclesial. Depois, analisar-se-á a necessidade dos Catecismos
locais, que têm o objetivo de adaptar o conteúdo da fé às diferentes situações
e culturas e propor-se-á algumas diretrizes para facilitar a elaboração dos
mesmos. A Igreja, ao contemplar a riqueza de conteúdo da fé exposta nos
instrumentos que os próprios Bispos propõem ao Povo de Deus, e que, como uma «
sinfonia » (413) exprimem aquilo que ela crê, celebra, vive e proclama: « Esta
é a nossa fé, esta é a fé da Igreja ».
O Catecismo da Igreja Católica e o
Diretório Geral para a Catequese
120. O Catecismo da Igreja Católica e o
Diretório Geral para a Catequese são dois instrumentos distintos e
complementares, a serviço da ação catequizadora da Igreja.
– O Catecismo da Igreja Católica é « uma
exposição da fé da Igreja e da doutrina católica, atestadas e iluminadas pelas
Sagradas Escrituras, pela Tradição Apostólica e pelo Magistério da Igreja ».
(414)
– O Diretório Geral para a Catequese é a
proposição dos « fundamentais princípios teológico-pastorais, inspirados no
Magistério da Igreja e, de modo particular, no Concílio Vaticano II, aptos a
poder orientar a coordenação » (415) da atividade catequética na Igreja.
Ambos os instrumentos, tomados cada um no
seu próprio gênero e na sua específica autoridade, completam-se mutuamente.
– O Catecismo da Igreja Católica é um ato
do Magistério do Papa, com o qual, no nosso tempo, ele sintetiza
normativamente, em virtude de sua autoridade apostólica, a globalidade da fé
católica e a oferece, antes de mais nada, às Igrejas, como ponto de referência
para a exposição autêntica do conteúdo da fé.
– O Diretório Geral para a Catequese, por
sua vez, tem o valor que a Santa Sé normalmente atribui a estes instrumentos de
orientação, aprovando-os e confirmando-os. É um subsídio oficial para a
transmissão da mensagem evangélica e para o conjunto do ato catequético.
O caráter de complementaridade de ambos
os instrumentos justifica o fato, como dito no Prefácio, que o presente
Diretório Geral para a Catequese não dedique um capítulo à exposição dos
conteúdos da fé, como foi feito no Diretório de 1971, sob o título: « Os
elementos essenciais da mensagem cristã ». (416) Por este motivo, no que
concerne ao conteúdo da mensagem, o Diretório Geral Catequético remete
simplesmente ao Catecismo da Igreja Católica, do qual pretende ser um
instrumento metodológico para a sua aplicação concreta.
A apresentação do Catecismo da Igreja
Católica que se expõe a seguir, não é elaborada nem para resumir, nem para
justificar tal instrumento do Magistério, mas sim para facilitar uma melhor
compreensão e recepção do mesmo, na prática catequética.
O Catecismo da Igreja Católica
Finalidade e natureza do Catecismo da
Igreja Católica
121. É o próprio Catecismo da Igreja
Católica a indicar, no seu Prefácio, a finalidade que o orienta: « Este
Catecismo tem o objetivo de apresentar uma exposição orgânica e sintética dos
conteúdos essenciais e fundamentais da doutrina católica, tanto sobre a fé como
sobre a moral, à luz do Concílio Vaticano II e do conjunto da Tradição da
Igreja ». (417)
O Magistério da Igreja, com o Catecismo
da Igreja Católica, quis prestar um serviço eclesial para o nosso tempo,
reconhecendo-o:
– « instrumento válido e legítimo a
serviço da comunhão eclesial ». (418) Deseja fomentar o vínculo da
unidade, facilitando nos discípulos de Jesus Cristo, « a profissão de uma única
fé, recebida dos Apóstolos »; (419)
– « norma segura para o ensinamento da
fé ».(420) Diante do legítimo direito de todo batizado, de conhecer da
Igreja o que ela recebeu e aquilo em que ela crê, o Catecismo da Igreja
Católica oferece uma resposta clara. É, por isso, um referencial obrigatório
para a catequese e para as demais formas de ministério da Palavra;
– « ponto de referência para os catecismos
ou compêndios que são preparados nas diversas regiões ». (421) O Catecismo da
Igreja Católica, de fato, « não é destinado a substituir os catecismos locais
», (422) mas sim « a encorajar e ajudar a redação de novos catecismos locais,
que levem em consideração as diversas situações e culturas, mas que preservem
com cuidado a unidade da fé e a fidelidade à doutrina católica ». (423)
A natureza ou caráter próprio deste
documento do Magistério consiste no fato que ele se apresenta como síntese
orgânica da fé, de valor universal. Neste aspecto, difere de outros documentos
do Magistério, os quais não pretendem oferecer tal síntese. É diferente, por
outro lado, dos catecismos locais que, embora na comunhão eclesial, são
destinados a servir uma parte determinada do Povo de Deus.
A articulação do Catecismo da Igreja
Católica
122. O Catecismo da Igreja Católica se
articula em torno a quatro dimensões fundamentais da vida cristã: a profissão
de fé, a celebração litúrgica, a moral evangélica e a oração. Estas quatro
dimensões nascem de um mesmo núcleo: o mistério cristão. Este:
– « é o objeto da fé (primeira parte);
– é celebrado e comunicado nas ações
litúrgicas (segunda parte);
– é presente para iluminar e amparar os
Filhos de Deus em suas ações (terceira parte);
– é fundamento da nossa oração, cuja
expressão privilegiada é o Pai Nosso, e constitui o objeto da nossa
súplica, do nosso louvor e da nossa intercessão (quarta parte) ».(424)
Esta articulação quadripartita desenvolve
os aspectos essenciais da fé:
– crer em Deus criador, Uno e Trino, e no
seu desígnio salvífico;
– ser santificados por Ele, na vida
sacramental;
– amá-Lo com todo o coração e amar ao
próximo como a nós mesmos;
– rezar, na expectativa da vinda do seu
Reino e do encontro face a face com Ele.
O Catecismo da Igreja Católica se refere,
assim, à fé crida, celebrada, vivida e pregada, e constitui um chamado à
educação cristã integral.
A articulação do Catecismo da Igreja
Católica remete à profunda unidade da vida cristã. Nele se faz explícita a
inter-relação entre « lex orandi », « lex credendi » e « lex vivendi
». « A liturgia é, ela própria, oração; a confissão da fé encontra o seu
justo posto na celebração do culto. A graça, fruto dos sacramentos, é a
condição insubstituível do agir cristão, assim como a participação na liturgia
da Igreja, requer a fé. Se a fé não se realiza nas obras, é morta e não pode
dar frutos de vida eterna ». (425)
Com esta articulação tradicional em torno
das quatro colunas que sustentam a transmissão da fé (símbolo, sacramentos,
decálogo e Pai Nosso), (426) o Catecismo da Igreja Católica se oferece como
referência doutrinal na educação às quatro tarefas basilares da catequese (427)
e para a elaboração dos Catecismos locais, embora não pretendendo impor, nem
àquela primeira, nem a estes últimos, uma configuração determinada. O modo mais
adequado de ordenar os elementos do conteúdo da catequese deve responder às
respectivas circunstâncias concretas, e não deve ser estabelecido para toda a
Igreja, através do Catecismo comum. (428) A perfeita fidelidade à doutrina
católica é compatível com uma rica diversidade no modo de apresentá-la.
A inspiração do Catecismo da Igreja
Católica: o cristocentrismo trinitário e a sublimidade da vocação cristã da
pessoa humana
123. O eixo central do Catecismo da
Igreja Católica é Jesus Cristo, « ...o Caminho, a Verdade e a Vida » (Jo 14,6).
O Catecismo da Igreja Católica, centrado
em Jesus Cristo, orienta-se em duas direções: em direção a Deus e em direção à
pessoa humana.
– O mistério de Deus, Uno e Trino, e a
sua economia salvífica, inspira e hierarquiza, a partir do seu interior, o
Catecismo da Igreja Católica, no seu conjunto e nas suas partes. A profissão de
fé, a liturgia, a moral evangélica e a oração têm, no Catecismo da Igreja
Católica, uma inspiração trinitária, que atravessa toda a obra, como fio
condutor. (429) Este elemento inspirador central contribui a dar ao texto um
profundo caráter religioso.
– O mistério da pessoa humana é
apresentado nas páginas do Catecismo da Igreja Católica, sobretudo em alguns
capítulos particularmente significativos: « O homem é capaz de Deus », « A
criação do homem », « O Filho de Deus se fez homem », « A vocação do homem é a
vida no Espírito »... e outros ainda. (430) Esta doutrina, contemplada à luz da
natureza humana de Jesus, homem perfeito, mostra a altíssima vocação e o ideal
de perfeição a que cada pessoa humana é chamada.
Na verdade, toda a doutrina do Catecismo
da Igreja Católica pode ser sintetizada neste pensamento conciliar: « Na mesma
revelação do mistério do Pai e de Seu amor, Cristo manifesta plenamente o homem
ao próprio homem e lhe descobre a sua altíssima vocação ». (431)
O gênero literário do Catecismo da Igreja
Católica
124. É importante descobrir o gênero
literário do Catecismo da Igreja Católica, para respeitar a função que a
autoridade da Igreja lhe atribui, no exercício e na renovação da atividade
catequética dos nossos dias.
Os traços principais que definem o gênero
literário do Catecismo da Igreja Católica são:
– O Catecismo da Igreja Católica é, antes
de mais nada, um catecismo; ou seja, um texto oficial do Magistério da Igreja
que, com autoridade, reúne, de forma precisa, na forma de síntese orgânica, os
eventos e as verdades salvíficas fundamentais, que exprimem a fécomum do povo
de Deus e constituem a indispensável referência de base para a catequese.
– Pelo fato de ser um catecismo, o
Catecismo da Igreja Católica encerra aquilo que é basilar e comum à vida
cristã, sem apresentar como pertencentes à fé interpretações particulares, que
não são senão hipóteses pessoais ou opiniões de alguma escola teológica. (432)
– O Catecismo da Igreja Católica é, além
disso, um Catecismo de caráter universal, oferecido a toda a Igreja. Nele se
apresenta uma síntese atualizada da fé, que incorpora a doutrina do Concílio
Vaticano II e as interrogações religiosas e morais da nossa época. Todavia, «
pela sua própria finalidade, este Catecismo não se propõe realizar as
adaptações da exposição e dos métodos catequéticos exigidos pelas diferenças de
culturas, de idades, da vida espiritual, de situações sociais e eclesiais
daqueles a quem a catequese é dirigida. Tais adaptações indispensáveis
adaptações cabem aos catecismos apropriados e, ainda mais aos que ministram
instrução aos fiéis ». (433)
O « Depósito da fé » e o Catecismo da
Igreja Católica
125. O Concílio Vaticano II se propôs
como objetivo principal, o de melhor conservar e apresentar o precioso depósito
da doutrina cristã, para torná-lo mais acessível aos fiéis de Cristo e a todos
os homens de boa vontade.
O conteúdo de tal depósito é a Palavra de
Deus, conservada na Igreja. O Magistério da Igreja, tendo-se proposto a
finalidade de elaborar um texto de referência para o ensinamento da fé,
escolheu deste precioso tesouro coisas novas e coisas antigas, que considerou
mais convenientes para a finalidade prefixada. O Catecismo da Igreja Católica
se apresenta, assim, como um serviço fundamental: favorecer o anúncio do
Evangelho e o ensinamento da fé, que recebem a sua mensagem do depósito da
Tradição e da Sagrada Escritura confiado à Igreja, para que se realizem com
total autenticidade. O Catecismo da Igreja Católica não é a única fonte da
catequese, uma vez que, como ato do Magistério, não é superior à Palavra de
Deus, mas a Ela serve. Todavia, é um ato particularmente relevante de
interpretação autêntica desta Palavra, em vista do anúncio e da transmissão do
Evangelho, em toda a sua verdade e pureza.
126. À luz desta relação entre Catecismo
da Igreja Católica e o depósito da fé, convém esclarecer duas questões de vital
importância para a catequese:
– a relação entre a Sagrada Escritura e o
Catecismo da Igreja Católica, como pontos de referência para o conteúdo da
catequese;
– a relação entre a Tradição catequética
dos Padres da Igreja, com a sua riqueza de conteúdos, e de compreensão do
processo catequético, e o Catecismo da Igreja Católica.
A Sagrada Escritura, o Catecismo da
Igreja Católica e a catequese
127. A Constituição Dei Verbum, do
Concílio Vaticano II, sublinhou a importância fundamental da Sagrada Escritura
na vida da Igreja. Ela é apresentada, junto com a Sagrada Tradição, como «
regra suprema da fé », já que transmite imutavelmente « a própria palavra de
Deus » e faz « ressoar nas palavras dos Profetas e dos Apóstolos a voz do
Espírito Santo ». (434) Por isso, a Igreja quer que em todo o ministério da
Palavra, a Sagrada Escritura tenha uma posição proeminente. A catequese, em
síntese, deve ser « uma autêntica introdução à "lectio divina",
isto é, à leitura da Sagrada Escritura feita "segundo o Espírito" que
habita na Igreja ». (435)
Neste sentido, « falar da Tradição e da
Escritura como fonte da catequese, quer dizer sublinhar que esta última deve
embeber-se e permear-se com o pensamento, com o espírito e com as atitudes
bíblicas e evangélicas, mediante um assíduo contato com tais textos; mas
significa também, recordar que a catequese será tanto mais rica e eficaz,
quanto mais ler os textos com a inteligência e o coração da Igreja ». (436)
Nesta leitura eclesial da Escritura, feita à luz da Tradição, o Catecismo da
Igreja Católica desempenha um papel muito importante.
128. A Sagrada Escritura e o Catecismo da
Igreja Católica se apresentam como dois instrumentos fundamentais para inspirar
toda a ação catequizadora da Igreja no nosso tempo.
– A Sagrada Escritura, de fato, como «
palavra de Deus escrita sob a inspiração do Espírito Santo » (437) e o
Catecismo da Igreja Católica, enquanto relevante expressão atual da Tradição
viva da Igreja e norma segura para o ensinamento da fé, são chamados, cada um a
seu próprio modo e segundo a sua específica autoridade, a fecundar a catequese
na Igreja contemporânea.
– A catequese transmite o conteúdo da
Palavra de Deus, segundo as duas modalidades com que a Igreja o possui, o
interioriza e o vive: como narração da História da Salvação e como explicitação
do Símbolo da fé. A Sagrada Escritura e o Catecismo da Igreja Católica devem
inspirar tanto a catequese bíblica quanto a catequese doutrinal, que veiculam
este conteúdo da Palavra de Deus.
– No desenvolvimento ordinário da catequese,
é importante que os catecúmenos e os catequizandos possam valer-se tanto da
Sagrada Escritura quanto do Catecismo local. A catequese, enfim, não é senão a
transmissão, vital e significativa, destes « documentos de fé ». (438)
A Tradição catequética dos Santos Padres
e o Catecismo da Igreja Católica
129. No depósito da fé, juntamente
com a Escritura, está contida toda a Tradição da Igreja. « As asserções dos
Santos Padres atestam a vivificante presença desta Tradição, cujas riquezas se
transfundem na praxe e na vida da Igreja crente e orante ». (439)
Em referência a tanta riqueza doutrinal e
pastoral, alguns aspectos merecem atenção:
– A importância decisiva que os Padres
atribuem ao catecumenato batismal na configuração das Igrejas particulares.
– A progressiva e gradual concepção da
formação cristã, estruturada em etapas. (440) Os Padres configuram o
catecumenato, inspirando-se na pedagogia divina. No processo catecumenal, o
catecúmeno, como o Povo de Israel, percorre um caminho para chegar à terra prometida:
a identificação batismal com Cristo. (441)
– A estruturação do conteúdo da catequese
segundo as etapas daquele processo. Na catequese patrística, a narração da
história da salvação tinha um papel primário. Em meados do período da Quaresma,
se procedia às entregas do Símbolo e do Pai Nosso e à explicação
dos mesmos, com todas as suas implicações morais. A catequese mistagógica, uma
vez celebrados os sacramentos da iniciação, ajudava a interiorizá-los e a
saboreá-los.
130. O Catecismo da Igreja Católica, por
sua vez, leva à catequese a grande tradição dos catecismos. (442) Da grande
riqueza desta tradição, também aqui cabe sublinhar alguns aspectos:
– A dimensão cognoscitiva ou verídica da
fé. Esta não é somente adesão vital a Deus, mas também assentimento do
intelecto e da vontade à verdade revelada. Os catecismos recordam
constantemente à Igreja, a necessidade de que os fiéis, ainda que de forma
simples, tenham um conhecimento orgânico da fé.
– A educação à fé, bem radicada em todas
as suas fontes, abraça diferentes dimensões: uma fé professada, celebrada,
vivida e orada.
A riqueza da tradição patrística e
daquela dos catecismos conflui na atual catequese da Igreja, enriquecendo-a,
tanto na suaprópria concepção, quanto nos seus conteúdos. Recordam à catequese
os sete elementos basilares que a configuram: as três etapas da narração da
história da salvação: o Antigo Testamento, a vida de Jesus Cristo e a História
da Igreja; e as quatro colunas da exposição: o Símbolo, os Sacramentos, o
Decálogo e o Pai Nosso. Com estas sete pedras fundamentais, base tanto
de todo o processo da catequese de iniciação como do itinerário contínuo do
amadurecimento cristão, podem-se construir edifícios de diversa arquitetura ou
articulação, segundo os destinatários ou as diferentes situações culturais.
Os Catecismos nas Igrejas locais
Os Catecismos locais: a sua necessidade (443)
131. O Catecismo da Igreja Católica é
oferecido a todos os fiéis e a cada homem que queira conhecer aquilo em que crê
a Igreja Católica (444) e, de maneira toda especial, « é destinado a encorajar
e ajudar a redação de novos Catecismos locais, que levem em consideração as
diversas situações e culturas, mas que preservem com cuidado a unidade da fé e
a fidelidade à doutrina católica ». (445)
Os Catecismos locais, de fato, elaborados
ou aprovados pelos Bispos diocesanos ou pelas Conferências dos Bispos, (446)
são inestimáveis instrumentos para a catequese « chamada a levar a força do
Evangelho ao coração da cultura e das culturas ». (447) Por esta razão, João
Paulo II dirigiu « um fervoroso encorajamento às Conferências dos Bispos de
todo o mundo: que elas tomem a iniciativa, com paciência mas ao mesmo tempo com
firme resolução, daquele grande trabalho a ser realizado, de acordo com a Sé
Apostólica, qual é o de preparar verdadeiros catecismos, fiéis aos conteúdos
essenciais da Revelação e atualizados no que se refere ao método, em condições
de educar para uma fé vigorosa, as gerações cristãs dos tempos novos ». (448)
Por meio dos Catecismos locais, a Igreja
atualiza a « pedagogia divina » (449) que Deus utilizou na Revelação, adaptando
a sua linguagem à nossa natureza, com próvida solicitude. (450) Nos Catecismos
locais, a Igreja comunica o Evangelho de maneira acessível à pessoa humana, a
fim de que esta possa realmente apreendê-lo como Boa Nova de salvação.
Os Catecismos locais se convertem, assim, em expressão palpável da admirável «
condescendência » (451) de Deus e do seu amor« inefável » (452) pelo mundo.
O gênero literário de um Catecismo local
132. Três são os traços principais que
caracterizam todo catecismo, assumido como próprio por uma Igreja local: o seu
caráter oficial, a síntese orgânica e básica da fé que apresenta, e o fato de
que seja oferecido, juntamente com as Sagradas Escrituras, como ponto de
referência para a catequese:
– O Catecismo local, de fato, é texto
oficial da Igreja. De algum modo, ele torna visível a « entrega do Símbolo » e
a « entrega do Pai Nosso » aos catecúmenos e aos batizandos. Por isso, é a
expressão de um ato de tradição.
O caráter oficial do Catecismo local
estabelece uma distinção qualitativa em referência aos outros instrumentos de
trabalhos, úteis na pedagogia catequética (textos didáticos, catecismos não
oficiais, guias para os catequistas...)
– Além disso, todo Catecismo é um texto
de caráter sintético e básico, no qual se apresenta, de maneira orgânica e no
respeito pela « hierarquia das verdades », os eventos e as verdades
fundamentais do mistério cristão.
– O Catecismo local apresenta, na sua
organicidade, « um conjunto dos documentos da Revelação e da tradição cristã,
(1)que são oferecidos na rica diversidade de « linguagens » em que se exprime a
Palavra de Deus.
O Catecismo local se oferece, enfim, como
ponto de referência que inspira a catequese. A Sagrada Escritura e o Catecismo
são os dois documentos doutrinais de base no processo de catequização, a serem
mantidos sempre à mão. Embora sendo, tanto um quanto outro, instrumentos de
primária importância, não são, todavia, os únicos: são necessários, de fato,
outros instrumentos de trabalho mais imediatos. (2) Por isso, é legítimo
perguntar-se se um Catecismo oficial deva conter elementos pedagógicos ou, ao
contrário, deva limitar-se a ser apenas uma síntese doutrinal, oferecendo
somente as fontes.
Em todo caso, sendo o Catecismo um
instrumento para o ato catequético, que é ato de comunicação, responde sempre a
uma certa inspiração pedagógica e deve sempre fazer transparecer, nos limites
do seu gênero, a pedagogia divina.
As questões mais claramente metodológicas
são, ordinariamente, mais consoantes a outros instrumentos.
Os aspectos da adaptação num Catecismo
local (3)
133. O Catecismo da Igreja Católica
indica quais são os aspectos que devem ser levados em consideração no momento
de adaptar ou contextualizar a síntese orgânica da fé, que todo Catecismo local
deve oferecer. Esta síntese da fé deve realizar as adaptações que são exigidas
« pelas diferenças de culturas, de idades, da vida espiritual, de situações
sociais e eclesiais daqueles a quem a catequese é dirigida ».(4) Também o
Concílio Vaticano II afirma com ênfase a necessidade de adaptar a mensagem
evangélica: « Esta maneira apropriada de proclamar a palavra revelada deve
permanecer como lei de toda a evangelização ».(5) Por isso:
– Um Catecismo local deve apresentar a
síntese da fé em referência à cultura concreta em que se encontram os
catecúmenos e os catequizandos. Incorporará, portanto, todas aquelas «
expressões originais de vida, de celebração e de pensamento que são cristãos »
(6) e que nasceram da própria tradição cultural e são fruto do trabalho e da
inculturação da Igreja local.
– Um Catecismo local, « fiel à mensagem e
fiel à pessoa humana »,(7) apresenta o mistério cristão de modo significativo e
próximo à psicologia e à mentalidade da idade do destinatário concreto e,
conseqüentemente, em clara referência às experiências fundamentais da sua
vida.(8)
– É preciso cuidar de modo especial a
forma concreta de viver o fato religioso numa determinada sociedade. Não é a
mesma coisa fazer um Catecismo para um ambiente caracterizado pela indiferença
religiosa, e fazê-lo para outro, cujo contexto é profundamente religioso.(9) A
relação « fé-ciência » deve ser tratada com muito cuidado em cada Catecismo.
– A problemática social circunstante, ao
menos no que diz respeito aos elementos estruturais mais profundos (econômicos,
políticos, familiares...) é um fator muito importante para contextualizar o
Catecismo. Inspirando-se na doutrina social da Igreja, o Catecismo saberá
oferecer critérios, motivações e linhas de ação que iluminem a presença cristã
em meio a tal problemática.(10)
– Finalmente, a situação eclesial
concreta, que a Igreja particular vive, é sobretudo o contexto obrigatório ao
qual o Catecismo deve referir-se. Obviamente, não as situações conjunturais, às
quais se provê mediante outros documentos magisteriais, mas sim a situação
permanente, que postula uma evangelização com acentos mais específicos e
determinados.(11)
A criatividade das Igrejas locais em
relação à elaboração dos Catecismos
134. As Igrejas locais, na tarefa de
adaptar, contextualizar e inculturar a mensagem evangélica às diferentes
idades, situações e culturas, por meio dos Catecismos, necessitam de uma
criatividade segura e madura. Do depositum fidei confiado à Igreja, as
Igrejas locais devem selecionar, estruturar e exprimir, sob a orientação do
Espírito Santo, Mestre interior, todos aqueles elementos com que transmitir o
Evangelho, na sua completa autenticidade, numa determinada situação.
Nesta árdua tarefa, o Catecismo da Igreja
Católica é « ponto de referência » para garantir a unidade da fé. O presente
Diretório Geral para a Catequese, por sua vez, oferece os critérios basilares
que devem orientar a apresentação da mensagem cristã.
135. Na elaboração dos Catecismos locais,
é conveniente recordar o seguinte:
– Trata-se, antes de mais nada, de
elaborar verdadeiros Catecismos adaptados e inculturados. Neste sentido, é
conveniente distinguir entre um Catecismo que adapta a mensagem cristã às
diferentes idades, situações e culturas, e o que é uma mera síntese do
Catecismo da Igreja Católica, como instrumento de introdução ao estudo do
mesmo. São dois gêneros diferentes.(12)
– Os Catecismos locais podem ter caráter
diocesano, regional ou nacional.(13)
– Em relação à estruturação dos conteúdos,
os diversos Episcopados publicam, de fato, Catecismos com diversas articulações
ou configurações. Como já foi dito, o Catecismo da Igreja Católica foi proposto
como referência doutrinal, mas não se quer, com ele, impor a toda a Igreja uma
determinada configuração de Catecismo. Assim, existem Catecismos com uma
configuração trinitária, outros são estruturados segundo as etapas da salvação,
outros segundo um tema bíblico e teológico de grande densidade (Aliança,
Reino de Deus, etc.), outros segundo a dimensão da fé, e outros, ainda,
seguindo o ano litúrgico.
– Quanto à maneira de exprimir a mensagem
evangélica, a criatividade de um Catecismo incide também sobre a própria
formulação do conteúdo.(14) Evidentemente, um Catecismo deve permanecer fiel ao
depósito da fé, no seu método de exprimir a substância doutrinal da mensagem
cristã. « As Igrejas particulares profundamente amalgamadas não apenas com as
pessoas, mas também com as aspirações, as riquezas e os limites, os modos de
rezar, de amar e de considerar a vida e o mundo, que distinguem um determinado
ambiente humano, têm a tarefa de assimilar a essencial mensagem evangélica, de
transfundi-la sem a mínima alteração da sua verdade fundamental, na linguagem
compreendida por estes homens e, a seguir, de anunciá-lo na mesma linguagem
».(15)
O princípio a seguir, nesta delicada
tarefa, é o que ensina o Concílio Vaticano II: « descobrir a maneira mais
apropriada de comunicar a doutrina aos homens de seu tempo, porque uma coisa é
o próprio depósito da fé ou as verdades, e outra é o modo de enunciá-las,
conservando-se contudo o mesmo sentido e o mesmo significado ».(16)
O Catecismo da Igreja Católica e os
Catecismos locais: a sinfonia da fé
136. O Catecismo da Igreja Católica e os
Catecismos locais, naturalmente com a específica autoridade de cada um, formam
uma unidade. São a expressão concreta da « unidade na mesma fé apostólica »(17)
e, ao mesmo tempo, da rica diversidade de formulação da mesma fé.
O Catecismo da Igreja Católica e os
Catecismos locais, juntos, a quem contempla a sua harmonia, exprimem a «
sinfonia » da fé: antes de mais nada, uma sinfonia interna ao próprio Catecismo
da Igreja Católica, elaborado com a colaboração de todo o Episcopado da Igreja
Católica; e uma sinfonia dele derivada e expressa nos Catecismos locais. Esta «
sinfonia », este « coro de vozes da Igreja Universal » (18) manifestada nos
Catecismos locais, fiéis ao Catecismo da Igreja Católica, tem um significado
teológico importante:
– Manifesta, antes de mais nada, a
catolicidade da Igreja. As riquezas culturais dos povos se incorporam na
expressão da fé da única Igreja.
– O Catecismo da Igreja Católica e os
Catecismos locais manifestam também a comunhão eclesial da qual a « profissão
da mesma fé » (19) é um dos vínculos visíveis. As Igrejas particulares, « nas
quais e pelas quais existe a Igreja Católica una e única », (20) formam com o
todo, com a Igreja universal, « uma peculiar relação de mútua interiorização ».
(21) A unidade entre o Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos locais torna
visível esta comunhão.
– O Catecismo da Igreja Católica e os
Catecismos locais exprimem, igualmente, de maneira evidente, a realidade da
colegialidade episcopal. Os Bispos, cada qual na sua diocese e juntos como
colégio, em comunhão com o Sucessor de Pedro, têm a máxima responsabilidade
pela catequese na Igreja.(22)
O Catecismo da Igreja Católica e os
Catecismos locais, por sua profunda unidade e rica diversidade, são chamados a
ser o fermento renovador da catequese na Igreja. Ao contemplá-los com olhar
católico e universal, a Igreja, isto é, toda a comunidade dos discípulos de
Cristo, poderá dizer verdadeiramente: « Esta é a nossa fé, esta é a fé da
Igreja ».
III
PARTE
A
PEDAGOGIA DA FÉ
A Pedagogia da fé
« Fui eu, contudo, quem ensinou Efraim a
caminhar, eu os tomei em meus braços... Com vínculos humanos eu os atraía, com
laços de amor eu era para eles como os que levantam uma criancinha contra o seu
rosto, eu me inclinava para ele e o alimentava » (Os 11,3-4).
« Quando ficaram sozinhos, os que estavam junto dele com os Doze o interrogaram
sobre as parábolas. Dizia-lhes: « A vós foi dado o mistério do Reino de Deus...
» « ...A seus discípulos, porém, explicava tudo em particular » (Mc 4,10.34).
« Só tendes um Mestre, o Cristo » (Mt
23,10)
137. Jesus cuidou atentamente da formação
dos discípulos que enviou em missão. Propôs-Se a eles como único Mestre e, ao
mesmo tempo, amigo paciente e fiel, (23) exerceu um real ensinamento mediante
toda a sua vida, (24) estimulando-os com oportunas perguntas, (25) explicou-lhes
de maneira aprofundada aquilo que anunciava à multidão, (26) introduziu-os na
oração, (27) mandou-os fazer um tirocínio missionário, (28) primeiro prometeu e
depois enviou o Espírito de seu Pai, para que os guiasse à verdade na sua
totalidade, (29) e os amparou nos inevitáveis momentos difíceis. (30) Jesus
Cristo é o « Mestre que revela Deus aos homens e revela o homem a si mesmo; o
Mestre que salva, santifica e guia, que está vivo, fala, desperta, comove,
corrige, julga, perdoa e marcha todos os dias conosco, pelos caminhos da
história; o Mestre que vem e que há-de vir na glória ». (31) Em Jesus Senhor e
Mestre, a Igreja encontra a graça transcendente, a inspiração permanente, o
modelo convincente para toda comunicação da fé.
Significado e finalidade desta parte
138. Na escola de Jesus Mestre, o
catequista une estreitamente a sua ação de pessoa responsável, com a ação
misteriosa da graça de Deus. A catequese é, por isso, exercício de uma «
pedagogia original da fé ».(32)
A transmissão do Evangelho através da
Igreja é, antes de mais nada e sempre, obra do Espírito Santo, e tem na
revelação, o testemunho e a norma fundamental (Capítulo I).
Mas o Espírito se vale de pessoas que
recebem a missão do anúncio evangélico e cujas competências e experiências humanas
entram na pedagogia da fé.
Daí nasce um conjunto de questões
amplamente tocadas, na história da catequese, no que diz respeito ao ato
catequético, às fontes, aos métodos, aos destinatários e ao processo de
inculturação.
No segundo capítulo, não se pretende
apresentar uma abordagem exaustiva, mas sim expor somente aqueles pontos que
hoje se mostram como de particular importância para toda a Igreja. Caberá aos
vários diretórios e aos outros instrumentos de trabalho das Igrejas
particulares, afrontar os problemas específicos, de maneira apropriada.
I
CAPÍTULO
A pedagogia de Deus, fonte e modelo da pedagogia da fé (33)
A pedagogia de Deus
139. « Deus vos trata como filhos. Ora,
qual é o filho a quem seu pai não corrige? » (Hb 12,7). A salvação da
pessoa, que é o fim da revelação, se manifesta como fruto também de uma
original e eficaz « pedagogia de Deus » ao longo da história. Analogicamente ao
uso humano e segundo as categorias culturais do tempo, Deus, na Escritura, é
visto como um pai misericordioso, um mestre, um sábio(34) que assume a pessoa,
indivíduo e comunidade, na condição em que se encontra, livra-a dos laços com o
mal, a atrai a Si com vínculos de amor, faz com que ela cresça progressiva e
pacientemente até à maturidade de filho livre, fiel e obediente à sua palavra.
Com este objetivo, como educador genial e providente, Deus transforma os
acontecimentos da vida do seu povo em lições de sabedoria, (35) adaptando-Se às
diversas idades e situações de vida. A este Povo, confia palavras de instrução e
catequese que são transmitidas de geração em geração, (36) adverte com a
recordação do prêmio e do castigo, torna formativas as próprias provas e
sofrimentos. (37) Verdadeiramente, fazer encontrar uma pessoa com Deus, que é
tarefa do catequista, significa colocar no centro e fazer própria, a relação
que Deus tem com a pessoa e deixar-se guiar por Ele.
A pedagogia de Cristo
140. Vinda a plenitude dos tempos, Deus
mandou à humanidade Seu Filho, Jesus Cristo. Ele trouxe ao mundo o supremo dom
da salvação, realizando a sua missão de redentor, no âmbito de um processo que
continuava a « pedagogia de Deus » com a perfeição e a eficácia intrínsecas à
novidade de sua pessoa. Das suas palavras, sinais e obras, ao longo de toda a
sua breve mas intensa vida, os discípulos fizeram experiência direta das
diretrizes fundamentais da « pedagogia de Jesus », indicando-as, depois, nos
Evangelhos: o acolhimento do outro, em particular do pobre, da criança, do
pecador, como pessoa amada e querida por Deus; o anúncio genuíno do Reino de
Deus como boa nova da verdade e da consolação do Pai; um estilo de amor
delicado e forte, que livra do mal e promove a vida; o convite premente a uma
conduta amparada pela fé em Deus, pela esperança no reino e pela caridade para
com o próximo; o emprego de todos os recursos da comunicação interpessoal tais
como a palavra, o silêncio, a metáfora, a imagem, o exemplo e tantos sinais
diversos, como o faziam os profetas bíblicos. Convidando os discípulos a
segui-Lo totalmente e sem nostalgias, (38) Cristo entrega-lhes a sua pedagogia
da fé como plena compartilha da sua causa e do seu destino.
A pedagogia da Igreja
141. Desde o princípio, a Igreja, que « é
em Cristo como que um sacramento », (39) tem vivido a sua missão como
prosseguimento visível e atual da pedagogia do Pai e do Filho. Ela, « sendo
nossa Mãe, é também educadora da nossa fé ».(40)
São estas as razões profundas, pelas
quais a comunidade cristã é, em si mesma, uma catequese viva. Por aquilo que é,
anuncia e celebra, opera e permanece sempre o lugar vital, indispensável e
primário da catequese.
A Igreja produziu, ao longo dos séculos,
um incomparável tesouro de pedagogia da fé: antes de mais nada, o testemunho de
catequistas e de santos. Uma variedade de vias e formas originais de comunicação
religiosa, como o catecumenato, os catecismos, os itinerários de vida cristã;
um precioso patrimônio de ensinamentos catequéticos, de cultura da fé, de
instituições e de serviços da catequese. Todos estes aspectos fazem a história
da catequese e entram, a pleno título, na memória da comunidade e na praxe do
catequista.
A pedagogia divina, ação do Espírito
Santo em todo cristão
142. « Feliz o homem a quem corriges,
Iahweh, e a quem ensinas por meio de tua lei » (Sl 94,12). Na escola
da Palavra de Deus acolhida na Igreja, graças ao dom do Espírito Santo enviado
por Cristo, o discípulo cresce como o seu Mestre, « em sabedoria, em estatura e
em graça diante de Deus e diante dos homens » (Lc 2,52) e é ajudado a
desenvolver em si a « educação divina » recebida, mediante a catequese e os
recursos da ciência e da experiência. (41) Deste modo, conhecendo sempre mais o
mistério da salvação, aprendendo a adorar a Deus Pai e « vivendo na verdade
segundo a caridade », procura crescer « em tudo em direção àquele que é a cabeça,
Cristo » (Ef 4,15).
A pedagogia de Deus pode-se dizer
realizada quando o discípulo atinge « o estado de Homem Perfeito, à medida da
estatura da plenitude de Cristo » (Ef 4,13). Por isso, não se pode ser
mestres e pedagogos da fé alheia, se não se é discípulo convicto e fiel a
Cristo na Sua Igreja.
Pedagogia divina e catequese
143. A catequese, enquanto comunicação da
divina revelação, inspira-se radicalmente na pedagogia de Deus como se desvela
em Cristo e na Igreja, acolhe os seus parâmetros constitutivos e, sob a guia do
Espírito Santo, faz uma sábia síntese da mesma, favorecendo assim, uma
verdadeira experiência de fé, um encontro filial com Deus. Deste modo, a
catequese:
– é uma pedagogia que se insere no «
diálogo de salvação » entre Deus e a pessoa e, além de servir a este diálogo,
ressalta devidamente a destinação universal de tal salvação; no que diz
respeito a Deus, sublinha a iniciativa divina, a motivação amorosa, a
gratuidade, o respeito pela liberdade; no que diz respeito ao homem, evidencia
a dignidade do dom recebido e a exigência de crescer continuamente neste; (42)
– aceita o princípio da progressividade
da Revelação, a transcendência e a conotação misteriosa da Palavra de Deus,
assim como também a sua adaptação às diversas pessoas e culturas;
– reconhece a centralidade de Jesus
Cristo, Palavra de Deus feita homem, que determina a catequese como « pedagogia
da encarnação », razão pela qual o Evangelho deve ser proposto sempre para a
vida e na vida das pessoas;
– valoriza a experiência comunitária da
fé, própria do Povo de Deus, da Igreja;
– radica-se na relação interpessoal e faz
próprio o processo de diálogo;
– faz-se pedagogia de sinais, onde se
entrelaçam fatos e palavras, ensinamento e experiência; (43)
– sendo o amor de Deus a razão última da
sua revelação, é do inexaurível amor divino, que é o Espírito Santo, que a
catequese recebe a sua força de verdade e o constante empenho de dar testemunho
do mesmo. (44)
A catequese configura-se assim, como
processo, itinerário ou caminho na seqüela do Cristo do Evangelho, no Espírito,
rumo ao Pai, caminho este empreendido para alcançar a maturidade da fé « pela
medida do dom de Cristo » (Ef 4,7) e as possibilidades e as necessidades
de cada um.
Pedagogia original da fé (45)
144. A catequese, que é portanto
pedagogia da fé em ato, ao realizar as suas tarefas, não pode deixar-se
inspirar por considerações ideológicas, ou por interesses puramente humanos,
(46) não confunde o agir salvífico de Deus, que é pura graça, com o agir
pedagógico do homem, nem tampouco os contrapõe e separa. É o diálogo que Deus
vai tecendo amorosamente com cada pessoa, que se torna sua inspiração e sua
norma; dele, a catequese se torna « eco » incansável, buscando continuamente o
diálogo com as pessoas, segundo as grandes indicações oferecidas pelo
Magistério da Igreja. (47)
Objetivos precisos que inspiram as suas
escolhas metodológicas são:
– promover uma progressiva e coerente
síntese entre a plena adesão do homem a Deus (fides qua) e os conteúdos
da mensagem cristã (fides quae);
– desenvolver todas as dimensões da fé,
razão pela qual esta se traduz em fé conhecida, celebrada. vivida e rezada;
(48)
– impulsionar a pessoa a se entregar «
livre e totalmente a Deus »: (49) inteligência, vontade, coração, memória;
– ajudar a pessoa a distinguir a vocação
à qual o Senhor a chama.
A catequese realiza assim, uma obra de
iniciação, de educação e de ensinamento ao mesmo tempo.
Fidelidade a Deus e fidelidade à pessoa (50)
145. Jesus Cristo é a viva e perfeita
relação de Deus com o homem e do homem com Deus. D'Ele, a pedagogia da fé
recebe uma « lei que é fundamental para toda a vida da Igreja » e, portanto, da
catequese: « a lei da fidelidade a Deus e da fidelidade ao homem, numa única
atitude de amor ». (51)
Será, portanto, genuína, aquela catequese
que ajudar a perceber a ação de Deus ao longo do caminho formativo, favorecendo
um clima de escuta, de ação de graças e de oração (52) e, ao mesmo tempo, visar
a livre resposta das pessoas, promovendo a participação ativa dos catequizandos.
A « condescendência de Deus »,(53) escola para a pessoa
146. Querendo falar aos homens como a
amigos, (54) Deus manifesta a sua pedagogia, de modo particular, adaptando com
solícita providência, a sua Palavra à nossa condição terrena. (55)
Isso comporta, para a catequese, a tarefa
jamais concluída de encontrar uma linguagem capaz de comunicar a palavra de
Deus e o Credo da Igreja, que é o seu desenvolvimento, nas variadas condições
dos ouvintes, (56) mantendo, ao mesmo tempo, a certeza de que, por graça de Deus,
isso pode ser feito, e que o Espírito Santo dá a alegria de fazê-lo.
Por isso, indicações pedagógicas
adequadas à catequese são aquelas que permitem comunicar a totalidade da
Palavra de Deus no coração da existência das pessoas. (57)
Evangelizar educando e educar
evangelizando (58)
147. Inspirando-se continuamente na
pedagogia da fé, o catequista configura o seu serviço como qualificado caminho
educativo, ou seja, de um lado ajuda a pessoa a se abrir à dimensão religiosa
da vida, e, por outro lado, propõe o Evangelho a essa mesma pessoa, de tal
maneira que ele penetre e transforme os processos de inteligência, de
consciência, de liberdade e de ação, de modo a fazer da existência um dom de si
a exemplo de Jesus Cristo.
Com este objetivo, o catequista conhece e
se vale da contribuição das ciências da educação, cristãmente compreendidas.
II
CAPÍTULO
Elementos de metodologia
A diversidade de métodos na catequese (59)
148. Na transmissão da fé, a Igreja não
possui um método próprio, nem um método único, mas sim, à luz da pedagogia de
Deus, discerne os métodos do tempo, assume com liberdade de espírito « tudo o
que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que de
qualquer modo mereça louvor » (Fl 4,8), em síntese, todos os elementos
que não estão em contraste com o Evangelho, e os coloca a serviço deste.
Admirável confirmação disso encontra-se na história da Igreja, onde tantos
carismas de serviço da Palavra geraram variados percursos metodológicos. Desta
forma, « a variedade dos métodos é um sinal de vida e uma riqueza », e, ao
mesmo tempo, uma demonstração de respeito pelos destinatários. Tal variedade é
exigida pela « idade e pelo desenvolvimento intelectual dos cristãos, pelo seu
grau de maturidade eclesial e espiritual e por muitas outras circunstâncias
pessoais ». (60)
A metodologia catequética tem como
objetivo unitário, a educação para a fé; vale-se das ciências pedagógicas e da
comunicação, aplicadas à catequese; leva em consideração as numerosas e
notáveis aquisições da catequética contemporânea.
A relação conteúdo-método na catequese (61)
149. O princípio da « fidelidade a Deus e
fidelidade ao homem » leva a evitar toda contraposição ou separação artificial,
ou ainda presumível neutralidade entre método e conteúdo, afirmando, pelo contrário,
a sua necessária correlação e interação. O catequista reconhece que o método
está a serviço da revelação e da conversão (62) e, portanto, é necessário
valer-se dele. Por outro lado, o catequista sabe que o conteúdo da catequese
não é indiferente a qualquer método, mas sim exige um processo de transmissão
adequado à natureza da mensagem, às suas fontes e linguagens, às concretas
circunstâncias da comunidade eclesial, à condição de cada um dos fiéis aos
quais a catequese se dirige.
Pela intrínseca importância tanto na
tradição quanto na atualidade catequética, merecem ser recordados os métodos de
aproximação à Bíblia, (63) o método ou « pedagogia do documento », do Símbolo
em particular, uma vez que « a catequese é transmissão dos documentos da fé »,
(64) o método dos sinais litúrgicos e eclesiais, o método próprio dos meios de
comunicação. Um bom método catequético é garantia de fidelidade ao conteúdo.
Método indutivo e dedutivo (65)
150. A comunicação da fé na catequese é
um evento de graça, realizado pelo encontro da Palavra de Deus com a
experiência da pessoa, se exprime através de sinais sensíveis e, finalmente,
abre ao mistério. Pode realizar-se por vias diversas, nem sempre completamente
conhecidas por nós.
De acordo com a história da catequese,
hoje se fala comumente de via indutiva e dedutiva. O método indutivo consiste
na apresentação de fatos (eventos bíblicos, atos litúrgicos, eventos da vida da
Igreja e da vida cotidiana...) com o objetivo de discernir o significado que
eles podem ter na revelação divina. É uma via que oferece grandes vantagens,
porque é conforme à economia da revelação; corresponde a uma profunda instância
do espírito humano, de chegar ao conhecimento das coisas inteligíveis através
das coisas visíveis; e é, também, conforme às características do conhecimento
da fé, que é conhecimento através dos sinais.
O método indutivo não exclui, antes pelo
contrário, exige o método dedutivo, que explica e descreve os fatos, a partir
de suas causas. Mas a síntese dedutiva terá pleno valor somente quando tiver
sido realizado o processo indutivo. (66)
151. Outro é o sentido a ser dado, quando
nos referimos aos percursos operativos: um é chamado também « kerigmático » (ou
descendente), quando parte do anúncio da mensagem, expressa nos principais
documentos da fé (Bíblia, liturgia, doutrina...), e a aplica à vida; o outro,
chamado « existencial » (ou ascendente), quando se move a partir de
problemas e situações humanas e os ilumina com a luz da Palavra de Deus. De per
si, são processos legítimos, se forem respeitadas todas as regras do jogo, o
mistério da graça e o dado humano, a compreensão da fé e o processo de
racionalidade.
A experiência humana na catequese (67)
152. A experiência desempenha diversas
funções na catequese, razão pela qual deve ser continuamente e devidamente
valorizada.
a) Faz nascer no homem interesses, interrogações, esperanças
e ansiedade, reflexões e julgamentos que confluem num certo desejo de
transformar a existência. A tarefa da catequese é tornar as pessoas atentas às
suas mais importantes experiências, ajudá-las a julgar, à luz do Evangelho, as
questões e necessidades que nascem dessas experiências, educá-las a uma nova
impostação da vida. Desse modo, a pessoa será capaz de comportar-se de modo
ativo e responsável diante do dom de Deus.
b) A experiência favorece a inteligibilidade da mensagem
cristã. Isso bem corresponde ao modo de agir de Jesus, que se serviu de
experiências e situações humanas para mostrar realidades escatológicas e
transcendentes e, ao mesmo tempo, ensinar a atitude a ser assumida diante
dessas realidades. Sob este aspecto, a experiência é mediação necessária para
explorar e assimilar as verdades que constituem o conteúdo objetivo da
revelação.
c) As funções agora expostas ensinam que a experiência assumida
pela fé torna-se, de certo modo, âmbito de manifestação e de realização da
salvação, onde Deus, coerentemente com a pedagogia da encarnação, alcança o
homem com a sua graça e o salva. O catequista deve ajudar a pessoa a ler nesta
ótica a própria vivência, para descobrir o convite do Espírito Santo à
conversão, ao compromisso, à esperança, e assim descobrir sempre mais o projeto
de Deus na própria vida.
153. Iluminar e interpretar a experiência
com o dado da fé torna-se uma tarefa estável da pedagogia catequética, não
isenta de dificuldades, mas que não pode ser transcurada, sob pena de se cair
em justaposições artificiais ou em compreensões integristas da verdade.
Isso se torna possível a partir de uma
correta aplicação da correlação ou interação entre experiências humanas
profundas (68) e a mensagem revelada. É o que amplamente nos testemunham o
anúncio dos profetas, a pregação de Cristo e o ensinamento dos Apóstolos que,
por isso, constituem o critério que alicerça e regulamenta cada encontro entre fé
e experiência humana no tempo da Igreja.
A memorização na catequese (69)
154. A catequese faz parte daquela «
Memória » da Igreja, que mantém viva entre nós a presença do Senhor. (70) O
exercício da memória constitui, portanto, um aspecto constitutivo da pedagogia
da fé, desde os primórdios do cristianismo. Para superar os riscos de uma
memorização mecânica, a aprendizagem mnemônica deve inserir-se harmoniosamente
entre as diversas funções de aprendizagem, tais como a reação espontânea e a
reflexão, o momento do diálogo e do silêncio, a relação oral e o trabalho
escrito.(71)
Em particular, como objeto de
memorização, devem ser oportunamente consideradas as principais fórmulas da fé,
porque asseguram uma mais precisa exposição da mesma e garantem um precioso
patrimônio comum doutrinal, cultural e lingüístico. O domínio seguro da
linguagem da fé é condição indispensável para viver essa mesma fé.
É preciso, porém, que tais fórmulas sejam
propostas como síntese, após um prévio caminho de explicação, que sejam fiéis à
mensagem cristã. Aqui se situam algumas fórmulas maiores e textos da Bíblia, do
dogma, da liturgia, as orações bem conhecidas pela tradição cristã (Símbolo
Apostólico, Pai Nosso, Ave Maria...).(72)
« As flores da fé e da piedade, se assim
se pode dizer, não nascem nas zonas desertas de uma catequese sem memória. O
essencial é que estes textos memorizados sejam, ao mesmo tempo, interiorizados,
e compreendidos pouco a pouco na sua profundidade, para se tornarem fonte de
vida cristã pessoal e comunitária ». (73)
155. Ainda mais profundamente, a
aprendizagem das fórmulas da fé e a sua profissão crente devem ser
compreendidas no curso do tradicional e profícuo exercício da « traditio »
e «redditio », pelo qual à entrega da fé na catequese (traditio)
corresponde a resposta do destinatário da catequese, ao longo do caminho
catequético e, depois, na vida (redditio). (74)
Este processo favorece uma melhor
participação na verdade recebida. É correta e madura aquela resposta pessoal
que respeita plenamente o sentido genuíno do dado de fé, e mostra compreender a
linguagem usada para expressá-lo (bíblica, litúrgica, doutrinal...).
Papel do catequista (75)
156. Nenhuma metodologia, por quanto
possa ser experimentada, dispensa a pessoa do catequista em cada uma das fases
do processo de catequese.
O carisma que lhe é dado pelo Espírito,
uma sólida espiritualidade e um transparente testemunho de vida constituem a
alma de todo método, e somente as próprias qualidades humanas e cristãs
garantem o bom uso dos textos e de outros instrumentos de trabalho.
O catequista é, intrinsecamente, um
mediador que facilita a comunicação entre as pessoas e o mistério de Deus, e
dos sujeitos entre si e com a comunidade. Por isso, deve empenhar-se a fim de
que a sua visão cultural, condição social e estilo de vida não representem um
obstáculo ao caminho da fé, criando sobretudo as condições mais apropriadas
para que a mensagem cristã seja buscada, acolhida e aprofundada.
O catequista não esquece que a adesão
crente das pessoas é fruto da graça e da liberdade e, portanto, faz com que sua
atividade seja sempre amparada pela fé no Espírito Santo e pela oração.
Enfim, de substancial importância é a
relação pessoal do catequista com o destinatário da catequese. Tal relação se
nutre de paixão educativa, de engenhosa criatividade, de adaptação e, ao mesmo
tempo, de máximo respeito pela liberdade e amadurecimento da pessoa.
Em razão do seu sábio acompanhamento, o
catequista realiza um dos mais preciosos serviços da ação catequética: ajuda os
destinatários da catequese a distinguirem a vocação para a qual Deus os chama.
A atividade e criatividade dos
catequizados (76)
157. A participação ativa daqueles que
são catequizados, no seu próprio processo formativo, é plenamente conforme, não
apenas à genuína comunicação humana, mas especificamente à economia da
revelação e da salvação. De fato, no estado ordinário da vida cristã, os
crentes são chamados a responder ativamente ao dom de Deus, individualmente e
em grupo, através da oração, da participação nos sacramentos e nas demais ações
litúrgicas, no empenho eclesial e social, no exercício da caridade, da promoção
dos grandes valores humanos, tais como a liberdade, a justiça, a paz e a
salvaguarda da criação.
Na catequese, portanto, os destinatários
da catequese assumem o empenho de exercitar-se na atividade da fé, da esperança
e da caridade, de adquirir a capacidade e retidão de julgamento, de reforçar a
decisão pessoal de conversão e de prática cristã da vida.
Os próprios destinatários da catequese,
sobretudo quando se trata de adultos, podem contribuir eficazmente para o
desenvolvimento da catequese, indicando as vias mais eficazes de compreensão e
expressão da mensagem, tais como: « o aprender fazendo », o emprego da pesquisa
e do diálogo, o intercâmbio e o confronto de pontos de vista.
Comunidade, pessoa e catequese (77)
158. A pedagogia catequética torna-se
eficaz, à medida que a comunidade cristã se torna referência concreta e
exemplar para o caminho de fé dos indivíduos. Isso ocorre se a comunidade se propõe
como fonte, lugar e meta da catequese. Concretamente, então, a comunidade se
torna lugar visível de testemunho de fé, provê à formação de seus membros,
acolhe-os como família de Deus, constituindo-se ambiente vital e permanente de
crescimento da fé. (78)
Junto ao anúncio do Evangelho de forma
pública e coletiva, permanece sempre indispensável o contato de pessoa a
pessoa, a exemplo de Jesus e dos Apóstolos. De tal maneira, é mais facilmente
envolvida a consciência pessoal, e o dom da fé, como é próprio da ação do
Espírito Santo, chega ao sujeito de pessoa a pessoa, e a força de persuasão se
faz mais incisiva. (79)
A importância do grupo (80)
159. O grupo tem uma importante função
nos processos de desenvolvimento das pessoas. Isto vale também tanto para a
catequese das crianças, favorecendo a boa socialização das mesmas, quanto para
a catequese dos jovens, para os quais o grupo constitui quase uma necessidade
vital na formação da sua personalidade, e até mesmo para os adultos entre os
quais se promove um estilo de diálogo, de compartilha e de co-responsabilidade
cristã.
O catequista, que participa da vida do
grupo e sente e valoriza a sua dinâmica, reconhece e atua, como sua tarefa
primária e específica, a de ser, em nome da Igreja, testemunha ativa do Evangelho,
capaz de participar aos outros os frutos da sua fé madura e de estimular, com
inteligência, a busca comum.
Além de ser um fator didático, o grupo
cristão é chamado a ser experiência de comunidade e forma de participação à
vida eclesial, encontrando na mais ampla comunidade eucarística, a sua meta e a
sua plena manifestação. Jesus disse: « Onde dois ou três estiverem reunidos em
meu nome, ali estou eu no meio deles » (Mt 18,20).
A comunicação social (81)
160. « O primeiro areópago dos tempos
modernos é o mundo das comunicações que está unificando a humanidade... Os
meios de comunicação social alcançaram tamanha importância que são para muitos
o principal instrumento de informação e formação, de guia e inspiração dos
comportamentos individuais, familiares e sociais ». (82) Por isso, além dos
numerosos meios tradicionais em uso, « a utilização dos meios de comunicação
social tornou-se essencial à evangelização e à catequese ».(83) De fato, « a
Igreja viria a sentir-se culpável diante do seu Senhor, se ela não lançasse mão
destes meios potentes que a inteligência humana torna cada dia mais
aperfeiçoados. (...) Neles ela encontra uma versão moderna e eficaz do púlpito.
Graças a eles, ela consegue falar à multidões ». (84)
São considerados tais, embora a título
diferente: televisão, rádio, imprensa, discos, fitas magnéticas, vídeo e
audio-cassetes, CDs, enfim, todos os meios audiovisuais. (85) Cada um desses
meios desempenha um próprio serviço e cada um deles requer um uso específico; é
preciso respeitar as exigências e avaliar a importância de cada um.(86) Numa
catequese bem programada, tais subsídios não podem, portanto, ser omitidos.
Favorecer uma ajuda recíproca entre as Igrejas, para suprir os custos de
aquisição e de gestão de tais meios, custos estes, às vezes muito elevados, é
um verdadeiro serviço à causa do Evangelho.
161. O bom uso dos meios de comunicação
social requer dos agentes da catequese, um sério empenho de conhecimento, de
competência e de qualificado e atualizado emprego. Mas, sobretudo, pela forte
incidência sobre a cultura que os meios de comunicação social contribuem a
elaborar, não se deve jamais esquecer que « não é suficiente, portanto, usá-los
para difundir a mensagem cristã e o Magistério da Igreja, mas é necessário
integrar a mensagem nesta « nova cultura », criada pelas modernas
comunicações... com novas linguagens, novas técnicas, novas atitudes
psicológicas ».(87) Somente assim, com a graça de Deus, a mensagem evangélica
tem a capacidade de penetrar na consciência de cada um e de « obter a próprio
favor, uma adesão e um compromisso realmente pessoal ». (88)
162. Os operadores e os usuários da
comunicação devem poder receber a graça do Evangelho. Isso leva os catequistas
a considerarem particulares categorias de pessoas: os próprios profissionais
dos meios de comunicação social, aos quais mostrar o Evangelho como grande
horizonte de verdade, de responsabilidade, de inspiração; as famílias — tão
expostas às influências dos meios de comunicação — para a sua defesa, mas
sobretudo em vista de uma maior capacidade crítica e educativa; (89) as jovens
gerações, que são as usuárias dos meios de comunicação social, além de serem
seus sujeitos criativos. Recorde-se a todos que « no uso e na recepção dos
instrumentos decomunicação, tornam-se urgentes tanto uma ação educativa em
vista do senso crítico, animado pela paixão à verdade, quanto uma ação de
defesa da liberdade, do respeito pela dignidade pessoal, da elevação da
autêntica cultura dos povos ». (90)
IV PARTE
OS
DESTINATÁRIOS DA CATEQUESE
Os destinatários da catequese
« Eu te estabeleci como luz das nações, a
fim de que a minha salvação chegue até as extremidades da terra » (Is 49,6).
« Ele foi a Nazaré, onde fora criado, e, segundo seu costume, entrou em dia de
Sábado na sinagoga e levantou-se para fazer a leitura.
Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías; abrindo-o, encontrou o lugar onde
está escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para
evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos
a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para
proclamar um ano de graça do Senhor.
Enrolou o livro, entregou-o ao servente e sentou-se. Todos na sinagoga
olhavam-no, atentos. Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu aos vossos
ouvidos essa passagem da Escritura » (Lc 4,16-21).
« O Reino diz respeito a todos » (Rm 15)
(91)
163. No início do seu ministério, Jesus
proclama ter sido enviado para anunciar aos pobres a boa nova, (92) fazendo
transparecer, e confirmando-o depois, com a sua vida, que o Reino de Deus é
destinado a todos os homens, a partir daqueles que são os menos favorecidos. De
fato, Ele se faz de catequista do Reino de Deus, para todas as
categorias e pessoas: grandes e pequenos, ricos e pobres, sãos e enfermos,
próximos e distantes, judeus e gentios, homens e mulheres, justos e pecadores,
povo e autoridades, indivíduos e grupos... É disponível a cada pessoa e se
interessa por todas as suas necessidades: da alma e do corpo, curando e
perdoando, corrigindo e encorajando, com palavras e com fatos.
Jesus conclui a sua vida terrena,
convidando os discípulos a fazerem o mesmo, a pregarem o Evangelho a toda
criatura do mundo, (93) a « todas as nações » (Mt 28,19; Lc 24,47)
« até os confins da terra » (At 1,8) e por todos os tempos, « até a
consumação dos séculos » (Mt 28,20).
164. É a tarefa que a Igreja realiza há
dois mil anos, com uma imensa variedade de experiências de anúncio e catequese,
continuamente solicitada pelo Espírito de Pentecostes a cumprir o seu débito de
evangelização « para com os gregos e os bárbaros, para com os sábios e os
ignorantes » (Rm 1,14).
Configuram-se, assim, as linhas de uma
pedagogia da fé, na qual se conjugam estreitamente a abertura universalista da
catequese e a sua exemplar encarnação no mundo dos destinatários.
Significado e finalidade desta parte
165. A necessária atenção às diferentes e
várias situações de vida das pessoas (94) leva a catequese a percorrer
múltiplas vias, para encontrá-las e tornar a mensagem cristã adaptada às diversas
exigências. (95)
Assim, se se considera a condição de fé
inicial, abre-se a via dos catecúmenos e neófitos; a atenção ao desenvolvimento
da fé dos batizados induz a falar de catequese de aprofundamento, ou de
recuperação para aqueles que necessitam ainda de orientações essenciais. Se se
considera o desenvolvimento físico e psíquico dos catequizandos, a catequese se
articula segundo a idade. Estar atentos, ao invés, aos contextos
socioculturais, significa impostar uma catequese por categorias.
166. Não podendo abordar de modo
pormenorizado os diversos tipos possíveis de catequeses, consideram-se nesta
parte somente alguns aspectos que são de relevo em qualquer situação:
– aspectos gerais da adaptação
catequética (I Capítulo);
– catequese segundo as idades (II
Capítulo);
– catequese para quem vive situações
especiais (III Capítulo);
– catequese segundo contextos (IV
Capítulo).
Aborda-se assim, em termos operativos, o
problema da inculturação, em relação aos conteúdos da fé, às pessoas e ao
contexto cultural.
Caberá às Igrejas particulares, nos seus
diretórios catequéticos nacionais e regionais, dar orientações mais específicas
e determinadas, com base nas concretas condições e necessidades locais.
I
CAPÍTULO
A adaptação ao destinatário. Aspectos gerais
Necessidade e direito de todo fiel de
receber uma válida catequese (96)
167. Todo batizado, porque chamado por
Deus à maturidade da fé, necessita e, portanto, tem o direito a uma catequese
adequada. É, por isso, tarefa primária da Igreja responder a este direito, de
maneira totalmente congruente e satisfatória.
Neste sentido, recorda-se, antes de
qualquer outra coisa, que o destinatário do Evangelho é « um homem concreto
e histórico », (97) sempre radicado em determinada situação, sempre
influenciado, conscientemente ou não, por condicionamentos psicológicos,
sociais, culturais e religiosos. (98)
No processo de catequese, o destinatário
deve poder manifestar-se sujeito ativo, consciente e co-responsável, e não puro
receptor silencioso e passivo.(99)
Necessidade e direito da comunidade (100)
168. A atenção ao indivíduo não deve
fazer esquecer que a catequese tem como destinatário a comunidade cristã como
tal, e cada pessoa no âmbito desta. Se, de fato, é de toda a vida da Igreja que
a catequese recebe legitimidade e energia, também é verdade que « o crescimento
interior da Igreja, a sua correspondência ao desígnio de Deus que dependem da
mesma catequese ». (101)
Portanto, a necessária adaptação do
Evangelho diz respeito e envolve também a comunidade enquanto tal.
A adaptação quer que o conteúdo da
catequese seja como um alimento sadio e adequado (102)
169. A « adaptação da pregação da Palavra
revelada deve permanecer lei de toda evangelização ». (103) Isso tem uma
intrínseca motivação teológica no mistério da encarnação, corresponde a uma
elementar exigência pedagógica da sadia comunicação humana, reflete a prática
da Igreja ao longo dos séculos.
Tal adaptação deve ser entendida como
ação tipicamente materna da Igreja, que reconhece as pessoas como «
cooperadores de Deus » (1 Cor 3,9), não a serem condenadas, mas a serem
cultivadas na esperança. Vai ao encontro de cada uma dessas, considera
seriamente a variedade de situações e culturas, e mantém a comunhão de tantos,
na única Palavra que salva. Desta maneira, o Evangelho é transmitido genuíno e
saboroso, alimento sadio e, ao mesmo tempo, adequado. Toda iniciativa singular
deve inspirar-se neste critério e valer-se dos recursos de criatividade e
genialidade do catequista.
A adaptação considera as diversas
circunstâncias
170. A adaptação realiza-se segundo as
diversas circunstâncias em que se transmite a Palavra de Deus. (104) Essas
circunstâncias são determinadas pelas « diferenças de culturas, de idades, da
vida espiritual, de situações sociais e eclesiais daqueles a quem a catequese é
dirigida ». (105) Tais circunstâncias deverão ser atentamente consideradas.
Recorde-se também que, no pluralismo das
situações, a adaptação leva sempre em consideração a totalidade da pessoa e a
sua unidade essencial, segundo a visão que dela tem a Igreja. Por isso, a
catequese não se detém apenas na consideração dos elementos exteriores de uma
determinada situação, mas considera também o mundo íntimo da pessoa, a verdade
sobre o ser humano, « primeira e fundamental via da Igreja ». (106) Isso
determina um processo de adaptação que é tanto mais condizente, quanto mais
forem consideradas as interrogações, as aspirações e as necessidades da pessoa,
no seu mundo interior.
II
CAPÍTULO
A catequese por idades
Indicações gerais
171. A catequese, segundo as diferentes
idades, é uma exigência essencial para a comunidade cristã. Por um lado, de
fato, a fé participa do desenvolvimento da pessoa; por outro lado, cada fase da
vida é exposta ao desafio da descristianização e deve, acima de tudo, aceitar como
um desafio, as tarefas sempre novas da vocação cristã.
Oferecem-se, pois, por direito,
catequeses por idades, diversificadas e complementares, provocadas pelas
necessidades e capacidades dos destinatários. (107)
Para tanto, é indispensável prestar atenção
a todos os elementos em jogo, antropológico-evolutivos e teológico-pastorais,
valendo-se também dos dados atualizados da ciências humanas e pedagógicas,
relativos a cada idade.
Tratar-se-á também de integrar sabiamente
as diversas etapas do caminho de fé, prestando particular atenção para que a
catequese dirigida à infância encontre harmonioso cumprimento nas fases
posteriores.
Também por esta razão, é pedagogicamente
eficaz fazer referência à catequese dos adultos e, à sua luz, orientar a
catequese dos demais momentos da vida.
Aqui indicar-se-ão apenas alguns
elementos de ordem geral e a título de exemplo, deixando especificações
ulteriores aos diretórios catequéticos das Igrejas particulares e das
Conferências dos Bispos.
A Catequese dos adultos (108)
Os adultos aos quais se dirige a
catequese (109)
172. O discurso de fé com os adultos deve
levar seriamente em consideração as experiências vividas e os condicionamentos
e desafios que eles encontram na vida. As suas exigências e necessidades de fé
são múltiplas e várias. (110)
Conseqüentemente, podem-se distinguir:
– adultos crentes, que vivem
coerentemente a sua opção de fé e desejam sinceramente aprofundá-la;
– adultos que, embora batizados, não
foram adequadamentecatequizados ou não levaram a termo o caminho da iniciação
cristã, ou se distanciaram da fé, tanto que podem até mesmo ser chamados «
quase catecúmenos »; (111)
– adultos não batizados, aos quais
corresponde o verdadeiro e próprio catecumenato. (112)
Devem ser também mencionados os adultos
que provêm de confissões cristãs que não estão em plena comunhão com a Igreja
Católica.
Elementos e critérios próprios da
catequese dos adultos
(113)
173. A catequese dos adultos diz respeito
a pessoas que têm o direito e o dever de levar ao amadurecimento o germe da fé
que Deus lhes deu, (114) tanto mais que são chamados a desempenhar
responsabilidades sociais de vários tipos; ela dirige-se a pessoas que estão
expostas a transformações e a crises às vezes muito profundas. Em razão disso,
a fé do adulto deve ser continuamente iluminada, desenvolvida e protegida, para
adquirir aquela sabedoria cristã que dá sentido, unidade e esperança às
múltiplas experiências da sua vida pessoal, social e espiritual. A catequese
dos adultos exige uma cuidadosa identificação das características típicas do
cristão adulto na fé, a fim de traduzi-las em objetivos e conteúdos, determinar
certas constantes na exposição, fixar as indicações metodológicas mais eficazes
e escolher as formas e os modelos. Uma especial atenção merece a figura e a
identidade do catequista dos adultos e a sua formação; e quem são os
responsáveis pela catequese dos adultos na comunidade. (115)
174. Entre os critérios que asseguram uma
catequese dos adultos autêntica e eficaz, é preciso recordar: (116)
– a atenção aos destinatários na sua
situação de adultos, como homens e como mulheres, cuidando, portanto, dos seus
problemas e experiências, dos recursos espirituais e culturais, em pleno
respeito pelas diferenças;
– a atenção à condição leiga dos adultos,
aos quais o Batismo confere a possibilidade de « procurar o Reino de Deus,
exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus » (117) e ao mesmo
tempo os chama à santidade; (118)
– a atenção ao envolvimento da
comunidade, para que seja lugar de acolhimento e de apoio do adulto;
– a atenção a um projeto orgânico de
pastoral dos adultos, no qual a catequese se integre com a formação litúrgica e
com o serviço da caridade.
Tarefas gerais e particulares da
catequese dos adultos
(119)
175. Para responder às instâncias mais
profundas dos nossos tempos, a catequese dos adultos deve propor a fé cristã na
sua integridade, autenticidade e organização sistemática, segundo a compreensão
que dela possui a Igreja, colocando em primeiro plano o anúncio da salvação,
iluminando as muitas dificuldades, pontos obscuros, mal-entendidos,
preconceitos e objeções atualmente em circulação, mostrando a incidência
espiritual e moral da mensagem, introduzindo à leitura crente da Sagrada
Escritura e à prática da oração. Um fundamental serviço para a catequese dos
adultos é fornecido pelo Catecismo da Igreja Católica e, com referência a este,
pelos Catecismos dos adultos das Igrejas singulares.
Em particular, são tarefas da catequese
dos adultos:
– Promover a formação e o amadurecimento
da vida no Espírito de Cristo ressuscitado através de meios adequados: pedagogia sacramental, retiros,
direção espiritual...
– Educar à justa avaliação das
transformações socioculturais na nossa sociedade à luz da fé. Dessa
maneira, o povo cristão é ajudado a discernir os verdadeiros valores e também
os perigos da nossa civilização, e a assumir as atitudes convenientes.
– Esclarecer as atuais questões
religiosas e morais, ou seja, aquelas questões que se apresentam aos homens
do nosso tempo, como, por exemplo, as relativas à moral pública e individual,
às questões sociais, à educação das novas gerações.
– Esclarecer as relações existentes
entre a ação temporal e a ação eclesial, mostrando as mútuas distinções,
implicações e, portanto, a medida da devida interação. Com este objetivo, a
doutrina social da Igreja é parte integrante da formação dos adultos.
– Desenvolver os fundamentos racionais
da fé. A reta compreensão da fé e das verdades a se crer estão em
conformidade com as exigências da razão humana e o Evangelho é sempre atual e
pertinente. É necessário, por isso, promover eficazmente uma pastoral do
pensamento e da cultura cristã. O que permitirá superar certas formas de
integrismo e de fundamentalismo, assim como uma interpretação arbitrária e
subjetiva.
– Formar à assunção de
responsabilidades na missão da Igreja e a saber dar um testemunho cristão na
sociedade.
O adulto é ajudado a descobrir, valorizar
e atuar aquilo que recebeu por natureza e por graça, seja na comunidade
eclesial que vivendo no âmbito de uma comunidade humana. Dessa forma, poderá
também superar as insídias da massificação e do anonimato, particularmente
freqüentes em algumas sociedades atuais, que levam à perda da identidade e ao
descrédito das qualidades e recursos que uma pessoa possui.
Formas particulares de catequese dos
adultos (120)
176. Existem situações e circunstâncias
em que se impõem formas especiais de catequese:
– a catequese da iniciação cristã ou
catecumenato dos adultos. Ela tem todo o seu ordenamento expresso no OICA;
– a catequese ao Povo de Deus nas formas
tradicionais devidamente adaptadas, ao longo do ano litúrgico, ou na forma
extraordinária das missões;
– a catequese de aperfeiçoamento,
dirigida àqueles que têm uma tarefa de formação na comunidade: catequistas ou
aqueles que estão engajados no apostolado dos leigos;
– a catequese a ser desenvolvida por
ocasião de eventos particularmente significativos da vida, tais como o
matrimônio, o batismo dos filhos e os demais sacramentos da iniciação cristã,
nos períodos críticos do crescimento juvenil, na doença, etc. São
circunstâncias nas quais as pessoas são, mais do que nunca, induzidas a buscar
o verdadeiro sentido da vida;
– a catequese por ocasião de experiências
particulares, como o ingresso no trabalho, o serviço militar, a emigração...
São mudanças que podem gerar enriquecimento interior, mas também momentos de
desorientamento, razão pela qual se sente a necessidade da luz e do amparo da
Palavra de Deus;
– a catequese que se refere ao uso
cristão do tempo livre, por ocasião, particularmente, das férias e das viagens
turísticas;
– a catequese por ocasião de eventos
particulares relativos à vida da Igreja e da sociedade.
Estas e tantas outras particulares formas
de catequese se colocam lado a lado, sem substituí-los, aos cursos de catequese
sistemática, orgânica e permanente que toda comunidade eclesial deve garantir a
todos os adultos.
A catequese das crianças e dos
adolescentes (121)
Situação e importância da infância e da
adolescência (122)
177. Esta fase de idade, tradicionalmente
dividida em primeira infância ou idade pré-escolar e adolescência, aos olhos da
fé e daprópria razão, tem como própria a graça do início da vida. Nesta idade,
« ...nascem preciosas possibilidades para a edificação da Igreja e para a
humanização da sociedade », (123) a serem assumidas. Filha de Deus graças ao
dom do Batismo, a criança é proclamada por Cristo membro privilegiado do Reino
de Deus. (124)
Por diversas razões, hoje talvez mais do
que ontem, a criança requer pleno respeito e ajuda nas suas exigências de
crescimento humano e espiritual, também através da catequese, que não pode
jamais faltar às crianças cristãs. Quem, de fato, deu-lhe a vida,
enriquecendo-a com o dom do Batismo, tem o dever de alimentá-la em sua
continuidade.
Características da catequese das crianças
e dos adolescentes (125)
178. A catequese das crianças é
necessariamente conexa com a sua situação e condição de vida, e é obra de
diversos agentes educativos, complementares entre si.
Podem ser indicados alguns fatores que
revestem uma particular importância e têm extensão universal:
– A infância e a adolescência, cada qual
compreendida e tratada segundo a peculiaridade que lhes é própria, representam
o tempo da primeira socialização e da educação humana e cristã na família, na
escola e na Igreja e, portanto, devem ser compreendidas como um momento
decisivo para o futuro sucessivo da fé.
– Segundo uma tradição consolidada, este
é, habitualmente, o período em que se cumpre a iniciação cristã inaugurada pelo
Batismo. Com o recebimento dos sacramentos, se visa a primeira formação
orgânica da fé da criança e a sua introdução na vida da Igreja. (126)
– No período da infância, o processo
catequético será, por isso, eminentemente educativo, atento a desenvolver
aqueles recursos humanos que formam o substrato antropológico da vida de fé,
tais como o senso da confiança, da gratuidade, do dom de si, da invocação, da
alegre participação... A educação à oração e a iniciação à Sagrada Escritura
são aspectos centrais da formação cristã das crianças. (127)
– Enfim, deve-se estar atentos à
importância de dois lugares educativos vitais: a família e a escola. A
catequese familiar é, de certo modo, insubstituível, antes de mais nada, pelo
ambiente positivo e acolhedor, persuasivo pelo exemplo dos adultos, e pela
primeira explícita sensibilização e prática da fé.
179. O ingresso na escola significa, para
a criança, a entrada numa sociedade mais ampla do que a família, com a
possibilidade dedesenvolver muito mais as suas capacidades intelectivas, afetivas
e comportamentais. Na escola, freqüentemente, é ministrado um específico ensino
religioso.
Tudo isso requer que a catequese e os
catequistas mantenham uma colaboração constante com os genitores e também com
os professores da escola, segundo as oportunidades fornecidas pelo contexto.
(128) Os pastores devem recordar-se que quando ajudam os genitores e os
educadores a bem desempenhar a missão que lhes cabe, é a Igreja que está sendo
edificada. Além disso, este trabalho oferece uma ótima ocasião para a catequese
dos adultos. (129)
Crianças e adolescentes sem apoio
religioso familiar ou que não freqüentam a escola (130)
180. Existem, na verdade, e em larga
escala, crianças e adolescentes gravemente prejudicados, uma vez que lhes falta
um adequado amparo religioso familiar, ou porque não têm uma verdadeira
família, ou porque não freqüentam a escola, ou porque sofrem condições de
instabilidade social, de desadaptação, ou ainda por outros motivos ambientais.
Muitos deles não são nem mesmo batizados; outros não levam a termo o caminho da
iniciação. Cabe à comunidade cristã ocupar-se deles, mediante um generoso,
competente e realista serviço de suplência, buscando o diálogo com as famílias,
propondo formas educativas escolares apropriadas, criando uma catequese proporcional
às possibilidades e às necessidades concretas das crianças.
A catequese dos jovens (131)
Puberdade, adolescência e juventude (132)
181. Em termos gerais, é preciso observar
que a crise espiritual e cultural que oprime o mundo (133) faz as suas primeiras
vítimas nas jovens gerações. Assim como é verdade que o empenho em favor de uma
sociedade melhor encontra nestas as suas melhores esperanças.
Isso deve estimular ainda mais a Igreja a
realizar, corajosamente e criativamente, o anúncio do Evangelho ao mundo
juvenil.
A propósio, a experiência sugere o quanto
seja útil para a catequese distinguir, na idade juvenil, a puberdade, a
adolescência e a juventude, valendo-se oportunamente dos resultados da pesquisa
científica e das condições de vida nos diversos países. Nas regiões mais
desenvolvidas, é particularmente sentida a questão da puberdade: não se leva em
consideração o bastante as dificuldades, as necessidades e os recursos humanos
e espirituais dos pré-adolescentes, tanto que, em relação a eles, se pode falar
de idade negada.
Tantíssimas vezes, nesse período, o
menino e a menina, recebendo o sacramento da Crisma, conclui o processo da
iniciação cristã mas, ao mesmo tempo, distancia-se totalmente da prática da fé.
É preciso levar seriamente em consideração tal fato, desenvolvendo um
específico cuidado pastoral, valendo-se dos recursos formativos fornecidos pelo
próprio caminho da iniciação.
No que diz respeito às outras duas
categorias, é útil distinguir a adolescência da juventude, embora na consciência
de que é difícil definir, de maneira unívoca, o significado das mesmas.
Globalmente, aqui se compreende aquele período da vida que antecede a assunção
das responsabilidades próprias dos adultos.
Também a catequese ao mundo juvenil deve
ser profundamente revista e potencializada.
A importância da juventude para a
sociedade e a Igreja
(134)
182. Se a Igreja vê os jovens como «
esperança », também os sente hoje como « um grande desafio para o futuro da
própria Igreja ». (135)
A rápida e tumultuosa transformação
cultural e social, o aumento numérico, o afirmar-se de um consistente período
de juventude antes de assumir as responsabilidades de adulto, a falta de
empregos e, em certos países, as condições de permanente subdesenvolvimento, as
pressões da sociedade de consumo..., tudo isso colabora para a definição do
planeta jovem como o mundo da expectativa, e não raramente, do desencanto, do
tédio e até mesmo da angústia e da marginalização. O distanciamento da Igreja
ou, pelo menos, uma atitude de desconfiança em relação a ela, existe em muitos
jovens como um comportamento de fundo. Nele refletem-se, freqüentemente, a
carência do amparo espiritual e moral das famílias e as fraquezas da catequese
recebida.
Por outro lado, em tantos jovens, é forte
e impetuoso o impulso da busca de um sentido, da solidariedade, do empenho
social, da própria experiência religiosa...
183. Daí derivam algumas conseqüências em
vista da catequese.
O serviço à fé percebe, antes de mais
nada, as luzes e as sombras da condição juvenil, assim com existem,
concretamente, nas diversas regiões e ambientes da vida.
O coração da catequese é a explícita
proposta de Cristo ao jovem do Evangelho, (136) proposta direta a todos os
jovens, sob medida para os jovens, na atenta compreensão dos seus problemas. No
Evangelho, de fato, eles aparecem como diretos interlocutores de Cristo, que
lhes revela a « singular riqueza » e, ao mesmo tempo, os empenha num projeto de
crescimento pessoal e comunitário de decisivo valor para os destinos da
sociedade e da Igreja. (137)
Por isso, os jovens não devem ser
considerados somente objeto de catequese, mas sim « sujeitos ativos,
protagonistas da evangelização e artífices da renovação social ». (138)
Características da catequese dos jovens (139)
184. Dada a amplidão da tarefa, cabe
certamente aos diretórios catequéticos das Igrejas particulares e das
Conferências dos Bispos, nacionais e regionais, especificar, em mérito ao
contexto, o que convém aos lugares singularmente considerados.
Podem-se indicar certas linhas gerais
comuns:
– Ter-se-á presente a variedade da
situação religiosa: há jovens que não foram nem mesmo batizados, outros que não
completaram a iniciação cristã ou estão vivendo uma crise de fé às vezes grave,
e outros ainda que são propensos a fazer ou já fizeram uma opção de fé e pedem
para ser ajudados.
– Não se deve também esquecer que se
torna muito profícua aquela catequese que se pode desenvolver no interior de
uma mais ampla pastoral dos pré-adolescentes, adolescentes e dos jovens, a qual
considera o conjunto dos problemas que dizem respeito à vida deles. Com este
objetivo, a catequese deve ser integrada com certos procedimentos, como a
leitura da situação, a atenção às ciências humanas e à educação, a colaboração
dos leigos e dos próprios jovens.
– A bem regulada ação de grupo, a
filiação a válidas associações juvenis (140) e o acompanhamento pessoal ao
jovem, acompanhamento que inclui, como fato eminente, a direção espiritual, são
mediações muito úteis para uma eficaz catequese.
185. Entre as diversas formas de
catequese juvenil devem ser previstas, de acordo com as situações, o
catecumenato juvenil em idade escolar, catequese da iniciação cristã, catequese
sobre temáticas programadas, outros encontros mais ou menos ocasionais e
informais...
Em termos mais globais, a catequese aos
jovens deve ser proposta com percursos novos, abertos à sensibilidade e aos
problemas desta idade, que são de ordem teológica, ética, histórica, social...
Em particular, obtêm o seu justo posto a educação à verdade e à liberdade segundo
o Evangelho, a formação da consciência, a educação ao amor, o discurso
vocacional, o engajamento cristão na sociedade e a responsabilidade missionária
no mundo. (141) É preciso ressaltar, todavia, que freqüentemente, a
evangelização contemporânea dos jovens deve adotar uma dimensão missionária
muito mais do que uma dimensão estritamente catecumenal. De fato, a
situação obriga freqüentemente o apostolado dos jovens a ser animação juvenil
de índole humanizadora e missionária, como primeiro passo necessário
para que amadureçam as disposições mais favoráveis ao momento estritamente
catequético. Por isso, muitas vezes, na realidade, é oportuno intensificar a ação
précatecumenal no interior de processos globais educativos.
Uma das questões a serem afrontadas e
resolvidas diz respeito à diferença de « linguagem » (mentalidade,
sensibilidade, gostos, estilo, vocabulário...) entre jovens e Igreja (catequese,
catequistas). Insiste-se, portanto, sobre a necessidade de uma « adaptação
da catequese aos jovens », sabendo traduzir na sua linguagem, « com paciência e
sabedoria, a mensagem de Jesus, sem a trair ». (142)
Catequese dos anciãos (143)
A terceira idade, dom de Deus à Igreja
186. Em diversos países do mundo, o
crescente número das pessoas anciãs representa uma nova e específica tarefa
pastoral para a Igreja. Sentidas não raramente como objeto passivo, mais ou
menos incômodas, estas pessoas, à luz da fé, devem ser, ao invés, compreendidas
como dom de Deus para a Igreja e para a sociedade, às quais deve ser endereçada
também uma adequada catequese. Elas têm o direito e o dever de receber tal
catequese, como todos os cristãos.
É preciso levar em consideração a
diversidade de condição pessoal, familiar, social, e em particular, a provação
da solidão e o risco da marginalização. A família tem uma função primária
porque, nela, o anúncio da fé pode dar-se num clima de acolhimento e de amor
que, melhor do que qualquer outro, confirma a validade da Palavra.
Em todo caso, a catequese aos anciãos
associa, ao conteúdo da fé, a presença cordial do catequista e da comunidade de
fé. Por esta razão, é desejável que os anciãos participem plenamente do caminho
catequético da comunidade.
A catequese da plenitude e da esperança
187. A catequese aos anciãos dá atenção
aos particulares aspectos de sua condição de fé: o ancião pode ter alcançado a
idade em que se encontra, com uma fé sólida e rica; nesse caso, a catequese
leva, de certo modo, à plenitude, o caminho percorrido, em atitude de
agradecimento e de confiante expectativa; outros vivem uma fé mais ou menos
obscurecida e uma prática cristã frágil; nesse caso, a catequese se torna
momento de nova luz e experiência religiosa; outras vezes, o ancião chega a
essa fase de sua vida com profundas feridas na alma e no corpo: a catequese o
ajuda a viver a sua condição, na atitude da invocação, do perdão e da paz
interior.
Em cada caso, a condição do ancião requer
uma catequese da esperança que provém da certeza do encontro definitivo com
Deus.
É sempre um benefício para ele e um
enriquecimento para a comunidade, se o ancião que crê testemunha uma fé que
irradia sempre mais, na medida em que ele se aproxima do grande momento do
encontro com o Senhor.
Sabedoria e diálogo (144)
188. A Bíblia nos apresenta o homem
ancião crente como o símbolo da pessoa rica de sabedoria e de temor a Deus e,
portanto, como o depositário de uma intensa experiência de vida, que o torna,
de certo modo, « catequista » natural da comunidade. Ele, de fato, é testemunha
da tradição da fé, mestre de vida, operador de caridade. A catequese valoriza
esta graça, ajudando a pessoa anciã a redescobrir as ricas possibilidades que
estão dentro dela, ajudando-a a assumir papéis catequéticos no mundo das
crianças — das quais freqüentemente são os avós tão queridos —, no mundo dos
jovens e entre os adultos. Deste modo, se favorece um fundamental diálogo entre
gerações, no âmbito da família e da comunidade.
III
CAPÍTULO
Catequese para situações especiais, mentalidades, ambientes
A catequese para excepcionais e
desadaptados (145)
189. Toda comunidade cristã considera
como pessoas prediletas do Senhor aquelas que, particularmente entre as
crianças, sofrem de qualquer tipo de deficiência física e mental e de outras
formas de dificuldades. Uma maior consciência social e eclesial e os inegáveis
progressos da pedagogia especial fazem com que a família e outros lugares de
formação possam hoje oferecer, a essas pessoas, uma adequada catequese, à qual
têm direito, como batizadas, e se não batizadas, como chamadas à salvação. O
amor do Pai para com estes filhos mais frágeis e a contínua presença de Jesus
com o seu Espírito nos dão a confiante certeza de que toda pessoa, por mais
limitada que seja, é capaz de crescer em santidade.
A educação na fé, que envolve antes de
mais nada a família, requer itinerários adequados e personalizados, leva em
consideração as indicações da pesquisa pedagógica, e é atuada proficuamente no
contexto de uma global educação da pessoa. Por outro lado, deve-se evitar o
risco de que uma catequese necessariamente especializada acabe por permanecer à
margem da pastoral comunitária. Para que isso não ocorra, é preciso que a
comunidade seja constantemente advertida e envolvida. As peculiares exigências
desta catequese requerem, dos catequistas, uma específica competência e tornam
ainda mais louvável o serviço dos mesmos.
A catequese das pessoas marginalizadas
190. Na mesma perspectiva deve ser
considerada a catequese dirigida a pessoas em situações de marginalidade, ou
próximas a ela, ou já caídas na marginalização, tais como os imigrados, os
refugiados, os nômades, as pessoas sem habitação fixa, os doentes crônicos, os
toxicômanos, os presos... A palavra solene de Jesus, que ensina como feito a
Ele próprio todo gesto de bondade realizado a « um desses pequeninos » (Mt 25,40;
45), garante a graça de bem atuar em ambientes difíceis. Sinais permanentes da
validade da catequese são a capacidade de distinguir a diversidade das
situações, de se dar conta das necessidades e das exigências de cada um, de ter
como meta importante o encontro pessoal, com uma paciente e generosa dedicação,
de proceder com confiança e realismo, recorrendo a formas muitas vezes
indiretas e ocasionais de catequese. A comunidade apoiará fraternalmente os
catequistas que se dedicam a este serviço.
A catequese para os grupos diferenciados
191. A catequese, hoje em dia, deve
afrontar destinatários que, em razão da especificidade profissional e, de modo
mais amplo, cultural, exigem peculiares itinerários.
Neste contexto estão incluídas a
catequese para o mundo operário, para os profissionais liberais, para os
artistas, os homens da ciência, para a juventude universitária... São
categorias de pessoas vivamente recomendadas no âmbito do caminho comum da
comunidade cristã.
É claro que todos estes setores
necessitam de abordagens competentes e de uma linguagem apropriada aos
destinatários, mantendo plena fidelidade à mensagem que se pretende transmitir.
(146)
A catequese ambiental
192. O serviço à fé, atualmente, tem
grande consideração pelos ambientes ou contextos de vida, uma vez que neles, a
pessoa desenvolve concretamente a própria existência, recebe influências e
influencia, e exerce as próprias responsabilidades.
Em linhas gerais e a título de exemplo,
devemos recordar dois ambientes mais amplos, o rural e o urbano, que requerem
formas diferenciadas de catequese.
A catequese dirigida às pessoas do campo
reflete necessariamente as necessidades que aí nascem, necessidades
freqüentemente ligadas à pobreza e à miséria, acompanhadas, não raramente, pelo
medo e pela superstição, mas também ricas de simplicidade, de confiança na
vida, de senso de solidariedade, de fé em Deus e de fidelidade às tradições
religiosas.
A catequese dirigida às pessoas da cidade
deve levar em consideração uma variedade, às vezes extrema, de situações que
vão de áreas exclusivas de bem-estar a bolsões de pobreza e de marginalização.
Os ritmos de vida tornam-se freqüentemente estressantes, a mobilidade é fácil,
não poucas são as solicitações à evasão e à falta de compromisso, freqüentes
são as situações de penoso anonimato e de solidão...
Para cada um desses ambientes será
necessário criar um adequado serviço à fé, valorizando catequistas preparados,
produzindo oportunos subsídios, recorrendo aos recursos dos meios de
comunicação social...
IV
CAPÍTULO
Catequese no contexto sócio-religioso
A catequese em situação de pluralismo e
de complexidade (147)
193. Muitas comunidades e indivíduos
singularmente considerados são chamados a viver num mundo pluralista e
secularizado, (148) onde podem ser encontradas formas de incredulidade e de
indiferença religiosa, mas também formas vivazes de pluralismo cultural e
religioso; em muitas pessoas, mostra-se forte a busca de certezas e de valores,
mas não faltam também formas espúrias de religião e um incerta adesão à fé.
Diante desta condição de complexidade, pode acontecer que diversos cristãos se
sintam confusos e perdidos, não saibam confrontar-se com as situações, nem
julgar as mensagens que nelas estão contidas, abandonem uma regular prática
religiosa e acabem por viver como se Deus não existisse, recorrendo
freqüentemente a sucedâneos pseudo-religiosos. A fé dessas pessoas é exposta a
provas e ameaçada, corre o risco de se extinguir e morrer, se não for
continuamente alimentada e promovida.
194. Torna-se indispensável uma catequese
evangelizadora, ou seja, « uma catequese cheia de linfa evangélica e servida
por uma linguagem adaptada ao tempo e às pessoas ». (149) Ela visa educar os
cristãos ao sentido da sua identidade de batizados, de crentes e de membros da
Igreja, abertos ao mundo e em diálogo com ele. Recorda-lhes os elementos
fundamentais da fé, estimula-os a um real processo de conversão, aprofunda
neles a verdade e o valor da mensagem cristã diante das objeções teóricas e
práticas, ajuda-os a discernir e a viver o Evangelho no cotidiano, torna-os
aptos a dar razão da esperança que está neles, (150) encoraja-os a exercitar a
sua vocação missionária, através do testemunho, do diálogo e do anúncio.
A catequese em relação à religiosidade
popular (151)
195. Nas comunidades cristãs
encontram-se, não raramente, particulares expressões de busca de Deus e de vida
religiosa, carregadas de fervor e de pureza de intenções, às vezes comoventes,
que podem ser chamadas de « piedade popular ». « Ela traduz em si uma certa sede
de Deus, que somente os pobres e os simples podem experimentar; ela torna as
pessoas capazes de rasgos de generosidade e as predispõe ao sacrifício até as
raias do heroísmo, quando se trata de manifestar a fé; ela comporta um apurado
sentido dos atributos profundos de Deus: a paternidade, a providência, a
presença amorosa e constante, etc. Ela, além disso, suscita atitudes interiores
que raramente se observam alhures no mesmo grau: paciência, sentido da cruz na
vida cotidiana, desapego, aceitação dos outros, dedicação, devoção, etc. ».
(152) É uma realidade rica e ao mesmo tempo vulnerável, na qual a fé, que está
na sua base, pode ter necessidade de purificação e de reforço.
Requer-se, portanto, uma catequese que,
de tal recurso religioso, seja capaz de « captar as dimensões interiores e os
inegáveis valores, ajudando-a a superar os riscos de desvio. Bem orientada,
esta religiosidade popular pode vir a ser, cada vez mais, para as nossas massas
populares, um verdadeiro encontro com Deus em Jesus Cristo ». (153)
196. Também a veneração dos fiéis pela
Mãe de Deus tem assumido formas variadas, segundo as circunstâncias de tempo e
de lugar, a diversa sensibilidade dos povos e a sua diferente tradição
cultural. As formas com que tal piedade mariana se exprime, sujeitas à usura do
tempo, mostram-se carentes de uma catequese renovada, que permita substituir
nelas aqueles elementos caducos, valorizar aqueles que são perenes e incorporar
os dados doutrinais adquiridos pela reflexão teológica e propostos pelo
magistério eclesiástico.
Uma tal catequese é sumamente necessária.
É também conveniente que ela exprima claramente a nota trinitária, cristológica
e eclesial, intrínseca à mariologia. Além disso, ao rever ou criar exercícios
de piedade mariana, devem ser levadas em consideração as orientações bíblicas,
litúrgicas, ecumênicas e antropológicas. (154)
A catequese no contexto ecumênico (155)
197. Toda comunidade cristã, pelo fato de
ser tal, é levada pelo Espírito Santo a reconhecer a sua vocação ecumênica na
situação emque se encontra, participando do diálogo ecumênico e das iniciativas
destinadas a realizar a unidade dos cristãos. A catequese, portanto, é chamada
a assumir sempre e em todos os lugares uma « dimensão ecumênica ». (156) Esta
dimensão se realiza, antes de mais nada, com a exposição de toda a revelação
que tem a Igreja Católica como depositária, no respeito pela hierarquia das
verdades; (157) em segundo lugar, a catequese evidencia a unidade de fé que
existe entre os cristãos e, ao mesmo tempo, explica as divisões que subsistem e
os passos que devem ser feitos para superá-las; (158) além disso, a catequese
suscita e alimenta um verdadeiro desejo de unidade, em particular através do
amor à Sagrada Escritura; e enfim, empenha-se a preparar as crianças, jovens e
adultos a viverem em contato com os irmãos e irmãs de outras confissões,
cultivando a própria identidade católica, no respeito pela fé dos demais.
198. Em presença de diferentes confissões
cristãs, os Bispos podem julgar oportunas, e até mesmo necessárias, determinadas
experiências de colaboração, no âmbito do ensinamento religioso. É importante
que aos católicos seja assegurada, de uma outra maneira e ainda com maior
cuidado, uma catequese especificamente católica. (159)
Também o ensino da religião, ministrado
na escola, onde estão presentes membros de diversas confissões cristãs,
reveste-se de valor ecumênico quando a doutrina cristã é genuinamente
apresentada. Tal ensino, de fato, oferece a ocasião de um diálogo, mediante o
qual podem ser superados ignorância e preconceitos, e pode ser favorecida a
abertura a uma melhor compreensão recíproca.
A catequese em relação ao hebraísmo
199. Uma atenção especial deve ser dada à
catequese relativa à religião hebraica. (160) De fato, « a Igreja, Povo de Deus
na Nova Aliança, descobre, ao perscrutar o seu próprio mistério, seus vínculos
com o Povo Hebreu, a quem Deus falou por primeiro ». (161)
« O ensino religioso, a catequese e a
pregação devem formar não apenas à objetividade, à justiça e à tolerância, mas
também à compreensão e ao diálogo. As nossas duas tradições têm um alto grau de
parentesco; não podem, por isso, ignorar-se. É necessário encorajar um
recíproco conhecimento em todos os níveis ». (162) De modo particular, um
objetivo da catequese é a superação de toda e qualquer forma de anti-semitismo.
(163)
A catequese no contexto de outras
religiões (164)
200. Os cristãos hoje, vivem, no mais das
vezes, num contexto multi-religioso, e não poucos, em condições de minoria. Em
tal situação, particularmente no que diz respeito ao Islamismo, a catequese se
reveste de uma importância relevante e é chamada a assumir uma responsabilidade
delicada, que desemboca em outras tarefas.
Antes de mais nada, ela aprofunda e
reforça a identidade dos crentes, particularmente onde eles são minoria,
mediante uma adaptação ou inculturação conveniente, num necessário confronto
entre o Evangelho de Jesus Cristo e a mensagem das demais religiões. Neste
processo, são indispensáveis comunidades cristãs sólidas e fervorosas, bem como
catequistas autóctones bem preparados.
Em segundo lugar, a catequese ajuda a nos
tornarmos conscientes da presença de outras religiões. Necessariamente, ela
torna os fiéis capazes de distinguir, nessas outras religiões, os elementos que
se contrapõem ao anúncio cristão, mas os educa também a captar as sementes
evangélicas (semina Verbi) que nelas existem e que podem constituir uma
autêntica preparação evangélica.
Em terceiro lugar, a catequese promove em
todos os crentes, um vivo senso missionário. Este se manifesta através de um
límpido testemunho da fé, através de uma atitude de respeito e de recíproca
compreensão, através do diálogo e da colaboração em defesa dos direitos da
pessoa humana e em favor dos pobres e, onde for possível, também através do
explícito anúncio do Evangelho.
A catequese em relação aos « novos
movimentos religiosos » (165)
201. No clima de relativismo religioso e
cultural, e às vezes também em virtude de uma não reta conduta dos cristãos,
proliferam atualmente « novos movimentos religiosos », também denominados de
seitas ou cultos, com abundância de nomes e de tendências, difíceis de ordenar
no âmbito de um quadro orgânico e preciso. Por quanto nos seja possível
entender, podem distinguir-se movimentos de matriz cristã, outros que derivam
de religiões orientais e outros ainda que se baseiam em tradições esotéricas.
Despertam preocupações pelas doutrinas e práticas de vida que freqüentemente se
distanciam dos conteúdos da fé cristã. Continua a ser necessário, portanto,
promover em favor dos cristãos cuja fé está exposta ao risco « o empenho em
favor de uma evangelização e de uma catequese integrais e sistemáticas, que
devem ser acompanhadas de um testemunho capaz detraduzir tais ensinamentos em
vivência ». (166) Trata-se, de fato, de superar a grave insídia da ignorância e
do preconceito, ajudar os fiéis a encontrarem corretamente a Escritura,
suscitando entre eles vivas experiências de oração, defendendo-os dos
semeadores de erros, educando-os à responsabilidade pela fé recebida,
fazendo-se presente com a força do amor evangélico, quando existem perigosas
situações de solidão, de pobreza e de sofrimento. Pelo anseio religioso que
tais movimentos podem exprimir, eles merecem ser considerados como um «
areópago a ser evangelizado », no qual os problemas mais sentidos podem
encontrar resposta. « A Igreja tem em Cristo, que se proclamou « o Caminho, a
Verdade e a Vida » (Jo 14,6), um imenso patrimônio espiritual a oferecer
à humanidade ». (167)
V
CAPÍTULO
A Catequese no contexto sócio-cultural (168)
Catequese e cultura contemporânea (169)
202. « Da catequese, como da
evangelização em geral, nós podemos dizer que ela é chamada a levar a força do
Evangelho ao coração da cultura e das culturas ». (170) Os princípios da
adaptação e da inculturação catequética já foram expostos precedentemente.
(171) Agora, basta reafirmar que o discurso catequético tem como guia
necessária e eminente a « regra da fé », ilustrada pelo Magistério e
aprofundada pela teologia. Deve-se considerar também que a história da catequese,
particularmente no tempo dos Padres, é, em tantos aspectos, história da
inculturação da fé e, como tal, merece ser estudada e meditada; uma história
que, por outro lado, jamais se detém e que exige tempos longos, de contínua
assimilação do Evangelho.
Neste capítulo são expostas indicações de
método para uma tarefa tão necessária quanto exigente, além de bastante difícil
e exposta aos riscos do sincretismo e de outros mal-entendidos. Pode-se dizer
que, sobre este tema, hoje particularmente importante, é necessária uma maior
reflexão programada e universal, em relação à experiência catequética.
Tarefas de uma catequese para a
inculturação da fé (172)
203. Formam um conjunto orgânico e são, a
seguir, sinteticamente enumeradas:
– conhecer em profundidade a cultura das
pessoas e o grau de penetração nas suas vidas;
– reconhecer a presença da dimensão
cultural no próprio Evangelho, afirmando que este não nasce de um húmus
cultural humano e, por outro lado, reconhecendo como o Evangelho não possa ser
isolado das culturas nas quais se inseriu a princípio, e nas quais se tem
expresso no curso dos séculos;
– anunciar a profunda transformação, a
conversão que o Evangelho, enquanto força « transformadora e regeneradora »,
(173) opera nas culturas;
– testemunhar a transcendência e não
exaustão do Evangelho na cultura e, ao mesmo tempo, distinguir os germes
evangélicos que podem estar presentes nesta;
– promover uma nova expressão do
Evangelho segundo a cultura evangelizada, visando obter uma linguagem da fé que
seja patrimônio comum entre os fiéis e, portanto, fator fundamental de
comunhão;
– manter íntegros os conteúdos da fé da
Igreja e procurar que a explicação e o esclarecimento das fórmulas doutrinais
da Tradição sejam propostas tendo-se em conta a situação cultural e histórica
dos destinatários, evitando sempre mutilações e falsificações dos conteúdos.
Processo metodológico
204. A catequese, ao mesmo tempo em que
deve evitar toda e qualquer manipulação de uma cultura, também não pode
limitar-se simplesmente à justaposição do Evangelho a esta, « de maneira
decorativa », mas sim deverá propô-lo « de maneira vital, em profundidade » e
isto até às suas raízes, à cultura e às culturas do homem. (174)
Isso determina um processo dinâmico,
feito de diversos momentos que interagem entre si: esforçar-se por escutar, na
cultura das pessoas, o eco (pressagio, invocação, sinal...) da Palavra de Deus;
discernir aquilo que é autêntico valor evangélico ou, pelo menos, é aberto ao
Evangelho daquilo que não o é; purificar o que está sob o sinal do pecado
(paixões, estruturas do mal...) ou da fragilidade humana; penetrar nas pessoas,
estimulando uma atitude de radical conversão a Deus, de diálogo com os demais e
de paciente amadurecimento interno.
Necessidades e critérios de avaliação
205. Em fase de avaliação, tanto mais
necessária quando se apresenta um caso de tentativa inicial eou de
experimentação, dever-se-á observar com muito cuidado se no processo
catequético se tenham infiltrado elementos de sincretismo. Em tal caso, as
tentativas de inculturação seriam perigosas e errôneas, e deveriam ser
corrigidas.
Em termos positivos, é correta aquela
catequese que não apenas provoca uma assimilação intelectual do conteúdo da fé,
mas também toca o coração e transforma a conduta. Deste modo, a catequese gera
uma vida dinâmica e unificada da fé, preenche o abismo entre aquilo que se crê
e aquilo que se vive, entre a mensagem cristã e o conteúdo cultural, estimula
frutos de santidade.
Responsáveis pelo processo de
inculturação
206. « A inculturação deve envolver todo
o Povo de Deus, e não apenas alguns peritos, dado que o povo reflete aquele
sentido da fé, que é necessário nunca perder de vista. Que ela seja guiada e
estimulada, mas nunca forçada, para não provocar reações negativas nos
cristãos: deve ser uma expressão da vida comunitária, ou seja, amadurecida no
seio da comunidade, e não fruto exclusivo de investigações eruditas ». (175) O
processo de encarnação do Evangelho, que é o objetivo específico da
inculturação, exige uma participação, na catequese, por parte de todos aqueles
que vivem no mesmo contexto cultural: o clero, os agentes pastorais
(catequistas), o mundo dos leigos.
Formas e vias privilegiadas
207. Entre as formas mais apropriadas de
inculturação da fé, é útil recordar a catequese dos jovens e dos adultos, pela
possibilidade de correlacionar mais incisivamente fé e vida. A inculturação da
fé não pode deixar de ser considerada na iniciação cristã das crianças,
exatamente pelas notáveis implicações culturais de tal processo: aquisição de
novas motivações de vida, educação da consciência, aprendizagem da linguagem
bíblica e sacramental, conhecimento da importância histórica do cristianismo.
Uma via privilegiada é a catequese
litúrgica, pela riqueza de sinais com que é expressa a mensagem e pela
possibilidade de acesso que oferece, a grande parte do Povo de Deus; deve ser
também revalorizados os conteúdos dos Lecionários, a estrutura do Ano
Litúrgico, a homilia dominical e outras ocasiões de catequeses particularmente
significativas (matrimônios, funerais, visitas aos enfermos, festas dos
santos padroeiros, etc.); é central a atenção dispensada à família, agente
primário da iniciação a uma transmissão encarnada da fé; reveste-se de peculiar
interesse a catequese em situação multiétnica e multicultural, uma vez que leva
ainda mais atentamente a descobrir e a considerar os recursos dos diversos
grupos, no acolher e no expressar a fé recebida.
A linguagem (176)
208. A inculturação da fé, sob certos
aspectos, é obra da linguagem. Isto faz com que a catequese respeite e valorize
a linguagem própria da mensagem, antes de mais nada, a linguagem bíblica, mas
também a linguagem histórico-tradicional da Igreja (Símbolo, liturgia) e
a chamada linguagem doutrinal (fórmulas dogmáticas); além disso, é necessário
que a catequese entre em comunicação com formas e termos próprios da cultura da
pessoa à qual se dirige; enfim, é preciso que a catequese estimule novas
expressões do Evangelho na cultura na qual este foi implantado.
No processo de inculturação do Evangelho,
a catequese não deve ter receio de usar fórmulas tradicionais e termos técnicos
da fé, mas oferecer o significado dos mesmos e mostrar o seu relevo
existencial; e, por outro lado, é dever da catequese « encontrar uma linguagem
adaptada às crianças, aos jovens do nosso tempo em geral e ainda a muitas
outras categorias de pessoas: linguagem para os estudantes, para os
intelectuais e para os homens da ciência; linguagem para os analfabetos e para
as pessoas de cultura elementar; linguagem para os excepcionais, etc. (177)
Os meios de comunicação
209. Intrinsecamente ligados à linguagem
são os modos da comunicação. Um dos mais eficazes e penetrantes é o dos mass
media. « A evangelização da cultura moderna depende, em grande parte, da
sua influência ». (178)
Remetendo ao que se afirma a esse
respeito noutra parte, (179) recordam-se aqui alguns indicadores úteis para a
inculturação: uma mais ampla valorização dos meios de comunicação, segundo a
sua específica qualidade comunicativa, sabendo equilibrar devidamente a
linguagem da imagem com a linguagem da palavra; a salvaguarda do senso
religioso genuíno nas formas expressivas escolhidas; a promoção do
amadurecimento crítico dos receptores e o estímulo ao aprofundamento pessoal do
que foi captado através dos meios de comunicação; a produção de subsídios
catequéticos para os mass media, congruentes com o objetivo; uma
profícua colaboração entre agentes pastorais. (180)
210. Um instrumento considerado central
no processo de inculturação é o Catecismo. Antes de mais nada, o Catecismo da
Igreja Católica, cuja « vasta gama de serviços é preciso saber evidenciar...
também em vista da inculturação, a qual, para ser eficaz. não pode jamais
deixar de ser verdadeira ». (181)
O Catecismo da Igreja Católica requer
expressamente a redação de Catecismos locais apropriados, nos quais possam ser
atuadas as adaptações... exigidas pelas diferenças de culturas, de idades, da
vida espiritual e das situações sociais e eclesiais daqueles a quema catequese
é dirigida. (182)
Âmbitos antropológicos e tendências
culturais
211. O Evangelho solicita uma catequese
aberta, generosa e corajosa no alcançar as pessoas onde elas vivem, de modo
particular encontrando aquelas encruzilhadas da existência onde se dão os
intercâmbios culturais elementares e fundamentais, como a família, a escola, o
ambiente de trabalho, o tempo livre.
Também é importante para a catequese
saber distinguir e penetrar naqueles ambientes antropológicos nos quais as
tendências culturais têm maior impacto, para a criação ou difusão de modelos de
vida, tais como o mundo urbano, o fluxo turístico e migratório, o universo dos
jovens e outros fenômenos socialmente relevantes...
Enfim « são outros tantos setores a serem
iluminados pela luz do Evangelho » (183) aquelas áreas culturais que são
denominadas « areópagos modernos », tais como a área da comunicação, a área dos
esforços civis em favor da paz, o desenvolvimento, a libertação dos povos e a
salvaguarda da criação; a área da defesa dos direitos das pessoas, sobretudo
das minorias, da mulher e da criança; a área da pesquisa científica e das
relações internacionais...
Intervenção nas situações concretas
212. O processo de inculturação operado
pela catequese é chamado a confrontar-se continuamente com situações concretas
múltiplas e diferentes. Pretendemos enumerar aqui algumas das mais relevantes e
freqüentes.
Em primeiro lugar, é necessário
distinguir a inculturação em países de recente origem cristã, onde o primeiro
anúncio missionário deve ainda consolidar-se, e a inculturação em países de
tradição cristã, que necessitam de uma nova evangelização.
É preciso levar em consideração, também,
as situações expostas a tensões e conflitos em relação a fatores como o
pluralismo étnico, o pluralismo religioso, as diferenças de desenvolvimento às
vezes gritantes, a condição urbana e extra-urbana de vida, os sistemas
dominantes de significado, os quais, em certos países, são influenciados pela
maciça secularização, e em outros, por uma forte religiosidade.
Enfim, se buscará ter presente aquelas
tendências culturalmente significativas no território, representadas pelas
várias classes sociais e profissionais, tais como homens da ciência e da
cultura, mundo operário, jovens, marginalizados, estrangeiros, excepcionais...
Em termos mais gerais, « a formação dos
cristãos terá na máxima conta a cultura humana do lugar, a qual contribui para
a própria formação e ajudará a avaliar tanto o valor inerente à cultura
tradicional, como o proposto pela moderna. Dê-se a devida atenção também às
várias culturas que possam coexistir num mesmo povo e numa mesma nação ». (184)
Tarefas das Igrejas locais (185)
213. A inculturação compete às Igrejas
particulares e se refere a todos os âmbitos da vida cristã. A catequese é um
desses aspectos. Exatamente pela natureza da inculturação, que acontece no
concreto e na especificidade das situações, « uma legítima atenção para com as
Igrejas particulares não pode senão vir a enriquecer a Igreja. Tal atenção,
aliás, é indispensável e urgente ». (186)
Com este objetivo e de maneira muito
oportuna, as Conferências dos Bispos dos diversos países do mundo, estão
propondo Diretórios catequéticos (e instrumentos análogos), catecismos e
subsídios, laboratórios e centros de formação. À luz do conteúdo expresso no
presente Diretório, torna-se necessário operar uma revisão e uma atualização
das diretrizes locais, estimulando o concurso dos centros de pesquisa,
valendo-se da experiência dos catequistas e favorecendo a participação do
próprio Povo de Deus.
Iniciativas guiadas
214. A importância do assunto e, por
outro lado, a indispensável fase de pesquisa e de experimentação, exigem
iniciativas guiadas pelos legítimos Pastores. Tais iniciativas são:
– favorecer uma catequese difusa e
capilar, que sirva a superar, antes de mais nada, o grave obstáculo de toda
inculturação que é a ignorância ou a má informação. Isso permite aquele diálogo
e envolvimento direto das pessoas, que indicam melhor eficazes vias de anúncio;
– realizar experiências-piloto de
inculturação da fé, no âmbito de um programa estabelecido pela Igreja. Em
particular, assume um papel influente a prática do catecumenato dos adultos
segundo o OICA;
– se na mesma área eclesial, existem
múltiplos grupos étnicos e lingüísticos, é oportuno dispor de guias e
Diretórios traduzidos nas diversas línguas, promovendo, através de centros
catequéticos, um serviço catequético homogêneo a cada grupo;
– estabelecer um diálogo de recíproca
escuta e de comunhão entre as Igrejas locais e entre estas e a Santa Sé. Isso
permite verificar certas experiências, critérios, itinerários e instrumentos de
trabalho para a inculturação, mais válidos e atualizados.
QUINTA
PARTE
A
CATEQUESE NA IGREJA PARTICULAR
A Catequese na Igreja particular
« Depois subiu à montanha, e chamou a si
os que ele queria, e eles foram até ele. E constituiu Doze, para que ficassem
com ele, para enviá-los a pregar, e terem autoridade para expulsar os demônios
» (Mc 3,13-15).
« Jesus respondeu-lhe: « Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque
não foi carne ou sangue que te revelaram isso, e sim o meu Pai que está nos
céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha
Igreja » (Mt 16,17-18).
« A Igreja de Jerusalém, impulsionada pelo Espírito Santo, gera as Igrejas: «
Igreja de Jerusalém » (At 8,1); « A Igreja de Deus que está em Corinto » (1 Cor
1,2); « As Igrejas da Ásia » (1 Cor 16,19); « As Igrejas da Judéia » (Gl 1,22);
« As sete Igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes,Filadélfia e
Laodicéia » (cf. Ap 1,20; 3,14).
Sentido e finalidade desta parte
215. De tudo o que foi exposto nas partes
precedentes, em relação à natureza da catequese, ao seu conteúdo, à sua
pedagogia e aos seus destinatários, emerge a pastoral catequética que, de fato,
se realiza na Igreja particular.
Esta Quinta Parte expõe os seus elementos
mais importantes.
216. No primeiro capítulo se reflete
sobre o ministério catequético e os seus agentes. A catequese é uma
responsabilidade comum, mas diferenciada. Os Bispos, os presbíteros, os
diáconos, os religiosos e os fiéis leigos atuam nela, de acordo com as suas
respectivas responsabilidades e carismas.
A formação dos catequistas, analisada no
Segundo Capítulo, é um elemento decisivo na ação catequizadora. Se é importante
dotar a catequese de válidos instrumentos, mais importante ainda é
prepararcatequistas idôneos. No Terceiro Capítulo se estudam os lugares onde,
de fato, se realiza a catequese.
No Quarto Capítulo, se estudam os
aspectos mais diretamente organizacionais da catequese: os organismos
responsáveis, a coordenação da catequese e algumas tarefas próprias do serviço
catequético.
A indicação e as sugestões oferecidas
nesta Parte, não podem deixar de encontrar imediata e contemporânea aplicação
na Igreja em todas as partes. Para aquelas nações ou regiões, nas quais a ação
catequética ainda não teve a oportunidade de alcançar um suficiente nível de
desenvolvimento, estas orientações e sugestões assinalam somente uma série de
metas a serem alcançadas gradativamente.
I
CAPÍTULO
O ministério da catequese na Igreja particular e os seus agentes
A Igreja particular (187)
217. O anúncio, a transmissão e a
experiência vivida pelo Evangelho realizam-se na Igreja particular (188) ou
Diocese. (189) A Igreja particular é constituída pela comunidade dos discípulos
de Jesus Cristo (190) que vivem encarnados num espaço sociocultural
determinado. Em toda Igreja particular « se faz presente a Igreja universal com
todos os seus elementos essenciais ». (191) Realmente, a Igreja universal,
fecundada pelo Espírito Santo no dia do Pentecostes como primeira célula, «
concebe as Igrejas particulares, como filhas, e se exprime nelas ». (192) A
Igreja universal, como Corpo de Cristo, se manifesta assim, como « Corpo das
Igrejas ». (193)
218. O anúncio do Evangelho e da
Eucaristia são as duas colunas sobre as quais se edifica e em torno das quais
se reúne a Igreja particular. Como a Igreja universal, também essa « existe
para evangelizar ». (194)
A catequese é uma ação evangelizadora
basilar de toda Igreja particular. Por meio dela, a Diocese oferece, a todos os
seus membros e a todos aqueles que se aproximam com intenção de entregar-se a
Jesus Cristo, um processo formativo que permita conhecer, celebrar, viver e
anunciar o Evangelho nos limites do próprio horizonte cultural. Desse modo, a
confissão da fé, meta da catequese, pode ser proclamada pelos discípulos de
Cristo « em nossas próprias línguas ». (195) Como em Pentecostes, também hoje,
a Igreja de Cristo, « presente e atuante » (196) nas Igrejas particulares, «
fala todas as línguas », (197) pois como árvore que cresce, lança as suas
raízes em todas as culturas.
O ministério da catequese na Igreja
particular
219. No conjunto dos ministérios e dos
serviços, com os quais a Igreja particular atua a sua missão evangelizadora,
ocupa um posto de relevo o ministério da catequese. (198) Deste, destacamos o
seguinte:
a) Na Diocese, a catequese é um serviço único, (199)
realizado conjuntamente pelos presbíteros, diáconos, religiosos e leigos, em
comunhão com o Bispo. Toda a comunidade cristã deve sentir-se responsável por
este serviço. Ainda que os sacerdotes, religiosos e leigos realizem em comum a
catequese, fazem-no em modo diferenciado, cada qual segundo a sua particular
condição na Igreja (ministros sagrados, pessoas consagradas, fiéis
cristãos). (200) Através deles, na diferença das funções de cada um, o
ministério catequético oferece, de modo completo, a Palavra e o testemunho da
realidade eclesial. Se faltasse qualquer uma dessas formas de presença, a
catequese perderia parte da própria riqueza e do próprio significado.
b) Trata-se, por outro lado, de um serviço eclesial
fundamental, indispensável para o crescimento da Igreja. Não é uma ação que se
possa realizar na comunidade a título privado ou por iniciativa puramente
pessoal. Atua-se em nome da Igreja, em virtude da missão por ela conferida.
c) O ministério catequético, no conjunto dos ministérios e
dos serviços eclesiais, tem um caráter próprio, que deriva da especificidade da
ação catequética, no âmbito do processo de evangelização. A tarefa do catequista,
como educador da fé, difere daquela que cabe a outros agentes da pastoral (litúrgica,
da caridade, social...), ainda que, obviamente, deva agir em coordenação
com estes.
d) A fim de que o ministério catequético na Diocese seja
frutuoso, ele precisa apoiar-se sobre os demais agentes, não necessariamente
catequistas diretos, os quais apoiam e sustentam a atividade catequética,
realizando tarefas que são imprescindíveis, tais como: a formação dos
catequistas, a elaboração do material, a reflexão, a organização e o
planejamento. Estes agentes, juntamente com os catequistas, estão a serviço de
um único ministério catequético diocesano, ainda que não todos desempenhem os
mesmos papéis, e nem o façam sob o mesmo título.
A comunidade cristã e a responsabilidade
de catequizar
220. A catequese é uma responsabilidade
de toda a comunidade cristã. A iniciação cristã, de fato, « não deve ser obra
somente dos catequistas ou sacerdotes, mas de toda a comunidade dos fiéis ».
(201) A própria educação permanente na fé é uma questão que cabe a toda a
comunidade. A catequese é, portanto, uma ação educativa, realizada a partir da
peculiar responsabilidade de cada membro da comunidade, num contexto ou clima
comunitário, rico de relações, a fim de que oscatecúmenos e os catequizandos se
incorporem ativamente na vida da comunidade.
Da fato, a comunidade cristã acompanha o
desenvolvimento dos processos catequéticos, tanto com as crianças quanto com os
jovens ou com os adultos, como um fato que lhe diz respeito e que a empenha
diretamente. (202) É ainda a comunidade cristã que, ao término do processo
catequético, acolhe os catecúmenos e catequizandos num ambiente fraterno « no
qual eles possam viver o mais plenamente possível aquilo que aprenderam ».
(203)
221. A comunidade cristã não apenas dá
muito ao grupo dos catequizandos, mas também recebe muito destes. Os
neo-convertidos, sobretudo os jovens e os adultos, aderindo a Jesus Cristo,
levam à comunidade que os acolhe uma nova riqueza humana e religiosa. Assim, a
comunidade cresce e se desenvolve, pois a catequese conduz à maturidade da fé
não somente os catequizandos, mas também a própria comunidade enquanto tal.
Ainda que toda a comunidade cristã seja
responsável pela catequese, e ainda que todos os seus membros devam dar
testemunho da fé, somente alguns recebem o mandato eclesial de ser catequistas.
Juntamente com a missão originária que têm os genitores em relação a seus
filhos, a Igreja confere oficialmente, a determinados membros do Povo de Deus,
especificamente chamados, a delicada missão de transmitir a fé, no seio da
comunidade. (204)
O Bispo, primeiro responsável pela
catequese na Igreja particular
222. O Concílio Vaticano II releva a
eminente importância que, no ministério episcopal, têm o anúncio e a
transmissão do Evangelho. « Entre os principais deveres dos Bispos, destaca-se
o de pregar o Evangelho ». (205) Na realização desta tarefa, os Bispos são,
antes de mais nada, « arautos da fé », (206) que buscam arrebanhar novos
discípulos para Cristo e são, ao mesmo tempo, « mestres autênticos », (207) que
transmitem ao povo a eles confiado, a fé a ser professada e vivida. No
ministério profético dos Bispos, o anúncio missionário e a catequese constituem
dois aspectos, intimamente unidos. Para realizar esta função, os Bispos recebem
« um carisma de verdade ». (208)
Os Bispos são « os primeiros responsáveis
pela catequese, os catequistas por excelência ». (209) Na história da Igreja, é
evidente o papel preponderante dos grandes e santos Bispos que, com suas
iniciativas e seus escritos, marcam o período mais esplêndido da instituição
catecumenal. Eles concebiam a catequese como uma dastarefas fundamentais de seu
ministério. (210)
223. Esta preocupação pela atividade
catequética levará o Bispo a assumir « a superior direção da catequese » (211)
na Igreja particular, responsabilidade que implica, entre outras coisas:
– Assegurar à sua Igreja a efetiva
prioridade de uma catequese ativa e eficaz, « que empenhe na atividades as
pessoas, os meios e os instrumentos e também os recursos financeiros
necessários ». (212)
– Exercitar a solicitude pela catequese,
mediante uma intervenção direta na transmissão do Evangelho aos fiéis,
vigiando, ao mesmo tempo, sobre a autenticidade da confissão da fé e sobre a
qualidade dos textos e instrumentos que devem ser utilizados. (213)
– « Suscitar e alimentar uma verdadeira
paixão pela catequese; uma paixão, porém, que se encarne numa organização
adequada e eficaz », (214) agindo com a profunda convicção da importância que
tem a catequese para a vida cristã de uma Diocese.
– Trabalhar para que « os catequistas
sejam perfeitamente preparados para a sua missão, conheçam cabalmente a
doutrina da Igreja e aprendam na teoria e na prática, as leis da Psicologia e
as disciplinas pedagógicas ». (215)
– Estabelecer, na Diocese, um projeto
global de catequese, articulado e coerente, o qual responda às verdadeiras
necessidades dos fiéis e seja adequadamente situado nos planos pastorais
diocesanos. Tal projeto deve ser coordenado, igualmente, no seu
desenvolvimento, com os planos da Conferência Episcopal.
Os presbíteros, pastores e educadores da
comunidade cristã
224. A função própria do presbítero na
tarefa catequética nasce do sacramento da Ordem que recebeu. « Pelo sacramento
da Ordem, os presbíteros, pela unção do Espírito Santo, são assinalados com um
caráter especial e assim configurados com Cristo Sacerdote, de forma a poderem
agir na pessoa de Cristo cabeça, (...) para construir e edificar todo o seu
Corpo que é a Igreja, como cooperadores da ordem episcopal ». (216) Em razão
desta configuração ontológica com Cristo, o ministério dos presbíteros é um
serviço que plasma a comunidade, que coordena e dá força aos demais serviços e
carismas. Em relação à catequese, o sacramento da Ordem constitui os
presbíteros como « educadores na fé ». (217) Esforçam-se, portanto, para que os
fiéis da comunidade se formem adequadamente e alcancem a maturidade cristã.
(218) Conscientes, por outro lado, de que o seu « sacerdócio ministerial »
(219) está a serviço do « sacerdócio comum dos fiéis », (220) os presbíteros
estimulam a vocação e o trabalho dos catequistas, ajudando-os a realizar uma
função que brota do Batismo e se exercita em virtude de uma missão que a Igreja
lhes confia. Os presbíteros realizam, assim, a recomendação do Concílio
Vaticano II, quando lhes pede que « reconheçam e promovam sinceramente a
dignidade dos leigos e suas incumbências na missão da Igreja ».(221)
225. De maneira mais concreta, na
catequese, as tarefas próprias do presbítero e, especificamente do pároco, (222)
são:
– suscitar, na comunidade cristã, o senso
da responsabilidade comum para com a catequese, como tarefa que envolve
todos, assim como o reconhecimento e o apreço para com os catequistas e a
missão que desempenham;
– cuidar da impostação de fundo da catequese
e da sua adequada programação, contando com a participação ativa dos
próprios catequistas, e estando atento para que ela seja « bem estruturada e
bem orientada »; (223)
– suscitar e distinguir vocações para
o serviço catequético e, como catequista dos catequistas, cuidar da
formação dos mesmos, dedicando a esta tarefa a máxima solicitude;
– integrar a ação catequética no projeto
evangelizador da comunidade, cuidando, em particular, do liame entre
catequese, sacramentos e liturgia;
– assegurar a conexão entre a catequese a
sua comunidade e os planos pastorais diocesanos, ajudando os catequistas
a se fazerem cooperadores ativos de um projeto diocesano comum.
A experiência comprova que a qualidade da
catequese de uma comunidade depende, em grande parte, da presença e da ação do
sacerdote.
Os genitores, primeiros educadores dos
próprios filhos à fé
(224)
226. O testemunho de vida cristã,
oferecido pelos genitores, no seio da família, chega até as crianças envolvido
em ternura e respeito materno e paterno. Os filhos se dão conta, assim, e vivem
alegremente a proximidade de Deus e de Jesus, manifestada pelos genitores, de
tal modo que esta primeira experiência cristã deixa, freqüentemente, uma marca
decisiva, que dura por toda a vida. Este despertar religioso infantil, no
âmbito familiar, tem um caráter « insubstituível ». (225)
Esta primeira iniciação consolida-se
quando, por ocasião de certos eventos familiares ou de festas, « se tiver o
cuidado de explicitar em família, o conteúdo cristão ou religioso de tais
acontecimentos ». (226) Tal iniciação se aprofunda ainda mais, se os genitores
comentam e ajudam a interiorizar a catequese mais metódica, que os seus filhos
maiores, recebem na comunidade cristã. De fato, « a catequese familiar precede,
acompanha e enriquece todas as outras formas de catequese ». (227)
227. Os genitores recebem, no sacramento
do Matrimônio, « a graça e a responsabilidade da educação cristã de seus filhos
», (228) aos quais testemunham e transmitem, ao mesmo tempo, os valores humanos
e religiosos. Tal ação educativa, ao mesmo tempo humana e religiosa, é um «
verdadeiro ministério », (229) por meio do qual se transmite e se irradia o
Evangelho, até o ponto em que a própria vida de família se torna itinerário de
fé e escola de vida cristã. À medida que os filhos crescem, também o
intercâmbio se faz recíproco e, « num diálogo catequético deste tipo, cada um
recebe e dá alguma coisa ». (230)
Por isso, é necessário que a comunidade
cristã preste uma especial atenção aos genitores. Através de contatos pessoais,
encontros, cursos e também mediante uma catequese para adultos, dirigida aos
genitores, se deve ajudá-los a assumir a tarefa, hoje particularmente delicada,
de educar os seus filhos na fé . Isto se mostra ainda mais urgente nos locais onde
a legislação civil não permite ou torna difícil uma livre educação na fé. (231)
Nesses casos, a « igreja doméstica » (232) é, praticamente, o único ambiente no
qual crianças e jovens podem receber uma autêntica catequese.
Os Religiosos na catequese
228. A Igreja convoca, de modo
particular, as pessoas de vida consagrada à atividade catequética, e deseja «
que as comunidades religiosas consagrem o máximo das suas capacidades e de suas
possibilidades à obra específica da catequese ». (233)
A contribuição peculiar à catequese,
fornecida pelos religiosos, religiosas e pelos membros das Sociedades de Vida
apostólica, deriva da sua específica condição. A profissão dos conselhos
evangélicos, que caracteriza a vida religiosa, constitui um dom para toda a
comunidade cristã. Na ação catequética diocesana, a sua original e peculiar
contribuição não poderá jamais ser um sucedâneo, nem dos sacerdotes nem dos
leigos. Esta contribuição original nasce do testemunho público de sua
consagração, que os constitui sinal vivo da realidade do Reino: « É a profissão
desses conselhos em um estado de vida estável reconhecido pela Igreja, que
caracteriza a vida consagrada a Deus ». (234) Ainda que os valores evangélicos
devam ser vividos por todo cristão, as pessoas de vida consagrada « encarnam a
Igreja desejosa de se entregar ao radicalismo das bemaventuranças ». (235) O
testemunho dos religiosos, unido ao testemunho dos leigos, mostra a face única
da Igreja, que é sinal do Reino de Deus. (236)
229. « Há muitas Famílias religiosas,
masculinas e femininas, que nasceram para a educação cristã das crianças e dos
jovens, sobretudo dos mais abandonados ». (237) Esse mesmo carisma dos
fundadores faz com que muitos religiosos e religiosas colaborem hoje na
catequese diocesana dos adultos. No curso da história « os Religiosos e as
Religiosas têm estado muito comprometidos na atividade catequética da Igreja ».
(238)
Os carismas de fundação (239) não ficam à
margem quando os religiosos assumem a tarefa catequética. Mantendo intacto o
caráter próprio da catequese, os carismas das diversas comunidades religiosas
conotam esta tarefa comum com características próprias, freqüentemente de
grande profundidade religiosa, social e pedagógica. A história da catequese
demonstra a vitalidade que estes carismas deram à ação educativa da Igreja.
Os catequistas leigos
230. Também a ação catequética dos leigos
tem um caráter peculiar, devido à sua particular condição na Igreja: « o
caráter secular é próprio dos leigos ». (240) Os leigos exercitam a catequese a
partir de sua inserção no mundo, compartilhando todas as formas de empenho com
os outros homens e revestindo a transmissão do Evangelho de sensibilidade e
conotações específicas: « esta evangelização (...) adquire características
específicas e eficácia particular pelo fato de se realizar nas condições comuns
do século ». (241)
De fato, ao compartilhar a mesma forma de
vida daqueles que catequizam, os catequistas leigos têm uma sensibilidade
especial para encarnar o Evangelho na vida concreta dos seres humanos. Os
próprios catecúmenos e catequizandos podem encontrar neles, um modelo cristão,
no qual projetar o seu futuro de crentes.
231. A vocação do leigo à catequese tem
origem no sacramento do Batismo e se fortalece pela Confirmação, sacramentos
mediante os quais ele participa do « ministério sacerdotal, profético e real »
de Cristo. (242) Além da vocação comum ao apostolado, alguns leigos sentemse
chamados interiormente por Deus, a assumirem a tarefa de catequistas. A Igreja
suscita e distingue esta vocação divina, e confere a missão de catequizar.
Dessa forma, o Senhor Jesus convida homens e mulheres, de uma maneira especial,
a segui-Lo, mestre e formador dos discípulos. Este chamado pessoal de Jesus
Cristo e a relação com Ele são o verdadeiro motor da ação do catequista. « É
deste conhecimento amoroso de Cristo que jorra o desejo de anunciáLo, de «
evangelizar », e de levar outros ao « sim » da fé em Jesus Cristo ». (243)
Sentir-se chamado a ser catequista e a
receber da Igreja a missão para fazê-lo pode adquirir, de fato, diversos graus
de dedicação, segundo as características de cada um. Às vezes, o catequista
pode colaborar com o serviço da catequese por um período limitado da sua vida,
ou até mesmo simplesmente de maneira ocasional; apesar disso, trata-se sempre
de um serviço e de uma colaboração preciosos. A importância do ministério da
catequese, todavia, aconselha que, na diocese, exista um certo número de
religiosos e de leigos estável e generosamente dedicados à catequese,
reconhecidos publicamente, os quais, em comunhão com os sacerdotes e o Bispo,
contribuem a dar a este serviço diocesano a configuração eclesial que lhe é
própria. (244)
Diversos tipos de catequista hoje
particularmente necessários
232. O tipo ou figura do catequista na
Igreja apresenta diversas modalidades, já que as necessidades da catequese são
várias.
– « Os catequistas em território de
missão », (245) aos quais este título se aplica de modo todo especial. «
Igrejas atualmente florescentes não poderiam ter sido edificadas sem eles ».
(246) Há aqueles que têm « a função específica da catequese »; (247) e há
aqueles que colaboram nas diversas formas de apostolado ». (248)
– Em algumas Igrejas de antiga
evangelização, com grande escassez de clero, há a necessidade de uma figura de
certo modo análoga àquela do catequista dos territórios de missão. Trata-se,
com efeito, de fazer frente a necessidades urgentes: a animação comunitária de
pequenas populações rurais carentes da assídua presença do sacerdote; a
conveniência de uma presença e de uma penetração missionárias « nos bairros de grandes
metrópoles ». (249)
– Nas situações dos países de tradição
cristã que requerem uma « nova evangelização », (250) a figura do catequista
dos jovens e a do catequista dos adultos tornam-se imprescindíveis
para animar a catequese de iniciação. Estes catequistas devem fornecer também a
catequese permanente. Em tais tarefas, o papel do sacerdote será igualmente
fundamental.
– Continua a ser basilar a figura do catequista
das crianças e dos adolescentes, ao qual cabe a delicada missão de oferecer
« as primeiras noções do catecismo e a preparação para o sacramento da
reconciliação, para a primeira comunhão e para a confirmação ». (251) Esta
tarefa, atualmente, é ainda mais urgente, quando as crianças e os adolescentes
« não recebem uma conveniente formação religiosa no seio de suas famílias ».
(252)
– Um tipo de catequista que é preciso
formar, é o do catequista para os encontros pré-sacramentais, (253)
destinado ao mundo dos adultos, por ocasião do Batismo ou da Primeira Comunhão
dos filhos, ou por ocasião do sacramento do Matrimônio. É uma tarefa que tem em
si uma originalidade própria, na qual confluem o acolhimento, o primeiro
anúncio e a oportunidade de tornar-se companheiro de viagem na busca da fé.
– Outros tipos de catequistas são
urgentemente exigidos por setores humanos de especial sensibilidade: as
pessoas da terceira idade, (254) que necessitam de uma apresentação do
Evangelho, adaptada à suas condições; as pessoas desadaptadas e excepcionais,
que necessitam de uma especial pedagogia catequética, (255) além da sua plena
integração na comunidade; os migrantes e as pessoas marginalizadas pela
evolução moderna. (256)
– Podem ser aconselháveis outros tipos de
catequistas. Cada Igreja particular, analisando a própria situação cultural e
religiosa, suprirá as próprias necessidades e traçará o perfil, com realismo,
dos tipos de catequista de que necessita. É uma tarefa fundamental a orientação
e a organização da formação dos catequistas.
CAPÍTULO
II
A formação para o serviço da Catequese
A pastoral dos catequistas na Igreja
particular
233. Para o bom funcionamento do
ministério catequético na Igreja particular, é fundamental poder contar, antes
de mais nada, com uma adequada pastoral dos catequistas. Nesta, diversos
aspectos devem ser levados em consideração. De fato, é preciso procurar:
– Suscitar nas paróquias e nas
comunidades cristãs, vocações para a catequese. Atualmente, considerando
o fato de que as necessidades da catequese são sempre mais diferenciadas, é
preciso promover a formação de diversos tipos de catequista. « Serão
necessários, portanto, catequistas especializados ». (257) A propósito, será
conveniente determinar os critérios de escolha.
– Promover um certo número de catequistas
a tempo integral, de modo que possam dedicar-se mais estável e intensamente
à catequese, (258) além de promover também os catequistas a tempo parcial,
que ordinariamente serão mais numerosos.
– Estabelecer uma mais equilibrada
distribuição de catequistas entre os setores dos destinatários que
necessitam de catequese. A consciência da necessidade de uma catequese para os
jovens e para os adultos, por exemplo, levará a estabelecer um maior equilíbrio
em relação ao número dos catequistas que se dedicam à infância e à adolescência.
– Promover animadores responsáveis
pela ação catequética, que assumam responsabilidade, a nível diocesano,
regional e paroquial. (259)
– Organizar adequadamente a formação
dos catequistas no que concerne tanto à formação de base quanto à formação
permanente.
– Dispensar uma atenção pessoal e
espiritual aos catequistas e ao grupo de catequistas enquanto tal. Esta
tarefa compete principal e fundamentalmente aos sacerdotes das respectivas
comunidades cristãs.
– Coordenar os catequistas com os
outros agentes da pastoral nas comunidades cristãs, a fim de que a ação
evangelizadora global seja coerente e o grupo dos catequistas não fique isolado
e alheio à vida da comunidade.
Importância da formação dos catequistas
234. Todas estas tarefas nascem da
convicção de que qualquer atividade pastoral que não conte, para a sua
realização, com pessoas realmente formadas e preparadas, coloca em risco a sua
qualidade. Os instrumentos de trabalho não podem ser verdadeiramente eficazes
se não forem utilizados por catequistas bem formados. Portanto, a adequada formação
dos catequistas não pode ser descuidada em favor da atualização dos textos
e de uma melhor organização da catequese. (260)
Conseqüentemente, a pastoral catequética
diocesana deve dar absoluta prioridade à formação dos catequistas leigos.
Juntamente com este objetivo e como elemento realmente decisivo, dever-se-á
prestar atenção à formação catequética dos presbíteros, tanto nos planos
de estudo da formação seminarista quanto no período da formação permanente. Pede-se
aos Bispos para que cuidem escrupulosamente desta formação.
Finalidade e natureza da formação dos
catequistas
235. A formação procura habilitar os
catequistas a transmitir o Evangelho àqueles que desejam entregar-se a Jesus
Cristo. A finalidade da formação requer, portanto, que o catequista se torne o
mais idôneo possível a realizar um ato de comunicação: « o objetivo essencial
da formação catequética é o de tornar apto à comunicação da mensagem cristã ».
(261)
A finalidade cristocêntrica da catequese,
que busca favorecer a comunhão do convertido com Jesus Cristo, impregna toda a
formação dos catequistas. (262) O que esta busca, de fato, não é outra coisa
senão levar o catequista a saber animar eficazmente um itinerário catequético
no qual, através das necessárias etapas, anuncie Jesus Cristo; faça conhecer a
Sua vida, enquadrando-a na totalidade da história da salvação; explique o
mistério do Filho de Deus, feito homem por nós; e enfim, ajude o catecúmeno ou
o catequizando a identificar-se com Jesus Cristo, mediante os Sacramentos da
iniciação. (263) Na catequese permanente, o catequista não faz outra coisa
senão aprofundar estes aspectos basilares.
Esta perspectiva cristológica incide
diretamente sobre a identidade do catequista e na sua preparação.
«A unidade e a harmonia do catequista
devem ser lidas nesta perspectiva cristocêntrica e construídas com base numa
profunda familiaridade com Cristo e com o Pai, no Espírito ». (264)
236. O fato de que a formação procure
tornar o catequista apto a transmitir o Evangelho em nome da Igreja, confere a
toda a formação uma natureza eclesial. A formação dos catequistas não é senão
uma ajuda a inserir-se profundamente na consciência viva e atual que a Igreja
tem do Evangelho, tornando-se assim apto a transmiti-lo em nome desta mesma
Igreja.
De maneira mais concreta, o catequista,
na sua formação, entra em comunhão com aquela aspiração da Igreja que, como
esposa, « conserva íntegra e pura a fé do Esposo » (265) e, « como mãe e mestra
» quer transmitir o Evangelho em toda a sua autenticidade, adaptando-o a todas
as culturas, idades e situações. Esta eclesialidade da transmissão do
Evangelho permeia toda a formação dos catequistas, conferindo-lhe a sua
verdadeira natureza.
Critérios inspiradores da formação dos
catequistas
237. Para conceber adequadamente a
formação dos catequistas, é preciso considerar previamente alguns critérios
inspiradores que configuram, com diferentes características, esta formação.
– Trata-se, antes de mais nada, de formar
catequistas para as necessidades evangelizadoras deste momento
histórico, com os seus valores, com os seus desafios e os seus pontos obscuros.
Para fazer frente a esta tarefa, são necessários catequistas dotados de uma
profunda fé, (266) de uma clara identidade cristã e eclesial (267) e de uma
profunda sensibilidade social. (268) Todo projeto formativo deve levar em
consideração estes aspectos.
– Na formação, ter-se-á presente também o
conceito de catequese que a Igreja hoje apresenta. Trata-se de formar
catequistas para que sejam capazes de transmitir não apenas um ensinamento, mas
também uma formação cristã integral, desenvolvendo « tarefas de iniciação, de
educação e de ensinamento ». (269) São necessários catequistas que sejam, ao
mesmo tempo, mestres, educadores e testemunhas.
– O momento catequético que a
Igreja vive é um convite a preparar catequistas capazes de superar « tendências
unilaterais divergentes » (270) e de oferecer uma catequese plena e completa.
Devem saber conjugar a dimensão verídica e significativa da fé, a ortodoxia e a
ortopraxis, o sentido social e eclesial. A formação deverá contribuir para a
mútua fecundação destes elementos que podem entrar em tensão.
– A formação dos catequistas leigos não
pode ignorar o caráter próprio do leigo na Igreja e não deve ser
concebida como mera síntese da formação recebida pelos religiosos e sacerdotes.
Aliás, será preciso levar em consideração que a sua formação apostólica assume
característica especial, a partir da índole secular e própria do laicato e da
sua espiritualidade.
– A pedagogia utilizada nesta
formação tem, enfim, uma importância fundamental. Como critério geral, é
preciso sublinhar a necessidade da coerência entre a pedagogia global da
formação catequética e a pedagogia própria de um processo catequético. Seria muito
difícil para o catequista improvisar, na sua ação, um estilo e uma
sensibilidade, para os quais não tivesse sido iniciado durante a sua própria
formação.
As dimensões da formação: o ser, o saber,
o saber fazer
238. A formação dos catequistas compreende
diversas dimensões. A mais profunda se refere ao próprio ser do
catequista, à sua dimensão humana e cristã. A formação, de fato, deve ajudá-lo
a amadurecer, antes de mais nada, como pessoa, como crente e como apóstolo.
Depois, há o que o catequista deve saber para cumprir bem a sua tarefa.
Esta dimensão, permeada pela dúplice fidelidade à mensagem e ao homem, requer
que o catequistas conheça adequadamente a mensagem que transmite e, ao mesmo
tempo, o destinatário que a recebe, além do contexto social em que vive. Enfim,
há a dimensão do saber fazer, já que a catequese é um ato de
comunicação. A formação tende a fazer do catequista um « educador do homem e da
vida do homem ». (271)
Maturidade humana, cristã e apostólica
dos catequistas
239. Com base numa inicial maturidade
humana, (272) o exercício da catequese, constantemente reconsiderado e
avaliado, possibilitará o crescimento do catequista no equilíbrio afetivo, no
senso crítico, na unidade interior, na capacidade de relações e de diálogo, no
espírito construtivo e no trabalho de grupo. (273) Tratar-se-á, antes de mais
nada, de fazê-lo crescer no respeito e no amor para com os catecúmenos e
catequizandos: « E de que gênero é essa afeição? Muito maior do que aquela que
pode ter um pedagogo, é a afeição de um pai, e mais ainda, a de uma mãe. É uma
afeição assim que o Senhor espera de cada pregador do Evangelho e de cada
edificador da Igreja ». (274)
A formação, ao mesmo tempo, estará atenta
a que o exercício da catequese alimente e nutra a fé do catequista, fazendo-o
crescer como crente. Por isso, a verdadeira formação alimenta, sobretudo, aespiritualidade
do próprio catequista, (275) de maneira que a sua ação nasça, na verdade,
do testemunho de sua própria vida. Todo tema catequético que transmite deve
alimentar, em primeiro lugar, a fé do próprio catequista. Na verdade,
catequizam os demais, catequizandoprimeiramente a si mesmos.
A formação, além disso, alimentará
constantemente, a consciência apostólica do catequista, o seu senso de
evangelizador. Por isso, ele deve conhecer e viver o projeto de evangelização
concreto da própria Igreja diocesana e o de sua paróquia, para sintonizar-se
com a consciência que a Igreja particular tem da própria missão. O melhor modo
de alimentar esta consciência apostólica é o de identificar-se com a figura de
Jesus Cristo, mestre e formador dos discípulos, procurando tornar próprio o
zelo pelo Reino, que Jesus manifestou. A partir do exercício da catequese, a
vocação apostólica do catequista, nutrida por uma formação permanente, irá
progressivamente amadurecendo.
A formação bíblico-teológica do
catequista
240. Além de ser testemunha, o catequista
deve ser mestre que ensina a fé. Uma formação bíblico-teológica lhe fornecerá
um conhecimento orgânico da mensagem cristã articulada a partir do mistério
central da fé, que é Jesus Cristo.
O conteúdo desta formação doutrinal é
exigido pelas diversas partes que compõem todo projeto orgânico de catequese:
– as três grandes etapas da história da
salvação: Antigo Testamento, vida de Jesus Cristo e história da Igreja;
– os grandes núcleos da mensagem cristã;
Símbolo, liturgia, vida moral e oração.
No seu próprio nível de ensino teológico,
o conteúdo doutrinal da formação de um catequista é o mesmo daquele que a
catequese deve transmitir. Por sua vez, « a Sagrada Escritura deverá ser como a
alma desta formação ». (276) O Catecismo da Igreja Católica será o ponto de
referência doutrinal fundamental, juntamente com os Catecismos da própria
Igreja particular ou local.
241. Esta formação bíblico-teológica
deverá possuir algumas qualidades:
a) Em primeiro lugar, é necessário que seja uma formação de
caráter sintético, que corresponda ao anúncio que se deve transmitir, e na qual
os diferentes elementos da fé cristã apareçam, bem estruturados e consoantes
entre si, numa visão orgânica, que respeite a « hierarquia das verdades ».
b) Esta síntese de fé deve ser tal, que ajude o catequista a
amadurecer na própria fé e, ao mesmo tempo, o torne apto a dar razão da
esperança presente no tempo de missão. « A formação doutrinal dos fiéis leigos
mostra-se hoje cada vez mais urgente, não só pelo natural dinamismo de
aprofundar a sua fé, mas também pela exigência de « racionalizar a esperança »
que está dentro deles, perante o mundo e os seus problemas graves e complexos
». (277)
c) Deve ser uma formação teológica muito próxima da
experiência humana, capaz de correlacionar os diferentes aspectos da mensagem
cristã com a vida concreta dos homens, « seja para inspirá-la que para julgá-la
à luz do Evangelho ». (278) Embora sendo ensinamento teológico, deve adotar, de
algum modo, um estilo catequético.
d) Finalmente, deve ser de tal maneira que o catequista « se
torne não apenas capaz de expor com exatidão a mensagem evangélica, mas que
saiba também suscitar a recepção ativa desta mesma mensagem, por parte dos
catequizandos, e que saiba distinguir, no itinerário espiritual dos mesmos,
aquilo que é conforme à fé ». (279)
As ciências humanas na formação do
catequista
242. O catequista adquire o conhecimento
do homem e da realidade em que vive, também através das ciências humanas, que,
nos nossos dias, alcançaram um grau de extraordinário desenvolvimento. « Na
pastoral sejam suficientemente conhecidos e usados não somente os princípios
teológicos, mas também as descobertas das ciências profanas, sobretudo da
psicologia e da sociologia, de tal modo que também os fiéis sejam encaminhados
a uma vida de fé mais pura e amadurecida ». (280)
É necessário que o catequista entre em
contato, pelo menos, com alguns elementos fundamentais da psicologia: os
dinamismos psicológicos que movem o homem; a estrutura da personalidade; as
necessidades e aspirações mais profundas do coração humano; a psicologia
evolutiva e as etapas do ciclo vital humano; a psicologia religiosa e as
experiências que abrem o homem ao mistério do sagrado.
As ciências sociais procuram o
conhecimento do contexto sociocultural em que o homem vive e pelo qual é
fortemente influenciado. Por isso, é necessário que, na formação do catequista,
se faça « uma análise das condições sociológicas, culturais e econômicas, uma
vez que são processos coletivos que podem ter profundas repercussões sobre a
difusão do Evangelho ». (281)
Juntamente com estas ciências
explicitamente recomendadas pelo Concílio Vaticano II, outras devem estar presentes,
de um modo ou de outro, na formação dos catequistas, particularmente as
ciências da educação e da comunicação.
Critérios vários que podem inspirar o uso
das ciências humanas na formação dos catequistas
243. Tais critérios são:
a) O respeito pela autonomia das ciências: « (a Igreja)
afirma a legítima autonomia da cultura humana e particularmente das ciências ».
(282)
b) O discernimento evangélico das diferentes tendências ou
escolas psicológicas, sociológicas e pedagógicas: os seus valores e os seus
limites.
c) O estudo das ciências humanas, na formação do catequista,
não é uma finalidade em si própria. A tomada de consciência da situação
existencial, psicológica, cultural e social do homem, se obtém com os olhos
voltados para a fé na qual se deve educá-lo. (283)
d) A teologia e as ciências humanas, na formação dos
catequistas, devem se fecundar reciprocamente. Por conseguinte, é preciso
evitar que estas ciências se convertam na única norma para a pedagogia da fé,
prescindindo dos critérios teológicos que derivam da própria pedagogia da fé.
São disciplinas fundamentais e necessárias, todavia, sempre a serviço de uma
ação evangelizadora que não é apenas humana. (284)
A formação pedagógica
244. Paralelamente às dimensões que se
referem ao ser e ao saber, a formação do catequista deve cultivar também as
suas aptidões, ou seja, o seu natural saber fazer. O catequista é um
educador que facilita o amadurecimento da fé que o catecúmeno ou o catequizando
realizam com a ajuda do Espírito Santo. (285)
A primeira realidade que é necessário
levar em consideração neste decisivo setor da formação é a de respeitar a
pedagogia original da fé. O catequista, de fato, prepara-se com a finalidade de
facilitar o crescimento de uma experiência de fé, da qual ele não é o depositário.
Essa fé foi colocada por Deus no coração do homem. A tarefa do catequista é
apenas a de cultivar este dom, cultivá-lo, alimentá-lo e ajudá-lo a crescer.
(286)
A formação procurará fazer amadurecer no
catequista a capacidade educativa, que implica: a faculdade de ter atenção para
com as pessoas, a habilidade para interpretar e responder à pergunta educativa,
a iniciativa para ativar processos de aprendizagem e a arte de conduzir um
grupo humano para a maturidade. Como acontece em toda arte, o mais importante é
que o catequista adquira o seu próprioestilo de ministrar a catequese,
adaptando à sua personalidade os princípios gerais da pedagogia catequética.
(287)
245. De maneira mais concreta, dever-se-á
habilitar o catequista, e de maneira particular, aquele que se dedica à
catequese a tempo integral, a saber programar a ação educativa, no grupo de
catequistas, ponderando as circunstâncias, elaborando um plano realista e, após
a sua realização, a avaliá-lo criticamente. (288) Ele deve ser capaz de animar
um grupo, utilizando com discernimento, as técnicas de animação de grupo que a
psicologia oferece.
Esta capacidade educativa e este saber
fazer, saber utilizar bem os conhecimentos, aptidões e técnicas que ele
comporta, « são melhor assimilados se fornecidos de pari passu com o
desenvolvimento de seu empenho apostólico; por exemplo, durante as reuniões nas
quais são preparadas e criticadas as lições de catecismo ». (289)
O objetivo ou a meta ideal é aquela,
segundo a qual os catequistas deveriam ser os protagonistas de sua
aprendizagem, colocando a formação sob o signo da criatividade e não apenas da
mera assimilação de regras externas. Por isso, a formação deve ser muito
próxima da prática: é preciso partir desta para chegar àquela. (290)
A formação dos catequistas no âmbito das
comunidades cristãs
246. Entre os caminhos da formação dos
catequistas emerge, antes de mais nada, a própria comunidade cristã. É nesta
que os catequistas experimentam a própria vocação e alimentam constantemente a
própria sensibilidade apostólica. Na tarefa de assegurar-lhes o progressivo
amadurecimento como crentes e como testemunhas, a figura do sacerdote é
fundamental. (291)
247. Uma comunidade cristã pode realizar
vários tipos de ações formativas em favor dos próprios catequistas:
a) Uma delas consiste em alimentar constantemente a vocação
eclesial dos catequistas, mantendo viva, nestes, a consciência de serem
mandados pela própria Igreja.
b) Também é muito importante buscar o amadurecimento da fé
dos próprios catequistas, através da via ordinária, mediante a qual a
comunidade cristã educa na fé os próprios agentes pastorais e os leigos mais
engajados. (292) Quando a fé dos catequistas ainda não está madura, é
aconselhável que eles partici pem do processo catecumenal para jovens e
adultos. Pode ser aquele ordinário, da própria comunidade, ou um criado
especificamente para eles.c) A preparação imediata à catequese, feita com o
grupo de catequistas, é um excelente meio de formação, sobretudo se acompanhado
pela avaliação de tudo aquilo que foi experimentado nas sessões de catequese.
d) No âmbito da comunidade, podem ser realizadas também
outras atividades formativas: cursos de sensibilização à catequese, por exemplo
no início do ano pastoral; retiros e convivências nos tempos fortes do ano
litúrgico; (293) cursos monográficos sobre temas mais necessários ou urgentes;
uma formação doutrinal mais sistemática, por exemplo estudando o Catecismo da
Igreja Católica.
São atividades de formação permanente
que, juntamente com o trabalho pessoal do catequista, mostram-se muito
convenientes. (294)
Escolas de catequistas e Centros
superiores para peritos na catequese
248. Freqüentar uma Escola para
catequistas (295) é um momento particularmente importante no processo
formativo de um catequista. Em muitos lugares, tais Escolas são organizadas num
duplo nível: para « catequistas de base » (296) e para « responsáveis pela
catequese ».
Escolas para catequistas de base
249. Estas escolas têm a finalidade de
propor uma formação catequética orgânica e sistemática, de caráter básico e
fundamental. Ao longo de um período de tempo suficientemente prolongado,
promovemse as dimensões mais especificamente catequéticas da formação: a
mensagem cristã, o conhecimento do homem e do contexto sociocultural e a pedagogia
da fé.
As vantagens desta formação orgânica são
notáveis no que concerne:
– à sua sistematicidade, tratando-se de
uma formação menos absorvida pela dimensão imediata da ação;
– à sua qualidade, assegurada por
formadores especializados;
– à integração com os catequistas de
outras comunidades, o que alimenta a comunhão eclesial.
Escolas para responsáveis
250. Com a finalidade de favorecer a
preparação dos responsáveis pela catequese nas paróquias ou áreas vicariais, ou
ainda para aqueles catequistas que se dedicarão à catequese de maneira mais
estável e integral, (297) é conveniente promover, a nível diocesano ou
interdiocesano, escolas para responsáveis.
Obviamente, o nível de tais escolas será
mais exigente. Nelas, paralelamente a um programa de base comum, serão
cultivadas aquelas especializações catequéticas que a diocese julga serem mais
necessárias, nas suas particulares circunstâncias.
Pode ser oportuno, por economia de meios
e de recursos, que tais escolas obedeçam a uma mais ampla orientação, dirigindo-se
aos responsáveis pelas diversas ações pastorais, e convertendo-se em Centros
de formação dos agentes de pastoral. A partir de uma base formativa comum
(doutrinal e antropológica), as especializações se articularão de acordo com as
exigências das diferentes ações pastorais ou apostólicas que serão confiadas a
tais agentes.
Institutos de ensino superior para
especialistas em catequese
251. Uma formação catequética de nível
superior, à qual podem aceder também sacerdotes, religiosos e leigos, é de vital
importância para a catequese. Para tanto, renovam-se os votos de que « sejam
incrementados ou criados institutos superiores de pastoral catequética, com o
objetivo de preparar catequistas que sejam aptos a dirigir a catequese em
âmbito diocesano ou no âmbito das atividades desempenhadas pelas congregações
religiosas. Estes institutos superiores poderão ser de caráter nacional ou
internacional. Eles deverão ser impostados como institutos universitários, no
que concerne à organização dos estudos, à duração dos cursos e às condições de
admissão ». (298)
Além da formação daqueles que deverão
assumir responsabilidades de direção na catequese, estes institutos prepararão
os docentes de catequética para os Seminários, as Casas de formação ou as
Escolas para catequistas. Tais Institutos se dedicarão igualmente, a promover a
correspondente pesquisa catequética.
252. Este nível de formação é muito
apropriado para uma fecunda colaboração entre as Igrejas. « Trata-se igualmente
de um campo em que a ajuda material dada pelas Igrejas mais favorecidas às suas
irmãs mais pobres poderá manifestar a sua maior eficácia: o que é que uma
Igreja poderá dar a outra melhor do que ajudá-la a crescer por si mesma como
Igreja? (299) Obviamente, esta colaboração deve inspirar-se num delicado
respeito pela peculiaridade das Igrejas mais pobres e por sua própria
responsabilidade.
Em campo diocesano e interdiocesano, é
muito conveniente que se tome consciência da necessidade de formar pessoas
nesse específico nível superior, assim como se tem o cuidado de fazer em
relação às demais atividades eclesiais ou para o ensino de outras disciplinas.
CAPÍTULO
III
Lugares de vias da catequese
A comunidade cristã como lugar da
catequese (300)
253. A comunidade cristã é a realização
histórica do dom da « comunhão » (koinonia), (301) que é um fruto do
Espírito.
A « comunhão » exprime o núcleo profundo
da Igreja universal e das Igrejas particulares, que constituem a comunidade
cristã de referência. Esta se faz próxima e visível na rica variedade das comunidades
cristãs imediatas, nas quais os cristãos nascem para a fé, educam-se na fé e
nela vivem: a família, a paróquia, a escola católica, as associações e
movimentos cristãos, as comunidades eclesiais de base... Estes são os « lugares
» da catequese, isto é, os espaços comunitários nos quais a catequese de
iniciação e a educação permanente na fé são realizadas. (302)
254. A comunidade cristã é a origem, o
lugar e a meta da catequese. É sempre da comunidade cristã que nasce o anúncio
do Evangelho, que convida os homens e as mulheres à conversão e a seguirem
Cristo. E é esta mesma comunidade que acolhe aqueles que desejam conhecer o
Senhor e empenhar-se numa nova vida. Ela acompanha os catecúmenos e
catequizandos no seu itinerário catequético e, com materna solicitude, torna-os
partícipes da própria experiência de fé e os incorpora no seu seio. (303)
A catequese é sempre a mesma. Mas estes «
lugares » (304) de catequização lhe dão, cada um, conotações originais. É
importante saber qual é o papel de cada um deles no processo de catequese.
A família como ambiente ou meio de
crescimento na fé
255. Os genitores são os primeiros
educadores na fé. Juntamente com eles, sobretudo em certas culturas, todos os
membros da família têm uma tarefa ativa, em vista da educação dos membros mais
jovens. É necessário determinar mais concretamente em qual senso a comunidade
cristã familiar é « lugar » de catequese.
A família foi definida como uma « Igreja
doméstica »; (305) isto significa que em toda família cristã devem refletir-se
os diferentes aspectos ou funções da vida da Igreja inteira: missão, catequese,
testemunho, oração, etc... De fato, a família, da mesma forma que a Igreja, « é
um espaço no qual o Evangelho é transmitido e do qual oEvangelho se irradia ».
(306) A família como « lugar » de catequese tem uma prerrogativa única:
transmite o Evangelho, radicando-o no contexto de profundos valores humanos.
(307) Sobre esta base humana, é mais profunda a iniciação na vida cristã: o
despertar para o senso de Deus, os primeiros passos na oração, a educação da
consciência moral e a formação do senso cristão do amor humano, concebido como
reflexo do amor de Deus
Criador e Pai. Em resumo: trata-se de uma
educação cristã mais testemunhada do que ensinada, mais ocasional do que
sistemática, mais permanente e cotidiana do que estruturada em períodos. Nesta
catequese familiar torna-se sempre mais importante a contribuição dos avós. A
sua sabedoria e o seu senso religioso, muitas vezes, são decisivos para
favorecer um clima realmente cristão.
O Catecumenato batismal dos adultos (308)
256. O Catecumenato batismal é um lugar
típico de catequização, institucionalizado pela Igreja para preparar os adultos
que desejam tornar-se cristãos, a receber os sacramentos da iniciação. (309) No
catecumenato se realiza, efetivamente, aquela « formação específica mediante a
qual o adulto, convertido à fé, é levado até à confissão da fé batismal,
durante a vigília pascal ». (310)
A catequese que se cumpre no catecumenato
batismal é estreitamente vinculada à comunidade cristã. (311) A partir do
próprio momento de seu ingresso no catecumenato, a Igreja envolve os
catecúmenos « com o seu afeto e os seus cuidados, como seus filhos e
familiares: de fato, eles pertencem à família de Cristo... ». (312) Por isso, a
comunidade cristã ajuda « os candidatos e os catecúmenos durante todo o
processo da iniciação, do pré-catecumenato ao catecumenato, ao tempo da
mistagogia ». (313)
Esta contínua presença da comunidade
cristã se exprime de diversas maneiras, apropriadamente descritas no Rito de
Iniciação Cristã dos Adultos. (314)
A paróquia como ambiente de catequese
257. A paróquia é, sem dúvida, o lugar
mais significativo, no qual se forma e se manifesta a comunidade cristã. Esta é
chamada a ser uma casa de família, fraterna e acolhedora, onde os cristãos
tornam-se conscientes de ser Povo de Deus. (315) A paróquia, de fato, congrega
num todo as diversas diferenças humanas nela existentes,inserindo-as na
universalidade da Igreja. (316) Ela é, por outro lado, o ambiente ordinário no
qual se nasce e se cresce na fé. Constitui, por isso, um espaço comunitário
muito adequado a fim de que o ministério da Palavra realizado nesta, seja,
contemporaneamente, ensinamento, educação e experiência vital.
A paróquia está sofrendo hoje, em muitos
países, profundas transformações. As mudanças sociais têm fortes repercussões
sobre ela. Nas grandes cidades « foi profundamente abalada pelo fenômeno da
urbanização ». (317) Apesar disso, « a paróquia continua a ser um ponto de
referência importante para o povo cristão, e até mesmo para os não praticantes
». (318) Esta, todavia, deve continuar a ser « animadora da catequese e o seu
lugar privilegiado », (319) embora reconhecendo que, em certas ocasiões, não
poderá ser o centro de gravitação de toda a função eclesial de catequizar, e
que tem a necessidade de integrar-se com outras instituições.
258. A fim de que a catequese consiga
manifestar toda a eficácia na missão evangelizadora da paróquia, algumas
condições são necessárias:
a) A catequese dos adultos (320) deve assumir sempre mais uma
importância prioritária. Trata-se de promover « uma catequese pós-batismal, em
forma de catecumenato, através de uma ulterior proposta de certos conteúdos do
Ritual de Iniciação Cristão dos Adultos, destinados a promover uma maior
compreensão e vivência das imensas e extraordinárias riquezas e da
responsabilidade do Batismo recebido ». (321)
b) É preciso projetar o anúncio, com renovada coragem,
àqueles que estão distantes e àqueles que vivem em situações de indiferença
religiosa. (322) Neste empenho, os encontros pré-sacramentais (preparação ao
Matrimônio, ao Batismo e à primeira Comunhão dos filhos...) podem
mostrar-se fundamentais. (323)
c) Como sólido ponto de referência para a catequese
paroquial, se requer a presença de um núcleo comunitário constituído por
cristãos maduros, já iniciados na fé, aos quais reservar uma solicitude
pastoral adequada e diferenciada. Poder-se-á alcançar mais facilmente este
objetivo, se se promoverá, nas paróquias, a formação de pequenas comunidades
eclesiais. (324)
d) Se estas precedentes condições, relativas principalmente
aos adultos, são realizadas, a catequese destinada às crianças, aos
adolescentes e aos jovens, que permanece sempre imprescindível, receberá
enormes benefícios.
A escola católica
259. A escola católica (325) é um lugar
muito relevante para a formação humana e cristã. A declaração Gravissimum
Educationis do Concílio Vaticano II, « representa uma mudança decisiva na
história da escola católica: a passagem da escola-instituição para a
escola-comunidade ». (326)
A escola católica, « não menos que as
demais escolas, visa os fins culturais e a formação humana dos jovens. É porém
característica sua:
– criar uma atmosfera de comunidade
escolar animada pelo espírito evangélico da liberdade e da caridade,
– auxiliar os adolescentes a que, no
desdobramento da personalidade, também cresçam segundo a nova criatura que se
tornaram pelo Batismo,
– e ainda orientar toda criatura humana
para a mensagem da salvação ». (327)
O projeto educativo da escola católica
tem o dever de se desenvolver com base nesta concepção proposta pelo Concílio
Vaticano II.
Este projeto educativo se cumpre na
comunidade escolar, da qual fazem parte todos aqueles que são diretamente
ligados a ele: « os professores, a direção administrativa e auxiliar, os
genitores, figuras centrais uma vez que naturais e insubstituíveis educadores
dos próprios filhos, e os alunos, co-partícipes e co-responsáveis como
verdadeiros protagonistas e sujeitos ativos do processo educativo ». (328)
260. Quando os alunos da escola católica
pertencem, na maior parte, a famílias que se vinculam a esta escola em razão do
caráter católico da mesma, o ministério da Palavra pode ser aí exercitado de
várias maneiras: primeiro anúncio, ensino religioso escolar, catequese,
homilia. Duas de tais modalidades têm, todavia, na Escola católica, um
particular relevo: o ensino religioso escolar e a catequese, cujo respectivo
caráter próprio já foi evidenciado. (329)
Quando os alunos e as suas famílias freqüentam
a escola católica em virtude da qualidade educativa da mesma, ou por outras
eventuais circunstâncias, a atividade catequética fica necessariamente limitada
e o ensino religioso próprio, quando é possível, acentua o caráter cultural. A
contribuição desta escola subsiste sempre como « um serviço de suma importância
para os homens », (330) e como elemento que faz parte da evangelização da
Igreja.
Considerada a pluralidade das
circunstâncias socioculturais e religiosas nas quais se exercita a obra da escola
católica nas diversas nações, será oportuno que os Bispos e as Conferências dos
Bispos precisem a modalidade da atividade catequética que cabe à escola
católica realizar.
Associações, movimentos e grupos de fiéis
261. As diversas « associações, movimentos
e grupos de fiéis » (331) que se desenvolvem na Igreja particular, têm como
finalidade ajudar os discípulos de Jesus Cristo a cumprirem a sua missão leiga
no mundo e na própria Igreja. Em tais agregações, os cristãos se dedicam « à
prática da piedade, ao apostolado direto, à caridade e à assistência, e à
presença cristã nas realidades temporais ». (332)
Em todas estas associações e movimentos,
com a finalidade de cultivar com profundidade tais dimensões fundamentais da
vida cristã, se fornece, de uma maneira ou de outra, uma necessária formação: «
têm, com efeito, a possibilidade, cada qual pelos próprios métodos, de oferecer
uma formação profundamente inserida na própria experiência de vida apostólica,
bem como a oportunidade de integrar, concretizar e especificar a formação que
os seus adeptos recebem de outras pessoas e comunidades ». (333)
A catequese é sempre uma dimensão
fundamental na formação de cada leigo. Por isso, estas associações e movimentos
possuem, ordinariamente, « tempos reservados à catequese ». (334) Na verdade,
esta não é uma alternativa para a formação cristã fornecida por eles, mas é uma
dimensão essencial dos mesmos.
262. Quando a catequese se cumpre no
interior dessas associações e movimentos, alguns aspectos devem ser
fundamentalmente considerados:
a) É preciso respeitar a « natureza própria » (335) da
catequese, desenvolvendo toda a riqueza do seu conceito, mediante a tríplice
dimensão de palavra, de memória e de testemunho (a doutrina, a celebração e
o compromisso na vida). (336) A catequese, qualquer que seja o « lugar »
onde se realiza, é, antes de mais nada, uma formação orgânica e básica da fé.
Deve incluir, portanto, « um estudo sério da doutrina cristã » (337) e deve
constituir uma séria formação religiosa aberta a todos os componentes da vida
cristã ». (338)
b) Este não é um impedimento para que as associações e os
movimentos, com os seus respectivos carismas, possam exprimir, com determinados
acentos, uma catequese que, de qualquer forma, deverá permanecer sempre fiel ao
seu próprio caráter. A educação através da proposta da espiritualidade
específica de uma associação ou movimento, que é sempre de uma grande riqueza
para a Igreja, será típica de um tempo sucessivo àquele da formação cristã
básica, que é comum a todo cristão. É mais importante primeiro educar àquilo
que é comum a todos os membros da Igreja, para somente depois se deter no que é
peculiar ou diversificante.
c) Da mesma forma, é necessário afirmar que os movimentos e
as associações, em relação à catequese, não são uma alternativa ordinária à
Paróquia, uma vez que é esta última a comunidade educativa de referência
propriamente dita. (339)
As comunidades eclesiais de base
263. As comunidades eclesiais de base
tiveram uma ampla difusão nas últimas décadas. (340) Trata-se de grupos de
cristãos que « nascem da necessidade de viver mais intensamente ainda a vida da
Igreja; ou então do desejo e da busca de uma dimensão mais humana do que aquela
que as comunidades eclesiais mais amplas dificilmente poderão revestir... ». (341)
As comunidades eclesiais de base são um «
sinal da vitalidade da Igreja ». (342) Os discípulos de Cristo nelas se reúnem
para uma atenta escuta da Palavra de Deus, para a busca de relações mais
fraternas, para celebrar os mistérios cristãos em suas vidas e para assumir o
compromisso de transformação da sociedade. Paralelamente a estas dimensões
propriamente cristãs, emergem também importantes valores humanos: a amizade e o
reconhecimento pessoal, o espírito de coresponsabilidade, a criatividade, a resposta
vocacional, o interesse pelos problemas do mundo e da Igreja. Daí pode resultar
uma enriquecedora experiência comunitária, « verdadeira expressão de comunhão e
um meio eficaz para construir uma comunhão ainda mais profunda ». (343)
Para ser autêntica, « toda comunidade...
deve viver em unidade com a Igreja particular e universal, na comunhão sincera
com os Pastores e o Magistério, empenhada na irradiação missionária e evitando
fechar-se em si mesma ou deixar-se instrumentalizarideologicamente ». (344)
264. Nas comunidades eclesiais de base
pode desenvolver-se uma catequese muito fecunda:
– O clima fraterno, no qual se vive, é um
ambiente adequado para uma ação catequética integral, sempre que se saiba
respeitar a natureza e o caráter próprio da catequese.
– Por outro lado, a catequese serve a
aprofundar a vida comunitária, uma vez que assegura os fundamentos da vida
cristã dos fiéis. Sem tais fundamentos, as comunidades eclesiais de base
dificilmente serão sólidas.
– A pequena comunidade é, enfim, uma meta
adequada para acolher aqueles que concluíram um itinerário de catequese.
CAPÍTULO
IV
A organização da pastoral catequética na Igreja particular
Organização e exercício das
responsabilidades
O serviço diocesano da catequese
265. A organização da pastoral
catequética tem como ponto de referência o Bispo e a diocese. O Secretariado
diocesano de catequese (Officium Catechisticum) é « ...o órgão através
do qual o Bispo, chefe da Comunidade e mestre da doutrina, dirige e preside
toda a atividade catequética realizada na diocese ». (345)
266. As principais tarefas do
Secretariado diocesano de catequese são as seguintes:
a) Fazer uma análise da situação (346) diocesana acerca da
educação na fé. Nesta análise, seria útil precisar, entre outras coisas, as
reais necessidades da diocese em relação à praxe catequética.
b) Elaborar um programa de ação (347) que indique objetivos
claros, proponha orientações e mostre ações concretas.
c) Promover e formar os catequistas. Com
esta finalidade, serão instituídos os Centros que forem julgados mais
oportunos. (348)
d) Elaborar, ou pelo menos indicar às paróquias e aos
catequistas, os instrumentos necessários para o trabalho catequético:
catecismos, diretórios, programas para as diferentes idades, guias para os
catequistas, material para os catequizandos, meios audiovisuais... (349)
e) Incentivar e promover as instituições propriamente
catequéticas da diocese (catecumenato batismal, catequese paroquial, grupo
de responsáveis pela catequese), que são como as « células básicas » (350)
da atividade catequética.
f) Dar especial atenção sobretudo ao aprimoramento dos
recursos pessoais e materiais, tanto a nível diocesano quanto a nível
paroquial, ou de vicariatos forâneos. (351)
g) colaborar com o Departamento encarregado da Liturgia, considerada
a importância essencial desta para a catequese, em particular para a catequese
catecumental de iniciação.
267. Para realizar essas tarefas, o
Secretariado da catequese deve contar com « um grupo de pessoas verdadeiramente
especializadasna matéria. A amplitude e a diversidade das questões que deve
abordar, exigem que as responsabilidades sejam repartidas entre mais pessoas,
realmente competentes ». (352) Convém que este serviço diocesano seja
constituído, ordinariamente, por sacerdotes, religiosos e leigos.
A catequese é uma atividade tão
fundamental na vida de uma Igreja particular que « nenhuma diocese pode
prescindir de um próprio Departamento de Catequese ». (353)
Serviços de colaboração interdiocesana
268. Esta colaboração é, nos nossos dias,
extraordinariamente fecunda. Algumas razões, não só de proximidade geográfica,
mas também de homogeneidade cultural, tornam aconselhável um trabalho
catequético comum. De fato, « é útil que diversas dioceses conjuguem suas
ações, colocando em comum pesquisas e atividades, competências e recursos, de
maneira que as dioceses que dispõem de mais meios possam ajudar as demais, e se
possa elaborar um comum programa de ação, de caráter regional ».(354)
O serviço da Conferência dos Bispos
269. « Pode-se criar, junto à Conferência
dos Bispos, um departamento de catequese, cuja função principal seja auxiliar
cada diocese em matéria catequética ». (355)
Esta possibilidade estabelecida pelo
Código de Direito Canônico é uma realidade de fato na maior parte das Conferências
dos Bispos. O departamento de catequese ou centro nacional de catequese da
Conferência dos Bispos se propõe uma dúplice função: (356)
– Estar a serviço das necessidades
catequéticas que dizem respeito a todas as dioceses do território. Ocupa-se das
publicações que tenham alcance nacional, dos congressos nacionais, das relações
com os meios de comunicação social e, de modo geral, de todos aqueles trabalhos
e tarefas que excedam as possibilidades de cada diocese ou região.
– Estar a serviço das dioceses e das
regiões, para difundir as informações e os projetos catequéticos, para
coordenar a ação e ajudar as dioceses menos favorecidas em matéria de
catequese.
Se o Episcopado correspondente
considera-o oportuno, também é de competência do departamento de catequese ou
centro nacional de catequese a coordenação da sua própria atividade com as de
outros departamentos nacionais do Episcopado e de outras instituições
decatequese; da mesma forma, a colaboração com as atividades catequéticas a
nível internacional. Tudo isso deve ser considerado sempre como organismo de
ajuda aos Bispos da Conferência Episcopal.
O serviço da Santa Sé
270. « Com Pedro e sob Pedro, primária e
imediatamente toca-lhes (aos Bispos) o mandato de Cristo, de pregar o Evangelho
a toda criatura ». (357) O ministério do Sucessor de Pedro, neste mandato
colegial de Jesus, em vista do anúncio e da transmissão do Evangelho, assume
uma tarefa fundamental. Este ministério, de fato, deve ser considerado « não
apenas como um serviço global, que alcança cada Igreja a partir de
seu exterior, mas como algo que já pertence à própria essência de cada
Igreja particular, a partir de seu interior ». (358)
O ministério de Pedro na catequese é
exercitado, de modo eminente, através de seus ensinamentos. O Papa, no que
concerne à catequese, age de modo imediato e particular, por meio da
Congregação para o Clero, que coadjuva « o Pontífice Romano no exercício de seu
supremo múnus pastoral ». (359)
271. « Com base nesta tarefa, a
Congregação do Clero:
– cuida da promoção da formação religiosa
dos fiéis de todas as idades e condições;
– emana as normas oportunas para que o
ensino da catequese seja ministrado de modo conveniente;
– vigia para que a formação catequética
seja corretamente conduzida;
– concede a prescrita aprovação da Santa
Sé para os Catecismos e outros textos relativos à instrução catequética, com o
consenso da Congregação para a Doutrina da Fé; (360)
– presta assistência aos departamentos de
catequese e acompanha as iniciativas relativas à formação religiosa e que têm
caráter internacional, coordena as suas atividades e lhes oferece ajuda, se for
preciso ». (361)
A coordenação da catequese
Importância de uma efetiva coordenação da
catequese
272. A coordenação da catequese é
uma tarefa importante no âmbito de uma Igreja particular. Ela pode ser
considerada:
– no interior da própria catequese, entre
as suas diversas formas, dirigidas às diferentes idades e ambientes sociais;
– com referência aos laços que a
catequese mantém com as outras formas do ministério da Palavra e com outras
ações evangelizadoras.
A coordenação da catequese não é um fato
meramente estratégico, voltado para uma mais incisiva eficácia da ação
evangelizadora, mas possui uma dimensão teológica de fundo. A ação
evangelizadora deve ser bem coordenada porque ela visa a unidade da fé,
a qual, por sua vez, sustenta todas as ações da Igreja.
273. Nesta sessão consideramos:
– a coordenação interna da catequese, a
fim de que a Igreja particular ofereça um serviço de catequese unitário e
coerente;
– a união entre a atividade missionária e
a ação catecumenal, que se implicam mutuamente, no contexto da missão ad
gentes (362) ou de uma « nova evangelização »; (363)
– a necessidade de uma pastoral de
educação bem coordenada, diante da multiplicidade de educadores que se dirigem
aos mesmos destinatários, sobretudo se esses destinatários são crianças e
adolescentes.
O próprio Concílio Vaticano II recomendou
vivamente a coordenação de toda a atividade pastoral, para que resplenda sempre
melhor a unidade da Igreja particular. (364)
Um projeto diocesano de catequese
articulado e coerente
274. O Projeto diocesano de catequese
é a oferta catequética global de uma Igreja particular, que integra, de modo
articulado, coerente e coordenado, os diversos processos catequéticos propostos
pela diocese aos destinatários, nas diferentes idades da vida. (365)
Neste sentido, cada Igreja particular, em
vista da iniciação cristã, deve oferecer, pelo menos, um dúplice serviço:
a) Um processo de iniciação cristã unitário e coerente, para crianças,
adolescentes e jovens, em íntima conexão com os sacramentos da iniciação já
recebidos ou a receber, e correlacionado com a pastoral da educação.
b) Um processo de catequese para adultos, oferecido aos cristãos que têm
necessidade de dar um fundamento à sua fé, realizando ou completando a
iniciação cristã inaugurada com o Batismo.
Em muitas nações apresenta-se, hoje, a
necessidade de um processo de catequese para anciãos, oferecido àqueles
cristãos que, tendo alcançado a terceira e definitiva fase da vida humana,
desejam,talvez pela primeira vez, lançar sólidas estruturas para a sua fé.
275. Estes diversos processos de
catequese, cada um com possíveis variantes socioculturais, não devem ser
organizados separadamente, como se fossem « compartimentos estanques, sem
comunicação entre si ». (366) É necessário que a oferta catequética da Igreja
particular seja bem coordenada. Entre estas diversas formas de catequese « é
preciso favorecer a sua perfeita complementaridade ». (367)
Como dissemos precedentemente, o princípio
organizador, que dá coerência aos diversos processos de catequese
oferecidos por uma Igreja particular, é a atenção à catequese dos adultos. Este
é o eixo em torno do qual gira e se inspira a catequese das primeiras idades
(infância e adolescência) e da terceira idade. (368)
O fato de oferecer diversos processos de
catequese num único projeto diocesano de catequese não significa que o mesmo
destinatário deva percorrê-los, um depois do outro. Se um jovem chega à idade
adulta com uma fé bem fundada, não necessita de uma catequese de iniciação para
adultos, mas sim de outros alimentos mais sólidos, que o ajudem no seu
permanente amadurecimento na fé. Na mesma situação se encontram aqueles que
chegam à terceira idade com uma fé bem radicada.
Juntamente com esta oferta de processos
de iniciação, absolutamente imprescindível, a Igreja particular deve também
oferecer processos de catequese permanente para cristãos adultos.
A atividade catequética no contexto da
nova evangelização
276. Definindo a catequese como momento
do processo total da evangelização, apresenta-se necessariamente o problema da
coordenação da atividade catequética com a ação missionária que a precede, e
com a ação pastoral que a segue. Há, de fato, elementos « que preparam a
catequese ou dela derivam ». (369)
Neste sentido, a união entre a ação
missionária, que procura suscitar a fé, e a ação catequética, que busca
aprofundar os seus fundamentos, é decisivo na evangelização.
De certa maneira, esta condição resulta
mais evidente na situação da missão ad gentes. (370) Os adultos
convertidos pelo primeiro anúncio entram no Catecumenato, onde são
catequizados.
Na situação que requer uma « nova
evangelização », (371) a coordenação se torna mais complexa, visto que, às
vezes, se quer ministrar uma catequese ordinária a jovens e adultos que
necessitam, antes, de um tempo de anúncio e de terem despertada a sua adesão a
Cristo. Problemas semelhantes apresentam-se em relação à catequese para as
crianças e para a formação de seus genitores. (372) Outras vezes são oferecidas
formas de catequese permanente a adultos que, em realidade, necessitam mais de
uma verdadeira catequese de iniciação.
277. A atual situação da evangelização
postula que as duas ações, o anúncio missionário e a catequese de iniciação,
sejam concebidas de forma coordenada e oferecidas, na Igreja particular,
mediante um projeto evangelizador missionário e catecumenal unitário. A
catequese deve ser vista, hoje, antes de mais nada, como a conseqüência de um
anúncio missionário eficaz. O ensinamento do decreto conciliar Ad Gentes,
que coloca o Catecumenato no contexto da ação missionária da Igreja, é um
critério de referência muito válido para a catequese. (373)
A catequese na Pastoral da educação
278. A Pastoral da educação na
Igreja particular deve estabelecer a necessária coordenação entre os diferentes
« lugares » em que se desenvolve a educação na fé. É sumamente importante que
todos estes meios catequéticos « convirjam realmente para uma mesma confissão
de fé, para uma comum consciência de pertencer à mesma Igreja e para a
fidelidade aos compromissos na sociedade, vividos com o mesmo espírito
evangélico ». (374)
A coordenação educativa coloca-se
fundamentalmente em relação às crianças, aos adolescentes e aos jovens. Convém
que a Igreja particular integre, em um único projeto de Pastoral educativa, os
diversos setores e ambientes que estão a serviço da educação cristã da
juventude. Todos estes lugares completam-se reciprocamente, e nenhum deles,
assumido separadamente, pode realizar a totalidade da educação cristã.
Uma vez que a pessoa da criança e do
jovem é a mesma que recebe estas diversas ações educativas, é importante que as
diferentes influências tenham a mesma inspiração de fundo. Qualquer contradição
entre estas ações é nociva, pois cada uma delas tem a sua própria
especificidade e relevância.
Neste sentido, é de suma importância,
para uma Igreja particular, organizar um projeto de iniciação cristã que
integre as diversas tarefas educativas e considere as exigências da nova
evangelização.
Algumas tarefas próprias do serviço
catequético
Análise da situação e das necessidades
279. A Igreja particular, ao organizar a
atividade catequética, deve ter como ponto de partida a análise da situação.
« O objeto desta pesquisa é complexo. Ele abrange o exame da ação pastoral e o
diagnóstico da situação religiosa e das condições socioculturais e econômicas
enquanto processos coletivos que podem ter profundas repercussões sobre a
difusão do Evangelho ». (375) Trata-se de uma tomada de consciência da
realidade, considerada em relação à catequese e às suas necessidades.
De maneira mais concreta:
– É necessário ter uma clara consciência,
no « exame da ação pastoral », do estado da catequese: como é situada,
de fato, no processo evangelizador; o equilíbrio e a articulação entre os
distintos setores catequéticos (crianças, adolescentes, jovens, adultos...); a
coordenação da catequese com a educação cristã na família, com o educação
escolar, com o ensino escolar da Religião, e com outras formas de educação na
fé; a sua qualidade interna; os conteúdos que se ministram e a metodologia que
se utiliza; as características dos catequistas e a sua formação.
– A « análise da situação religiosa »
pesquisa sobretudo, três níveis estreitamente conexos entre si: o senso do
sagrado, isto é, daquelas experiências humanas que, por sua profundidade,
tendem a abrir ao mistério; o senso religioso, ou seja, os modos
concretos que um povo determinado utiliza para conceber Deus e comunicar-se com
Ele; e as situações de fé com a diversa tipologia dos crentes. E em
conexão com estes níveis, a situação moral que se vive, com os valores
que emergem e os pontos obscuros ou contravalores mais difundidos.
– A « análise sociocultural », a
propósito da qual se falou no trecho relativo às ciências humanas na formação
dos catequistas, (376) é também necessária. É preciso preparar os catecúmenos e
os catequizandos a uma presença cristã na sociedade.
280. A análise da situação, em todos os
níveis, « deve também convencer aqueles que exercem o ministério da palavra,
que as situações humanas são ambivalentes no que concerne à ação pastoral. É
preciso, portanto, que os operários do Evangelho aprendam a descobrir as
possibilidades que se abrem à sua ação, numa situação sempre nova e diversa...
É sempre possível um processo de transformação que abra caminho à fé ». (377)
Esta análise da situação é um primeiro
instrumento de trabalho, de caráter informativo, que o serviço catequético
oferece a pastores e catequistas.
Programa de ação e orientações
catequéticas
281. Depois de ter analisado atentamente
a situação, é preciso proceder à formulação de um programa de ação. Este
determina os objetivos, os meios da pastoral catequética e as normas que a
regulam, com profunda adesão às necessidades locais e, ao mesmo tempo, em plena
harmonia com as finalidades e as normas da Igreja universal.
O programa ou plano de ação deve ser
operativo, já que se propõe orientar a ação catequética diocesana ou
interdiocesana. Por sua própria natureza, é geralmente concebido por um
determinado período de tempo, ao término do qual é renovado, com novas
características, novos objetivos e novos meios.
A experiência indica que o programa de
ação é de grande utilidade para a catequese, uma vez que, ao definir alguns objetivos
comuns, leva a unificar os esforços e a trabalhar numa perspectiva de conjunto.
Por isso, a sua primeira condição deve ser o realismo, unido à simplicidade,
concisão e clareza.
282. Paralelamente ao programa de ação,
centrado sobretudo nas opções operativas, diversos Episcopados elaboram, a
nível nacional, instrumentos de caráter mais reflexivo e orientativo, que
fornecem os critérios para uma idônea e adequada catequese. São chamados de
várias maneiras: Diretório Catequético, Orientações Catequéticas, Documento
de Base, Texto de Referência, etc. Destinados principalmente aos
responsáveis e aos catequistas, esclarecem o conceito de catequese: a sua
natureza, finalidade, tarefas, conteúdos, destinatários e métodos. Estes
Diretórios ou textos de orientações gerais, estabelecidos pelas Conferências
dos Bispos ou emanados sob a sua autoridade, devem seguir o mesmo processo de
elaboração e de aprovação previsto para os Catecismos. Vale dizer: antes de sua
promulgação, devem ser submetidos à aprovação da Sé Apostólica. (378)
Estas diretrizes ou orientações
catequéticas são, habitualmente, um elemento de grande inspiração para a
catequese das Igrejas locais e a sua elaboração é recomendada e conveniente,
pois, entre outras coisas, elas constituem um importante ponto de referência
para a formação dos catequistas. Esta tipologia de instrumento é intima e
diretamente ligada à responsabilidade episcopal.
A elaboração de instrumentos e meios
didáticos para a ação catequética
283. Ao lado dos instrumentos dedicados a
orientar e programar o conjunto da ação catequética (análise da situação,
programa de ação e Diretório Catequético) existem outros instrumentos de
trabalho de uso imediato, que são utilizados no cumprimento da própria ação
catequética. Devemos elencar, em primeiro lugar, os textos didáticos,
(379) que são colocados diretamente nas mãos dos catecúmenos e
catequizandos. Úteis subsídios são, além disso, os Guias para os
catequistas, no caso da catequese para crianças e para os genitores. (380) São
igualmente importantes os meios audiovisuais que se utilizam na
catequese e em relação aos quais, se deve exercitar um oportuno discernimento.
(381)
O critério inspirador destes instrumentos
de trabalho deve ser o da dúplice fidelidade, a Deus e ao homem, que é uma lei
fundamental para toda a vida da Igreja. Trata-se, de fato, de saber conjugar
uma perfeita fidelidade doutrinal com uma profunda adaptação ao homem, levando
em consideração a psicologia da idade e o contexto sociocultural em que ele
vive.
Em resumo, é preciso dizer que estes
instrumentos catequéticos devem:
– ser « realmente ligados à vida concreta
da geração para a qual são destinados, tendo bem presentes as suas inquietudes
e interrogações, assim como as suas lutas e esperanças »; (382)
– esforçar-se para « encontrar a
linguagem compreensível a esta geração »; (383)
– visar « verdadeiramente, provocar um
maior conhecimento dos mistérios de Cristo naqueles que deles se servirem, em
vista de uma autêntica conversão e de uma vida sempre mais conforme à vontade
de Deus ».(384)
A elaboração dos Catecismos locais:
responsabilidade imediata do ministério episcopal
284. No conjunto dos instrumentos para a
catequese, sobressaem os Catecismos. (385) A sua importância deriva do fato de
a mensagem por eles transmitida, ser reconhecida como autêntica e profunda
pelos Pastores da Igreja.
Se o conjunto da ação catequética deve
ser sempre submetido ao Bispo, a publicação dos Catecismos é uma
responsabilidade que concerne, de maneira muito direta, ao ministério
episcopal. Os Catecismos nacionais, regionais ou diocesanos, elaborados com a
participação dos agentes da catequese, são responsabilidade última dos Bispos,
catequistas por excelência nas Igrejas particulares.
Na redação de um Catecismo, é necessário
levar em consideração sobretudo os dois critérios a seguir:
a) a perfeita sintonia com o Catecismo da Igreja Católica, «
texto de referência seguro e autêntico... para a elaboração dos catecismos
locais » (386)
b) a atenta consideração das normas e dos critérios para a apresentação
da mensagem evangélica, oferecidos pelo Diretório Geral para a Catequese, este
também « referência obrigatória » (387) para a catequese.
285. A « prévia aprovação da Sé
Apostólica », (388) que se requer para os Catecismos emanados pelas Conferências
dos Bispos, deve ser entendida no sentido que eles são documentos mediante os
quais a Igreja universal, nos diferentes espaços socioculturais aos quais é
enviada, anuncia e transmite o Evangelho e gera as Igrejas particulares,
manifestando-se nestas. (389) A aprovação de um Catecismo é o reconhecimento do
fato de que se trata de um texto da Igreja universal para uma determinada
situação e cultura.
CONCLUSÃO
286. Na formulação das presentes
orientações e diretrizes, não foram poupados esforços, a fim de que cada
reflexão encontrasse origem e fundamento nos ensinamentos do Concílio Vaticano
II e das sucessivas e principais intervenções magisteriais da Igreja. Além
disso, uma solícita atenção foi reservada às experiências de vida eclesial dos
diversos povos, ocorridas nesse meio tempo. À luz da fidelidade ao Espírito de
Deus, foi feito o necessário discernimento, sempre em vista da renovação da
Igreja e do melhor serviço de evangelização.
287. O Diretório Geral para a Catequese é
proposto a todos os Pastores da Igreja, aos seus colaboradores e aos
catequistas, na esperança de que seja um encorajamento no serviço que a Igreja
e o Espírito lhes confia: favorecer o crescimento na fé, daqueles que creram.
As orientações aqui contidas não querem
apenas indicar e esclarecer a natureza da catequese e as normas e critérios que
regem este ministério evangelizador da Igreja; elas pretendem também alimentar
a esperança, com a força da Palavra e a ação interior do Espírito, naqueles que
trabalham neste campo privilegiado da atividade eclesial.
288. A eficácia da catequese é e será
sempre um dom de Deus, mediante a obra do Espírito do Pai e do Filho.
Esta total dependência da catequese, da
intervenção de Deus, é ensinada pelo apóstolo Paulo aos Coríntios, quando lhes
recorda: « Eu plantei; Apolo regou; mas era Deus quem fazia crescer. Assim,
pois, aquele que planta nada é; aquele que rega nada é; mas importa tão somente
Deus, que dá o crescimento » (1 Cor 3,6-7).
Não é possível nem catequese, nem
evangelização sem a ação de Deus, por meio do Seu Espírito. (390) Na praxe
catequética, nem as técnicas pedagógicas mais avançadas, nem o catequista
dotado da mais cativante personalidade humana que possa existir, podem jamais
substituir a ação silenciosa e discreta do Espírito Santo. (391) « É Ele, na
verdade, o protagonista de toda a missão eclesial »; (392) é Ele o principal
catequista; é Ele o « mestre interior » daqueles que crescem para o Senhor.
(393) De fato, Ele é « o princípio inspirador de todas as atividades catequéticas
e daqueles que as realizam ». (394)
289. Portanto, que o íntimo da
espiritualidade do catequista seja dominado pela paciência e pela confiança de
que é o próprio Deus quem faz nascer, crescer e frutificar a semente da Palavra
de Deus, semeada em terra boa e lavrada com amor! O evangelista Marcos é o
único que apresenta a parábola na qual Jesus alude, uma após outra, às etapas
do desenvolvimento gradativo e constante da semente lançada: «O Reino de
Deus é como um homem que lançou a semente na terra: ele dorme e acorda, de
noite e de dia, mas a semente germina e cresce, sem que ele saiba como. A
terra, por si mesma produz fruto: primeiro a erva, depois a espiga e, por fim,
a espiga cheia de grãos. Quando o fruto está no ponto, imediatamente se lhe
lança a foice, porque a colheita chegou » (Mc 4,26-29).
290. A Igreja, que tem a responsabilidade
de catequizar aqueles que crêem, invoca o Espírito do Pai e do Filho,
suplicando-Lhe que faça frutificar e fortalecer interiormente todos aqueles
trabalhos que, em todas as partes, se realizam em favor do crescimento da fé e
da seqüela de Jesus Cristo Salvador.
291. À Virgem Maria, que viu seu Filho
crescer « em sabedoria, em estatura e em graça » (Lc 2,52), os
agentes da catequese recorrem, ainda hoje, confiantes na sua intercessão. Eles
encontram em Maria o modelo espiritual para prosseguir e consolidar a renovação
da catequese contemporânea, na fé, na esperança e na caridade. Por intercessão
da « Virgem Santíssima do Pentecostes », (395) nasce, na Igreja, uma força nova,
para gerar filhos e filhas na fé e educá-los para a plenitude em Cristo.
Sua Santidade o Papa João Paulo II, no
dia 15 de agosto de 1997, aprovou o presente Diretório Geral para a Catequese e
autorizou a sua publicação.
Darío
Castrillón Hoyos
Arcebispo emérito de Bucaramanga
Pro-Prefeito
Crescenzio
Sepe
Arcebispo tit. de Grado
Secretário
ÍNDICES
SIGLAS
I
SAGRADA
ESCRITURA
Ab: Abdias
Ag: Ageu
Am: Amós
Ap: Apocalipse
At: Atos
Br: Baruc
1 Cor: 1a Coríntios
2 Cor: 2a Coríntios
Cl: Colossenses
1 Cr: 1o Livro das Crônicas
2 Cr: 2o Livro das Crônicas
Ct: Cântico dos Cânticos
Dn: Daniel
Dt: Deuteronômio
Ecl: Eclesiastes (Qoélet)
Eclo: Eclesiástico (Sirácida)
Ef: Efésios
Esd: Esdras
Est: Ester
Ex: Eodo
Ez: Ezequiel
Fl: Filipenses
Fm: Filemon
Gl: Gálatas
Gn: Gênesis
Hab: Habacuc
Hb: Hebreus
Is: Isaías
Jd: Judas
Jl: Joel
Jn: Jonas
Jó: Jó
Jo: João
1 Jo: 1a João
2 Jo: 2a João
3 Jo: 3a João
Jr: Jeremias
Js: Josué
Jt: Judite
Jz: Juízes
Lc: Lucas
Lm: Lamentações
Lv: Levítico
1 Mc: 1o Macabeus
2 Mc: 2o Macabeus
Mc: Marcos
Ml: Malaquias
Mq: Miquéias
Mt: Mateus
Na: Naum
Ne: Neemias
Nm: Números
Os: Oséias
1 Pd: 1a Pedro
2 Pd: 2a Pedro
Pr: Provérbios
1 Rs: 1o Reis
2 Rs: 2o Reis
Rm: Romanos
Rt: Rute
Sb: Sabedoria
Sl: Salmos
1 Sm: 1o Samuel
2 Sm: 2o Samuel
Sf: Sofonias
Tb: Tobias
Tg: Tiago
1 Tm: 1a Timóteo
2 Tm: 2o Timóteo
1 Ts: 1a Tessalonicenses
2 Ts: 2a Tessalonicenses
Tt: Tito
Zc: Zacarias
ÍNDICE
GERAL
Siglas dos Documentos
Prefácio
Exposição Introdutiva
O anúncio do Evangelho no mundo
contemporâneo
« Saiu o semeador a semear »
Um olhar ao mundo a partir da fé
O Campo do mundo
Os direitos humanos
A cultura e as culturas
A situação religiosa e moral
A Igreja no campo do mundo
A fé dos cristãos
A vida interna da comunidade eclesial
Situação da catequese: vitalidade e problemas
A Semeadura do Evangelho
Como ler os sinais dos tempos
Alguns desafios para a catequese
Primeira parte
A Catequese na missão Evangelizadora da
Igreja
O mandato missionário de Jesus
Significado e finalidade desta parte
Primeiro Capítulo
A Revelação e a sua transmissão mediante
a evangelização
A Revelação do desígnio providencial do
Pai
A Revelação: fatos e palavras
Jesus Cristo, mediador e plenitude da
Revelação
A transmissão da Revelação por meio da
Igreja, obra do Espírito Santo
A evangelização
O processo da evangelização
O ministério da Palavra de Deus na
evangelização
Funções e formas do ministério da Palavra
A conversão e a fé
O processo da conversão permanente
Diversas situações sócio-religiosas
diante da evangelização
Mútua conexão entre as ações
evangelizadoras correspondentes a estas situações
Segundo Capítulo
A catequese no processo da evangelização
Primeiro anúncio e catequese
A Catequese a serviço da iniciação cristã
A catequese, « momento » essencial do
processo de evangelização
A catequese, ao serviço da iniciação
cristã
Características fundamentais da catequese
de iniciação
A catequese a serviço da educação
permanente à fé
A educação permanente à fé na comunidade
cristã
Múltiplas formas de catequese permanente
Catequese e ensino escolar da religião
O caráter próprio do ensino escolar da
Religião
O contexto escolar e os destinatários do
ensino escolar da Religião
A educação cristã familiar: catequese e
ensino religioso escolar a serviço da educação na fé
Terceiro Capítulo
Natureza, finalidade e tarefas da
catequese
A catequese: ação de natureza eclesial
Finalidade da catequese: a comunhão com
Jesus Cristo
A finalidade da catequese se exprime na
profissão de fé o único Deus, Pai, Filho e Espírito Santo
As tarefas da catequese realizam a sua
finalidade
As tarefas fundamentais da catequese:
ajudar a conhecer, celebrar, viver e contemplar o mistério de Cristo
Outras tarefas fundamentais: iniciação e
educação à vida comunitária e à missão
Algumas considerações sobre o conjunto
destas tarefas
O catecumenato batismal: estrutura e
fases
O catecumenato batismal, inspirador da
catequese na Igreja
Segunda parte
A mensagem evangélica
Significado e finalidade desta parte
Primeiro Capítulo
Normas e critérios para a apresentação da
mensagem evangélica na catequese
A palavra de Deus, fonte da catequese
A fonte e « as fontes » da mensagem da
catequese
Os critérios para a apresentação da
mensagem
O cristocentrismo da mensagem evangélica
O cristocentrismo trinitário da mensagem
evangélica
Uma mensagem que anuncia a salvação
Uma mensagem de libertação
A eclesialidade da mensagem evangélica
O caráter histórico do mistério da
salvação
A inculturação da mensagem evangélica
A integridade da mensagem evangélica
Uma mensagem orgânica e hierarquizada
Uma mensagem significativa para a pessoa
humana
Princípio metodológico para a
apresentação da mensagem
Segundo Capítulo
« Esta é a nossa fé, esta é a fé da
Igreja »
O Catecismo da Igreja Católica e o
Diretório Geral para a Catequese
O Catecismo da Igreja Católica
Finalidade e natureza do Catecismo da
Igreja Católica
A articulação do Catecismo da Igreja
Católica
A inspiração do Catecismo da Igreja
Católica: o cristocentrismo trinitário e a sublimidade da vocação cristã
O gênero literário do Catecismo da Igreja
Católica
O depósito da fé e o Catecismo da Igreja
Católica
A Sagrada Escritura, o Catecismo da
Igreja Católica e a catequese
A Tradição catequética dos Santos Padres
e o Catecismo da Igreja Católica
Os Catecismos nas Igrejas locais
Os Catecismos locais: a sua necessidade
O gênero literário de um Catecismo local
Os aspectos da adaptação num Catecismo
Local
A criatividade das Igrejas locais no que
concerne à elaboração dos Catecismos
O Catecismo da Igreja Católica e os
Catecismos locais: a sinfonia da fé
Terceira parte
A pedagogia da fé
« Só tendes um Mestre, o Cristo » (Mt 23,10)
Significado e finalidade desta parte
Primeiro Capítulo
A pedagogia de Deus, fonte e modelo da
pedagogia da fé
A pedagogia de Deus
A pedagogia de Cristo
A pedagogia da Igreja
A pedagogia divina, ação do Espírito
Santo em todo cristão
Pedagogia divina e catequese
Pedagogia original da fé
Fidelidade a Deus e fidelidade à pessoa
A « condescendência de Deus », escola
para a pessoa
Evangelizar educando e educar
evangelizando
Segundo Capítulo
Elementos de metodologia
A diversidade de métodos na catequese
A relação conteúdo-método na catequese
Método indutivo e dedutivo
A experiência humana na catequese
A memorização na catequese
Papel do catequista
A atividade e a criatividade dos
catequizados
Comunidade, pessoa e catequese
A importância do grupo
A comunicação social
Quarta parte
Os destinatários da catequese
« O Reino diz respeito a todos » (RM 15)
Significado e finalidade desta parte
Primeiro Capítulo
A adaptação ao destinatário: aspectos
gerais
Necessidade e direito de todo fiel de
receber uma válida catequese
Necessidade e direito da comunidade
A adaptação quer que o conteúdo da
catequese seja como um alimento sadio e adequado
A adaptação considera as diversas
circunstâncias
Segundo Capítulo
A catequese por idades
Indicações gerais
A Catequese dos adultos
Os adultos aos quais se dirige a
catequese
Elementos e critérios próprios da
catequese dos adultos
Tarefas gerais e particulares da
catequese dos adultos
Formas particulares de catequese dos
adultos
A Catequese das crianças e dos
adolescentes
Situação e importância da infância e da
adolescência
Características da catequese das crianças
e dos adolescentes
Crianças e adolescentes sem apoio
religioso familiar ou que não freqüentam a escola
A Catequese dos jovens
Puberdade, adolescência e juventude
A importância da juventude para a
sociedade e a Igreja
Características da catequese dos jovens
A Catequese dos anciãos
A terceira idade, dom de Deus à Igreja
A catequese da plenitude e da esperança
Sabedoria e diálogo
Terceiro Capítulo
Catequese para situações especiais,
mentalidades e ambientes
A catequese dos excepcionais e
desadaptados
A catequese das pessoas marginalizadas
A catequese para os grupos diferenciados
A catequese de ambiente
Quarto Capítulo
Catequese no contexto sócio-religioso
A catequese em situação de pluralismo e
de complexidade
A catequese em relação à religiosidade
popular
A catequese no contexto ecumênico
A catequese em relação ao hebraísmo
A catequese no contexto de outras
religiões
A catequese em relação aos « novos
movimentos religiosos »
Quinto Capítulo
Catequese no contexto sociocultural
Catequese e cultura contemporânea
Tarefas de uma catequese para a
inculturação da fé
Processo metodológico
Necessidade e critérios de avaliação
Responsáveis pelo processo de
inculturação
Formas e vias privilegiadas
A linguagem
Os meios de comunicação
Âmbitos antropológicos e tendências
culturais
Intervenção nas situações concretas
Tarefas das Igrejas locais
Iniciativas guiadas
Quinta parte
A catequese na Igreja particular
Significado e finalidade desta parte
Primeiro Capítulo
O ministério da cateques na Igreja
particular e os seus agentes
A Igreja particular
O ministério da catequese na Igreja
particular
A comunidade cristã e a responsabilidade
de catequizar
O Bispo, primeiro responsável pela
catequese na Igreja particular
Os Presbíteros, pastores e educadores da
comunidade cristã
Os genitores, primeiros educadores da fé
dos próprios filhos
Os religiosos na catequese
Os catequistas leigos
Diversos tipos de catequista hoje
particularmente necessários
Segundo Capítulo
A formação para o serviço da catequese
A pastoral dos catequistas na Igreja
particular
Importância da formação dos catequistas
Finalidade e natureza da formação dos
catequistas
Critérios inspiradores da formação dos
catequistas
As dimensões da formação: o ser, o saber,
o saber fazer
Maturidade humana, cristã e apostólica
dos catequistas
A formação bíblico-teológica do catequista
As ciências humanas na formação do
catequista
Critérios vários que podem inspirar o uso
das ciências humanas na formação dos catequistas
A formação pedagógica
A formação dos catequistas no interior
das comunidades cristãs
Escolas de catequistas e os Centros
superiores para peritos na catequese
Terceiro Capítulo
Lugares e vias da catequese
A comunidade cristã como lugar de
catequese
A família como ambiente ou meio de
crescimento na fé
O catecumenato batismal dos adultos
A paróquia como ambiente de catequese
A escola católica
Associações, movimentos e grupos de fiéis
As comunidades eclesiais de base
Quarto Capítulo
A organização da pastoral catequética na
Igreja particular
Organização e exercício das
responsabilidades
O serviço diocesano da catequese
Serviços de colaboração interdiocesana
O serviço da Conferência dos Bispos
O serviço da Santa Sé
A coordenação da catequese
A importância de uma efetiva coordenação
da catequese
Um projeto diocesano de catequese
articulado e coerente
A ação catequética no contexto da nova
evangelização
A catequese na pastoral da educação
Algumas tarefas próprias do serviço
catequético
A análise da situação e das necessidades
Programa de ação e orientações
catequéticas
A elaboração de instrumentos e meios
didáticos para a ação catequética
A elaboração dos Catecismos locais:
responsabilidade imediata do ministério episcopal
Conclusão
(1) CD 44.
(2) CT 2.
(3) CT 3.
(4) Corresponde à Segunda Parte do DCG
(1971).
(5) Tem os mesmos objetivos da III Parte
do DCG (1971).
(6) Corresponde à Quarta Parte do DCG
(1971).
(7) Corresponde à Quinta Parte do DCG
(1971). Ainda que alguns, apresentando significativas motivações, tenham
aconselhado que esta parte precedesse a parte sobre a pedagogia, preferiu-se,
em virtude da nova impostação da Terceira Parte, manter a mesma ordem do texto
de 1971. Com tal decisão, se quer sublinhar que a atenção do destinatário é uma
participação e conseqüência da própria pedagogia divina, da « condescendência »
de Deus na história da salvação (DV 13), da Sua adaptação, na Revelação, à
condição humana.
(8) Assume todos os elementos da Sexta
Parte do DCG (1971).
(9) Cf. DCG (1971), Introdução.
(10) Cf. ibidem.
(11) Cf. ibidem.
(12) GS 1.
(13) GS 2.
(14)Ibid.
(15) Cf. SRS 35.
(16) SRS 13b; cf. EN 30.
(17) Cf. CT 29.
(18) SRS 41; cf. Documentos do Sínodo dos
Bispos, II: De Iustitia in mundo (30 de novembro de 1971), III, « A
educação para a justiça »: AAS 63 (1971), pp. 935-937; e LC 77.
(19) SRS 41; cf. ChL 42; CaIC 2444-2448;
TMA 51.
(20) João XXIII, Carta encíclica Pacem
in Terris (11 de abril de 1963), 9-27: AAS 55 (1963), p. 261-270. Aí são
indicados quais são, para a Igreja, os direitos humanos mais fundamentais. Nos
números 28-34 (AAS 55 (1963), pp. 270-273) são indicados os principais «
deveres do homem ». A catequese deve prestar atenção a ambos os aspectos.
(21) Cf. SRS 15a.
(22) Cf. PP 14; CA 29.
(23) ChL 5; cf. SRS 26b; VS 31c.
(24) Cf. ChL 5a; Sínodo de 1985, II, D,
1.
(25) Cf. SRS 15e; CaIC 2444; CA 57b.
(26) ChL 37a; cf. CA 47c.
(27) AG 22a.
(28) GS 5.
(29) GS 54.
(30) GS 56c.
(31) Cf. EN 20; CT 53.
(32) GS 19.
(33) Ibid.
(34) EN 55; cf. GS 19 e LC 41.
(35) Sínodo de 1985, II, A, 1.
(36) ChL 4.
(37) Cf. RM 38.
(38) CA 29 ad c; CA 46c.
(39) Cf. GS 36. João Paulo II, na Carta
encíclica Dominum et vivificantem (18 de maio de 1986), n. 38: AAS 78
(1986), pp. 851-852, estabelece também esta conexão: « A ideologia da
"morte de Deus", nos seus efeitos, demonstra facilmente que é, no
plano teórico e prático, a ideologia da "morte do homem" ».
(40) VS 101; cf. EV 19,20.
(41) CT 3; cf. MPD 4.
(42) TMA 36b; cf. GS 19c.
(43) EN 52; cf. CT 19 e 42.
(44) EN 56.
(45) EN 52.
(46) EN 48; cf. CT 54; ChL 34b; DCG
(1971) 6; Sínodo de 1985, II, A, 4.
(47) EN 52.
(48) Cf. EN 52; CT 44.
(49) Cf. ChL 34b; RM 33d.
(50) LG 10.
(51) Sínodo de 1985, I, 3.
(52) Ibid.
(53) Congregação para a Doutrina da Fé,
Carta Communionis notio (28 de maio de 1992), n.1: AAS 85 (1993), p.
838; cf. TMA 36e.
(54) Cf. CT 19b.
(55) Cf. CT 43.
(56) Cf. CT 27b.
(57) DV 10c.
(58) Cf. CT 29b.
(59) Cf. CT 30.
(60) CT 23.
(61) Cf. CT 58.
(62) Cf. EN 63.
(63) Cf. FC 4b; cf. ChL 3e.
(64) GS 11; cf. GS 4.
(65) Cf. GS 62e; FC 5c.
(66) Cf Mc 1,15 e paralelos; RM
12-20; CaIC 541-560.
(67) Cf Mt 5,3-12.
(68) Cf Mt 5,1–7,29.
(69) Cf Mt 13,11.
(70) Cf Mt 18,1–35.
(71) Cf Mt 24,1–25,46.
(72) DV 3.
(73) Cf. 2 Pd 1, 4; CaIC 51-52.
(74) DV 2.
(75) Cf. Ef 1,9.
(76) DV 2.
(77) EN 11.
(78) Cf. GS 22a.
(79) Cf. Ef 2,8; EN 27.
(80) Cf. EN 9.
(81) Cf. Jo 11,52; AG 2b e 3a.
(82) Cf. DV 15; CT 58; ChL 61, CaIC 53,
122; S. Irineu de Lião, Adversus haerese » III, 20, 2: SCh 211, 389-393.
Veja-se, no presente Diretório, a Terceira Parte, cap. 1.
(83) CaIC 54-64.
(84) DV 2.
(85) Cf. DCG (1971) 11b.
(86) Cf. Heb 1,1-2.
(87) DV 4.
(88) Cf. Lc 24,27.
(89) CaIC 65; S. João da Cruz exprime-se
assim: « Disse-nos tudo de uma só vez, nesta única Palavra » (Subida ao
Monte Carmelo 2, 22; cf. Liturgia das Horas, I, Ofício das leituras da
segunda-feira da segunda semana do Advento).
(90) Cf. CT 5; CaIC 520 e 2053.
(91) CaIC 125, que faz referência a DV
18.
(92) CT 5. O tema do cristocentrismo
é abordado, com maiores particulares, em: « Finalidade da catequese: a comunhão
com Jesus Cristo » (I Parte, cap. 3) e em: « O cristocentrismo da mensagem
evangélica » (II Parte, cap. 1).
(93) Cf. DV 7.
(94) Cf. DV 7a.
(95) Cf. DV 8 e CaIC 75-79.
(96) DV 10b; cf. CaIC 85-87.
(97) LG 48; AG 1; GS 45; cf. CaIC
774-776.
(98) Cf. Cl 1,26.
(99) Na Dei Verbum (nn. 2-5) e no Catecismo
da Igreja Católica (nn. 50-175), fala-se da fé como resposta à Revelação.
Neste contexto, por motivos catequéticos e pastorais, preferiu-se ligar a fé
mais à evangelização do que à Revelação, enquanto esta última, de fato, alcança
o homem normalmente através da missão evangelizadora da Igreja.
(100) EN 14.
(101) EN 18.
(102) Cf. Mt 28,19-20.
(103) Cf. At 1,8.
(104) Cf. Mt 28,19.
(105) EN 17.
(106) EN 28.
(107) Cf. EN 22a.
(108) Cf. EN 47b.
(109) Cf. EN 18.
(110) EN 24d.
(111) Cf. EN 14.
(112) Cf. AG 6b.
(113) No dinamismo da evangelização, é
preciso distinguir as « situações iniciais » (initia), os « progressos graduais
» (gradus) e a situação de amadurecimento: « a qualquer condição ou estado
devem corresponder atos apropriados » (AG 6).
(114) Cf. EN 18-20 e RM 52-54; Cf. AG
11-12 e 22.
(115) Cf. EN 21 e 41; RM 42-43; AG 11.
(116) EN 51, 52, 53; cf. CT 18, 19, 21,
25; RM 44.
(117) Cf. AG 13; EN 10 e 23; CT 19; RM
46.
(118) EN 22; CT 18; cf. AG 14 e RM 47.
(119) AG 14; CaIC 1212; cf. CaIC
1229-1233.
(120) Cf. EN 23; CT 24; RM 48-49; cf. AG
15.
(121) Cf. ChL 18.
(122) Cf. ChL 32; cf. ChL 32, que mostra
a íntima conexão entre « comunhão » e « missão ».
(123) Cf. EN 24.
(124) CT 18.
(125) Cf. AG 6f; RM 33 e 48.
(126) Cf. At 6,4. O ministério
da Palavra divina é exercido, na Igreja, por parte:
– dos ministros ordenados (cf. CIC
756-757);
– dos membros dos institutos de vida
consagrada, em virtude da sua consagração a Deus (cf. CIC 758);
– dos fiéis leigos, em virtude do seu
batismo e da sua confirmação (cf. CIC 759).
Com relação ao termo ministério
(servitium), é necessário observar que somente a referência constante ao
único e fundamental ministério de Cristo permite, em certa medida,
aplicar, sem ambigüidade, o termo ministério também aos fiéis não
ordenados. Em sentido original, ele exprime a ação com a qual os membros da Igreja
prolongam, dentro dela e para o mundo, a missão de Cristo. Quando, ao invés, o
termo é diferenciado na relação e no confronto entre os diversos munera
e officia, então é preciso notar com clareza que somente por
força da sagrada Ordenação ele obtém aquela plenitude e univocidade de
significado que a tradição sempre lhe atribuiu (cf. João Paulo II, Alocução
ao Simpósio sobre a « Participação dos fiéis leigos ao Ministério », n. 4: L'Osservatore
Romano, 23 de abril de 1994, p. 4).
(127) EN 22; cf. EN 51-53.
(128) Cf. EN 42-45, 54, 57.
(129) DV 8c.
(130) PO 4b; cf. CD 13c.
(131) No Novo Testamento aparecem formas
muito diversas deste único ministério: « anúncio », « ensinamento », «
exortação », « profecia », « testemunho »,... A riqueza de expressões é notável.
(132) As formas através das quais
se canaliza o único ministério da Palavra, não são, na verdade, intrínsecas à
mensagem cristã. São, antes, acentuações, tons, desenvolvimentos mais ou menos
explicitados, adaptados à situação de fé de cada pessoa e de cada grupo humano,
nas suas circunstâncias concretas.
(133) Cf. EN 51-53.
(134) AG 14.
(135) Existem razões de natureza diversa,
que legitimam as expressões « educação permanente na fé » ou «catequese
permanente », com a condição de que não seja relativizado o caráter
prioritário, fundamental, estruturador e específico da catequese, enquanto
iniciação de base. A expressão « educação permanente na fé » difundiu-se na
praxe catequética a partir do Concílio Vaticano II, para indicar só um segundo
grau de catequese, posterior à catequese de iniciação, e não a totalidade da
ação catequética. Veja-se como esta distinção entre formação de base e
formação permanente é assumida, no que diz respeito à preparação dos
presbíteros, em: João Paulo II, Exortação apostólica pós-sinodal Pastores
dabo Vobis (25 de março de 1992), capítulos V e VI, especialmente o n. 71:
AAS 84 (1992), pp. 729ss.; 778ss; 782-783.
(136) DCG (1971) 19d.
(137) Cf. SC 35; CaIC 1154.
(138) Cf. Congregação para a Doutrina da
Fé, Instrução Donum veritatis sobre a vocação eclesial do teólogo (24 de
maio de 1990), n. 6: AAS 82 (1990) p. 1552.
(139) DCG (1971) 17; cf. GS 62g.
(140) Cf. Rm 10,17; LG 16 e AG 7;
cf. CaIC 846-848.
(141) Cf. AG 13a.
(142) Cf. CT 5b.
(143) Cf. CT 20b.
(144) Cf. CaIC 166-167.
(145) Cf. CaIC 150, 153 e 176.
(146) DV 5.
(147) CaIC 177.
(148) Cf. EN 10; AG 13b; CaIC 1430-1431.
(149) EN 23.
(150) Cf. AG 13.
(151) Cf. RM 45c.
(152) Cf. RM 46d.
(153) DV 5; cf. CaIC 153.
(154) DV 5; cf. CaIC 153.
(155) CaIC 149.
(156) CT 20a: « Trata-se, com efeito, de
fazer crescer, no plano do conhecimento e na vida, o germe de fé semeado
pelo Espírito Santo, com o primeiro anúncio do Evangelho ».
(157) Cf. RM 46b.
(158) Cf. 1Pd 2, 2; Heb 5; 13.
(159) Ef 4,13.
(160) OICA 12.
(161) Cf. Eusebio de Cesarea,
Praeparatio evangelica I, 1; SCh 206, 6; LG 16; AG 3a.
(162) ChL 4c.
(163) OICA 12 e 111.
(164) Cf. OICA 6 e 7.
(165) AG 13b.
(166) Cf. AG 13; EN 10; RM 46; VS 66;
OICA 10.
(167) AG 13b.
(168) Cf. MPD 8b; CaIC 187-189.
(169) Mt 5,48; cf. LG 11c, 40b,
42e.
(170) Cf. DV 24; EN 45.
(171) Cf. RM 33.
(172) RM 33b.
(173) RM 33b. É importante tomar
consciência dos « âmbitos » (fines) que RM atribui à « missão ad
gentes ». Não se trata somente de « âmbitos territoriais » (RM 37a), mas
também de « mundos e fenômenos sociais novos » (RM 37,b), como o são as grandes
cidades, o mundo dos jovens, as migrações..., e de « áreas culturais ou
modernos areópagos » (RM 37c), como o são o mundo da comunicação, o da ciência,
a ecologia... À medida de tudo isso, uma Igreja particular, já implantada num
território, realiza a sua « missão ad gentes» não apenas « ad extra », mas
também « ad intra » dos seus confins.
(174) RM 33c.
(175) RM 33d.
(176) RM 33d.
(177) RM 34b.
(178) RM 34c. O texto fala, de forma
concreta, do mútuo enriquecimento entre a missão ad intra e a missão ad
extra. Em RM 59c, no mesmo sentido, mostra-se como « a missão ad gentes
» estimula os povos ao desenvolvimento, enquanto a « nova evangelização », nos
países mais desenvolvidos, cria uma clara consciência de solidariedade para com
os demais.
(179) Cf. RM 31; 34.
(180) MPD 8.
(181) DCG (1971) 20; CT 43; Quarta Parte,
cap. 2.
(182) CT 19.
(183) Mc 16,15 e Mt 28,19.
(184) Mc 16,16.
(185) Cf. CT 19; DCG (1971) 18.
(186) OICA 9-13; cf. CIC cân. 788.
(187) No atual Diretório, supõe-se que
ordinariamente, o destinatário da « catequese kerigmática » ou «
pré-catequese » tenha um interesse, ou uma inquietação em relação ao
Evangelho. Se absolutamente não a tem, a ação requerida é o « primeiro
anúncio ».
(188) Cf. OICA 9, 10, 50; CT 19.
(189) CT 18; cf. CT 20c.
(190) CT 18.
(191) Ibidem.
(192) AG 14.
(193) CT 18.
(194) S. Cirilo de Jerusalém, «
Catecheses illuminandorum », I, 11; PG 33, 351-352.
(195) Cf. Mt 7,24-27.
(196) CT 13; cf. CT 15.
(197) CaIC 1122.
(198) AG 14; cf. CaIC 1212, 1229.
(199) CaIC 1253. No catecumenato batismal
dos adultos, próprio da missão ad gentes, a catequese precede o Batismo.
Na catequese dos batizados (crianças, jovens ou adultos), a formação é
posterior. Porém, mesmo neste caso, o objetivo da catequese é o fazer descobrir
e viver as imensas riquezas do Batismo já recebido. CaIC 1231 usa a expressão catecumenato
pós-batismal. ChL 61 a chama de catequese pós-batismal.
(200) Cf. CD 14.
(201) CT 22; cf. CT 18d, 21b.
(202) Cf. CT 21.
(203) CT 21. Duas razões merecem ser
sublinhadas nesta abordagem sinodal, assumida pela Catechesi Tradendae: a
preocupação de levarem consideração um problema pastoral (« insisto na
necessidade de um ensino cristão orgânico e sistemático, porque em diversas
partes nota-se a tendência para minimizar a sua importância »); e o fato de
considerar a organicidade da catequese como característica principal que
a conota.
(204) CT 21.
(205) Cf. CT 20; S. Agostinho, « De
catechizandis rudibus » I, cap. 4, 8: CCL 46, 128-129.
(206) Cf. CT 21b.
(207) Cf. CT 21c.
(208) Cf. AG 14; CT 33; CaIC 1231.
(209) Cf. DCG (1971) 31.
(210) CT 24.
(211) DV 21.
(212) Jo 17, 21.
(213) Cf. CT 48; cf. SC 52; DV 24; DCG
(1971) 17; Missale Romanum, Ordo Lectionum Missae, n. 24, Editio Typica
Altera, Libreria Editrice Vaticana, 1981.
(214) Cf. DV 21-25; Comissão Bíblica
Pontifícia, Documento A interpretação da Bíblia na Igreja (21 de
setembro de 1993), IV, C, 2-3, Cidade do Vaticano 1993.
(215) SRS 41; cf. CA 5, 53-62; DCG (1971)
26; Congregação para a Educação Católica, Documento Orientações para o
estudo e o ensinamento da doutrina social da Igreja na formação dos sacerdotes
(30 de dezembro de 1988), Roma 1988.
(216) CT 23; cf. SC 35, 3; CIC cân. 777,
1 e 2.
(217) Cf. CT 21c e 47; DCG (1971) 96, c, d,
e, f.
(218) Cf. 1 Pd 3,15; Congregação
para a Doutrina da Fé, Instrução Donum veritatis, n. 6b: l.c.,
1522. Veja-se o que se encontra indicado na CT 61, acerca da correlação
existente entre catequese e teologia.
(219) CT 45c.
(220) Congregação para a Educação
Católica, Dimensão religiosa da educação na Escola católica. Linhas
fundamentais para a reflexão e a revisão (7 de abril de 1988), n. 68,
Tipografia Poliglota Vaticana, Roma 1988; cf. João Paulo II, Alocução aos
Sacerdotes da Diocese de Roma (5 de março de 1981); Ensinamentos de João
Paulo II, IV1, pág. 629-630; CD 13c; CIC cân. 761.
(221) Cf. Congregação para a Educação
Católica, Documento A Escola Católica (19 de março de 1977), n. 26,
Tipografia Poliglota Vaticana, 1977.
(222) CT 69. Note-se como, para CT 69, a
originalidade do ensino religioso escolar não consiste apenas no tornar
possível o diálogo com a cultura em geral, uma vez que isto diz respeito a
todas as formas do ministério da Palavra. No ensino religioso escolar se busca,
de modo mais direto, promover este diálogo no processo pessoal de iniciação
sistemática e crítica, e de encontro com o patrimônio cultural que a escola
promove.
(223) Cf. Congregação para a Educação
Católica, Dimensão religiosa da educação na Escola Católica, 70, l.c.
(224) Cf. João Paulo II, Alocução
ao Simpósio do Conselho das Conferências Episcopais da Europa sobre o Ensino da
Religião Católica na escola pública (15 de abril de 1991): Ensinamentos de
João Paulo II, XIV1, pp. 780ss.
(225) Ibid.
(226) Cf. CT 69, Congregação para a
Educação Católica, Dimensão religiosa da educação na Escola Católica. Linhas
fundamentais para a reflexão e a revisão, n. 66: l.c.
(227) Cf. CT 33.
(228) Cf. CT 34.
(229) Cf. o que foi indicado no 1 cap.
desta Parte, em A transmissão da A Revelação por meio da Igreja, obra do
Espírito Santo, e na Segunda Parte, no 1 cap., em A eclesialidade da
mensagem evangélica; cf. EN 60, que fala da eclesialidade de
qualquer ato de evangelização.
(230) Cf. LG 64; DV 10a.
(231) Cf. DCG (1971) 13.
(232) Cf. AG 22a.
(233) Cf. CT 28, OICA 25 e 183-187. A traditio-redditio
symboli (entrega e restituição do símbolo) foi e é um elemento importante
do Catecumenato batismal. A bipolaridade deste gesto exprime a dúplice dimensão
da fé: dom recebido (traditio) e resposta pessoal e inculturada (redditio).
Cf. CT 28 para « uma adequada e mais ampla utilização, na catequese, deste rito
tão expressivo ».
(234) Cf. LG 64.
(235) CaIC 169. A relação entre a maternidade
da Igreja e a sua função educadora foi muito bem expressa por S.
Gregório Magno: « Depois de ter sido fecundada, concebendo os seus filhos
graças ao ministério da pregação, a Igreja os faz crescer no seu seio, com os
seus ensinamentos » (Moralia in Iob, LXIX, 12: CCL 143a, 970).
(236) CT 5; cf. CaIC 426; AG 14a. Em
relação a esta finalidade cristológica da catequese, veja-se o que foi indicado
na Primeira Parte, 1 cap.: « Jesus Cristo mediador e plenitude da Revelação
»; e o que se diz na Segunda Parte, 1 cap.: « O cristocentrismo da
mensagem evangélica ».
(237) AG 13b.
(238) CT 20c.
(239) LG 7b.
(240) MPD 8; CaIC 185-187.
(241) Cf. CaIC 189.
(242) Cf. CaIC 180-190 e 197.
(243) CaIC 2113.
(244) Cf. CaIC 166-167; CaIC 196.
(245) Cf. RM 45.
(246) Também o DCG (1971) 21-29 distingue
entre a finalidade (finis) e as tarefas (munera) da catequese. Estes são os
objetivos específicos nos quais se concretiza a finalidade. Cf. Mc 4,10-12.
(247) cf. Mt 6,5-6.
(248) Cf. Mt 10,5-15.
(249) CT 21b.
(250) GE 4; cf. OICA 19; CIC cân. 788, 2.
(251) Cf. DCG (1971) 36a.
(252) DCG (1971) 24.
(253) DV 25a.
(254) SC 7.
(255) Cf. SC 14.
(256) DCG (1971) 25b.
(257) AG 13.
(258) Cf. LC 62, CaIC 1965-1986. O CaIC
1697 precisa em particular as características que a catequese deve assumir na
formação moral.
(259) VS 107.
(260) Cf. CT 29f.
(261) OICA 25 e 188-191.
(262) Cf. CaIC 2761.
(263) PO 6d.
(264) AG 14d.
(265) DCG (1971) 27.
(266) UR 3b.
(267) CT 32; cf. CaIC 821; CT 32-34.
(268) Cf. CT 24b; DCG (1971) 28.
(269) Cf. LG 31b; ChL 15; CaIC 898-900.
(270) Cf. Mt 10, 5-42; Lc 10, 1-20.
(271) Cf. EN 53; RM 55-57.
(272) Cf. RM 55b; Conselho Pontifício
para o Diálogo Inter-religioso e Congregação para a Evangelização dos Povos,
Instrução Diálogo e Anúncio. Reflexões e Diretrizes de Evangelio
nuntiando et de Dialogo interreligioso (19 de maio de 1991), nn. 14-54: AAS 84
(1992) pp. 419-432. CaIC 839-845; Na Quarta Parte, 4 cap., falando dos
destinatários da catequese, se retorna a este tema, no parágrafo « A catequese
no contexto de outras religiões ».
(273) RM 55a.
(274) Cf. CIC cân. 773 e 778, 2.
(275) Cf. DCG (1971) 22 e 23.
(276) Cf. DCG (1971) 26.
(277) DCG (1971) 31b.
(278) Cf. OICA 19.
(279) OICA 9-13.
(280) OICA 14-20; 68-72; 98-105.
(281) OICA 93; cf. MPD 8c.
(282) OICA 21-26; 133-142; 152-159.
(283) OICA 25 e 183-187.
(284) OICA 25 e 188-192.
(285) OICA 37-40; 235-239.
(286) Esta gradualidade transparece
também dos nomes que a Igreja utiliza para designar aqueles que se encontram
nas diversas etapas do Catecumenato batismal: « simpatizante » (OICA
12), o já propenso à fé ainda que não creia plenamente; « catecúmeno »
(OICA 17-18), o firmemente decidido a seguir Jesus; « eleito » ou « concorrente
» (OICA 24), o chamado a receber o Batismo; o « neófito », o
recém-nascido à luz, graças ao Batismo; « fiel cristão » (OICA
39), o maduro na fé e membro ativo da comunidade cristã.
(287) Cf. MPD 8; EN 44; ChL 61.
(288) No presente Diretório Geral para a
Catequese utilizam-se, como distintas, as expressões « catecúmenos » e «
catequizandos », com o objetivo de indicar esta diferença. Por sua vez, o CIC,
cân. 204-206, recorda o diverso modo de união de têm os « catecúmenos » e os «
catequizandos » com a Igreja.
(289) OICA 295. O próprio « Ordo
initiationis christianae adultorum », IV cap., contempla o caso dos adultos
batizados, necessitados de uma catequese de iniciação. CT 44 precisa as
diversas circunstâncias emque esta catequese de iniciação de torna necessária.
(290) AG 14d.
(291) Metodio de Olímpia, por exemplo,
tem em vista esta ação materna da comunidade cristã, quando diz: « Em
relação àqueles que ainda são imperfeitos (na vida cristã), são mais maduros
aqueles que os formam e os dão à luz, como em uma ação materna »: Metódio de
Olímpia, Symposium III, 8; SCh 95, 111. Veja no mesmo sentido: S.
Gregório Magno, Homiliarum in Evangelia, I, III, 2; PL 76, 1086.
(292) OICA 8.
(293) Cf. CT 53.
(294) DCG (1971) 130. Tal parágrafo se
abre com a seguinte afirmação: « O catecumenato dos adultos que é, ao mesmo
tempo, catequese, participação litúrgica e vida comunitária, é um caso típico
de uma instituição que nasce da colaboração de diversas atividades pastorais »
(ivi).
(295) Cf. DCG (1971) 36a.
(296) CT 27.
(297) Cf. DV 10 a e b; 1 Tim 6,20;
2 Tim 1,14.
(298) Cf. Mt 13,52.
(299) DV 13.
(300) Ibid.
(301) DV 10.
(302) Como se vê, empregam-se ambas as
expressões: a fonte e « as fontes ». Fala-se « da » fonte da
catequese para sublinhar a unicidade da Palavra de Deus, recordando o conceito
de Revelação na Dei Verbum. Seguiu-se a CT 27, que fala também da
fonte da catequese. Manteve-se, não obstante, a expressão as fontes,
seguindo o ordinário uso catequético da expressão, para indicar os lugares
concretos, dos quais a catequese extrai a sua mensagem; cf. DCG (1971) 45.
(303) Cf. DCG (1971) 45b.
(304) DV 9.
(305) Ibid.
(306) DV 10b.
(307) DV 10c.
(308) Cf. MPD 9.
(309) Cf. CaIC 426-429; CT 5-6; DCG
(1971) 40.
(310) CT 5.
(311) DCG (1971) 41a; cf. DCG (1971) 39,
40 e 44.
(312) GS 10.
(313) CT 6.
(314) Cf. 1 Cor 15,1-4; EN 15.
(315) CT 11b.
(316) CaIC 139.
(317) Cf. Jo 14,6.
(318) A expressão « Um da Trindade » foi
utilizada pelo V Concílio Ecumênico de Constantinopla (ano 553): Cf.
Constantinopolitarum II, Sessio VIII, can. 4: Dz 424. Foi recordada em
CaIC 468.
(319) CaIC 234; cf. CaIC 2157.
(320) DCG (1971) 41; cf. Ef 2,18.
(321) Cf. DCG (1971) 41.
(322) Cf. CaIC 258, 236 e 259.
(323) Cf. CaIC 236.
(324) CaIC 450.
(325) Cf. CaIC 1878; CaIC 1702. SRS 40
utiliza a expressão « modelo de unidade », referindo-se a este tema.
CaIC 2845 chama a comunhão da SS. Trindade de « fonte e critério da verdade em
cada relação ».
(326) LG 4b, que cita textualmente S.
Cipriano, De Dominica oratione 23; CCL 32A, 105.
(327) Cf. EN 11-14; RM 12-20; CaIC
541-556.
(328) A liturgia da Igreja a exprime
assim, na Vigília pascal: « ...dai aos que foram resgatados pelo vosso Filho, a
graça de compreender que o sacrifício do Cristo, nossa Páscoa, na plenitude dos
tempos, ultrapassa em grandeza, a criação do mundo realizada no princípio »
(Missal Romano – Vigília Pascal, Oração após a Primeira Leitura).
(329) EN 9.
(330) CT 25.
(331) EN 26.
(332) Este dom da salvação nos confere « a
justificação por meio da graça da fé e dos sacramentos, nos liberta do
pecado e nos introduz na comunhão com Deus » (LC 52).
(333) EN 27.
(334) Cf. LG 3 e 5.
(335) Cf. RM 16.
(336) GS 39.
(337) LG 5.
(338) RM 20.
(339) EN 28.
(340) EN 30-35.
(341) EN 30.
(342) CA 57; cf. CaIC 2444.
(343) EN 30.
(344) EN 32; cf. SRS 41; RM 58.
(345) EN 32.
(346) EN 33; cf. LC: esta Instrução é um
ponto de referência obrigatório para a catequese.
(347) LC 71.
(348) CA 57; LC 68; cf. SRS 42; CaIC
2443-2449.
(349) LC 68.
(350) SRS 41; cf. LC 77. Por sua vez, o
Sínodo de 1971 abordou um tema de fundamental importância para a catequese: A
educação à justiça: cf. Documentos do Sínodo dos Bispos, II: De Iustitia
in mundo, III: l.c., 835-937.
(351) OICA 75; cf. CaIC 1253.
(352) Cf. CaIC 172-175, onde,
inspirando-se a S. Irineu de Lyon, se analisa toda a riqueza contida na
realidade de uma só fé.
(353) CaIC 815: « ...a unidade da
Igreja no tempo é assegurada também pelos laços visíveis de comunhão: a profissão
de uma só fé recebida dos Apóstolos; a celebração comum do culto divino,
sobretudo dos sacramentos; a sucessão apostólica mediante o sacramento da
Ordem, que conserva a concórdia fraterna da família de Deus ».
(354) EN 61, que cita S. Gregório Magno e
a Didaqué.
(355) CaIC 1076.
(356) DCG (1971) 44.
(357) Os Santos Padres, baseando o
conteúdo da catequese na narração dos eventos da salvação, desejavam enraizar o
cristianismo no tempo, mostrando que era história salvífica e não uma mera
filosofia religiosa; assim como desejavam evidenciar que Cristo era o centro
desta história.
(358) 3 CaIC 54-64. Nesses textos do
Catecismo, que são referência fundamental para a catequese bíblica, se indicam
as etapas mais importantes da Revelação, nas quais a Aliança é o tema
chave. Cf. CaIC 1081 e 1093.
(359) Cf. DV 4.
(360) DCG (1971) 11.
(361) CaIC 1095; cf. CaIC 1075; CaIC
1116; cf. CaIC 129-130 e 1093-1094.
(362) CaIC 1095. O CaIC no n. 1075 indica
o caráter indutivo desta « catequese mistagógica », uma vez que « procede do
visível para o invisível, do significante àquilo que é significado, dos
"sacramentos" aos "mistérios" ».
(363) DV 2.
(364) DCG (1971) 72; cf. CaIC 39-43.
(365) Cf. IV Parte, cap. 5.
(366) AG 10; cf. AG 22a.
(367) CT 53; cf. EN 20.
(368) O termo « inculturação » foi
assumido por diversos documentos do Magistério. Veja-se: CT 53; RM 52-54. O
conceito de « cultura », tanto em sentido geral quanto em sentido « sociológico
e etnológico », foi esclarecido na GS 53; cf. também ChL 44a.
(369) AG 22a; cf. LG 13 e 17; GS 53-62;
DCG (1971) 37.
(370) Cf. RM 52b que fala de um « longo
tempo » exigido pela inculturação.
(371) EN 20; cf. EN 63; RM 52.
(372) LG 13 utiliza a expressão «
fomenta e assume (fovet et assumit) ».
(373) LG 17 exprime-se assim: «
purifica-os, reforça-os e eleva-os » (sanare, elevare er consummare).
(374) EN 19 afirma: « atingir e como
que modificar ».
(375) RM 54a.
(376) RM 54b.
(377) Cf. GCM, 12.
(378) Cf. CaIC 24.
(379) CT 30.
(380) Cf. ibid.
(381) DCG (1971) 38a.
(382) Cf. DCG (1971) 38b.
(383) Cf. Mt 11,30.
(384) EN 63 utiliza as expressões «
assimilar » e « transpor »; cf. RM 53b.
(385) EN 63c; cf. CT 53c; CT 31.
(386) Sínodo de 1985, Relatório Final,
II, D, 3; cf. EN 65.
(387) CT 31, que também expõe a
integridade da mensagem e a sua organicidade; cf. DCG (1971) 39 e 43.
(388) CaIC 234.
(389) UR 11.
(390) DCG (1971) 43.
(391) DCG (1971) 41.
(392) S. Cirilo de Jerusalém, a propósito
do Símbolo, afirma: « Este símbolo da fé não foi elaborado segundo as
opiniões humanas, mas da Escritura inteira recolheu-se o que existe de mais
importante, para dar, na sua totalidade, a única doutrina da fé » (Catecheses
illuminandorum, 5, 12: PG 33, 521). O texto é referido também no CaIC 186.
(393) CaIC 1211.
(394) CaIC 1211.
(395) S. Agostinho apresenta o Sermão da
Montanha como « a carta perfeita da vida cristã... que contém todos os
preceitos apropriados para guiá-la » (« De sermone Domini in monte »,
1,1; CCL 35,1); cf. EN 8.
(396) O Pai Nosso é, na verdade, « o
resumo de todo o Evangelho » (Tertulliano, De oratione, 1, 6: CSEL
20, 181). « Percorrei todas as orações nas Escrituras, e não creio que se
possa encontrar alguma coisa que não esteja incluída na oração do Senhor »
(S. Agostinho, Epístola 130, c. 12: PL 33, 502); cf. CaIC 2761.
(397) GS 22a.
(398) Cf. ibid.
(399) CT 22c; cf. EN 29.
(400) GS 22b.
(401) CaIC 521; cf. CaIC 519-521.
(402) Cf. CT 20b.
(403) Cf. Rm 6,4.
(404) DCG (1971) 74; cf. CT 29.
(405) Cf. AG 8a.
(406) Cf. Fl 1,27.
(407) Cf. CaIC 1697.
(408) Cf. CaIC 1145-1152.
(409) Cf. Parte III, cap. 2.
(410) DCG (1971) 46.
(411) CT 31.
(412) Cf. CIC 775, §§ 1-3.
(413) Cf. FD 2d.
(414) FD 4a.
(415) DCG (1971) Introdução.
(416) DCG (1971) Parte III, cap. 2.
(417) CaIC 11.
(418) FD 4c; FD 4b.
(419) CaIC 815.
(420) FD 4a; cf. FD 4c.
(421) FD 1f; FD 4c.
(422) FD 4d.
(423) Ibid.
(424) FD 3d.
(425) FD 3e.
(426) Cf. CaIC 13.
(427) Cf. Parte I, cap. 3 do presente
Diretório.
(428) Cf. Cardeal J. Ratzinger, Il
Catechismo della Chiesa Cattolica e l'ottimismo dei redenti, in J.
Ratzinger – C. Schönborn, Breve introduzione al Catechismo della Chiesa
cattolica (tit. orig. Kliene Hinführung zum Katechismus der Katholischen
Kirche, München 1993), Roma 1994, pp. 26-27.
(429) Cf. CaIC 189-190; 1077-1109;
1693-1695; 2564, etc.
(430) Cf. CaIC 27-49; 355-379; 456-478;
1699-1756; etc.
(431) GS 22a.
(432) Cf. DCG (1971) 119.
(433) CaIC 24.
(434) DV 21.
(435) MPD 9c; Comissão Bíblica
Pontifícia, Documento A interpretação da Bíblia na Igreja IV, c, 3: l.c.
(436) CT 27; cf. Sínodo de 1985, II, B,
a, 1.
(437) DV 9.
(438) Cf. MPD 9.
(439) DV 8c.
(440) Quando o Concílio Vaticano II
solicitou a restauração do catecumenato dos adultos, sublinhou a sua
necessária gradatividade: « Seja restabelecido o catecumenato dos adultos,
dividido em mais fases ».
(441) É significativo, a título de
exemplo, o testemunho de Orígenes: « Quando abandones as trevas da idolatria e
desejas chegar ao conhecimento da lei divina, então tem início a tua saída do
Egito. Quando tiveres sido agregado à multidão dos catecúmenos e tiveres
começado a obedecer os mandamentos da Igreja, então atravessastes o Mar
Vermelho. Nas etapas no deserto, a cada dia, te empenhas em ouvir a lei de Deus
e a contemplar a face de Moisés, que te mostra a glória do Senhor. Mas quando
chegas à fonte batismal, tendo atravessado o Jordão, entrarás na terra
prometida » (Origenes, Homiliae in Iesu Nave, IV, 1: SCR 71, 149).
(442) CaIC 13.
(443) O presente título se refere
exclusivamente aos Catecismos oficiais, isto é, àqueles que o Bispo diocesano
(CIC cân. 775,1) ou a Conferência Episcopal (CIC cân. 775, 2) assume como
próprios. Os Catecismos não oficiais (CIC cân. 827, 1) e outros instrumentos de
trabalho para a catequese (DCG 1971, 116) são considerados na Parte V, cap. 4.
(444) FD 4c.
(445) FD 4d.
(446) Cf. CIC cân. 775.
(447) CT 53a; Cf. CaIC 24.
(448) CT 50.
(449) DV 15.
(450) Cf. DV 13.
(451) DV 13.
(452) DV 13. Amor inefável,
providência solícita, condescendência são expressões que definem a
pedagogia divina na Revelação. Mostram o desejo de Deus de «adaptar-Se » (synkatabasis)
aos seres humanos. Este mesmo espírito deve guiar a elaboração dos catecismos
locais.
(1) DCG (1971) 119.
(2) Na catequese, junto aos instrumentos,
intervêm outros fatores decisivos: a pessoa do catequista, o seu método de
transmissão, a relação entre o catequista e o catequizando, o respeito pelo
ritmo interior de recepção por parte do destinatário, o clima de amor e de fé
na comunicação, a ativa participação da comunidade cristã, etc.
(3) Cf. Parte IV, cap. I.
(4) CaIC 24.
(5) GS 44.
(6) CT 53a.
(7) Cf. CT 55c; MPD 7; DCG (1971) 34.
(8) Cf. CT 39-40.
(9) Nos Catecismos locais se deve prestar
uma grande atenção à abordagem e à orientação da religiosidade popular (Cf. EN
48; CT 54; CaIC 1674-1676); igualmente no que concerne ao diálogo ecumênico
(Cf. CT 32-34; CaIC 817-822) e ao diálogo interreligioso (cf. EN 53; RM 55-57 e
CaIC 839-845).
(10) LC 72 faz a distinção entre «
princípios de reflexão », « critérios de julgamento » e « diretrizes de ação »,
que a Igreja oferece na sua doutrina social. Um Catecismo deverá saber
distinguir estes níveis.
(11) Faz-se referência, fundamentalmente,
às « diferentes situações sócio-religiosas » diante da evangelização. Elas são
tratadas na Parte I, cap. 1.
(12) Sobre esta distinção entre
Catecismos locais e obras sintéticas do CaIC, ver o que está indicado em:
Congregação para a Doutrina da Fé – Congregação para o Clero, Carta aos
Presidentes das Conferências Episcopais Orientações sobre as sínteses do
Catecismo da Igreja Católica (Prot. N. 94004378, de 20 de dezembro de 1994),
Premissas 1-5. Entre outras coisas, se afirma: « As obras que sintetizam o CaIC
podem ser erroneamente entendidas como sucedâneos dos Catecismos locais, a
ponto de, de fato, desencorajar a preparação destes, quando na verdade, tais
sínteses não contêm aquelas adaptações às particulares situações dos
destinatários, exigidas pela catequese » (Premissa 4).
(13) Cf. CIC cân. 775, §§ 1-2.
(14) A questão da linguagem, tanto nos
Catecismos locais quanto no ato catequético, é de capital importância; cf. CT 59.
(15) EN 63. Nesta delicada tarefa de assimilar-traduzir
indicada neste texto, é muito importante levar em consideração a observação
feita pela Congregação para a Doutrina da Fé – Congregação para o Clero, em:
Orientações sobre as obras de síntese do Catecismo da Igreja Católica,
Premissa 3, l.c.: « A elaboração dos Catecismos locais que tenham o CaIC
como « texto de referência seguro e autorizado » (FD 4), permanece como um
objetivo importante para os Episcopados. Mas as previsíveis dificuldades que se
encontram em tal tarefa, poderão ser superadas somente se, mediante um adequado
e talvez também prolongado tempo de assimilação do CaIC, se tiver preparado um
terreno teológico, catequético e lingüístico para uma real obra de inculturação
dos conteúdos do Catecismo ».
(16) GS 62b.
(17) FD 4b.
(18) RM 54b.
(19) CaIC 815.
(20) LG 23a.
(21) Congregação para a Doutrina da Fé,
Carta Communionis notio, n. 9: l.c., 843.
(22) Cf. CT 63b.
(23) Cf. Jo 15,15; Mc 9,33-37;
10,41-45.
(24) CT 9.
(25) Cf. Mc 8,14-21.27.
(26) Cf. Mc 4,34; Lc 12,41.
(27) Cf. Lc 11,1-2.
(28) Cf. Lc 10,1-20.
(29) Cf. Jo 16,13.
(30) Cf. Mt 10,20; Jo 15,26;
At 4,31.
(31) CT 9.
(32) CT 58.
(33) DV 15; DCG (1971) 33; CT 58; ChL 61;
CaIC 53, 122, 684, 798, 1145, 1609, 1950, 1964.
(34) Cf. Dt 8,5; Os 11,3-4;
Pr 3,11-12.
(35) Cf. Dt 4,36-40; 11,2-7.
(36) Cf. Ex 12,25-27; Dt 6,4-8;
6,20-25; 31,12-13; Js 4,20.
(37) Cf. Am 4,6; Os 7,10; Jr
2,30; Pr 3,11-12; Hb 12,4-11; Ap 3,19.
(38) Cf. Mc 8,34-38; Mt 8,18-22.
(39) LG 1.
(40) CaIC 169; cf. GE 3c.
(41) Cf. GE 4.
(42) Cf. Paulo VI, Carta Enc. Ecclesiam
Suam (6 de agosto de 1964), III: AAS 56 (1964), 6637-659.
(43) Cf. DV 2.
(44) Cf. RM 15; CaIC 24 b-25; DCG (1971)
10.
(45) Cf. MPD 11; CT 58.
(46) Cf. CT 52.
(47) Cf. Paulo VI, Carta enc. Ecclesiam
Suam, l.c., 609-659.
(48) Cf. MPD 7-11; CaIC 3, 13; DCG (1971)
36.
(49) DV 5.
(50) Cf. MPD 7; CT 55; DCG (1971) 4.
(51) CT 55.
(52) Cf. DCG (1971) 10 e 22.
(53) DV 13; CaIC 684.
(54) Cf. DV 2.
(55) Cf. DV 13.
(56) Cf. EN 63; CT 59.
(57) Cf. CT 31.
(58) Cf. GE 1-4; CT 58.
(59) CT 51.
(60) CT 51.
(61) CT 31, 52, 59.
(62) CT 52.
(63) Cf. Comissão Bíblica Pontifícia,
Documento A interpretação da Bíblia na Igreja, l.c.
(64) MPD 9.
(65) DCG (1971) 72.
(66) Cf. DCG (1971) 72.
(67) Cf. DCG (1971) 74; CT 22.
(68) Aqui entendemos aquelas experiências
ligadas às « grandes questões » da vida e da realidade, inerentes à pessoa: a
existência de Deus, o destino da pessoa, a origem e a conclusão da história, a
verdade sobre o bem e o mal, o sentido do sofrimento, do amor, do futuro...;
cf. EN 53; CT 22 e 39.
(69) Cf. Parte I, cap. 3; DCG (1971) 71;
CT 55.
(70) Cf. MPD 9.
(71) Cf. CT 55.
(72) Cf. CaIC 22.
(73) CT 55.
(74) Cf. Parte I, cap. 3, in « O
catecumenato batismal: estrutura e fases ».
(75) DCG (1971) 71; cf. Parte V, cap. 1 e
2.
(76) DCG (1971) 75.
(77) Cf. Parte V, cap. 1.
(78) Cf. AG 14; DCG (1971) 35; CT 24.
(79) Cf. EN 46.
(80) DCG (1971) 76.
(81) Cf. DCG (1971) 122-123; EN 45; CT
46; FC 76; ChL 44; RM 37; Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais,
Instrução Aetatis novae (22 de fevereiro de 1992): AAS 84 (1992), pp.
447-468; EA 71; 122-124.
(82) Cf. RM 37.
(83) Aetatis novae, l.c., n. 11.
(84) Cf. EN 45.
(85) Cf. CT 46.
(86) Cf. DCG (1971) 122.
(87) RM 37.
(88) EN 45.
(89) Cf. FC 76.
(90) ChL 44.
(91) RM 14; 23; cf. EN 49-50; CT 35s.
(92) Cf. Lc 4,18.
(93) Cf. Mc 16,15.
(94) Cf. Introdução Geral.
(95) Cf. DCG (1971) 77.
(96) EN 49-50; CT 14; 35s.
(97) RH 13; cf. EN 31.
(98) Cf. RH 13-14; CaIC 24.
(99) Cf. DCG (1971) 75.
(100) DCG (1971) 21.
(101) CT 13.
(102) Cf. GS 44; EN 63; CT 31; CaIC
24-25.
(103) GS 44. Nesta Quarta Parte, é
aceito, porque utilizado pelo Magistério e por utilidade prática, o duplo termo
« adaptação » e « inculturação », dando ao primeiro termo prevalentemente o
sentido de atenção às pessoas, e ao segundo o sentido de atenção aos contextos
culturais.
(104) Cf. RM 33.
(105) CaIC 24.
(106) RH 14.
(107) Cf. CT 45.
(108) Cf. DCG (1971) 20; 92-97; CT 43-44;
COINCAT, A catequese dos adultos na comunidade cristã, 1990.
(109) Cf. DCG (1971) 20; CT 19; 44; COINCAT
10-18.
(110) Cf. COINCAT 10-18.
(111) Cf. CT 44.
(112) Cf. CT 19.
(113) Cf. DCG (1971) 92-94; CT 43;
COINCAT 20-25; 26-30; 33-84.
(114) Cf. 1 Cor 13,11; Ef 4,13.
(115) Cf. COINCAT 33-84.
(116) Cf. COINCAT 26-30.
(117) LG 31; cf. EN 70; ChL 23.
(118) Cf. ChL 57-59.
(119) Cf. DCG (1971) 97.
(120) Cf. Primeira Parte, 2 cap.; DCG
(1971) 96.
(121) Cf. DCG (1971) 78-81; CT 36-37.
(122) DCG (1971) 78-79; ChL 47.
(123) Cf. ChL 47.
(124) Cf. Mc 10,14.
(125) DCG (1971) 78-79; CT 37.
(126) Cf. CT 37.
(127) Cf. Sagrada Congregação para o
Culto Divino, Diretório para as missas com a participação de crianças
(1o de novembro de 1973): AAS 66 (1974), pp. 30-46.
(128) Cf. DCG (1971) 79.
(129) Cf. DCG (1971) 78, 79.
(130) Cf. DCG (1971) 80-81; CT 42.
(131) Cf. DCG (1971) 82-91; EN 72; CT
38-42.
(132) Cf. DCG (1971) 83.
(133) Cf. Introdução geral, 23-24.
(134) Cf. DCG (1971) 82; EN 72; MPD 3; CT
38-39; ChL 46; TMA 58.
(135) GE 2; ChL 46.
(136) Mt 19, 16-22; cf. João Paulo
II, Carta aos Jovens Parati semper (31 de março de 1985): AAS 77 (1985),
pp. 579-628.
(137) Cf. João Paulo II, Parati
semper, cit. n. 3.
(138) ChL 46; cf. DCG (1971) 89.
(139) Cf. DCG (1971) 84-89; CT 38-40.
(140) Cf. DCG (1971) 87.
(141) Outros temas significativos:
relação entre fé e razão; a existência e o sentido de Deus; o problema do mal;
a pessoa de Cristo; a Igreja; a ordem ética em relação à subjetividade pessoal;
o encontro homem e mulher; a doutrina social da Igreja...
(142) CT 40.
(143) Cf. DCG (1971) 95; ChL 48.
(144) Cf. ChL 48.
(145) Cf. DCG (1971) 91; CT 41.
(146) Cf. CT 59.
(147) Cf. EN 51-56; MPD 15.
(148) Cf. Introdução Geral, 23-24.
(149) EN 54.
(150) Cf. 1 Pd 3,15.
(151) Cf. DCG (1971) 6; EN 48; CT 54.
(152) EN 48.
(153) EN 48.
(154) Cf. Paulo VI, Exort. Ap. Marialus
cultus (2 de fevereiro de 1974), nn. 24, 25, 29: AAS 66 (1979), pp.
134-136, 141.
(155) Cf. DCG (1971) 27; MPD 15; EN 54;
CT 32-34; Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Diretório
de aplicação dos princípios e das normas sobre o ecumenismo (25 de março de
1993) 61: AAS 85 (1993), pp. 1063-1064; TMA 34; João Paulo II, Carta enc. Ut
unum sint (25 de maio de 1995), n. 18: AAS 87 (1995), p. 932.
(156) CT 33.
(157) Cf. UR 11.
(158) Cf. Diretório para o ecumenismo,
n. 190, l.c., p. 1107.
(159) Cf. CT 33.
(160) Cf. NA 4; Secretariado para a União
dos Cristãos (Comissão para as relações religiosas com o Hebraísmo), Hebreus
e hebraísmo na pregação e na catequese católica (24 de junho de 1985).
(161) CaIC 839.
(162) Hebreus e hebraísmo, cit.,
n. VII.
(163) Cf. NA, 4.
(164) Cf. EN 53; MPD 15, ChL 35; RM
55-57; CaIC 839-845; TMA 53; Conselho Pontifício para o Diálogo inter-religioso
e Sagrada Congregação para a Evangelização dos Povos, Instr. Diálogo e
Anúncio (19 de maio de 1991): AAS 84 (1992), pp. 414-446; 1263.
(165) Secretariado para a União dos
Cristãos — Secretariado para os não Cristãos — Secretariado para os não Crentes
— Conselho Pontifício para a Cultura, Relatório O fenômeno das seitas ou
novos movimentos religiosos: desafio pastoral: « L'Osservatore Romano », 7
de maio de 1986.
(166) « O fenômeno das seitas ou novos
movimentos religiosos: desafio pastoral », cit., n. 5.4.
(167) RM 38.
(168) Cf. Segunda Parte, cap. 1; DCG
(1971) 8; EN 20; 63; CT 53; RM 52-54; João Paulo II, Discurso aos membros do
Conselho Internacional de Catequese: « L'Osservatore Romano, 27 de setembro
de 1992; cf. Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos,
Instrução A liturgia romana e a inculturação (25 de janeiro de 1985):
AAS 87 (1995), pp. 288-319; Comissão Teológica Internacional, Documento Commissio
Theologica sobre Fé e inculturação (3-8 de outubro de 1988); cf. ainda João
Paulo II, Exort. apost. pós-sinodal Ecclesia in Africa, l.c.; Discursos
de João Paulo II por ocasião das suas viagens pastorais.
(169) Cf. EN 20; 63; CT 53; RM 52-54;
CaIC 172-175.
(170) CT 53.
(171) Cf. Segunda Parte, cap. 1.
(172) Cf. CT 53.
(173) CT 53.
(174) EN 20.
(175) RM 54.
(176) Cf. CT 59.
(177) CT 59.
(178) RM 37.
(179) Cf. Terceira Parte, cap. 2.
(180) Cf. DCG (1971) 123.
(181) João Paulo II, Discurso aos membros
do COINCAT, l.c.
(182) CaIC 24; cf. FD 4.
(183) RM 37.
(184) ChL 63.
(185) Cf. Quinta Parte, cap. 4.
(186) EN 63.
(187) Nesta Quinta Parte, como no
restante do presente documento, a expressão « Igreja particular » se
refere à Diocese e aos seus similares (CIC, cân. 368). A expressão «Igreja
local » se refere à agregação de Igrejas particulares, bem estabelecidas
numa região ou nação, ou ainda em um conjunto de nações unidas entre si, por
vínculos particulares. Cf. Primeira Parte, cap. 3: « A catequese é uma ação
de natureza eclesial » e Segunda Parte, cap. 1: « A eclesialidade da
mensagem evangélica ».
(188) Como ensina LG 26a, as legítimas
agregações dos fiéis recebem o nome de « Igrejas » no NT; cf. os textos
bíblicos com os quais se abre esta parte.
(189) Cf. CD 11.
(190) A Igreja particular é descrita,
antes de mais nada, como « porção do Povo de Deus » (CD 11).
(191) Congregação para a Doutrina da Fé,
Carta «Communionis Notio », 7: AAS 85 (1993), 8.
(192) Ibidem, 9b.
(193) LG 23b recolhe o testemunho de S.
Hilário de Poitiers, in Ps 14,3 (PL 9, 206) e de S. Gregório Magno, Moral,
IV, 7, 12 (PL 75, 643).
(194) EN 14.
(195) Cf. At 2,11.
(196) « Communionis Notio » 7: l.c.,
842.
(197) Ibidem, 9b: l.c. p.
843; cf AG 4.
(198) A expressão ministério da
catequese é utilizada em CT 13.
(199) É importante sublinhar o caráter de
serviço único que a catequese reveste na Igreja particular. O « sujeito
» das grandes ações evangelizadoras é a Igreja particular. É ela que anuncia,
que transmite o Evangelho, que celebra... Os agentes « servem » a este
ministério e agem « em nome da Igreja ». As implicações teológicas, espirituais
e pastorais desta « eclesialidade » da catequese são grandes.
(200) Cf. CT 16: É uma responsabilidade diferenciada
mas comum. Cf. também a nota 54, inserida no n. 50, para esclarecer o
termo « ministério da Palavra ».
(201) AG 14. Neste sentido, se exprime CT
16: « A catequese tem sido sempre e continuará a ser uma obra pela qual toda a
Igreja deve sentir-se e demonstrar a vontade de ser responsável ». Cf. também:
MPD 12; OICA 12; CIC cân. 774, 1.
(202) « A catequese deve basear-se no testemunho
da comunidade cristã » (DCG (1971) 35); cf. Quarta Parte, cap. 2.
(203) CT 24.
(204) « Além deste apostolado, que
compete a todos os cristãos sem exceção, os leigos podem, de diversos modos,
ser chamados a uma cooperação mais imediata com o apostolado da Hierarquia, à
semelhança daqueles homens e mulheres que ajudavam o apóstolo Paulo no
Evangelho, trabalhando muito pelo Senhor » (LG 33). Esta doutrina conciliar foi
assumida pelo CIC, cân. 228 e 759.
(205) LG 25; cf. CD 12a; EN 68c.
(206) LG 25.
(207) Ibid.
(208) DV 8.
(209) CT 63b.
(210) Cf. CT 12a.
(211) CT 63c.
(212) CT 63c; CIC, cân. 775, § 1.
(213) Cf. CT 63c; CIC, cân. 823, § 1.
(214) CT 63c.
(215) CD 14b; CIC, cân. 780.
(216) PO 2c, 6; Cf. João Paulo II,
Exortação apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis (25 de março de
1992), n. 12: l.c., 675-677.
(217) PO 6b.
(218) Cf. CIC, cân. 773.
(219) LG 10.
(220) LG 10. Acerca dos « dois modos de
participar do único sacerdócio de Cristo » cf. CaIC 1546-1547.
(221) PO 9b.
(222) Cf. CIC, cân. 776-777.
(223) CT 64. Com relação a esta
orientação de fundo que os presbíteros devem colaborar a dar à catequese, o
Concílio Vaticano II aponta duas exigências fundamentais: « não ensinar a
própria sabedoria, mas a Palavra de Deus » (PO 4) e « expor a Palavra de Deus,
não de modo geral e abstrato, mas aplicar a verdade perene do Evangelho às
concretas circunstâncias da vida » (ibid.).
(224) Cf. no cap. 3 desta Parte, o número
dedicado à «Família como âmbito ou meio de crescimento na fé », onde se
analisam as características da catequese familiar. Esse número reflete
mais sobre os genitores como agentes da catequese; cf. CIC, cân. 774, § 2.
(225) CT 68.
(226) Ibid..
(227) Ibid.
(228) Cf. ChL 62; cf. FC 38.
(229) FC 38.
(230) CT 68; cf. EN 71b.
(231) Cf. CT 68.
(232) LG 11; cf. EC 36b.
(233) CT 65; cf. CIC, cân. 778.
(234) CaIC 915; cf. LG 44.
(235) EN 69; cf. VC 33.
(236) Cf. VC 31, acerca das « relações
entre os diversos estados de vida do cristão ».
(237) CT 65; cf. RM 69.
(238) CT 65.
(239) Cf. 1 Cor 12,4; LG 12b.
(240) LG 31. Na ChL se analisa
detalhadamente, este « caráter secular ».
(241) LG 35.
(242) AA 2b. Cf. Rituale Romanum, Ordo
Baptismi Parvulorum, n. 62, Editio Typica, Typis Polyglottis Vaticanis
1969; OICA 224.
(243) CaIC 429.
(244) O Código de Direito Canônico
estabelece que a autoridade da Igreja possa atribuir oficialmente um ofício ou
serviço eclesial aos leigos, prescindindo do fato que aquele serviço seja ou
não um « ministério » não ordenado formalmente instituído como tal: « Os
leigos que forem idôneos, estão habilitados a ser assumidos pelos Pastores
sagrados para ofícios eclesiásticos e para encargos que podem desempenhar
segundo as prescrições do Direito » (CIC, cân. 228, § 1); cf. EN 73; ChL 23.
(245) CT 66b; cf. GCM.
(246) CT 66b.
(247) GCM 4.
(248) Ibid.
(249) CT 45; cf. RM 37 ab, par. 2.
(250) RM 33.
(251) CT 66a.
(252) Ibid.; cf. CT 42.
(253) Cf. DCG (1971) 96c.
(254) Cf. CT 45; cf. DCG (1971) 95.
(255) Cf. DCG (1971) 91; cf. CT 41.
(256) CT 45a.
(257) GCM 5.
(258) O Concílio Vaticano II distingue
dois tipos de catequistas: os « catequistas com plena dedicação » e os «catequistas
auxiliares » (cf. AG 17). Esta distinção é retomada pelo GCM 4, com a
terminologia « catequistas a tempo integral » e « catequistas a tempo parcial
».
(259) Cf. GCM 5.
(260) Cf. DCG (1971) 108a.
(261) DCG (1971) 11.
(262) Cf. CT 5c. Este texto define a
finalidade cristocêntrica da catequese. Tal fato determina o cristocentrismo do
conteúdo da catequese, o cristocentrismo da resposta do destinatário, o sim
a Jesus Cristo, e o cristocentrismo da espiritualidade do catequista e da sua
formação.
(263) Destacam-se aqui as quatro etapas
do Catecumenato batismal, vistas numa perspectiva cristocêntrica.
(264) GCM 20.
(265) LG 64.
(266) Cf. DCG (1971) 114.
(267) Cf. GCM 7.
(268) Cf. GCM 13.
(269) DCG (1971) 31.
(270) CT 52; cf. CT 22.
(271) Cf. CT 22d.
(272) Cf. GCM 21.
(273) As qualidades humanas sugeridas pelo
GCM são as seguintes: facilidade de relações humanas e de diálogo, idoneidade
para a comunicação, disposição para a elaboração, função de guia, serenidade de
juízo, compreensão e realismo, capacidade de dar consolação e esperança,...
(cf. 21).
(274) EN 79.
(275) Cf. ChL 60.
(276) Cf. DCG (1971) 112. GCM 23 sublinha
a importância primordial da Sagrada Escritura na formação dos catequistas: « A
Sagrada Escritura deve continuar a ser o sujeito principal do ensinamento
econstituir a alma de todo o estudo teológico. Onde for necessário, deverá ser
potencializado ».
(277) ChL 60c.
(278) CT 22.
(279) DCG (1971) 112.
(280) GS 62b.
(281) DCG (1971) 100.
(282) GS 59.
(283) « O ensino das ciências humanas,
dada a enorme extensão e diversidade dessas disciplinas, apresenta difíceis
problemas de opção e de impostação. Como não se trata de formar especialistas
em psicologia, mas sim catequistas, o critério a seguir é o de distinguir e
optar por aquilo que pode, mais diretamente, tornar mais fácil para eles, a
aquisição da capacidade de comunicação » (DCG $[1971$
(284) Um texto fundamental para utilizar
as ciências humanas na formação dos catequistas continua a ser esta
recomendação do Concílio Vaticano II, na GS 62: « Os fiéis vivam, portanto,
muito unidos aos outros homens de sua época e procurem perceber perfeitamente
suas maneiras de pensar e de sentir, expressas pela cultura. Saibam harmonizar
os conhecimentos das novas ciências e doutrinas e das últimas descobertas, com
a moral e pensamento cristão, a fim de que a prática da religião e a retidão
moral procedam, nestes mesmos homens, de pari passu com o conhecimento
científico e com o contínuo progresso da tecnologia, de maneira que eles possam
julgar e interpretar todas as coisas com sensibilidade autenticamente cristã ».
(285) A importância da pedagogia foi
sublinhada pela CT 58: « Dentre as numerosas e prestigiosas ciências do homem,
nas quais se manifesta em nossos dias, um imenso progresso, a Pedagogia é,
certamente, uma das mais importantes (...) a ciência da educação e a arte de
ensinar são objeto de contínuos reexames, em vista de obter uma melhor
adaptação ou uma maior eficácia das mesmas... ».
(286) Cf. CT 58.
(287) Cf. DCG (1971) 113.
(288) Ibid.
(289) DCG (1971) 112.
(290) Cf. GCM 28.
(291) « Os sacerdotes e os religiosos
devem ajudar os fiéis leigos na sua formação. Neste sentido, os Padres sinodais
convidaram os presbíteros e os candidatos às Ordens a « prepararem-se
diligentemente para serem capazes de favorecer a vocação e missão dos leigos »
(ChL 61).
(292) Cf. ChL 61.
(293) « São também recomendadas as
iniciativas paroquiais... voltadas à formação interior dos catequistas, tais
como as escolas de oração, a convivência de fraternidade e de compartilha
espiritual, os retiros espirituais. Estas iniciativas não isolam os
catequistas, mas sim os ajudas a crescer na espiritualidade própria e na
comunhão entre si » (GCM 22).
(294) Cf. DCG (1971) 110.
(295) Cf. no diz respeito às escolas para
catequistas nas missões: AG 17c; RM 73; CIC cân. 785 e GCM, 30. Para a Igreja
em geral, ver DCG (1971) 112.
(296) A expressão catequista de base
é utilizada no DCG (1971) 112.
(297) Cf. DCG (1971) 109b.
(298) DCG (1971) 109a.
(299) CT 71a.
(300) Ver Quinta Parte, cap. 1: « A
comunidade cristã e a responsabilidade de catequizar », onde se fala da
comunidade como responsável pela catequese. Esta é aqui considerada como «
lugar » de catequização.
(301) Cf. Congregação para a Doutrina da
Fé, CartaCommunionis notio, n. 1: l.c., 838.
(302) Cf MPD 13.
(303) Cf. CT 24.
(304) CT 67a. Trata-se de uma expressão
clássica na catequese. A Exortação apostólica fala dos lugares da
catequese (« de locis catecheseos »).
(305) Cf. LG 11; cf. AA 11; FC 49.
(306) EN 71.
(307) Cf. GS 52; FC 37a.
(308) Veja-se a Primeira Parte, cap. 3: «
O Catecumenato batismal: estrutura e fases ». Aqui se afronta o
Catecumenato batismal como lugar de catequese e em relação à contínua
presença da comunidade nesse.
(309) Cf. DCG (1971) 130, onde se
descreve assim a finalidade do Catecumenato batismal; cf. OICA 4, que indica a
conexão do Catecumenato batismal com a comunidade cristã.
(310) Sínodo de 1977, MPD 8c.
(311) Cf. OICA 4, 41.
(312) OICA 18.
(313) OICA 41.
(314) Cf. OICA 41.
(315) CF. CT 67c.
(316) Cf. AA 10.
(317) CT 67b.
(318) Ibidem.
(319) Ibidem.
(320) A importância da catequese dos
adultos foi sublinhada na CT 43 e no DCG (1971) 20.
(321) ChL 61.
(322) Cf. EN 52.
(323) Cf. DCG (1971) 96c.
(324) É importante constatar como João
Paulo II, na ChL 61, aponta a conveniência das pequenas comunidades eclesiais
no contexto das paróquias e não como um movimento paralelo, que absorve os seus
membros melhores: « No seio de algumas paróquias... as pequenas comunidades
eclesiais existentes podem dar uma ajuda notável na formação dos cristãos,
podendo tornar mais capilares e incisivas a consciência e a experiência da
comunhão e da missão eclesial ».
(325) Cf. Sagrada Congregação para a
Educação Católica, Documento L'école catholique: l.c
(326) Congregação para a Educação
Católica, Dimensão Religiosa da educação na Escola Católica. Diretrizes para
a Reflexão, n. 31: l.c.
(327) GE 8.
(328) Congregação para a Educação
Católica, Dimensão religiosa da educação..., n. 32: l.c.
(329) « O caráter próprio e a razão
profunda de ser das escolas católicas, aquilo por que os pais católicos as
deveriam preferir é precisamente a qualidade do ensino religioso integrado na
educação dos alunos » (CT 69); cf. Primeira Parte, cap. 2, nn. 73-76.
(330) AG 12b.
(331) Cf. CT 70.
(332) CT 70. Aqui se faz referência
àquelas associações, movimentos ou grupos de fiéis, nos quais se dá especial
atenção aos aspectos catequéticos nos seus objetivos formativos, mas que não
nascem especificamente para constituir-se em âmbitos de catequização.
(333) ChL 62.
(334) CT 67.
(335) CT 47b.
(336) Cf. CT 47b.
(337) CT 47. Neste texto, João Paulo II
fala dos diversos grupos de jovens: grupos de ação católica, grupos
caritativos, de oração, de reflexão cristã... Pede para que neles não falte «
um estudo sério da doutrina cristã ». A catequese é uma dimensão que deve estar
sempre presente na vida apostólica do laicato.
(338) CT 21.
(339) Cf. CT 67b-c.
(340) EN 58 indica como as comunidades
eclesiais de base floresçam quase que em todas as partes, na Igreja. RM 51
afirma que se trata de um «fenômeno em rápida expansão ».
(341) EN 58b.
(342) RM 51; cf. EN 58f; LC 69.
(343) RM 51c.
(344) Ibid.; cf. EN 58; LC 69.
(345) DCG (1971) 126. O Secretariado
diocesano (officium catechisticum) foi instituído em todas as dioceses
pelo decreto Provido sane (1935); cf. Sagrada Congregação do Concílio,
Decreto Provido sane (12 de janeiro de 1935): AAS 27 (1935), p. 151;
cfr. também CIC cân. 775, § 1.
(346) Cf. DCG (1971) 100. Veja-se as
linhas sugeridas na Exposição Introdutiva e o que se encontra afirmado
no capítulo « Análise das situações e das necessidades ».
(347) Cf. DCG (1971) 103. Veja-se no
capítulo « Programa de ação e orientações catequéticas ».
(348) Cf. DCG (1971) 108-109. Veja-se a
Quinta Parte, cap. 2: « A pastoral dos catequistas na Igreja particular
» e « Escolas de catequistas e Centros de Ensino Superior para especialistas
em catequese ».
(349) Cf. DCG (1971) 116-124.
(350) DCG (1971) 126.
(351) Cf. CT 63. O próprio Pontífice João
Paulo II recomenda dotar a catequese de uma « organização adequada e eficaz,
que empenhe na atividade as pessoas, os meios e os instrumentos e também os
recursos financeiros necessários » (ibid.).
(352) DCG (1971) 126.
(353) Ibidem.
(354) DCG (1971) 127.
(355) CIC cân. 775, § 3.
(356) Cf. DCG (1971) 129.
(357) AG 38a; cf. CIC cân. 756, §§ 1-2.
(358) João Paulo II, Alocução aos
Bispos dos Estados Unidos da América, durante o encontro no Seminário menor de
Los Angeles (16 de setembro de 1987): Ensinamentos de João Paulo II, X,
3 (1987), 556. A expressão foi retomada pela Congregação para a Doutrina da Fé,
Carta Communionis Notio, n. 13: l.c., 846.
(359) Constituição Apostólica Pastor
Bonus, art. 1. Esta Constituição, de 28 de junho de 1988, trata da reforma
da Cúria Romana, que fora requerida pelo Concílio; cf. CD 9. Uma primeira
reforma foi promulgada com a Constituição Apostólica de Paulo VI, Regimini
Ecclesiae Universae, de 18 de agosto de 1967: AAS 59 (1967), pp. 885-928.
(360) Vejam-se os n 282 e 285 do presente
capítulo.
(361) PB 94.
(362) RM 33.
(363) Ibid..
(364) CD 17a: « ...as várias formas de
apostolado... sejam adequadamente coordenadas e intimamente conjugadas,
sob a direção do Bispo, de maneira que todas as iniciativas e instituições de
caráter catequético, missionário, caritativo, social, familiar, escolar e de
quaisquer outras finalidades pastorais, se canalizem para uma ação de conjunto,
mediante a qual resplandeça ainda mais claramente a unidade da diocese ».
(365) Cf. Quarta Parte, cap. 2 : « A
catequese por idades ».
(366) CT 45b.
(367) Ibid.
(368) Cf. DCG (1971) 20, no qual se
indica como as outras formas de catequese são ordenadas (ordinantur)
para a catequese dos adultos.
(369) CT 18d.
(370) RM 33.
(371) Ibid.
(372) Cf. CT 19 e 42.
(373) Cf. AG 11-15. O conceito de
evangelização como um processo estruturado em etapas foi analisado na Primeira
Parte, cap. 1: « As etapas da evangelização ».
(374) CT 67c.
(375) DCG (1971) 100.
(376) Cf. Quinta Parte. cap. 2.
(377) DCG (1971) 102; cf. Exposição
introdutória, 16.
(378) Cf. DCG (1971) 117 e 134; PB 94.
(379) Em relação a este conjunto de livros
catequéticos a Catechesi Tradendae afirma: « Um dos aspectos mais
salientes da renovação da catequese nos dias de hoje, consiste na remodelação e
na multiplicação dos livros catequéticos, mais ou menos por toda a parte na
Igreja. Têm sido publicadas, realmente, numerosas obras, que têm tido muito
êxito, constituindo uma verdadeira riqueza a serviço do ensino da catequese »
(CT 49). DCG (1971) 120 define os textos didáticos da seguinte maneira:
« Os textos didáticos são subsídios oferecidos à comunidade cristã engajada na
catequese. Nenhum texto pode substituir a viva comunicação da mensagem cristã.
Os textos, todavia, são muito importantes, porque provêm a uma mais difusa
explicação dos documentos da tradição cristã e dos outros elementos que
constituem o discurso catequético ».
(380) Em relação aos Guias, DCG
(1971) 121 indica o que eles devem conter: « a explicação da mensagem da
salvação (com constantes referências às fontes e com a precisa indicação
daquilo que faz parte da fé e da doutrina segura, e daquilo que, ao invés, é
apenas opinião de teólogos): conselhos psicológicos e pedagógicos e sugestões
metodológicas ».
(381)
Cf. Terceira Parte, cap. 2: « A comunicação social »; cf. DCG (1971)
122.
(382)
CT 49b.
(383) Ibid.
(384) Ibid.
(385)
A questão dos Catecismos locais foi tratada na Segunda Parte, cap. 2: « Os
Catecismos da Igreja local ». Aqui se apresentam apenas alguns critérios para a
sua elaboração. Com a denominação « Catecismos locais », o presente documento
se refere aos Catecismos propostos pelas Igrejas particulares ou pelas
Conferências dos Bispos.
(386)
FD 4c.
(387)
CT 50.
(388)
DCG (1971) 119, 134; CIC cân. 775, § 2; PB 94.
(389)
Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Carta Communionis Notio, n. 9: l.c.,
843.
(390) Cf. EN
75a.
(391) Cf. EN
75b.
(392) RM 21.
(393) Cf. CT
72.
(394) CT 72.
(395) CT 73.